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CORREIO DO ESTADO

Confira o nosso editorial deste sábado: "Exemplo e cidadania"

Confira o nosso editorial deste sábado: "Exemplo e cidadania"

Redação

27/07/2019 - 03h00
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Apesar de nascido de uma carência do poder público, o trabalho dos moradores destas cidades do interior é um bom exemplo e sugere um dos caminhos a ser tomado pela sociedade

O brasileiro já está tão acostumado, em alguns casos desalentado, pelas deficiências do poder público na prestação de serviços em todas as àreas que em muitas situações exalta o cumprimento das obrigações por parte daqueles que o representa e, em outros casos, acaba ajustando o foco nos problemas e se esquece de que, em uma sociedade civil, também cabe a ele fazer a sua parte. 

Nesta edição, trazemos uma reportagem que mostra os exemplos da população. Em várias cidades da região Nordeste de Mato Grosso do Sul, os moradores se uniram, seja na forma de vaquinhas ou contribuições, para não permitir a atuação dos bandidos que ficaram conhecidos como novos cangaceiros. 

O trauma que estes assaltantes deixou nos moradores destas cidades ainda não foi superado, o que é compreensível. Os criminosos, em todas as ações de roubo em banco ou caixas eletrônicos, sempre se apresentaram com um poder de fogo superior ao das polícias, tanto em armamentos, quanto em número de veículos utilizados nos assaltos. Em vários casos, explodiram as agências bancárias, sendo que algumas tiveram de ser reconstruídas.

Se a forma mais eficiente do poder público mostrar seu poder de coerção é por meio da polícia, e da apresentação de seu aparato ao limitar os direitos daqueles que não cumprem a lei, nestas cidades, União e estado se mostraram fracos. Os bandidos acabaram levando a melhor.

Como toda ação provoca uma reação, a população das cidades do interior teve uma boa iniciativa de não esperar pelas polícias, e se proteger dos criminosos. Os bandidos do “Novo Cangaço”, diga-se de passagem, têm acumulado inúmeros sucessos frente às polícias do estados das regiões Centro-Oeste e Sudeste. Eles exploram justamente o ponto fraco das forças de segurança pública estaduais: a infraestrutura insuficiente para combater crimes complexos em cidades do interior. 

A ação dos cidadãos das cidades do interior de Mato Grosso do Sul lembra muito a forma como as polícias se organizam em pequenas cidades norte-americanas, em que a população local têm grande responsabilidade na prevenção e combate ao crime, deixando para as autoridades de outros entes federativos, o combate ao crime organizado de uma forma ampla.
Apesar de nascido de uma carência do poder público, o trabalho dos moradores destas cidades do interior, além de um bom exemplo, sugere um dos caminhos a ser tomado por toda a sociedade civil. A participação na vida em sociedade se dá de várias formas, e a mais importante é contribuindo, de alguma forma, para o bem comum. Esperamos que a polícia faça a parte dela, mas os cidadãos dos municípios que foram alvo do Novo Cangaço, estão de parabéns.

Artigo

Desmatamento global diminui, mas continua elevado

O relatório avalia os avanços no cumprimento dos compromissos assumidos por países, empresas e investidores para eliminar o desmatamento

22/10/2026 07h20

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O desmatamento destruiu 7 milhões de hectares de florestas nativas no mundo em 2025, 15% menos que em 2024. Apesar dessa queda, a perda continua muito acima do nível necessário para cumprir a meta de desmatamento zero até 2030.

O diagnóstico é da edição de 2026 do Forest Declaration Assessment, elaborado por uma coalizão de organizações da sociedade civil e de pesquisa.

O relatório avalia os avanços no cumprimento dos compromissos assumidos por países, empresas e investidores para eliminar o desmatamento e restaurar 30% dos ecossistemas florestais degradados até 2030.

Para isso, mede as variações anuais na perda de florestas em relação ao período de referência de 2018 a 2020 – quando o desmatamento atingiu uma média de 8,3 milhões de hectares por ano – e avalia se a redução avança no ritmo necessário para chegar a zero em 2030.

“É uma boa notícia, mas ainda estamos muito longe do progresso necessário para atingir a meta de desmatamento zero até 2030”, disse ao SciDev.Net Erin Matson, coautora do relatório, ao comentar a queda no desmatamento.

Entre 2021 e 2024, o desmatamento anual praticamente não se afastou da linha de base de 8,3 milhões de hectares. Segundo Matson, para manter a trajetória rumo ao desmatamento zero em 2030, a perda de florestas teria de diminuir cerca de 1 milhão de hectares por ano.

“Nesse ritmo, o desmatamento não deveria ter ultrapassado 5 milhões de hectares em 2024, mas chegou a 8 milhões. Em 2025, deveria ter caído para 4,2 milhões de hectares, mas somou 7 milhões”, acrescentou.
Isso faz de 2025 uma exceção, não um novo padrão.

“Se estivéssemos no caminho para alcançar o desmatamento zero, hoje ainda haveria 10,7 milhões de hectares de floresta em pé, uma área equivalente à da Islândia”, afirmou Erin Matson, consultora principal da Climate Focus, organização internacional de assessoria que trabalha com o desenvolvimento de políticas e projetos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Diferenças regionais: a situação é especialmente preocupante na Bacia do Congo, na África, a segunda maior bacia de floresta tropical do mundo, depois da Amazônia, e onde se encontra uma das maiores áreas remanescentes de floresta tropical intacta do planeta.

Em 2025, a região perdeu 2,4 milhões de hectares, cifra semelhante à registrada na América Latina tropical – um dos principais focos de desmatamento do mundo –, que perdeu 2,5 milhões de hectares.

Segundo o relatório, nos últimos cinco anos, medidas adotadas em alguns países latino-americanos – como a retomada do plano de ação contra o desmatamento na Amazônia e o reforço da fiscalização no Brasil – contribuíram para reduzir o desmatamento em 33% na região. Essa queda foi o principal fator por trás da redução mundial registrada em 2025.

Na Bacia do Congo, por outro lado, onde a perda de florestas decorre principalmente da expansão da agricultura, da exploração madeireira e da mineração, o relatório não identificou nenhuma iniciativa semelhante em andamento para conter o desmatamento.

Avanços em risco: mesmo na América Latina, não há garantias de que os avanços dos últimos anos serão mantidos. Segundo o relatório, a proteção das florestas na região “depende em grande medida das decisões de um pequeno número de governos”, cujas políticas podem mudar rapidamente conforme os resultados eleitorais.

Na Colômbia, o presidente recém-eleito, Abelardo de la Espriella, sinalizou uma ruptura com as políticas de proteção florestal de seu antecessor, ao revogar restrições à mineração e prometer apoio à expansão da exploração de petróleo e gás. Ambas as medidas representam ameaças potenciais às florestas.

Enquanto isso, no Peru, a presidente, Keiko Fujimori, prometeu acelerar os investimentos em mineração, inclusive por meio de um sistema de aprovação expressa e de incentivos fiscais, o que coloca em risco até mesmo áreas protegidas da Amazônia peruana.

No Brasil, o atual governo manteve uma postura favorável à proteção das florestas, mas uma mudança de governo após as eleições presidenciais no fim de outubro poderia ter sérias implicações para o futuro da Amazônia, sobretudo diante das crescentes ameaças climáticas.

“O próximo presidente do Brasil governará durante uma janela de vulnerabilidade extrema, em que conter o desmatamento será a única alavanca restante para afastar a Amazônia da beira do desastre”, disse ao SciDev.Net a geógrafa Ane Alencar, diretora científica do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), que estuda a Amazônia e o Cerrado.

“Independentemente do resultado, o setor do agronegócio demonstrou que consegue conviver com uma redução significativa do desmatamento”, acrescentou. “Nos últimos anos, conseguimos reduzir consideravelmente o desmatamento e o setor não foi prejudicado”.

Editorial

"Espertinhos" com os dias contados

A perícia também teria alcançado dados do Signal, aplicativo. Segundo as informações da investigação, os sistemas do MPMS recuperaram dados que teriam sido apagados

22/10/2026 07h10

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A denúncia de dois investigados na Operação Gutenberg, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), por suspeita de obstrução da Justiça abre novo capítulo no enfrentamento aos crimes de colarinho branco.

Em apurações de corrupção, lavagem de dinheiro e peculato, a tecnologia amplia a capacidade de identificar delitos e tentativas de dificultar o trabalho dos investigadores.

A perícia digital pode reconstituir ações realizadas em celulares e serviços de armazenamento em nuvem, inclusive o momento em que aplicativos ou arquivos foram apagados.

A análise permite confrontar registros com a cronologia da investigação e reunir elementos para apurar se houve intenção de impedir a coleta de provas. As suspeitas devem ser examinadas no devido processo legal.

O caso evidencia a importância dos investimentos do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) em ferramentas capazes de extrair e analisar dados de celulares e das nuvens contratadas por seus usuários.

Sem recursos especializados, parte dessas informações poderia permanecer inacessível ou ser muito mais difícil de recuperar.

A tecnologia não substitui o trabalho dos peritos: amplia sua capacidade de reconstruir fatos e produzir evidências para a Justiça.

A perícia também teria alcançado dados do Signal, aplicativo. Segundo as informações da investigação, os sistemas do MPMS recuperaram dados que teriam sido apagados. Se confirmados, esses elementos podem ajudar a esclarecer se houve tentativa de obstruir a apuração.

A responsabilização por esse tipo de conduta é importante porque destruir ou ocultar vestígios não pode ser uma saída para quem está sob investigação.

O avanço técnico envia um recado: apagar uma mensagem ou desinstalar um aplicativo não garante que os registros desapareçam, nem impede que a perícia identifique quando a ação ocorreu.

A recuperação, porém, depende das condições de cada aparelho e dos dados disponíveis; não significa que toda informação apagada possa ser sempre lida.

É preciso fortalecer a capacidade investigativa do Estado, com equipamentos atualizados, profissionais capacitados e procedimentos que preservem as provas e os direitos individuais.

A eficiência das investigações deve caminhar junto com o respeito à lei, à privacidade e às garantias de defesa.

Prevenir e punir crimes exige vigilância institucional. No combate à corrupção e à lavagem de dinheiro, isso significa acompanhar o caminho dos recursos, fiscalizar agentes públicos e empresas e investigar manobras para frustrar a Justiça.

A tecnologia não resolve sozinha esses problemas, mas, usada com rigor e responsabilidade, reduz espaços para a impunidade. Quem tenta apagar os rastros deve saber que a perícia pode encontrá-los.

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