Artigos e Opinião

EDITORIAL

Duplicação acelerada na BR-163 é boa notícia

Os benefícios da duplicação não se restringem à segurança. Rodovias de pista dupla reduzem o tempo de viagem e aumentam a previsibilidade logística

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A duplicação de trechos da BR-163 em Mato Grosso do Sul, agora sob responsabilidade da Motiva Pantanal – empresa que até pouco tempo atendia pelo nome de CCR MSVia –, surge como uma notícia relevante e necessária.

Após anos de atrasos, promessas não cumpridas e um histórico de insatisfação generalizada, o avanço das obras representa, antes de tudo, uma tentativa de reparação do tempo perdido em uma das rodovias mais estratégicas do Estado.

De acordo com o cronograma divulgado, pelo menos 22 quilômetros de pistas duplicadas deverão ser entregues até julho, em obras iniciadas após a repactuação do contrato de concessão.

Trata-se de um volume ainda modesto, diante da extensão total da rodovia, mas significativo, se comparado à quase estagnação que marcou os anos anteriores. O ritmo atual indica que, finalmente, a concessão começa a cumprir parte de seu papel, ainda que tardiamente.

A expectativa, no entanto, é de que esse ritmo não apenas se mantenha, mas seja aumentado. Mato Grosso do Sul depende de infraestrutura logística eficiente para sustentar seu crescimento econômico, reduzir custos e garantir segurança aos usuários.

Quanto mais trechos duplicados, melhor para todos: motoristas, transportadores, empresas e a população em geral.

Embora o discurso oficial frequentemente destaque a educação no trânsito como principal ferramenta de redução de acidentes, algo inegavelmente importante, é praticamente consenso técnico que rodovias de pista dupla reduzem de forma significativa os índices de acidentes graves.

Em especial, diminuem quase a zero a possibilidade de colisões frontais, reconhecidamente o fator que mais gera mortes e ferimentos graves nas estradas brasileiras.

Os benefícios da duplicação não se restringem à segurança. Rodovias de pista dupla reduzem o tempo de viagem, aumentam a previsibilidade logística e, mesmo com a cobrança de pedágio, tendem a diminuir os custos operacionais do transporte de cargas.

Menos tempo parado, menos desgaste de veículos, menor consumo de combustível e mais eficiência na circulação de mercadorias. Isso se traduz em competitividade econômica e, no fim da cadeia, em impacto positivo para o consumidor.

Além disso, há um ganho direto em qualidade de vida. Estradas mais seguras e rápidas significam menos horas longe de casa, menos estresse e menor risco para quem depende da rodovia diariamente, seja para trabalhar, estudar ou acessar serviços essenciais.

O avanço da duplicação da BR-163, portanto, deve ser visto como um passo importante, mas não como ponto de chegada. A infraestrutura logística de Mato Grosso do Sul ainda demanda investimentos contínuos, planejamento e fiscalização rigorosa. Espera-se que novas frentes de obras sejam abertas e que a concessão cumpra integralmente os compromissos assumidos. 

Melhorar a logística do Estado não é um favor, é uma necessidade. E todos merecem uma rodovia à altura da importância econômica e social que a BR-163 tem para Mato Grosso do Sul.

EDITORIAL

Malha Oeste: prioridade absoluta

A revitalização da Malha Oeste deveria ser o projeto número um para Mato Grosso do Sul. Não como promessa reiterada, mas como prioridade efetiva

16/02/2026 07h15

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A reportagem publicada nesta edição do Correio do Estado lança luz sobre um tema que, há anos, figura no discurso político e empresarial como promessa: o destravamento da Malha Oeste. Mais do que recuperar trilhos abandonados, trata-se de reacender uma engrenagem estratégica capaz de redefinir a economia de Mato Grosso do Sul.

O impacto vai além da ferrovia. A reativação da Malha Oeste pode impulsionar novos investimentos logísticos, inclusive a construção de outras ferrovias pela iniciativa privada, especialmente nas regiões leste e nordeste do Estado, área que passou a ser conhecida nacionalmente como o Vale da Celulose.

Ao oferecer uma espinha dorsal ferroviária eficiente, o Estado cria as condições para que novos ramais se tornem viáveis e rentáveis.

Não é exagero afirmar que a reconstrução da Malha Oeste está à frente, em potencial estruturante, até mesmo da Rota Bioceânica rodoviária – até porque a ferrovia se integra ao conceito bioceânico. Enquanto estradas são fundamentais, a ferrovia oferece ganhos permanentes de escala e custo. E é exatamente nisso que reside sua força transformadora.

Uma malha ferroviária em pleno funcionamento reduz custos de produtos que não são produzidos aqui, barateando insumos e bens que abastecem o mercado local.

Ao mesmo tempo, torna mais competitivos os produtos sul-mato-grossenses, ao diminuir o valor do frete até os grandes centros consumidores e portos de exportação. É um ganho estrutural, que não depende de incentivos temporários ou renúncias fiscais, mas de eficiência logística.

O exemplo dos combustíveis é emblemático. Com a Malha Oeste revitalizada, o transporte por trem poderia ser retomado. Isso significaria menos caminhões nas rodovias, menos desgaste da malha viária e, sobretudo, redução de custos.

Combustível é motor da economia. Quando seu preço diminui, quase todas as cadeias produtivas se tornam mais competitivas. Do agronegócio ao comércio, da indústria aos serviços, todos sentem o efeito.

Hoje, muito se fala no potencial de escoamento da celulose produzida no Estado rumo ao Porto de Santos. Sem dúvida, isso amplia a competitividade de um dos setores mais dinâmicos da economia local. Mas limitar a ferrovia a esse papel seria apequenar seu alcance.

Pelos trilhos podem seguir também grãos, minério de ferro, produtos frigoríficos e uma gama diversa de mercadorias. Cada tonelada transportada com menor custo amplia a vantagem competitiva de Mato Grosso do Sul.

A revitalização da Malha Oeste deveria ser o projeto número um do Estado. Não como promessa reiterada, mas como prioridade efetiva. Sair do papel, avançar nas obras, garantir modelagem adequada e segurança jurídica. Porque logística não é detalhe: é base. E uma base sólida pode sustentar décadas de crescimento consistente.

ARTIGOS

Por que a razão humana segue sendo o principal ativo competitivo?

Embora exista temor de substituição massiva de trabalhadores, a automação ainda não corroeu significativamente a demanda por trabalho cognitivo em toda a economia

14/02/2026 07h45

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Dados do Banco Mundial mostram que pela primeira vez na história mais pessoas têm mais de 60 anos do que menos de 15 em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil. Essa mudança demográfica altera profundamente a composição da força de trabalho, elevando o valor de habilidades que só humanos possuem.

Paralelamente, a inteligência artificial (IA) deixou de ser um conceito distante. Desde o lançamento do ChatGPT, há mais de dois anos, ferramentas de IA têm transformado como empresas criam produtos, interagem com clientes e tomam decisões estratégicas.

Um estudo de pesquisadores da Yale University e do The Brookings Institution concluiu que, embora exista temor de substituição massiva de trabalhadores, a automação ainda não corroeu significativamente a demanda por trabalho cognitivo em toda a economia.

Então, como conectar essas duas grandes forças, longevidade da população e adoção acelerada de IA, ao futuro do trabalho?

A IA é extraordinária em automatizar tarefas repetitivas e gerar eficiência em escala. Porém, seu valor é amplificado quando aplicada em parceria com pessoas que pensam criticamente, traduzem problemas complexos em soluções e constroem conexões humanas autênticas, algo que algoritmos, por mais avançados, ainda não replicam.

Segundo o Deloitte Global Human Capital Trends, as organizações de maior desempenho estão investindo em capacidade de adaptação humana, pensamento crítico e habilidades sociais justamente para integrar equipes híbridas de humanos e IA.

Isso significa que o diferencial competitivo não é quem tem mais tecnologia, mas quem consegue extrair significado dela aplicando discernimento, experiência e visão estratégica.

O envelhecimento populacional não é um problema, é uma oportunidade estratégica. Trabalhadores mais experientes trazem melhor capacidade de julgamento, visão sistêmica, gestão de complexidade e inteligência relacional. Essas habilidades são críticas em um mundo no qual a IA já está assumindo tarefas operacionais.

Além disso, pessoas mais velhas, com bagagem profissional consolidada, são menos propensas a ser substituídas por ferramentas automatizadas porque trabalham em níveis de abstração mais altos, envolvendo nuances de contexto que a tecnologia ainda não domina.

O mercado já está sinalizando quais papéis serão mais valorizados: especialistas que criam diretrizes éticas e de uso responsável de IA, líderes que alinham tecnologia a propósito organizacional, facilitadores que traduzem dados em decisões humanas, designers que desenham experiências colaborativas entre humanos e máquinas e curadores de conhecimento que mantêm a inteligência atualizada e contextualizada.

Esses perfis, identificados em estudos de tendências de futuro do trabalho, não trocam pensamento por automação, eles elevam a automação à inteligência estratégica.

A equação humana + IA é a que cria valor sustentável. A principal tendência para os próximos anos não é a IA substituindo pessoas, nem um retorno ao trabalho exclusivamente humano. É a colaboração entre ambos, a IA acelera a execução, e os humanos comandam significado.

Empresas que perceberem essa dupla lógica, tecnológica e humana, estarão não apenas mais competitivas, mas mais resilientes frente às mudanças demográficas e de mercado.

Em um mundo que muda rápido, a pergunta que líderes e profissionais devem fazer não é “O que a inteligência artificial vai fazer por mim?”, mas “Como eu uso a inteligência artificial para expandir aquilo que só eu posso oferecer: pensamento crítico, criatividade e julgamento ético?”

Essa é a pergunta que determina quem prosperará no futuro do trabalho.

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