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CORREIO DO ESTADO

Editorial desta quinta-feira: "Abismo moral dos vereadores"

Editorial desta quinta-feira: "Abismo moral dos vereadores"

Redação

08/10/2015 - 00h00
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A culpa dos problemas que Campo Grande atravessa não é exclusiva dos prefeitos, mas também dos vereadores, que integram uma das piores legislaturas da história 

As investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), na Operação Coffee Break, são a demonstração que faltava para comprovar o abismo moral, intelectual e de princípios no qual Campo Grande caiu, depois de eleger os representantes nas eleições municipais de 2012.

Que a cidade encontra-se sem rumo desde o dia 1º de janeiro de 2013, quando Alcides Bernal tomou posse, é do conhecimento de todos. Mesmo no período em que o vice de Bernal, Gilmar Olarte, esteve no comando do município, a população da capital sul-mato-grossense também sofreu com a falta de planejamento, de projetos de infraestrutura e de manutenção da qualidade dos serviços de educação e saúde.

Basta circular rapidamente, pelas ruas de Campo Grande, para constatar o abandono em que a cidade se encontra. Os buracos nas vias, a falta de merenda escolar, as filas em postos de saúde, a escuridão de avenidas importantes e bairros inteiros são nada menos que o reflexo das trevas que tomaram conta da Capital nestes últimos anos. Não houve, neste período, nenhuma ideia iluminada, dotada de princípios, para servir de alento à população.

A culpa dos problemas que o município atravessa, contudo, não é exclusiva dos dois últimos prefeitos do PP, Alcides Bernal e Gilmar Olarte, mas também dos vereadores que integram, certamente, uma das piores legislaturas da história de Campo Grande.

Foi a atual bancada de legisladores da Capital que se imergiu em “cafezinhos” (apelido que a propina recebeu de políticos da Capital) e aceitou “pixulecos” e “ingressos de circo”. Agora, os vereadores perderam a credibilidade para fazer o que eles deveriam: fiscalizar o Poder Executivo e propor leis que beneficiem, de fato, a população.

Não que a cassação de Alcides Bernal, no dia 13 de março de 2014, tenha sido incorreta. Pelo contrário, havia razões concretas para destituir o mandato do prefeito, mas as propinas e toda a trama envolvendo a sessão que resultou em cassação, que agora é revelada pelo Ministério Público Estadual e pela Polícia Federal, acabaram com a moral dos parlamentares da cidade.

Por causa dos cafezinhos, os vereadores da Capital agora não têm credibilidade suficiente para afastar novamente Bernal, que é réu na Justiça Federal, por improbidade administrativa. O afastamento é correto e é previsto em lei; porém, os parlamentares campo-grandenses parecem se preocupar muito mais com a salvação de seus mandatos e a difícil missão de limpar suas imagens, do que propriamente com os rumos de Campo Grande.

Infelizmente, quem paga a conta de todo este cenário de incertezas que tomou conta da cidade é a população. Por isso, para que o caos não se repita a partir de 2017, é preciso que, nas eleições do ano que vem, os eleitores tenham muita prudência, bons critérios e pensem no futuro do município, na hora de votar. 

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O futuro a quem pertence?

Mais sintomático que o povo nas ruas em legítimo ato de cidadania, é quando as pessoas se revoltam caladas nas casas, fábricas e universidades

29/05/2026 07h45

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“Hoje, as pessoas já não respeitam nada. Antes, colocávamos em um pedestal a virtude, a honra, a verdade e a lei. A corrupção campeia na vida destes dias. Quando não se obedece outra lei, a corrupção é a única lei. A corrupção está minando este país. A virtude, a honra e a lei se transformaram em fumaça e desapareceram de nossas vidas”.

As palavras acima são de Alphonse Gabriel Capone, o Al Capone, contrabandista e vendedor de bebidas durante a Lei Seca, nos Estados Unidos.

Também matou muitas pessoas. Foi preso por sonegação fiscal, dias depois da entrevista à revista Liberty, publicada em 17 de outubro de 1931.

Neste momento do Brasil, a reflexão do gângster gera questionamentos: O que busca o povo brasileiro quando vai às ruas em plena democracia? Que desejam jovens, adultos e idosos com diferentes mensagens, gritando antigas e novas palavras de ordem como nos tempos da ditadura?

Os brasileiros estão cansados de problemas crônicos: saúde, educação, desemprego e, em especial, a falta de ética na política. A roubalheira ao longo de décadas teve, no caso do Banco Master, a gota d’água.

Transbordou com a crise política, econômica, social e, acima de tudo, moral. Não há mais espaço para discurso vazio, promessa não cumprida, corrupção, desmando e incompetência. Muito menos para delatores ou não, criminosos que cometeram absurdos contra o povo.

Eles roubaram dinheiro que, se investido na saúde, teria salvado muita gente da morte em alguns surreais hospitais públicos de todo o País. Como Al Capone, ao falar de si mesmos, tentam nos enganar outra vez.

Posando como “heróis da Pátria”, com falso arrependimento prometem devolver o que roubaram e entregar comparsas. Não enganam ninguém. Queremos mudanças para valer, reformas estruturais que garantam inalienáveis direitos.

Mais sintomático que o povo nas ruas em legítimo ato de cidadania, é quando as pessoas se revoltam caladas nas casas, fábricas e universidades. A desesperança é muito perigosa.

Nestes tempos em que o povo retorna às ruas para exigir honestidade, lembro-me de um cidadão brasileiro, morto há 24 anos: Carlito Maia. Publicitário brilhante, jornalista irreverente, responsável agitador e o melhor amigo de qualquer um. Suave e forte. Apaixonado convicto, solidário e bem-humorado, integrou o seleto grupo dos “seres especiais em extinção”.

Carlito veio ao mundo a passeio, não em viagem de negócios – como dizia de si mesmo.

Foi o único sonhador realista que conheci. Transbordando ternura, mas também repleto de coragem, era capaz de derrubar montanhas para que elas não fossem a Maomé, só para o profeta não se acomodar. “Uma vida não é nada. Com coragem, pode ser muito”, dizia.

Em tempos bicudos, com tantas revelações de corrupção, imagino a decepção de Carlito. Ele preconizou muitas coisas que hoje estão acontecendo.

Sinto saudade de suas frases sábias, flores e cartões escritos com canetas bicolores, configurando sua comunicação criativa, lúcida e emocionada que faz refletir, querer e transformar.

Amado Carlito, você estava certo: “Nós não precisamos de muita coisa. Só precisamos uns dos outros”. Sem perder a esperança, mantendo a determinação de lutar por nossos direitos, defender verdade e justiça, podemos, com mais educação e cultura, mudar o Brasil pelo voto consciente e responsável.

A começar de uma escolha responsável de parlamentares, porque na prática eles exercem um poder executivo mesmo sob um regime presidencialista, e chegando à opção melhor para presidente.

Não podemos cair nas mãos sujas de quem, como sabemos, já mostrou em tristes quatro anos (2019-2023) que não respeita o Brasil, o seu povo.

E segue fazendo isso, como agora veio à tona, nos desdobramentos do vergonhoso caso do Banco Master.

“Acordem e progresso!”, disse o nosso Carlito Maia. Pensem nisso, porque voto é coisa séria. Pode ser uma ferramenta, pode ser uma arma.

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Entre o 6 e o 9: quando a política atravessa relações

Do ponto de vista psicológico, a polarização surge, muitas vezes, da insegurança diante do diferente: o medo de que ao escutar o outro se perca o rumo

29/05/2026 07h30

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A polarização política no Brasil é inegável. O País se vê dividido entre esquerda e direita, e essa cisão tem atravessado relações de forma profunda. Amizades antigas acabaram, famílias se desentenderam, casais se separaram. A divergência de ideias, quando acompanhada de emoções intensas, cria ruídos que se acumulam e provocam um verdadeiro “curto-circuito” nas relações. 

Do ponto de vista psicológico, a polarização surge, muitas vezes, da insegurança diante do diferente: o medo de que ao escutar o outro se perca o rumo.

Soma-se a dificuldade de lidar com sentimentos intensos, o que torna o diálogo mais árduo. Logo, em vez de se aproximar, a pessoa se afasta; em vez de escutar, reage; em vez de perguntar, julga. 

Ainda assim, quando falamos de pessoas de boa índole, temos algo em comum: embora as ideias divirjam, muitos dos ideais se aproximam.

Há um desejo compartilhado por justiça, dignidade, liberdade e acesso aos direitos básicos como saúde, segurança e educação. 

É nesse ponto que a metáfora do número 6 ganha força. Duas pessoas, frente a frente, podem olhar para o mesmo símbolo e enxergar coisas diferentes: uma vê um 6, a outra um 9.

Ambas estão certas dentro de seus pontos de vista. Assim também ocorre com as ideias: diferentes interpretações podem emergir a partir de um mesmo ideal. 

Quando aproximamos essas visões, surge o número 69. Nesse encontro, não há disputa sobre quem está certo, porque aquilo que antes era oposição se transforma em complementar.

Ou seja, duas perspectivas coexistindo e compondo algo maior quando colocadas, lado a lado, harmoniosamente. 

Talvez seja justamente essa a habilidade que falte ao Brasil, e a todos nós: a capacidade de transformar o embate em encontro. De lembrar que discordar não significa desarmonia.

De aceitar que ninguém enxerga tudo sozinho. De trocar certezas rígidas por curiosidade genuína. 

Entretanto, é preciso lembrar que somos seres humanos complexos, com uma diversidade de sentimentos que, se não bem administrados, podem gerar disputas e desavenças.

Por isso, não será surpresa se, mesmo quando os que veem 6 e os que veem 9 se integrarem, surgir alguém que diga que, de fato, o número é 96. Longe de ser um problema, é justamente entre integração e divergência que aparecem novos caminhos. 

O importante é reconhecer que, assim como os números 6, 9, 69 ou 96, as ideias podem assumir formas distintas, desde que o ideal permaneça ético, digno e coerente. Afinal, é isso que ainda nos mantêm em diálogo. 

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