Um dos fatores que mais pesam sobre os índices de inflação é o custo dos combustíveis. A explicação é simples: a produção de qualquer bem, ou da grande maioria deles, depende de energia, e uma parcela importante dela ainda está relacionada aos combustíveis derivados do petróleo.
Quando o preço sobe, o impacto se espalha pelo transporte, pela produção e, consequentemente, chega ao consumidor.
É por isso que a segurança energética é também um dos fatores fundamentais para o desenvolvimento de um país. Não basta ter capacidade de produzir alimentos, bens industriais ou serviços.
É necessário garantir que a energia utilizada para movimentar essa economia esteja disponível em quantidade suficiente e a preços que não inviabilizem a produção e o consumo.
É sob essa perspectiva macroeconômica que deve ser analisada uma notícia aparentemente restrita ao bolso do consumidor e que publicamos nesta edição: abastecer com etanol está mais barato. Em uma perspectiva microeconômica, a redução representa alívio para o motorista.
Mas, observada de maneira mais ampla, ela revela algo ainda mais importante: o aumento da oferta de etanol é também uma demonstração da segurança energética construída pelo Brasil ao longo de décadas.
Mesmo depois de quase 50 anos do Programa Nacional do Álcool, o Pró-Álcool, ainda surpreende muita gente que vem de fora a quantidade de veículos e máquinas que podem utilizar etanol no Brasil.
Essa característica da nossa matriz energética, fortalecida pela popularização dos carros flex, criou uma alternativa que poucos países possuem na mesma escala.
O baixo custo do etanol, em meio à escalada dos preços dos combustíveis no mercado internacional, também mostra que o Brasil dispõe de mais instrumentos para proteger sua economia de pressões inflacionárias provocadas pelo cenário externo, inclusive pela guerra no Irã. Quanto maior a dependência de petróleo importado, maior a vulnerabilidade diante de choques externos.
É verdade que medidas relacionadas aos preços dos combustíveis, como subsídios para diesel e gasolina, também ajudam. Mas existe uma vantagem estrutural que vai além de medidas temporárias.
O preço e a demanda do etanol, especialmente nos veículos flex, estão fortemente relacionados ao preço da gasolina. Essa tecnologia permite ao consumidor escolher entre combustíveis e cria um mecanismo adicional de concorrência.
Essa possibilidade de escolha funciona como proteção para a economia. Quando um combustível sofre pressão de preços, o outro pode ganhar espaço, limitando parte do impacto sobre o consumidor.
O Brasil não controla o preço do petróleo no mercado internacional nem os conflitos que afetam esse mercado. Pode, entretanto, diversificar sua matriz, ampliar a produção de energia e fortalecer alternativas aos combustíveis fósseis.
A segurança energética não é apenas uma questão estratégica de Estado. Ela chega ao orçamento das famílias, ao custo das empresas e à competitividade da economia.


