Artigos e Opinião

Editorial

Desinformação que custa vidas

Será liberdade quando a decisão é construída sobre desinformação? Uma escolha só pode ser verdadeiramente consciente quando existe acesso a informações corretas

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É lamentável o preço que a desinformação começa a cobrar da coletividade e, também, de alguns indivíduos. Em uma época em que o conhecimento está a poucos cliques de distância, é difícil compreender como informações falsas, teorias conspiratórias e discursos sem nenhum respaldo científico conseguem convencer tantas pessoas e produzir consequências tão concretas para a sociedade.

Algumas doenças que estavam praticamente erradicadas voltam a ameaçar a população. É o caso do sarampo, que voltou a registrar circulação no Brasil e em outros países da América do Sul.

A explicação passa, principalmente, pela queda da cobertura vacinal. Quando a população deixa de se vacinar em número suficiente, doenças que pareciam pertencer ao passado encontram novamente espaço para circular.

Mais lamentável ainda é perceber que por trás de parte desse movimento existem interesses políticos e estratégias de manipulação capazes de transformar a saúde pública em instrumento de disputa e controle de massas.

O resultado é uma espécie de regressão coletiva: a humanidade, que acumulou conhecimento científico suficiente para controlar doenças graves, passa a conviver novamente com riscos que poderiam ser evitados por uma medida simples, segura e amplamente estudada.

Conhecimento e bom senso são luz. A ciência não é uma questão de opinião, assim como a eficácia das vacinas não pode ser determinada por vídeos nas redes sociais, mensagens encaminhadas em grupos de conversa ou discursos de pessoas que não têm conhecimento técnico sobre o assunto.

Ainda assim, muitos daqueles que deixam de se vacinar afirmam fazê-lo em nome da liberdade.

Mas será mesmo liberdade quando a decisão é construída sobre desinformação? Uma escolha só pode ser verdadeiramente consciente quando existe acesso a informações corretas, conhecimento dos riscos e capacidade de avaliar evidências.

Quando alguém é levado a acreditar que uma vacina representa um perigo maior do que a própria doença que ela previne, sua decisão pode estar sendo moldada por uma narrativa criada justamente para o influenciar.

Por trás de uma pessoa que deixa de se vacinar, portanto, pode existir alguém interessado em manipular comportamentos e massas. E quando milhares ou milhões de pessoas passam a agir com base em informações falsas, o problema deixa de ser individual. A escolha de um interfere na proteção do outro, especialmente daqueles que, por razões médicas, não podem ser imunizados.

É nesse cenário de desinformação que iniciativas como o dia D de vacinação, realizado neste sábado, ganham importância. Campanhas públicas são fundamentais para aproximar a população dos serviços de saúde, esclarecer dúvidas e recuperar coberturas vacinais. É preciso vacinar para impedir que doenças evitáveis voltem a fazer parte do cotidiano.

A sociedade não pode aceitar que o avanço da ciência seja substituído pelo retrocesso da ignorância. Bons exemplos ajudam a reconstruir a confiança, assim como informação de qualidade é uma das melhores ferramentas contra a manipulação.

Combater a desinformação, nesse caso, não é apenas defender a ciência, é proteger vidas e garantir que conquistas que custaram décadas de trabalho não sejam perdidas por decisões baseadas em mentiras.

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Eleição: a festa da cidadania

A Igreja Católica não apresenta nem indica candidatos e partidos políticos. Sua verdadeira missão é colaborar com a formação da consciência dos fiéis

08/09/2026 07h30

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Será necessária muita sabedoria para que a eleição seja, de fato, a festa da cidadania – um momento livre de hostilidades e polarizações ideológicas. Dessa forma, todos os convidados, que são os eleitores e as eleitoras, não sairão decepcionados.

A Igreja Católica não apresenta nem indica candidatos e partidos políticos. Sua verdadeira missão é colaborar com a formação da consciência dos fiéis, oferecendo princípios éticos e morais inspirados no Evangelho e em sua doutrina social, amplamente explicitada em documentos, cartas e exortações.

Recentemente, no dia 18 de junho, o Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou sua mensagem ao povo brasileiro para as eleições deste ano, reafirmando o compromisso da Igreja com a promoção da dignidade humana e do bem comum.

Inspirada na passagem bíblica “Examinai tudo e guardai o que for bom” (1Ts. 5: 21), a mensagem ressalta que a participação consciente dos cidadãos no processo eleitoral é uma das mais elevadas formas de caridade e serviço à sociedade.

Os bispos afirmam que o pleito representa uma oportunidade privilegiada para o exercício da cidadania e da corresponsabilidade social. Além de escolher gestores, governantes e representantes, cada brasileiro é chamado a renovar o compromisso com valores fundamentais para a convivência democrática, a justiça social e a fraternidade.

Também vinculado à CNBB, o Centro Nacional de Fé e Política lançou oficialmente o subsídio “Eleições 2026: democracia, sinodalidade e bem comum”, que propõe uma série de encontros de reflexão e oração destinados à preparação espiritual, ética e social do povo brasileiro para o período eleitoral.

Esse itinerário formativo comunitário é baseado na metodologia da Conversa no Espírito, herdada do Sínodo dos Bispos promovido pelo saudoso Papa Francisco.

Na prática, uma das maneiras de fazer essa mensagem ecoar nas bases da sociedade é por meio das pastorais e dos movimentos eclesiais.

Entre outros organismos da igreja, o Movimento dos Focolares, por exemplo, baseia-se no carisma da unidade para promover uma participação política pautada pelo diálogo, pela ética e pela cultura da fraternidade.

O Focolares conta, inclusive, com um ramo específico: o Movimento Político pela Unidade (MPPU), que atua ativamente na conscientização e qualificação do debate público, promovendo campanhas de cidadania focadas no voto consciente, no voto ético e na fraternidade universal, tendo o diálogo pós-eleições como um dos pilares para garantir o bem comum.

Termino com as palavras inspiradoras da mensagem dos nossos bispos: “O Brasil necessita reforçar a capacidade de construir pontes, promover encontros e cultivar a amizade social”.

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Pix: quando uma inovação brasileira passa a chamar a atenção do mercado global

De acordo com dados do Banco Central, mais de 80% da população brasileira já utiliza o Pix

08/09/2026 07h20

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Poucas tecnologias conseguiram transformar tão rapidamente o comportamento financeiro de um país quanto o Pix. Lançado pelo Banco Central em 2020, o sistema de pagamentos instantâneos já movimentou 
R$ 84,9 trilhões até setembro de 2025, deixando de ser apenas uma alternativa às transferências bancárias para se tornar a principal infraestrutura de pagamentos do Brasil.

Hoje, pagar uma conta, fazer compras, transferir dinheiro ou receber um pagamento em segundos faz parte da rotina de milhões de brasileiros, uma mudança que também começa a despertar a atenção do mercado internacional.

Os números ajudam a explicar esse fenômeno. De acordo com dados do Banco Central, mais de 80% da população brasileira já utiliza o Pix e, somente em janeiro deste ano, foram registradas aproximadamente 7 bilhões de transações.

No comércio eletrônico, sua relevância também cresce de forma acelerada. O Global Payments Report 2026 aponta que o Pix já responde por 42% das transações do e-commerce brasileiro, consolidando-se como um dos principais meios de pagamento do País e uma referência mundial em pagamentos digitais.

O impacto dessa transformação foi profundo em todo o mercado financeiro: o Pix deixou de ser apenas um meio de pagamento para se tornar uma plataforma sobre a qual novos serviços financeiros vêm sendo construídos, estimulando a competição e reduzindo barreiras para a digitalização da economia.

Não por acaso, o modelo brasileiro passou a ser observado por diversos países que buscam modernizar seus sistemas de pagamentos.

Recentemente, o Pix ganhou ainda mais visibilidade internacional ao ser citado como um modelo de referência por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, em discussões sobre comércio e inovação financeira envolvendo o Brasil.

O episódio evidencia os impactos de uma solução desenvolvida para atender a demandas de consumo brasileiras e que, rapidamente, se consolidou e alcançou relevância suficiente para integrar o debate econômico global.

O interesse internacional não surge apenas da tecnologia em si, mas da combinação entre infraestrutura pública eficiente, ampla adesão da população e capacidade de gerar inovação em escala. Poucos sistemas de pagamentos no mundo conseguiram atingir, em tão pouco tempo, um nível tão elevado de utilização por consumidores, empresas e pequenos negócios.

O futuro do Pix também aponta para novas oportunidades. A integração com inteligência artificial permitirá experiências de pagamento ainda mais personalizadas, automatizando processos, aprimorando a prevenção a fraudes e oferecendo recomendações financeiras em tempo real.

Para as empresas, acompanhar essa evolução deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade estratégica. Organizações que conseguirem integrar novas tecnologias, oferecer experiências fluidas e utilizar os dados gerados pelos pagamentos de forma inteligente estarão mais preparadas para atender às expectativas de consumidores cada vez mais digitais.

O Pix nasceu como uma inovação brasileira voltada à eficiência do sistema financeiro. Seis anos depois, tornou-se um exemplo de como políticas públicas, tecnologia e colaboração entre regulador e mercado podem criar soluções capazes de transformar uma economia inteira e, agora, inspirar o restante do mundo.

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