Nos próximos dias, Campo Grande estará no centro de uma discussão global de grande relevância ao sediar a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens (COP15), um dos mais abrangentes eventos internacionais já realizados em sua história recente.
Serão milhares de participantes vindos de diversas partes do mundo, ocupando hotéis da Capital e circulando por espaços como o Bosque Expo e o Bioparque Pantanal, em uma intensa agenda dedicada à preservação da fauna e da biodiversidade.
Se as grandes conferências climáticas – como a COP30 – concentram esforços nas mudanças do clima, a COP15 direciona o foco para a proteção das espécies, dos habitats naturais e do equilíbrio ecológico, temas igualmente urgentes e estratégicos para o futuro do planeta.
Trata-se de um encontro de alto nível, promovido sob a chancela da Organização das Nações Unidas, que coloca Mato Grosso do Sul e o Brasil em evidência no cenário ambiental internacional.
É uma oportunidade rara de projeção, intercâmbio de conhecimento, atração de investimentos e fortalecimento de políticas públicas voltadas à conservação.
Mais do que isso, abre espaço para que experiências locais e regionais sejam apresentadas ao mundo, consolidando a imagem do Estado como referência em biodiversidade.
No entanto, chama a atenção – e causa preocupação – a aparente falha na comunicação entre os entes federativos responsáveis por viabilizar o evento.
Conforme apuração do Correio do Estado, até ontem, o governo federal repassava poucas informações de bastidores a atores fundamentais para a organização, como órgãos municipais e estaduais que terão papel decisivo na recepção, no suporte logístico e na segurança dos participantes.
A ausência de alinhamento mais claro compromete não apenas a eficiência da operação, mas também a imagem da cidade anfitriã. Eventos dessa magnitude exigem planejamento integrado, fluxo contínuo de informações e cooperação efetiva entre todas as esferas de poder.
Não se trata apenas de cumprir protocolos formais, mas de garantir que visitantes internacionais encontrem uma cidade preparada, organizada e à altura da importância do encontro.
É imprescindível que esse diálogo seja rapidamente ajustado. A partir de hoje, com a chegada dos primeiros participantes amanhã, espera-se que as informações circulem com mais clareza e que as responsabilidades estejam devidamente pactuadas entre União, Estado e município.
Campo Grande tem plenas condições de sediar um evento desta dimensão com excelência, mas, para isso, é necessário que a coordenação institucional funcione de forma harmônica, eficiente e transparente.
Receber bem é mais do que uma questão de hospitalidade; é também um gesto político e estratégico. O mundo estará olhando, e a impressão deixada agora poderá ecoar por muitos anos.


