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Quebrar criptografia não é mágica: o papel da tecnologia forense em investigações

É essa combinação que permite transformar informações aparentemente inacessíveis em dados passíveis de análise

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A CNN Brasil noticiou recentemente que a Polícia Federal conseguiu quebrar a criptografia e acessar os dados de um celular pertencente a Daniel Vorcaro, no contexto do caso do Master. Segundo a reportagem, o conteúdo do aparelho já foi acessado e os dados serão compartilhados com a investigação.

Notícias como essa chamam atenção porque reforçam uma percepção comum, e muitas vezes equivocada, de que dados protegidos por criptografia são, por definição, inacessíveis.

Na prática, o acesso a informações criptografadas não é simples nem trivial. Trata-se de um trabalho altamente técnico, que só se torna viável com o uso de tecnologia forense avançada, combinada a método, conhecimento especializado e procedimentos rigorosamente definidos.

É essa combinação que permite transformar informações aparentemente inacessíveis em dados passíveis de análise, preservando integridade, contexto e valor probatório.

No caso citado pela reportagem, há um ponto tecnicamente relevante: mesmo sem a colaboração do investigado no fornecimento da senha do dispositivo, a Polícia Federal conseguiu acessar os dados armazenados no aparelho e superar uma camada adicional de proteção criptográfica.

Esse cenário ilustra o nível de sofisticação das ferramentas forenses disponíveis atualmente quando aplicadas de forma adequada, com base em conhecimento técnico aprofundado e processos bem estruturados.

Ferramentas forenses especializadas, como as desenvolvidas pela empresa israelense Cellebrite, ou soluções como o Verakey, da Magnet Forensics, existem justamente para lidar com cenários complexos: dispositivos protegidos por senha, criptografia ativa, dados excluídos intencionalmente e situações em que não há cooperação do usuário para acesso ao conteúdo.

Diferentemente do imaginário popular, esse acesso não ocorre por tentativa e erro, mas por meio de técnicas avançadas de extração e análise, capazes de identificar registros internos, artefatos digitais e informações residuais que permanecem no dispositivo.

Todo esse processo precisa ser conduzido de forma documentada e tecnicamente defensável. Princípios como integridade da evidência, rastreabilidade e cadeia de custódia são fundamentais para garantir que os dados recuperados possam ser corretamente analisados, contextualizados e, quando necessário, utilizados em processos administrativos ou judiciais. Sem esse rigor, a informação perde valor técnico e jurídico.

Há, naturalmente, diferenças entre o uso dessas tecnologias no setor público e no setor privado, mas essas diferenças não estão na tecnologia em si. No âmbito público, órgãos de investigação utilizam essas ferramentas com base em autorizações judiciais e dentro de procedimentos legais específicos.

Algumas funcionalidades mais sensíveis são restritas às forças de lei, por envolverem prerrogativas próprias da atividade policial.

No setor privado, por sua vez, a tecnologia forense é amplamente utilizada em investigações internas, apurações de fraude, incidentes de segurança da informação, disputas corporativas, atividades de compliance e auditoria.

Na Protiviti, por exemplo, contamos com plataformas forenses amplamente reconhecidas e utilizadas globalmente, operadas por profissionais qualificados, para apoiar empresas na apuração de fatos, identificação de irregularidades e tomada de decisões baseadas em evidências técnicas, sempre em conformidade com os limites legais e as melhores práticas de governança.

Casos amplamente divulgados pela imprensa, como o de Vorcaro, reforçam uma realidade cada vez mais presente no ambiente corporativo: dados digitais deixam rastros. Saber lidar com esses rastros de forma responsável, técnica e estruturada é um diferencial estratégico.

A tecnologia forense digital cumpre justamente esse papel, trazer clareza, confiabilidade e sustentação técnica para decisões críticas, fortalecendo a integridade dos processos investigativos e a confiança das organizações em suas próprias respostas.

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Eleição: a festa da cidadania

A Igreja Católica não apresenta nem indica candidatos e partidos políticos. Sua verdadeira missão é colaborar com a formação da consciência dos fiéis

08/09/2026 07h30

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Será necessária muita sabedoria para que a eleição seja, de fato, a festa da cidadania – um momento livre de hostilidades e polarizações ideológicas. Dessa forma, todos os convidados, que são os eleitores e as eleitoras, não sairão decepcionados.

A Igreja Católica não apresenta nem indica candidatos e partidos políticos. Sua verdadeira missão é colaborar com a formação da consciência dos fiéis, oferecendo princípios éticos e morais inspirados no Evangelho e em sua doutrina social, amplamente explicitada em documentos, cartas e exortações.

Recentemente, no dia 18 de junho, o Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou sua mensagem ao povo brasileiro para as eleições deste ano, reafirmando o compromisso da Igreja com a promoção da dignidade humana e do bem comum.

Inspirada na passagem bíblica “Examinai tudo e guardai o que for bom” (1Ts. 5: 21), a mensagem ressalta que a participação consciente dos cidadãos no processo eleitoral é uma das mais elevadas formas de caridade e serviço à sociedade.

Os bispos afirmam que o pleito representa uma oportunidade privilegiada para o exercício da cidadania e da corresponsabilidade social. Além de escolher gestores, governantes e representantes, cada brasileiro é chamado a renovar o compromisso com valores fundamentais para a convivência democrática, a justiça social e a fraternidade.

Também vinculado à CNBB, o Centro Nacional de Fé e Política lançou oficialmente o subsídio “Eleições 2026: democracia, sinodalidade e bem comum”, que propõe uma série de encontros de reflexão e oração destinados à preparação espiritual, ética e social do povo brasileiro para o período eleitoral.

Esse itinerário formativo comunitário é baseado na metodologia da Conversa no Espírito, herdada do Sínodo dos Bispos promovido pelo saudoso Papa Francisco.

Na prática, uma das maneiras de fazer essa mensagem ecoar nas bases da sociedade é por meio das pastorais e dos movimentos eclesiais.

Entre outros organismos da igreja, o Movimento dos Focolares, por exemplo, baseia-se no carisma da unidade para promover uma participação política pautada pelo diálogo, pela ética e pela cultura da fraternidade.

O Focolares conta, inclusive, com um ramo específico: o Movimento Político pela Unidade (MPPU), que atua ativamente na conscientização e qualificação do debate público, promovendo campanhas de cidadania focadas no voto consciente, no voto ético e na fraternidade universal, tendo o diálogo pós-eleições como um dos pilares para garantir o bem comum.

Termino com as palavras inspiradoras da mensagem dos nossos bispos: “O Brasil necessita reforçar a capacidade de construir pontes, promover encontros e cultivar a amizade social”.

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Pix: quando uma inovação brasileira passa a chamar a atenção do mercado global

De acordo com dados do Banco Central, mais de 80% da população brasileira já utiliza o Pix

08/09/2026 07h20

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Poucas tecnologias conseguiram transformar tão rapidamente o comportamento financeiro de um país quanto o Pix. Lançado pelo Banco Central em 2020, o sistema de pagamentos instantâneos já movimentou 
R$ 84,9 trilhões até setembro de 2025, deixando de ser apenas uma alternativa às transferências bancárias para se tornar a principal infraestrutura de pagamentos do Brasil.

Hoje, pagar uma conta, fazer compras, transferir dinheiro ou receber um pagamento em segundos faz parte da rotina de milhões de brasileiros, uma mudança que também começa a despertar a atenção do mercado internacional.

Os números ajudam a explicar esse fenômeno. De acordo com dados do Banco Central, mais de 80% da população brasileira já utiliza o Pix e, somente em janeiro deste ano, foram registradas aproximadamente 7 bilhões de transações.

No comércio eletrônico, sua relevância também cresce de forma acelerada. O Global Payments Report 2026 aponta que o Pix já responde por 42% das transações do e-commerce brasileiro, consolidando-se como um dos principais meios de pagamento do País e uma referência mundial em pagamentos digitais.

O impacto dessa transformação foi profundo em todo o mercado financeiro: o Pix deixou de ser apenas um meio de pagamento para se tornar uma plataforma sobre a qual novos serviços financeiros vêm sendo construídos, estimulando a competição e reduzindo barreiras para a digitalização da economia.

Não por acaso, o modelo brasileiro passou a ser observado por diversos países que buscam modernizar seus sistemas de pagamentos.

Recentemente, o Pix ganhou ainda mais visibilidade internacional ao ser citado como um modelo de referência por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, em discussões sobre comércio e inovação financeira envolvendo o Brasil.

O episódio evidencia os impactos de uma solução desenvolvida para atender a demandas de consumo brasileiras e que, rapidamente, se consolidou e alcançou relevância suficiente para integrar o debate econômico global.

O interesse internacional não surge apenas da tecnologia em si, mas da combinação entre infraestrutura pública eficiente, ampla adesão da população e capacidade de gerar inovação em escala. Poucos sistemas de pagamentos no mundo conseguiram atingir, em tão pouco tempo, um nível tão elevado de utilização por consumidores, empresas e pequenos negócios.

O futuro do Pix também aponta para novas oportunidades. A integração com inteligência artificial permitirá experiências de pagamento ainda mais personalizadas, automatizando processos, aprimorando a prevenção a fraudes e oferecendo recomendações financeiras em tempo real.

Para as empresas, acompanhar essa evolução deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade estratégica. Organizações que conseguirem integrar novas tecnologias, oferecer experiências fluidas e utilizar os dados gerados pelos pagamentos de forma inteligente estarão mais preparadas para atender às expectativas de consumidores cada vez mais digitais.

O Pix nasceu como uma inovação brasileira voltada à eficiência do sistema financeiro. Seis anos depois, tornou-se um exemplo de como políticas públicas, tecnologia e colaboração entre regulador e mercado podem criar soluções capazes de transformar uma economia inteira e, agora, inspirar o restante do mundo.

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