Artigos e Opinião

ARTIGO

Maria Luiza Azzallini Medeiros:"Noite traiçoeira"

Professora ([email protected])

Redação

07/06/2015 - 00h00
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Quem manchou a política brasileira não foram governos de décadas passadas, mas sim o bolivarianismo fisiológico, que incha os poderes. Alguns  ainda  querem criar mais municípios, o que vai aumentar gastos e endividar ainda mais a nação, inviabilizando o futuro das próximas gerações. Aprova-se o que quer em nome da tal bancada, tratorando com ouvidos moucos a opinião do povo consciente, dizem ser éticos, dão gritos e gargalhadas no final das ditas votações e ainda têm a desfaçatez de dizer que os outros têm medo das candidaturas deles. Os brasileiros conscientes sabem muito bem dos seus engodos às massas mergulhadas na ignorância política e funcional, precisamos ainda de mais  transparência, chega de imediatismos! Na política, há de se ter contínua vigilância.

O Brasil é dos brasileiros e  não daqueles que só querem servir-se dele, barganhando seu voto nas votações de projetos de governo. A corrupção existe, sim, em todos os  países, mas o que não pode existir é a impunidade, o que não se deve ludibriar é o povo, com discursos manipuladores e de engodo. Justifica-se tudo mesmo sem ética. Os brasileiros conscientes estão saturados desse sistema bolivariano, populista e oportunista. A política não é profissão. Na reforma política, são interessantes as propostas de candidaturas avulsas; por isso, as propostas políticas dos candidatos devem ser registradas em cartório e na Justiça Eleitoral, em respeito ao eleitor, porque ele vota no candidato não para ocupar outro cargo em outro poder, mas sim para o qual foi eleito. A reforma política, que foi votada em uma das casas legislativas, nada tem a ver com as propostas que os brasileiros conscientes anseiam: como redução do número de partidos, desinchar o poder perdulário e o término das coligações não tão bem ditas.  

Bolivarianos não querem mudança nenhuma na política, buscam, sim, estratégias para fazer valer só a sua opinião, por regalias e poder. Antes das eleições, são humildes anjos  diante do eleitor; depois das eleições, são indiferentes à opinião dos brasileiros conscientes, chegam às sessões no parlamento com a mesma face de paisagem como assistimos pela mídia. A República repudia segredos, olhem como foi a sessão no parlamento, no dia 26.05.2015, contrariando a democracia, quando esses brasileiros que constroem nosso país estiveram nas galerias para assistir à retirada dos seus próprios direitos adquiridos. A todo momento, foram advertidos pelas suas manifestações e que seriam retirados  das galerias; isso é democracia e liberdade de expressão? Com certeza, não! Chegará a hora de a onça beber água, ao darem sua resposta àqueles que os traíram.  O parlamento deve, sim, sempre representar os brasileiros conscientes, e não bancadas daqui e dali, defendendo projetos oportunistas de governo.

Um senador perguntou: 
– Como chegarão as suas bases?. Então, dizemos: – Chegarão com as mesmas faces de paisagem de sempre, porque são egoístas, fisiológicos consideram  o povo pouco avisado útil para se eleger, não sabemos como ainda alguns lhes dão tanto palco no parlamento. Bolivarianos são do “tudo por regalias”, já não se preocupam mais com o seu futuro político porque já fizeram o seu pé de meia inviabilizando o Brasil e, depois, ainda vêm nos falar dos Brics; o necessário não seria o tal ajuste fiscal da forma que aconteceu, mas sim desinchar os poderes perdulários, cortando na sua própria carne, enxugando o número de ministérios, que são verdadeiros cabides de emprego e dos próprios poderes e o combate severo à corrupção corporativista em rede, num balcão de negócio, e a impunidade. R$ 495 bilhões é o que custa o poder brasileiro inchado.

Bilhões de reais são repassados nos ditos empréstimos,  pelo BNDES, para países totalitários da  África e da América Latina. Empréstimos para países deveriam passar pela aprovação do Congresso. Algumas instituições como o BNDES, por exemplo, devem passar, sim, por avaliações anuais; para isso, existem as CPIs. O povo deve acelerar a sua consciência política e deixar de ser masoquista, votando no seu próprio carrasco. Quanta hipocrisia! Falta eficiência, escamoteia-se a verdade e, de todas as maneiras, tenta-se jogar desmandos para debaixo do tapete, num abafa-abafa, tudo corporativista com seus desvios de foco. Como existem estratégias para engambelar os menos esclarecidos politicamente! Entretanto, a máscara está caindo, tanta arrogância e prepotência de nada adiantará perante Deus.

EDITORIAL

O abandono bilionário da Malha Oeste

Rumo acumula dívida bilionária com a União, enquanto a principal ferrovia de MS segue sucateada, sem investimentos e cercada de dúvidas sobre o futuro da concessão

16/05/2026 07h15

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Mais uma vez, Mato Grosso do Sul acompanha uma novela ferroviária cujo fim parece previsível. Enquanto os capítulos seguem se arrastando em Brasília, os prejuízos continuam acumulados ao longo dos trilhos enferrujados da Malha Oeste.

Nesta edição, mostramos que a Rumo Malha Oeste acumula dívida de R$ 1,1 bilhão com a União por atrasos em parcelas da concessão e também no arrendamento dos 1,9 mil quilômetros da ferrovia.

O valor impressiona, mas talvez mais preocupante seja a sensação de que, no fim, a concessionária encontrará um caminho para escapar da conta, enquanto a população continuará convivendo com uma ferrovia sucateada, lenta e incapaz de cumprir o papel estratégico que já teve no desenvolvimento regional.

É difícil imaginar outro desfecho. O histórico recente das concessões ferroviárias brasileiras mostra que grandes grupos econômicos frequentemente conseguem renegociar contratos, alongar prazos e reduzir obrigações. Já os prejuízos ficam para os municípios, para o setor produtivo e para a população.

Independentemente do que venha a ocorrer com a multa aplicada à Rumo, ela parece plenamente justificável. Afinal, a deterioração da Malha Oeste não aconteceu da noite para o dia. Foram décadas de baixa utilização, poucos investimentos, fechamento gradual de trechos e perda de competitividade logística.

Em muitos pontos, a ferrovia se transformou praticamente em uma estrutura abandonada atravessando cidades e áreas produtivas.

E isso não é pouca coisa. Foi justamente a Malha Oeste que ajudou a construir boa parte da economia sul-mato-grossense durante o século 20. Os trilhos tiveram papel decisivo no transporte de cargas, no escoamento da produção agropecuária e no desenvolvimento de diversas cidades do Estado.

Hoje, o contraste é evidente. Enquanto outras regiões modernizam suas ferrovias, Mato Grosso do Sul vê sua principal linha férrea perder relevância ano após ano. Isso encarece a logística, aumenta a dependência das rodovias e reduz a competitividade econômica do Estado.

O governo federal prevê uma nova licitação da Malha Oeste ainda neste ano. E a própria Rumo deve participar do processo.

Surge então uma pergunta inevitável: se vencer novamente, a empresa fará os investimentos necessários para recuperar a ferrovia ou apenas buscará manter a concessão para escapar de multas e impedir o avanço de concorrentes?

A dúvida faz sentido. A poucos quilômetros da Malha Oeste opera a Malha Norte, também controlada pela Rumo Logística. Em um setor estratégico como o ferroviário, concentração excessiva pode significar menos investimentos e menos interesse na recuperação de trechos considerados pouco rentáveis.

Mato Grosso do Sul não pode aceitar passivamente o abandono de sua principal ferrovia. A discussão sobre a Malha Oeste não envolve apenas contratos bilionários, trata-se do futuro logístico do Estado e da capacidade de retomarmos um modal que foi essencial para o nosso desenvolvimento.

Artigo

Wokeísmo: o que ele revela sobre a sociedade contemporânea

Em sua essência, o wokeísmo se ancora na ideia de interseccionalidade

15/05/2026 07h45

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Nas últimas décadas, poucos fenômenos socioculturais provocaram debates tão intensos quanto o chamado wokeísmo. Frequentemente associado à defesa da justiça social, da igualdade e da valorização da diversidade, esse movimento emergiu como uma força significativa na arena pública, influenciando não apenas o discurso político, mas também a cultura, as instituições e o mundo corporativo.

Em sua essência, o wokeísmo se ancora na ideia de interseccionalidade (estrutura analítica cunhada pela jurista norte-americana Kimberlé Williams Crenshaw), isto é, a compreensão de que diferentes formas de desigualdade, como raça, gênero e classe social, não operam de maneira isolada, mas interligada.

Essa perspectiva permitiu ampliar o olhar sobre injustiças estruturais historicamente negligenciadas, promovendo maior sensibilidade coletiva em relação às experiências de grupos marginalizados.

No entanto, à medida que ganhou visibilidade e influência, o movimento também passou a ser alvo de críticas consistentes.

Para seus defensores, trata-se de um avanço moral necessário, capaz de estimular empatia, corrigir desigualdades e dar voz a quem por muito tempo foi silenciado.

Já para seus críticos o wokeísmo pode, paradoxalmente, restringir o próprio diálogo que pretende promover, ao criar ambientes em que opiniões divergentes são desencorajadas ou até mesmo punidas.

Um dos pontos centrais dessa crítica reside na dificuldade crescente de se estabelecer um debate aberto e plural.

Em contextos marcados pelo receio de reprovação social, indivíduos tendem a evitar posicionamentos que possam ser interpretados como inadequados.

O resultado, muitas vezes, é um empobrecimento do debate público, no qual a complexidade das questões sociais cede espaço à polarização e à autocensura.

Outro aspecto frequentemente discutido é o foco acentuado nas experiências individuais. Embora reconhecer vivências pessoais de discriminação seja fundamental, há o risco de que a ênfase excessiva no indivíduo dificulte a construção de soluções coletivas e estruturais.

A transformação social duradoura exige, afinal, não apenas o reconhecimento de injustiças, mas também a articulação de respostas amplas e sistêmicas.

Ainda assim, seria reducionista ignorar os impactos positivos associados ao wokeísmo. Movimentos como o #MeToo e o Black Lives Matter exemplificam como a amplificação de vozes historicamente marginalizadas pode gerar mudanças concretas.

Questões antes invisibilizadas, ou seja, pautas sociais negligenciadas pelo debate público, como assédio sexual, violência policial e desigualdade racial, passaram a ocupar o centro do debate público, pressionando instituições e governos a agir.

Além disso, o movimento contribuiu para avanços em transparência e responsabilidade, como no caso da divulgação de disparidades salariais entre homens e mulheres em diversos países.

Tais iniciativas demonstram que a conscientização social pode, de fato, traduzir-se em políticas e práticas mais equitativas.

Por outro lado, o crescimento do wokeísmo também trouxe à tona um fenômeno peculiar: o chamado “capitalismo woke”.

Nesse contexto, empresas passaram a adotar posicionamentos públicos sobre questões sociais, incorporando pautas como diversidade, inclusão e sustentabilidade em suas estratégias de marca.

Embora, à primeira vista, isso represente um avanço na responsabilidade corporativa, não faltam questionamentos sobre a autenticidade dessas ações.

Campanhas publicitárias e iniciativas empresariais frequentemente oscilam entre o compromisso genuíno e o oportunismo estratégico.

Quando o engajamento social se torna um ativo de marketing, surge a dúvida inevitável: trata-se de transformação real ou apenas de adaptação às expectativas do consumidor contemporâneo?

Diante desse cenário, o wokeísmo revela-se como um fenômeno complexo, repleto de tensões e ambiguidades. Sua capacidade de promover conscientização e mobilização social é inegável, mas seus efeitos colaterais, como a polarização e a limitação do debate, não podem ser ignorados.

Talvez o caminho mais produtivo não seja a adesão irrestrita nem a rejeição absoluta, mas sim uma abordagem crítica e equilibrada. Isso implica reconhecer tanto suas contribuições quanto suas limitações, preservando o espaço para o diálogo aberto, a diversidade de pensamento e a construção coletiva de soluções.

Em última instância, o desafio não está apenas no wokeísmo em si, mas na forma como a sociedade escolhe lidar com ele. Se conduzido com maturidade e espírito crítico, pode servir como instrumento de progresso.

Caso contrário, corre o risco de se tornar mais um elemento de divisão em um mundo já profundamente fragmentado.
 

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