Artigos e Opinião

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Mateus Boldrine Abrita e Fábio Edir dos Santos Costa: A importância da inovação e das universidades

Professor e Reitor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, respectivamente

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O Mercosul e a União Europeia firmaram um acordo para reduzir de tarifas entre os dois blocos e, assim, fomentar o comércio entre eles. De um modo geral, os países ou regiões que detém maior eficiência tendem a possuir um benefício maior nesses acordos. Nesse contexto, a eficiência, a inovação, a ciência e a tecnologia ganham extrema relevância, sobremaneira a cooperação entre universidades e o setor produtivo.

Um ponto importante para os países da América Latina é promover um incentivo, no sentido de fomentar setores e produtos com elevados conteúdos tecnológicos, maior valor agregado, alta demanda mundial e que tenham ganhos de produtividade. Esses fatores podem favorecer a formação de um círculo virtuoso de crescimento, possibilitando o desenvolvimento socioeconômico.

Os sistemas de inovação têm se mostrado elementos basilares e sustentáculo para o desenvolvimento econômico dos países desenvolvidos. Diversas pesquisas têm apontado que buscar um sistema nacional de inovação “maduro” é muito relevante para que determinada economia consiga alcançar o nível de renda dos países mais ricos.

Mas, afinal, o que é um sistema de inovação? De um modo geral, sistema de inovação é uma criação e fortalecimento institucional para a cooperação, aprendizado e interações que promovam um ambiente favorável à geração e difusão de novas tecnologias. Ou seja, esta construção institucional pode propiciar um ambiente inovativo que auxilie a estrutura produtiva.

Nesse contexto, o Corredor Bioceânico, também conhecido como Rota de Integração Latino-Americana (Rila), que busca diminuir a distância entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile em relação a Ásia, constitui uma janela de oportunidade para o desenvolvimento. Esse corredor de transporte até os portos do pacífico pode contribuir para elevação da competitividade do setor produtivo, reduzir custo e tempo, fomentar o turismo e a economia criativa e suscitar um movimento de carga e de passageiros mais eficaz. Entretanto, talvez o mais importante seja a janela de oportunidade para estimular o desenvolvimento de projetos de integração e cooperação produtiva e inovativa entre os países.

Deste modo, a Rede Universitária da Rila (UniRila) tem extrema relevância. Essa rede, da qual a Uems é integrante, é composta por universidades do Brasil, Argentina, Chile e Paraguai com propósito de promover a integração. Essas interações possibilitarão a criação e fortalecimento de uma rede entre universidades, institutos de pesquisa, órgãos dos governos e empresas com o objetivo de gerar, absorver e difundir inovações tecnológicas, por meio de cooperação, aprendizado, trocas informacionais e experiências. Com isso, é possível auxiliar no fortalecimento dos arranjos produtivos ao longo da rota, com possibilidade da criação de sistemas inovativos para a promoção do fortalecimento da produção, buscando maior valor agregado, novas formas de organização, novos modelos de negócio e demais novidades que elevem a competitividade, lucratividade e empregabilidade.

Esta estratégia de fortalecimento institucional para promover a cooperação, inovação e eficiência ganha ainda mais destaque quando está em pauta o acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Certamente, este acordo pode ser uma grande oportunidade para os países envolvidos. Contudo, a possibilidade de “perdermos” em vários setores aos quais somos menos competitivos também é um risco relevante, principalmente se ficarmos “acomodados”.

É importante destacar que as universidades estão preparadas, cumprindo sua missão. E estão prontas para que, por meio do conhecimento nela gerados, fomentem, junto das demais instituições, governo e setor produtivo, o desenvolvimento socioeconômico e cultural que os governos tanto precisam e a sociedade tanto merece.

ARTIGOS

Quando a busca por saúde coloca a vida em risco

O rótulo "100% natural" muitas vezes mascara riscos graves e cria a ilusão de um tratamento inofensivo

05/10/2026 07h25

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Minha avó sempre dizia que não existem soluções simples para problemas difíceis, e levei anos para entender o quanto ela tinha razão. Hoje, como endocrinologista, vejo essa verdade se repetir todos os dias.

No consultório, acompanho principalmente pacientes com obesidade e mulheres na menopausa. Quanto mais estudo essas condições, mais percebo que ambas envolvem uma fisiologia profundamente complexa.

Na obesidade, ocorre uma desregulação dos hormônios responsáveis pelo controle da fome e da saciedade. Já na menopausa, há uma queda significativa na produção dos hormônios femininos. Em comum, as duas deixam as pessoas mais vulneráveis a promessas de soluções rápidas.

Nas redes sociais, porém, essa complexidade vira mercadoria e é reduzida a fórmulas simplistas. Surgem o “chá seca-barriga” para emagrecer e a “fórmula mágica” para aliviar o cansaço e os fogachos da menopausa.

Afinal, quem não gostaria de uma solução rápida?

O problema é que o rótulo “100% natural” muitas vezes mascara riscos graves e cria a ilusão de um tratamento inofensivo. Natural, porém, não é sinônimo de seguro. A cocaína é derivada de uma planta e nem por isso seu uso é recomendado.

O grande risco por trás dessas promessas reside na adulteração criminosa de chás e suplementos com potentes fármacos sintéticos.

E isso não é especulação: laudos da Polícia Científica de Santa Catarina já identificaram substâncias como anfetaminas, antidepressivos, ansiolíticos e até alucinógenos em pílulas emagrecedoras e outros produtos vendidos livremente na internet como “naturais”.

Nos Estados Unidos, o cenário se repete, com dezenas de suplementos para perda de peso recolhidos por conterem substâncias farmacológicas não declaradas no rótulo.

A exposição contínua a essas substâncias pode sobrecarregar órgãos vitais e o sistema cardiovascular, provocando reações adversas graves. Os usuários relatam desde sede excessiva e dores de cabeça até tonturas intensas e episódios de perda de consciência, que podem levar à internação em unidades de terapia intensiva.

Parte desse perigo decorre também da combinação de diferentes compostos farmacológicos, em dosagens desconhecidas e sem controle sanitário. Nessas condições, transformam-se em verdadeiras bombas-relógio para o organismo, capazes de causar complicações graves e até a morte.

Os dados mostram que não se trata de casos isolados. Entre 2020 e 2025, 63% dos processos de investigação instaurados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) envolveram suplementos alimentares irregulares, muitos deles associados a promessas de resultados estéticos milagrosos.

A agência mantém, inclusive, uma extensa lista de emagrecedores proibidos que, infelizmente, continuam circulando de forma clandestina.

Mas os danos não se limitam à saúde física. Quando a primeira “solução milagrosa” fracassa, surge a frustração.

O resultado não corresponde à promessa, e a culpa aparece: por que tanta gente conseguiu e eu não? Esse sentimento de fracasso aprofunda a vulnerabilidade e alimenta um ciclo perigoso. A pessoa continua buscando soluções rápidas, gastando dinheiro, perdendo tempo e colocando a saúde em risco.

O fato é que o verdadeiro tratamento da obesidade não cabe em uma cápsula comprada às escondidas na internet. Ele exige uma equipe multidisciplinar, mudanças progressivas no estilo de vida e, quando necessário, o uso de medicamentos prescritos com critério e monitoramento.

Vale, então, uma pergunta honesta: a busca é realmente por saúde ou por um padrão estético a ser atingido a qualquer custo? Enquanto não enfrentarmos essa pergunta com honestidade, continuaremos reféns de promessas fáceis e dispostos a arriscar a própria saúde por qualquer solução que prometa bem-estar imediato.

EDITORIAL

MS escolheu continuar avançando

A reeleição de Eduardo Riedel no primeiro turno confirma a aprovação ao modelo de gestão e abre caminho para mais investimentos e crescimento em MS

05/10/2026 07h15

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A população de Mato Grosso do Sul mostrou nas urnas que aprovou o projeto conduzido pelo governador Eduardo Riedel (PP). A votação expressiva que garantiu a reeleição no primeiro turno, de maneira muito mais tranquila do que há quatro anos, representa mais do que a escolha de um nome para comandar o Estado.

É também um reconhecimento ao modelo de gestão adotado nos últimos anos e uma sinalização de que a população deseja que esse caminho tenha continuidade.

Riedel recebeu das urnas uma demonstração de confiança. Em uma eleição marcada por diferentes projetos políticos, o eleitorado optou pela continuidade. O resultado não deixa dúvida de que a maioria aprovou o trabalho realizado e entende que o Estado está no caminho correto.

Somados os dois primeiros mandatos de Reinaldo Azambuja (PL), eleito senador ontem, serão 16 anos de administração conduzida pelo mesmo grupo político. É tempo suficiente para avaliar resultados. E, até aqui, os indicadores mostram avanços importantes para Mato Grosso do Sul.

Nesse período, o Estado recebeu mais de R$ 100 bilhões em investimentos. A indústria de celulose, a bioenergia e outras atividades produtivas ajudaram a transformar a economia sul-mato-grossense, atraindo capital, ampliando a produção e criando novas oportunidades de emprego e renda.

Investimentos dessa dimensão movimentam a construção civil, o comércio, os serviços, a logística e uma extensa cadeia de fornecedores, além de ampliar a arrecadação e a capacidade de investimento público.

Mato Grosso do Sul ainda precisa melhorar sua infraestrutura, ampliar a qualidade dos serviços públicos, reduzir desigualdades regionais e preparar suas cidades para o crescimento. O desenvolvimento precisa transformar os ganhos econômicos em melhoria concreta da qualidade de vida.

Mas é preciso reconhecer o que foi feito. A população reconheceu nas urnas os avanços registrados pelo Estado e decidiu dar continuidade ao projeto. Essa escolha traz uma responsabilidade ainda maior para o governo reeleito: entregar mais e fazer melhor.

O resultado eleitoral deve ser interpretado como uma oportunidade para aprofundar aquilo que deu certo e corrigir o que ainda precisa ser melhorado. A confiança recebida precisa ser transformada em trabalho, planejamento e responsabilidade fiscal.

Mato Grosso do Sul tem condições excepcionais para continuar crescendo. Que os próximos anos sejam marcados por mais investimentos, mais empregos, melhor infraestrutura e serviços públicos eficientes. A população reconheceu os avanços. Daqui, esperamos que Mato Grosso do Sul continue avançando.

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