Artigos e Opinião

ARTIGO

Mônica Fernandes: "Ser mulher no mundo Vuca"

Coach, vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos-MS

Continue lendo...

Mês da mulher: mulher no mundo de hoje - Você sabe o que é um mundo Vuca? É o mundo da Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade. 

Nesse contexto, para quem está acostumado a ter segurança e estabilidade será necessário repensar a vida e aprimorar algumas habilidades. 

Pela própria sua própria condição, a mulher está apta e sempre se reinventa. 

Diante do mundo que a oprime constantemente, é forçada a recomeçar e criar novas situações, constantemente, renascendo, cada vez mais forte. 

Aprendeu a ser corajosa e destemida, e assim, conseguiu ultrapassar os séculos de exploração.

É preciso resiliência para que o ser humano se mantenha inteiro e tenha ânimo para se adaptar a novos cenários que estão em construção. 

É o recomeçar. Para a mulher isso é comum, pois vem do exercício de ser mulher, como sempre foi impedida a prosseguir, teve que treinar saber caminhar por outros trajetos, para conseguir seu lugar na sociedade.

A adaptação a esse novo mundo faz o indivíduo se tornar mais flexível diante da realidade do dia- a- dia. 

Por muitos séculos, a mulher foi apenas mãe e como tinha muitos filhos, aprendeu a negociar e compor todas as nuances da convivência familiar, tornando -se assim, uma grande negociadora. Sabe compor, retroceder, barganhar, convencer, dissuadir estrategicamente em prol de todos. 

É muito humana, pela própria natureza e assim, claro que é mais flexível que o homem, pois possui maior inteligência emocional.

Quanto maior a visão, mais ampla também a possibilidade de se encontrar soluções. 

Mulher tem esse olhar global. 

Justamente pela urgência de saber lidar com todas as novas questões deste mundo Vuca que se instalou entre nós, a gestão feminina é a voga do momento. Chama-se Lateralidade, que é composta pela cooperatividade, liderança compartilhada. Novos tempos e novos comportamentos.  

O verdadeiro líder é mais eficaz porque tem empatia e intuição, sabe se colocar no lugar do outro, falar sua língua e prever o melhor caminho, virtudes tão necessárias no mercado de trabalho hoje, e a mulher é dona dessas habilidades e ainda com grande capacidade de negociação e resultados. 

E é inclusive amorosa. A mulher lidera hoje os lares, é a chefe de família, na maioria deles, pois no amor, assume mais responsabilidades que o homem. 

Enquanto ele vai embora, ela fica. Anda carente com este sistema de relações líquidas e frívolas que se instalou em nosso mundo, mas é movida pela crença de um amor que a satisfaça e a faça feliz.  

A mulher está descobrindo finalmente seu lugar e entendeu que se unindo a outras mulheres, irmãs da mesma dor, fica mais forte e chega mais longe. 

Está se organizando em grupos, associações, grupos políticos, feministas, verdadeiros clãs, para efetivamente alcançarem mais condições e direitos.  

Artigo

A solidão de quem decide: o lado invisível da liderança

Há algumas razões pelas quais essa solidão é inevitável. Uma delas é que determinadas informações não podem circular

21/08/2026 08h45

Continue Lendo...

Poucas pessoas ousam falar da solidão da liderança. Talvez porque poucos cheguem a essa cadeira, o assunto raramente está entre os mais debatidos. Boa parte da solidão de quem decide não é um defeito a ser corrigido: trata-se de uma condição inerente à função.

Há algumas razões pelas quais essa solidão é inevitável. Uma delas é que determinadas informações não podem circular.

Quem ocupa posições de comando tem acesso antecipado a dados sensíveis, reestruturações, segredos do negócio, decisões sobre pessoas, que, se revelados fora de hora, quebrariam sigilos, gerariam pânico ou seriam injustos com terceiros. Guardar esse peso é uma questão de responsabilidade inerente ao cargo.

Outra, mais estratégica, recai sobre as decisões ainda em depuração. Uma escolha exposta antes do tempo deixa de ser decisão e vira boato. O rádio corredor, como muitos apelidaram carinhosamente, alimenta especulação e retira do líder o controle sobre quando e como comunicar.

Amadurecer uma escolha exige estratégia, e esse intervalo de silêncio só pode ser habitado a sós. Há ainda o diálogo interno incessante sobre caminhos, possibilidades e a famosa política que paira sobre toda empresa.

Reconhecer que esse silêncio existe derruba o mito da liderança no pedestal e a revela em conflito interno constante. Essa é a face invisível da liderança. Enquanto equipes debatem, questionam e reagem, quem ocupa o cargo de liderança aprende que a última palavra costuma ser solitária.

Vulnerabilidade, nesse contexto, ainda é lida como fraqueza, e o gestor desenvolve uma habilidade perigosa: esconder dúvida, medo e cansaço atrás de um discurso de firmeza e positividade. O resultado é um trabalho emocional que ninguém vê e que nenhum indicador contabiliza.

A neurociência já demonstrou que não existe decisão puramente racional: o cérebro emocional participa de cada escolha.

Reprimir o que se sente não elimina o sentimento; apenas o torna invisível e, com o tempo, tóxico. É desse acúmulo silencioso que nascem o esgotamento, o isolamento e escolhas tomadas mais para aliviar a angústia do que para servir ao negócio.

A obsessão por resultados imediatos agrava o quadro: gerir pessoas não é gerir números. Atrás de cada meta há alguém dividido entre o que os dados pedem e o que a consciência cobra, e ignorar esse conflito transfere o custo para a saúde de quem lidera e para o clima da organização.

Reconhecer os próprios limites e aceitar que essa solidão é inerente ao cargo deveria integrar a caixa de ferramentas de quem assume uma liderança. Liderar a si mesmo é a condição para liderar os outros com lucidez.

A solidão, afinal, não é a doença de quem lidera, e sim parte de sua anatomia. Liderar é, entre outras coisas, aprender a carregar em silêncio aquilo que ainda não pode ser compartilhado, e a fazê-lo sem se perder durante o caminho.
 

Editorial

Tecnologia, eleições e os desafios para 2026

Partidos, instituições, empresas de tecnologia e os cidadãos precisam contribuir para que o ambiente digital não seja transformado em território sem regras

21/08/2026 08h34

Continue Lendo...

Falta pouco mais de um mês para o primeiro turno das eleições, e, assim como ocorre desde 2018, a disputa eleitoral se dá cada vez mais no plano digital. A internet deixou de ser apenas um espaço complementar de campanha e passou a ocupar posição central na formação da opinião pública, e também na circulação de informações que podem influenciar a decisão do eleitor.

A grande diferença destas eleições em relação às anteriores, porém, está na popularização das ferramentas de inteligência artificial (IA). Recursos que antes exigiam equipes especializadas, equipamentos sofisticados e custos elevados agora estão ao alcance de praticamente qualquer pessoa.

A produção de imagens, áudios e vídeos artificialmente manipulados tornou-se muito mais acessível, ampliando também o potencial de disseminação de conteúdos falsos ou enganosos.

Somado a isso, estão as redes sociais, capazes de amplificar de maneira extraordinária o alcance de um indivíduo.

Com apenas um telefone celular, uma pessoa pode produzir um conteúdo e alcançar um público superior ao de muitos meios de comunicação tradicionais. Essa democratização da comunicação é, evidentemente, positiva em muitos aspectos, mas também impõe riscos inéditos ao processo eleitoral.

É justamente nesse cenário que merece ser destacada a atuação da Ordem dos Advogados do Brasil seccional de Mato Grosso do Sul (OAB-MS), pois ela criou um observatório para acompanhar as eleições, estabelecendo um canal permanente para o recebimento de denúncias de possíveis irregularidades. Mais do que encaminhar essas informações às autoridades competentes, a iniciativa também se propõe a discutir o uso inadequado das novas ferramentas tecnológicas.

O desafio é especialmente complexo porque não se trata simplesmente de proibir ou restringir tecnologias. A regulação do uso de IA, de conteúdos manipulados e das redes sociais precisa encontrar equilíbrio com um princípio fundamental de qualquer democracia: a liberdade de expressão.

O combate à desinformação não pode se transformar em instrumento para impedir manifestações legítimas, assim como a liberdade de expressão não pode servir de escudo para práticas destinadas a fraudar a vontade do eleitor.

Não basta, entretanto, que advogados, juízes, promotores e candidatos conheçam as regras do jogo. É fundamental que elas sejam difundidas para toda a população.

O eleitor precisa saber identificar conteúdos manipulados, desconfiar de informações de procedência duvidosa e compreender que aquilo que aparece na tela do celular pode não corresponder à realidade.

A responsabilidade, portanto, é coletiva. Partidos, candidatos, instituições, empresas de tecnologia, meios de comunicação e, principalmente, cidadãos precisam contribuir para que o ambiente digital não seja transformado em território sem regras durante a disputa eleitoral.

As eleições decidem o rumo de um país e de um povo. Por isso, precisam ser disputadas dentro de regras claras, com liberdade, transparência e respeito à vontade popular. A tecnologia pode ser uma poderosa ferramenta de participação democrática, mas não pode transformar-se em instrumento para manipular justamente aquilo que uma eleição deve preservar: a escolha livre e consciente do eleitor.
 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).