Em meio a indicadores que apontam crescimento e estabilidade na economia de Mato Grosso do Sul, há um dado que destoa e merece atenção redobrada: o aumento constante da inadimplência neste ano.
O contraste é evidente: enquanto os números de emprego e renda mostram avanços, o endividamento das famílias cresce em ritmo preocupante. Há, portanto, algo errado nesse cenário de aparente prosperidade que precisa ser entendido e corrigido.
O primeiro passo é tentar compreender as causas dessa contradição. Por que cresce o número de inadimplentes em um estado que vive, segundo os dados oficiais, um período de pleno emprego? A resposta pode estar menos na falta de renda e mais no descompasso entre o que se ganha e o que se gasta.
Em outras palavras, o problema talvez não esteja na ausência de trabalho, mas na forma como as famílias estão administrando seus recursos. O crédito fácil, o consumo estimulado e a pressão do custo de vida formam uma combinação perigosa, que tende a sufocar o orçamento doméstico e a empurrar muitas pessoas para o vermelho.
É natural que em tempos de otimismo econômico surjam tentações de consumo. A compra parcelada, o novo modelo de celular, a viagem que parecia inadiável, tudo isso encontra justificativa em um momento de aparente bonança.
Mas, quando o cartão de crédito vira extensão da renda e o limite do cheque especial se torna parte do orçamento, o caminho para a inadimplência está aberto. Nesse ponto, o controle é a palavra-chave. Frear os impulsos de consumo é difícil, especialmente quando o custo de vida aperta, mas é uma necessidade básica para estabilizar as finanças.
A educação financeira precisa deixar de ser um tema restrito aos especialistas e passar a fazer parte da rotina das famílias. Entender o valor real do dinheiro, planejar gastos, poupar quando possível e honrar compromissos são atitudes simples, mas que formam a base de uma economia pessoal saudável.
E quanto mais essa consciência se espalha, mais forte se torna a economia como um todo. Famílias endividadas reduzem o consumo responsável, comprometem o crédito e acabam por enfraquecer o mercado interno – o oposto do que se espera em um cenário de crescimento.
O alerta, portanto, está dado. Mato Grosso do Sul vive um bom momento econômico, mas não pode se acomodar diante do aumento da inadimplência. O equilíbrio financeiro das famílias é um dos pilares da prosperidade de qualquer sociedade.
Quando ele é abalado, todos perdem: o cidadão, o comércio e o próprio estado. É hora de tratar o tema com a seriedade que merece e de lembrar que prosperar de verdade significa também saber gastar com responsabilidade.


