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O crepúsculo dos aiatolás

A confirmação da morte de Ali Khamenei em decorrência de uma operação cirúrgica e coordenada entre Estados Unidos e Israel, transcende o êxito tático-militar

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O dia 28 de fevereiro de 2026 consolida-se como um divisor de águas na história contemporânea do Oriente Médio.

A confirmação da morte de Ali Khamenei – o líder supremo que personificou a República Islâmica com inabalável rigidez desde 1989 – em decorrência de uma operação cirúrgica e coordenada entre Estados Unidos e Israel, transcende o êxito tático-militar.

Trata-se do colapso do pilar central de uma teocracia que, por quase meio século, fundamentou sua política externa na exportação da instabilidade e sua política interna na opressão sistemática. A vacância deste centro de gravidade impõe à comunidade internacional a necessidade de gerir um vácuo de poder com rara clareza moral e pragmatismo analítico.

A decisão por um ataque de “decapitação” contra o complexo de Khamenei em Teerã não foi um evento isolado, mas o desfecho inevitável do esgotamento da paciência estratégica ocidental.

Durante décadas, o regime iraniano operou sob a égide da defesa avançada, terceirizando conflitos por meio de proxies como Hezbollah, Hamas e Houthis, mantendo o ônus da guerra longe de suas fronteiras.

Ao atingir o ápice da hierarquia, Washington e Jerusalém alteraram a gramática do conflito, atingindo diretamente os arquitetos da desestabilização.

Diante de um ator que interpreta o diálogo como oportunidade de rearmamento, a ação direta revelou-se o único recurso capaz de prevenir uma catástrofe nuclear e a hegemonia de um Estado pária no Golfo Pérsico.

Embora o objetivo imediato fosse a neutralização de capacidades nucleares, a inteligência aliada compreendeu que a destruição física de centrífugas é insuficiente se o “software” ideológico do regime permanecer operante.

A eliminação de Khamenei ataca esta frente, ou seja, a vontade política que alimentava o programa. Sem seu principal fiador teológico, o projeto atômico perde a aura de missão divina e torna-se um ativo oneroso para uma estrutura focada agora apenas na própria sobrevivência.

Os espasmos finais do sistema, como as tentativas de bloqueio do Estreito de Ormuz, apenas solidificaram a percepção de que a República Islâmica era uma ameaça existencial à estabilidade econômica global, disposta a qualquer jogada no xadrez global.

Com a eliminação de Ali Khamenei, a Guarda Revolucionária (IRGC) entra em fase de cálculo pragmático, em que a oferta de imunidade por parte dos EUA visa transformar um exército ideológico em uma força preocupada com a própria preservação.

Ao mesmo tempo, os aiatolás, acuados, perdem força no tabuleiro de poder enquanto o país ainda tenta se manter funcional. A queda final do regime, entretanto, exige convergência de pressão externa esmagadora, deserção das forças de segurança e uma alternativa política organizada.

Regionalmente, o colapso redesenha o mapa de forma sísmica. Proxies ficam órfãos de financiamento, permitindo uma limpeza de enclaves terroristas, enquanto os Acordos de Abraão tendem a uma expansão sem precedentes, alcançando a Arábia Saudita.

Para evitar erros do passado, a intervenção priorizou a decapitação seletiva em detrimento de ocupações terrestres massivas, preservando burocracias essenciais e removendo apenas a asfixia ideológica.

A queda da teocracia permite que o Irã retorne ao concerto das nações, abrindo espaço para que a luz da soberania popular enfim emerja sobre o planalto iraniano como o maior dividendo de paz do século 21.

EDITORIAL

Enfim, um aeroporto à altura da Capital

Com um terminal ampliado e a implantação das pontes de embarque, o aeroporto passa a oferecer uma experiência mais digna ao usuário, além de melhorar a eficiência

18/04/2026 07h15

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Aconclusão das obras de ampliação do terminal de passageiros do Aeroporto Internacional de Campo Grande, nesta semana, pela concessionária Aena, marca um avanço importante – e há muito esperado – para a capital de Mato Grosso do Sul.

Mais do que uma obra física, trata-se de uma correção de rumo em uma infraestrutura essencial que, por anos, ficou aquém das necessidades de uma cidade estratégica no Centro-Oeste brasileiro.

Durante muito tempo, Campo Grande figurou entre as poucas capitais do País sem um aeroporto com padrão compatível ao seu porte. A reforma anterior, iniciada no fim da década passada e concluída apenas após a pandemia de Covid-19, ilustra bem essa defasagem.

Apesar de intervenções internas e troca de pisos, faltou o principal: a ampliação efetiva do terminal e a instalação de pontes de embarque, estrutura básica para garantir mais conforto, agilidade e segurança aos passageiros.

A nova etapa, enfim, supre essas lacunas. Com um terminal ampliado e a implantação das pontes de embarque, o aeroporto passa a oferecer uma experiência mais digna ao usuário, além de melhorar a eficiência operacional.

O impacto é direto não apenas para quem embarca e desembarca, mas para toda a dinâmica econômica da cidade.

Os benefícios se espalham por diferentes setores. No ambiente de negócios, a melhoria da infraestrutura aeroportuária fortalece a imagem de Campo Grande como polo regional, facilitando a chegada de investidores e executivos.

No turismo, representa um salto de qualidade na recepção de visitantes, funcionando como um cartão de visitas mais condizente com as belezas e potencialidades do Estado.

É preciso reconhecer o mérito da Aena, que entrega uma obra aguardada há anos pela população. Trata-se de um investimento que não apenas atende a uma demanda reprimida, mas também sinaliza confiança no crescimento da cidade.

Ao oferecer um aeroporto mais moderno e funcional, a concessionária contribui para reposicionar Campo Grande no mapa da aviação regional.

Ainda que tardia, a entrega chega em momento oportuno. A capital sul-mato-grossense vive um processo de transformação e busca ampliar sua relevância econômica. Ter um aeroporto à altura é condição básica para sustentar esse movimento.

O desafio, a partir de agora, é não interromper esse ciclo de avanços. A modernização do aeroporto deve ser acompanhada por outras melhorias estruturais e por políticas que estimulem o desenvolvimento. Campo Grande dá um passo importante.

Cabe agora garantir que ele seja apenas o início de uma trajetória mais consistente de crescimento.

Artigo

O papel do pertencimento na prevenção da violência

Não porque a ausência do ensino empurre diretamente para o crime, mas, porque ela derruba uma das principais barreiras de proteção

17/04/2026 07h45

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A evasão escolar raramente começa dentro da escola. Ela começa antes, quando o jovem deixa de enxergar sentido em estar ali. 
Quando falta perspectiva, a sala de aula deixa de ser caminho e passa a ser apenas obrigação e é nesse momento que o risco aumenta.

Não porque a ausência do ensino empurre diretamente para o crime, mas, porque ela derruba uma das principais barreiras de proteção que esse jovem possui. 

Na prática, o que se observa é que o crime não surge do nada: ele ocupa espaços. Onde faltam oportunidades, presença constante e vínculos reais, alguém (ou algo) acaba preenchendo esse vazio. E o jovem, especialmente aquele que já se sente invisível, torna-se um “alvo fácil”. 

Existe, no entanto, um ponto que ainda recebe pouca atenção nessa discussão: o pertencimento. Todo indivíduo precisa sentir que faz parte de algo.

Quando esse sentimento não vem da escola, da família ou da comunidade, ele tende a surgir em outros lugares e o crime organizado entende isso com muita clareza. 

Por outro lado, quando o jovem encontra um espaço em que é visto, cobrado e valorizado, o cenário começa a mudar. É nesse contexto que o esporte se apresenta como uma ferramenta relevante. 

Mais do que ensinar técnica, o esporte constrói disciplina, rotina, referência e identidade. Em muitos casos, é o primeiro ambiente em que esses jovens percebem que têm valor, que podem evoluir e que alguém acredita neles. Isso, por si só, não resolve o problema – mas é um ponto de partida. 

Não existem soluções simples para questões complexas. Segurança pública, educação e políticas sociais precisam caminhar juntas, de forma contínua e integrada. 

Ignorar o pertencimento, no entanto, é ignorar uma parte essencial dessa equação. 

No fim, a questão não é apenas evitar que o jovem entre no crime. É garantir que ele tenha outras possibilidades antes mesmo de precisar escolher – e isso começa no momento em que ele deixa de ser invisível. 
 

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