Desde o ano passado, mais de uma dezena de prefeituras em Mato Grosso do Sul foram alvo de operações conduzidas pelos grupos especializados no combate aos crimes do colarinho branco e ao crime organizado, em ações do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
Muitas delas com cumprimento de mandados de busca e apreensão e afastamento de agentes públicos, escancararam um cenário preocupante: indícios de conluios envolvendo integrantes do primeiro escalão municipal e fornecedores com a finalidade de desviar recursos públicos.
Não é a primeira vez que este espaço elogia a atuação cirúrgica do MPMS. E reiteramos: se há crime, deve haver investigação e punição. O dinheiro público não pertence a gestores, partidos ou grupos políticos. Pertence à população.
Cada centavo desviado representa menos remédio nos postos de saúde, menos qualidade na merenda escolar, menos infraestrutura nas cidades. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul cumpre o seu papel constitucional ao fiscalizar, investigar e denunciar.
O que chama a atenção, contudo, é a reação do outro lado – o político. Nesta edição mostramos que, ao que tudo indica, parte da classe política ainda não compreendeu a gravidade do momento.
Ou, se compreendeu, tem demonstrado dificuldade em assimilar o recado. As operações não são fatos isolados. Não se trata de um episódio pontual, mas de um padrão que precisa ser interrompido.
É preciso ampliar os mecanismos de controle sobre o gasto público. E isso só se faz com transparência absoluta. Portais de transparência atualizados, processos licitatórios claros, contratos acessíveis, fiscalização social estimulada.
Quem age com clareza, quem expõe seus atos à luz do dia, tende a ter menos problemas com investigações. E, quando ocorre algum equívoco de procedimento, pode demonstrar que agiu de boa-fé, sem dolo, sem intenção de lesar os cofres públicos.
O que não é admissível é que, depois de sucessivas operações, de denúncias envolvendo esquemas estruturados para fraudar contratos e desviar dinheiro, tudo continue como se nada tivesse acontecido. Não é normal. Não pode ser tratado como rotina administrativa.
A naturalização do desvio corrói a confiança da população nas instituições e enfraquece a democracia.
Mais do que nunca, é preciso seriedade na gestão pública. Seriedade com o dinheiro do contribuinte, com os contratos assinados, com as prioridades definidas. A mensagem das operações é clara: há fiscalização, há investigação e haverá responsabilização.
Assim como o MPMS cumpre sua função, a imprensa seguirá atenta e a sociedade também. Transparência não é concessão; é obrigação. E controle não é perseguição; é instrumento de proteção ao interesse público. Quem administra recursos coletivos deve estar preparado para prestar contas – sempre.

