Artigos e Opinião

Editorial

Pedágio caro exige contrapartida

O que os usuários esperam não é favor, mas respeito. E respeito, neste caso, significa oferecer uma rodovia segura, bem conservada e com preço justo

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Chegou o momento de a Motiva Pantanal, antiga CCR MSVia, demonstrar que é capaz de oferecer aos usuários da BR-163 um serviço compatível com o valor que cobra.

A recente autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para um reajuste superior a 40% nas tarifas de pedágio aumenta a responsabilidade da concessionária perante quem utiliza diariamente a principal rodovia de Mato Grosso do Sul.

É natural que contratos de concessão prevejam atualizações tarifárias. O que não é razoável é que aumentos tão expressivos ocorram sem que os usuários percebam melhorias igualmente expressivas na qualidade da infraestrutura. Quem percorre a BR-163 ainda encontra problemas que deveriam ter sido solucionados há muito tempo.

Em diferentes trechos da rodovia, as faixas de sinalização horizontal apresentam desgaste visível e baixa refletividade, dificultando a condução noturna e em períodos de chuva.

Também há escassez de sinalizadores em alguns pontos e, mais preocupante, trechos em que remendos mal-executados comprometem o conforto e a segurança da viagem.

Em determinadas áreas, os reparos parecem mais buracos do que soluções para os buracos que deveriam corrigir.

É verdade que existem obras em andamento. Alguns segmentos no norte do Estado e nas proximidades de Campo Grande recebem intervenções importantes, incluindo duplicações.

São investimentos necessários e aguardados há anos. No entanto, eles não podem servir de justificativa para ignorar problemas básicos de conservação e segurança ao longo de centenas de quilômetros da rodovia.

O usuário não avalia uma concessão apenas pelas promessas futuras. Ele a avalia pela experiência diária. E essa experiência ainda está longe de justificar tarifas cada vez mais elevadas.

Afinal, não faz sentido pagar um dos pedágios mais caros da região para trafegar em uma rodovia que, em parte considerável de sua extensão, sequer oferece acostamento adequado aos motoristas.

A cobrança de pedágio pressupõe uma relação de equilíbrio. O usuário paga para receber em troca segurança, conforto, fluidez e infraestrutura de qualidade.

Quando essa contrapartida não é percebida, surge a sensação legítima de que a conta está sendo paga apenas por um lado.

Mato Grosso do Sul depende da BR-163 para o transporte de pessoas e mercadorias. Trata-se de uma rodovia estratégica para a economia estadual e nacional.

Por isso, sua concessão precisa ser sinônimo de eficiência e qualidade, e não de insatisfação crescente entre os usuários.

Com um pedágio ainda mais caro, a Motiva Pantanal tem a obrigação de melhorar – e muito – os serviços prestados.

Mais do que obras pontuais, é preciso garantir pavimento de qualidade, sinalização adequada, manutenção permanente e condições compatíveis com o que é cobrado.

O que os usuários esperam não é favor, mas respeito. E respeito, neste caso, significa oferecer uma rodovia segura, bem conservada e com preço justo.

Hoje, infelizmente, o valor cobrado nas praças de pedágio está longe de transmitir essa sensação.

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Etarismo: uma forma silenciosa de violência naturalizada

Existe, porém, uma forma mais silenciosa e igualmente corrosiva de violência que passa despercebida todos os dias: o etarismo corporativo

26/06/2026 07h45

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No mês do Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho, é comum associarmos o tema a situações explícitas de negligência, abuso ou abandono.

Existe, porém, uma forma mais silenciosa e igualmente corrosiva de violência que passa despercebida todos os dias: o etarismo corporativo.

Dentro das empresas, ele se manifesta de maneira sutil. Está nas oportunidades negadas sem explicação, na preferência automática por perfis mais jovens, na desvalorização da experiência e no rótulo de obsolescência atribuído a profissionais mais maduros. Não grita, não escandaliza, mas exclui, limita e desumaniza.

Ser consciente no palco da vida e do trabalho é também um ato ético. Porque toda escolha comunica valores.

Quando líderes ignoram o etarismo, quando empresas não criam espaço para diferentes gerações coexistirem de forma respeitosa, elas estão, na prática, performando um papel de indiferença. E, no palco social, a omissão também é uma forma de violência.

A Inteligência Cênica nos convida a olhar para essas dinâmicas invisíveis. Ela nos lembra que toda organização é uma espécie de encenação coletiva e que a inclusão verdadeira começa quando todos têm o direito de estar em cena, sem precisar esconder partes de si para serem aceitos.

Isso inclui, necessariamente, a valorização da experiência, da trajetória e do repertório que só o tempo constrói.

O etarismo não é apenas uma falha de diversidade. É uma falha de percepção. Revela um ambiente que privilegia velocidade em detrimento de profundidade, novidade em detrimento de consistência, aparência em detrimento de conteúdo.

E isso não empobrece apenas quem é excluído, pois empobrece a própria organização.

Combater o etarismo exige mais do que políticas formais. Exige uma reeducação emocional e cultural. Exige líderes capazes de pausar antes de reproduzir vieses automáticos, de substituir julgamento por escuta e de transformar a diferença em ativo e não em obstáculo.

O futuro do trabalho não será sustentável se não for intergeracional. Ambientes saudáveis são aqueles onde experiências se encontram, onde saberes se complementam e onde ninguém precisa disputar legitimidade por idade.

Nesse cenário, o papel do líder é claro: ser guardião de uma cultura em que todos tenham espaço para contribuir e existir com dignidade.

A Inteligência Cênica nos lembra que cada profissional tem direito a ser protagonista da própria história. E que o papel mais nobre que podemos desempenhar, nas empresas e na sociedade, é garantir que ninguém seja empurrado para fora de cena por causa de sua idade.

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O PSDB e a verdadeira democracia do Brasil

O partido escolheu a socialdemocracia como modelo de governo, conciliando o sistema capitalista com justiça e igualdade

26/06/2026 07h30

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Com sua fundação em 25 de junho de 1988, o PSDB mostrou ao País a necessidade de um partido comprometido com a reforma do Estado e a consolidação da democracia.

O partido escolheu a socialdemocracia como modelo de governo, conciliando o sistema capitalista com justiça e igualdade.

Num momento decisivo, em um Brasil recémsaído de um regime de exceção, Mario Covas foi o primeiro candidato à Presidência em 1989. Poucos anos depois, em 1994, Fernando Henrique Cardoso foi eleito e governou por dois mandatos consecutivos.

A população ainda recorda conquistas marcantes desse período, como o combate à hiperinflação por meio do Plano Real, as reformas econômicas e administrativas, a privatização de empresas ineficientes, a criação de programas sociais e a modernização da educação.

Entre os avanços destacamse a Bolsa Escola e a universalização do Ensino Fundamental; a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef); a Nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação); o Programa Nacional do Livro Didático; o surgimento do Enem, do Provão e do Fies; e a criação dos medicamentos genéricos, democratizando o acesso à Saúde. 

O PSDB mudou o País, inaugurou uma nova visão de mundo e segue firme com os mesmos propósitos que inspiraram sua criação: justiça social, responsabilidade econômica e fortalecimento da democracia.

Ao longo de sua trajetória, consolidou importante contribuição para a vida pública brasileira, participando ativamente dos grandes debates nacionais e defendendo a construção de instituições sólidas, transparentes e comprometidas com o interesse coletivo.

O Partido atuou para fortalecer a estabilidade política e econômica, o desenvolvimento do País e a ampliação das oportunidades oferecidas à população, tornando-se referência na formulação de políticas públicas voltadas para a plena cidadania.

Governadores, prefeitos, parlamentares e lideranças tucanas deixaram marcas em diferentes regiões do Brasil, contribuindo para a modernização da sociedade.

Desde sua origem, o partido uniu lideranças e a população no comprometimento com valores democráticos.

Manteve sempre o respeito às liberdades individuais e a busca permanente do equilíbrio entre crescimento econômico e inclusão social.

Essa combinação permitiu ao PSDB ocupar papel relevante na consolidação da democracia brasileira e na defesa de um projeto nacional baseado na responsabilidade e no diálogo: a busca da conciliação.

O PSDB continua sua história ao celebrar mais um aniversário de fundação, ao reafirmar princípios que nortearam sua criação e continuam atuais nesses desafios contemporâneos.

São quase quatro décadas de história marcadas pela defesa da democracia, pela participação ativa na construção do País.

Filiados, lideranças e cidadãos que acreditam na política como instrumento de transformação. Um partido que acredita na capacidade do Brasil de avançar por meio do diálogo, da liberdade e do respeito às diferenças.

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