A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas, começou com uma economia de R$ 629 milhões para a Petrobras.
O valor foi obtido após a estatal mudar o modelo de contratação da obra, ampliando de quatro para 11 os lotes licitados, estratégia que aumentou a concorrência entre as empresas e reduziu o custo final do empreendimento.
O anúncio foi feito ontem pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante cerimônia realizada em Três Lagoas com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na ocasião, também foram assinados sete contratos com as empresas responsáveis pela conclusão da fábrica. Somados aos demais contratos, o investimento ultrapassará R$ 5 bilhões.
Lula participou da cerimônia que marcou a retomada da UFN3 - Foto: Ricardo Stuckert/PRAlém da redução dos custos, Magda afirmou que a Petrobras trabalha para antecipar a entrega da unidade. Embora o cronograma oficial preveja o início da operação comercial em 2029, a presidente da estatal disse ter estabelecido internamente a meta de inaugurar a fábrica em junho de 2028.
“Eu disse que essa obra iria até 2029, mas, pessoalmente, não acho isso. A Petrobras tem mania de superar desafios. Estou pedindo para a equipe entregar até junho de 2028. Quero esse presente de aniversário”, afirmou.
A presidente explicou que a economia foi alcançada após a Petrobras rever a estratégia de contratação adotada em grandes empreendimentos.
Em vez de concentrar a execução em poucos contratos, como ocorreu no passado, a estatal optou por pulverizar os serviços em 11 lotes.
Segundo Magda, o mesmo modelo já havia sido utilizado na Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, onde a companhia economizou R$ 1 bilhão.
“Nós estimamos um valor, dividimos em 11 lotes e o resultado foi uma economia de R$ 629 milhões em relação à nossa estimativa reduzida. É obra, é desafio, mas também é disciplina de capital e muito olho nos custos”, destacou.
Magda também confirmou a informação que já havia sido adiantada pelo Correio do Estado, que já em meados de 2027 deverá entrar em funcionamento o chamado “balcão de ureia”, permitindo a comercialização do produto antes da conclusão definitiva da fábrica.
EMPRESAS
Durante a cerimônia, a Petrobras oficializou a assinatura dos principais contratos para conclusão da unidade.
As empresas contratadas e que estavam presentes no evento são: ETC Empreendimentos e Tecnologia em Construção, Engeko Engenharia, o consórcio Enfil/Carioca, a Nova Engevix Engenharia e Projetos, Coesa Construção e Montagens S.A., PowerChina e Schneider Electric, que ficarão responsáveis pelos diferentes lotes do empreendimento estratégico.
Os contratos assinados somam cerca de R$ 4 bilhões e fazem parte do investimento total de R$ 5 bilhões necessário para concluir a fábrica.
Segundo a Petrobras, a divisão em mais contratos permitiu ampliar a participação de empresas brasileiras, aumentar a concorrência e reduzir os custos da obra.
Paralisada no fim de 2014, quando já estava com cerca de 80% das obras concluídas, a UFN3 volta agora ao cronograma da Petrobras como um dos principais projetos industriais do Novo PAC.
A unidade é considerada estratégica para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados e fortalecer a segurança alimentar do País.
Quando entrar em operação, a fábrica terá capacidade para produzir 3.600 toneladas diárias de ureia granulada e 2.200 toneladas de amônia, volume equivalente a cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano, suficiente para atender aproximadamente 15% da demanda nacional do insumo.
Somadas às demais unidades da Petrobras, a expectativa é de abastecer cerca de 35% do mercado brasileiro de nitrogenados.
Durante o evento, Lula afirmou que o Brasil precisa recuperar sua capacidade de produção para reduzir a dependência.
“Estou orgulhoso, porque ainda sonho que a gente vai ter acima de 70% de todo o fertilizante que nós precisamos nesse País. Porque um país jamais será soberano se ele não for dono das coisas principais que ele produz”.
O presidente também criticou a paralisação da unidade. “Um País que é o segundo maior produtor de alimentos do mundo, que tem tudo para ser o celeiro do mundo, por que tanta irresponsabilidade de deixar uma fábrica dessa parada?”, questionou.
QUALIFICAÇÃO
Outro anúncio feito durante a cerimônia foi a ampliação do programa Autonomia e Renda, voltado à formação de trabalhadores para atender à demanda da UFN3.
A Petrobras aprovou a abertura de 1.400 vagas de qualificação profissional em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e institutos federais.
O objetivo é preparar moradores de Três Lagoas e da região para ocupar parte das cerca de 8 mil vagas, entre empregos diretos e indiretos.

