Artigos e Opinião

Editorial

Queda de Bernal: o fim das narrativas

No caso de Alcides Bernal, a máscara não apenas caiu, ela se estilhaçou, revelando um homem que, ao tentar fugir de suas responsabilidades, acabou atropelado pela própria história

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“Deixa o homem trabalhar”, era o mantra repetido à exaustão quando Alcides Bernal foi prefeito. O fim é, de fato, melancólico, mas é, acima de tudo, o resultado inevitável de quem fez da dissimulação o seu principal instrumento de vida.

A política, em sua essência, deveria ser o espelhamento da ética pública e da retidão pessoal. No entanto, a trajetória de Alcides Bernal, ex-prefeito de Campo Grande, deveria se converter em um estudo de caso sobre como a mentira contumaz e a desordem privada podem implodir uma vida pública que um dia prometeu ser renovação.

O que se vê hoje não é apenas o ostracismo de um ex-líder, mas o desmoronamento melancólico de um homem que se perdeu entre o que pregava nos microfones e o que praticava nas sombras.

Durante anos, Bernal utilizou a narrativa do “perseguido pelas elites”. Entretanto, o tempo – esse senhor da razão – cuidou de mostrar que seus maiores adversários nunca foram externos, mas sim seus próprios atos.

A imagem do paladino da moralidade caiu por terra diante de uma gestão caótica e, mais grave ainda, de uma vida pessoal marcada pelo descaso.

A perda de sua mansão em área nobre para a Caixa Econômica Federal, por falta de pagamento, e respondendo por não pagar pensão alimentícia a um filho com quem não mantém relação não são apenas “problemas privados”, são o retrato de um homem que viveu ou vive de aparências enquanto o alicerce de sua dignidade é corroído pela inadimplência moral e financeira.

Mas o rastro de destruição de Bernal não se limitou ao seu CPF. O maior monumento da sua arrogância administrativa ainda está por vir. Por pura teimosia ideológica e uma tentativa desastrosa de romper contratos sem o devido amparo legal, Bernal mergulhou o Município em uma insegurança jurídica sem precedentes.

O resultado dessa “guerra particular” é uma fatura que agora bate à porta do contribuinte, sendo uma dívida que hoje beira os R$ 150 milhões.

Enquanto o ex-prefeito bradava moralidade, pavimentava o caminho para um rombo astronômico que as próximas gerações de campo-grandenses terão de quitar. Não se tratou de economia de recursos, mas de um capricho político que custou caro.

O dinheiro que deveria estar sendo investido em postos de saúde ou asfalto será drenado para pagar as consequências de uma gestão que preferiu o embate infrutífero à eficiência administrativa.

O capítulo mais sombrio e definidor desse declínio, contudo, é o trágico episódio que resultou na morte de um pai de família. A tese de legítima defesa, exaustivamente repetida por Bernal, tem sido contestada pelo peso das evidências e a frieza das circunstâncias.

O que ele tenta vender como um ato de preservação pessoal ganha, sob o olhar atento da Justiça e da sociedade, contornos de um crime de execução.

Quando a narrativa de sobrevivência não encontra eco na dinâmica dos fatos, o que resta é o silêncio ensurdecedor da culpa. Assassinar um cidadão é o ponto de não retorno.

Ali, morreu não apenas a carreira política de Bernal, mas qualquer resquício de autoridade moral que ele pudesse reivindicar.

Campo Grande assiste atualmente ao capítulo final de uma biografia manchada pela mentira e, agora, com as mãos de seu protagonista sujas de sangue. Bernal não caiu por conspirações políticas mirabolantes, ele ruiu sob o peso de suas próprias escolhas.

O político que falava em nome do povo agora deve terminar seus dias isolado numa cela, respondendo a um processo por homicídio.

A mentira, por mais que seja repetida com a veemência de um radialista experiente, tem prazo de validade. No caso de Alcides Bernal, a máscara não apenas caiu, ela se estilhaçou, revelando um homem que, ao tentar fugir de suas responsabilidades, acabou atropelado pela própria história. 

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Eleição: a festa da cidadania

A Igreja Católica não apresenta nem indica candidatos e partidos políticos. Sua verdadeira missão é colaborar com a formação da consciência dos fiéis

08/09/2026 07h30

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Será necessária muita sabedoria para que a eleição seja, de fato, a festa da cidadania – um momento livre de hostilidades e polarizações ideológicas. Dessa forma, todos os convidados, que são os eleitores e as eleitoras, não sairão decepcionados.

A Igreja Católica não apresenta nem indica candidatos e partidos políticos. Sua verdadeira missão é colaborar com a formação da consciência dos fiéis, oferecendo princípios éticos e morais inspirados no Evangelho e em sua doutrina social, amplamente explicitada em documentos, cartas e exortações.

Recentemente, no dia 18 de junho, o Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou sua mensagem ao povo brasileiro para as eleições deste ano, reafirmando o compromisso da Igreja com a promoção da dignidade humana e do bem comum.

Inspirada na passagem bíblica “Examinai tudo e guardai o que for bom” (1Ts. 5: 21), a mensagem ressalta que a participação consciente dos cidadãos no processo eleitoral é uma das mais elevadas formas de caridade e serviço à sociedade.

Os bispos afirmam que o pleito representa uma oportunidade privilegiada para o exercício da cidadania e da corresponsabilidade social. Além de escolher gestores, governantes e representantes, cada brasileiro é chamado a renovar o compromisso com valores fundamentais para a convivência democrática, a justiça social e a fraternidade.

Também vinculado à CNBB, o Centro Nacional de Fé e Política lançou oficialmente o subsídio “Eleições 2026: democracia, sinodalidade e bem comum”, que propõe uma série de encontros de reflexão e oração destinados à preparação espiritual, ética e social do povo brasileiro para o período eleitoral.

Esse itinerário formativo comunitário é baseado na metodologia da Conversa no Espírito, herdada do Sínodo dos Bispos promovido pelo saudoso Papa Francisco.

Na prática, uma das maneiras de fazer essa mensagem ecoar nas bases da sociedade é por meio das pastorais e dos movimentos eclesiais.

Entre outros organismos da igreja, o Movimento dos Focolares, por exemplo, baseia-se no carisma da unidade para promover uma participação política pautada pelo diálogo, pela ética e pela cultura da fraternidade.

O Focolares conta, inclusive, com um ramo específico: o Movimento Político pela Unidade (MPPU), que atua ativamente na conscientização e qualificação do debate público, promovendo campanhas de cidadania focadas no voto consciente, no voto ético e na fraternidade universal, tendo o diálogo pós-eleições como um dos pilares para garantir o bem comum.

Termino com as palavras inspiradoras da mensagem dos nossos bispos: “O Brasil necessita reforçar a capacidade de construir pontes, promover encontros e cultivar a amizade social”.

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Pix: quando uma inovação brasileira passa a chamar a atenção do mercado global

De acordo com dados do Banco Central, mais de 80% da população brasileira já utiliza o Pix

08/09/2026 07h20

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Poucas tecnologias conseguiram transformar tão rapidamente o comportamento financeiro de um país quanto o Pix. Lançado pelo Banco Central em 2020, o sistema de pagamentos instantâneos já movimentou 
R$ 84,9 trilhões até setembro de 2025, deixando de ser apenas uma alternativa às transferências bancárias para se tornar a principal infraestrutura de pagamentos do Brasil.

Hoje, pagar uma conta, fazer compras, transferir dinheiro ou receber um pagamento em segundos faz parte da rotina de milhões de brasileiros, uma mudança que também começa a despertar a atenção do mercado internacional.

Os números ajudam a explicar esse fenômeno. De acordo com dados do Banco Central, mais de 80% da população brasileira já utiliza o Pix e, somente em janeiro deste ano, foram registradas aproximadamente 7 bilhões de transações.

No comércio eletrônico, sua relevância também cresce de forma acelerada. O Global Payments Report 2026 aponta que o Pix já responde por 42% das transações do e-commerce brasileiro, consolidando-se como um dos principais meios de pagamento do País e uma referência mundial em pagamentos digitais.

O impacto dessa transformação foi profundo em todo o mercado financeiro: o Pix deixou de ser apenas um meio de pagamento para se tornar uma plataforma sobre a qual novos serviços financeiros vêm sendo construídos, estimulando a competição e reduzindo barreiras para a digitalização da economia.

Não por acaso, o modelo brasileiro passou a ser observado por diversos países que buscam modernizar seus sistemas de pagamentos.

Recentemente, o Pix ganhou ainda mais visibilidade internacional ao ser citado como um modelo de referência por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, em discussões sobre comércio e inovação financeira envolvendo o Brasil.

O episódio evidencia os impactos de uma solução desenvolvida para atender a demandas de consumo brasileiras e que, rapidamente, se consolidou e alcançou relevância suficiente para integrar o debate econômico global.

O interesse internacional não surge apenas da tecnologia em si, mas da combinação entre infraestrutura pública eficiente, ampla adesão da população e capacidade de gerar inovação em escala. Poucos sistemas de pagamentos no mundo conseguiram atingir, em tão pouco tempo, um nível tão elevado de utilização por consumidores, empresas e pequenos negócios.

O futuro do Pix também aponta para novas oportunidades. A integração com inteligência artificial permitirá experiências de pagamento ainda mais personalizadas, automatizando processos, aprimorando a prevenção a fraudes e oferecendo recomendações financeiras em tempo real.

Para as empresas, acompanhar essa evolução deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade estratégica. Organizações que conseguirem integrar novas tecnologias, oferecer experiências fluidas e utilizar os dados gerados pelos pagamentos de forma inteligente estarão mais preparadas para atender às expectativas de consumidores cada vez mais digitais.

O Pix nasceu como uma inovação brasileira voltada à eficiência do sistema financeiro. Seis anos depois, tornou-se um exemplo de como políticas públicas, tecnologia e colaboração entre regulador e mercado podem criar soluções capazes de transformar uma economia inteira e, agora, inspirar o restante do mundo.

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