Artigos e Opinião

EDITORIAL

Rigor e transparência nas emendas

Não há democracia sólida sem mecanismos de fiscalização eficientes, sem a clareza para que a sociedade saiba como o dinheiro do contribuinte é empregado

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O devido controle do uso dos recursos públicos é um dos pilares que sustentam qualquer país que pretenda ser mais forte, mais justo e mais equilibrado em suas políticas públicas.

Não há democracia sólida sem mecanismos de fiscalização eficientes, sem a clareza indispensável para que a sociedade saiba, de fato, como o dinheiro do contribuinte é empregado. A transparência não é um adorno administrativo; é a essência que permite o funcionamento íntegro do Estado.

Hoje, um dos setores que mais carecem desse princípio são as emendas parlamentares.

Criadas para permitir que deputados e senadores direcionem recursos a projetos e políticas de interesse regional, elas se tornaram, nos últimos anos, um terreno fértil para a falta de controle, para repasses pouco criteriosos e para a multiplicação de organizações que dependem exclusivamente desse tipo de verba, muitas vezes sem oferecer contrapartidas claras à sociedade.

A opacidade no caminho desses recursos tornou-se um problema conhecido, mas ainda pouco enfrentado.

Nesta edição, publicamos em primeira mão uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) que é prova concreta dessa fragilidade.

O relatório mostra que os ministérios do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura falharam no acompanhamento e na fiscalização de emendas destinadas a uma organização da sociedade civil indicada pela senadora sul-mato-grossense Soraya Thronicke (Podemos).

Os auditores apontam ausência de metas, falta de detalhamento nos planos de trabalho e falhas graves na transparência dos repasses. Recursos públicos foram liberados sem a devida segurança, e a rastreabilidade do dinheiro ficou comprometida. É mais um alerta de que o problema não é pontual – é sistêmico.

Diante desse cenário, torna-se ainda mais injustificável a crítica que alguns fazem ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino por cobrar auditorias e planos de trabalho completos para as emendas destinadas a organizações sociais.

Fiscalizar não deveria ser ato excepcional ou alvo de desconfiança política. Ao contrário: exigir transparência e boa aplicação dos recursos públicos é o mínimo esperado de qualquer autoridade comprometida com a ética e o interesse coletivo. Questionar essa postura revela mais sobre quem critica do que sobre quem fiscaliza.

Não há como fortalecer instituições sem reforçar os mecanismos de controle. Não há como diminuir desigualdades sem garantir que cada centavo gasto tenha retorno concreto para o cidadão.

Emendas parlamentares não podem continuar sendo distribuídas apenas com base na influência política ou em relações pessoais com organizações que orbitam o poder. É preciso planejamento, metas verificáveis, prestação de contas rigorosa e monitoramento constante.

O País só avançará quando a transparência deixar de ser promessa e se tornar regra. Quando o controle deixar de ser exceção e se tornar rotina.

O orçamento público é patrimônio de todos, e somente com rigor e clareza na gestão dos recursos é possível construir políticas efetivas, fortalecer a máquina pública e garantir que a sociedade receba aquilo que lhe é de direito. Transparência não é um obstáculo: é o caminho.

EDITORIAL

Crédito para mover a economia

Com crédito caro e cautela nos investimentos, a presença de um banco de fomento ativo faz a diferença. Sem esse apoio, pode-se supor que muitos projetos ficariam pelo caminho

05/03/2026 07h15

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Em um cenário econômico marcado por juros elevados, o crédito subsidiado volta a ganhar protagonismo como um dos principais instrumentos de estímulo à atividade produtiva.

Quando o custo do dinheiro sobe e o investimento privado se retrai, linhas de financiamento com condições mais favoráveis se tornam fundamentais para manter projetos em andamento e impulsionar novos empreendimentos. Nesse contexto, o papel dos bancos de fomento se mostra ainda mais relevante.

Nesta edição, apresentamos um levantamento sobre os investimentos realizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em Mato Grosso do Sul nos últimos três anos.

Os números revelam a dimensão desse apoio: mais de R$ 13 bilhões foram desembolsados no período, com recursos destinados tanto ao setor público quanto ao privado.

Trata-se de um volume expressivo de capital que ajuda a manter a roda da economia girando em um momento em que o crédito convencional se torna mais caro e restrito.

Parte significativa desses recursos tem sido direcionada para projetos estruturantes. Um exemplo é o crédito de R$ 2,3 bilhões destinado à pavimentação de rodovias estaduais. A liberação desse tipo de financiamento para o Estado não ocorria desde 2013, o que torna a operação ainda mais relevante.

Investimentos em infraestrutura rodoviária têm impacto direto na competitividade regional, facilitando o escoamento da produção, reduzindo custos logísticos e ampliando a integração entre diferentes regiões.

O apoio do banco também se estende a empreendimentos privados de grande porte, capazes de gerar empregos e agregar valor à produção local.

Entre eles está a instalação de uma esmagadora de soja em Naviraí, um investimento que fortalece a cadeia do agronegócio no sul do Estado e amplia a capacidade de processamento de uma das principais commodities produzidas em Mato Grosso do Sul.

Em tempos de juros elevados, financiar projetos por meio de linhas com taxas subsidiadas significa tornar viáveis iniciativas que, de outra forma, poderiam ser adiadas ou, até mesmo, canceladas.

O acesso a esse tipo de crédito pode representar a diferença entre estagnar e avançar. Empresas e governos que conseguem aproveitar essas oportunidades têm melhores condições de investir, expandir e gerar riqueza.

Não por acaso, muitos dos ciclos de crescimento econômico do País estiveram associados a períodos de forte atuação dos bancos de desenvolvimento. Ao oferecer condições de financiamento mais adequadas para projetos de longo prazo, essas instituições ajudam a reduzir gargalos estruturais e a estimular setores estratégicos.

No caso de Mato Grosso do Sul, os números recentes indicam que esse papel está sendo exercido de forma significativa. O volume de recursos liberados pelo BNDES nos últimos anos contribui para viabilizar obras, ampliar investimentos produtivos e fortalecer diferentes cadeias econômicas.

Em um ambiente de crédito caro e cautela nos investimentos, a presença de um banco de fomento ativo faz diferença. Sem esse apoio, é razoável supor que muitos projetos ficariam pelo caminho – e que o ritmo de desenvolvimento seria menor.

Em tempos desafiadores para a economia, instrumentos como o crédito subsidiado ajudam a manter abertas as portas do crescimento.

ARTIGOS

O marco da profissão multimídia e a mudança de patamar dos influenciadores digitais no Brasil

Conhecida popularmente como a "lei dos influenciadores", a norma tem alcance mais amplo: ela reconhece juridicamente a atividade de multimídia, que envolve criação, produção, gestão e monetização de conteúdos nas plataformas digitais

04/03/2026 07h45

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Sancionada em janeiro de 2026, a Lei nº 15.325 representa um avanço importante na forma como o Brasil passa a tratar o trabalho de quem cria conteúdo digital.

Conhecida popularmente como a “lei dos influenciadores”, a norma tem alcance mais amplo: ela reconhece juridicamente a atividade de multimídia, que envolve criação, produção, gestão e monetização de conteúdos nas plataformas digitais.

A lei não cria uma nova profissão nem impõe barreiras de entrada. Seu objetivo é dar contornos jurídicos a uma realidade já consolidada e economicamente relevante.

Ao fazer isso, contribui para organizar um mercado que cresceu rapidamente e, em muitos casos, de maneira informal, exigindo agora maior profissionalização de quem atua de forma recorrente e comercial nas redes.

Um dos pontos centrais do texto legal é a opção por definir o profissional de multimídia a partir das atividades exercidas, e não por diplomas ou registros formais.

A lei descreve um conjunto amplo de funções ligadas à produção e à circulação de conteúdos digitais, de maneira flexível e compatível com a constante transformação do setor.

Também deixa claro que essas atribuições não excluem nem substituem outras profissões, garantindo a convivência entre diferentes áreas que atuam no ambiente digital.

O caminho legislativo até a sanção reforçou esse equilíbrio. Durante a tramitação, foram retiradas exigências que poderiam restringir a liberdade profissional, preservando o reconhecimento da atividade sem criar obstáculos artificiais em um mercado marcado por trajetórias diversas.

No caso dos influenciadores digitais, a relação com a nova lei é prática. Sempre que a atuação envolve criação de conteúdo, gestão de plataformas e exploração econômica da audiência, há aderência ao conceito de profissional multimídia.

A lei não cria o influenciador, mas oferece um enquadramento jurídico mais claro para atividades que já produzem impacto econômico e social.

Os efeitos mais visíveis estão na formalização. Conteúdos patrocinados e parcerias comerciais tendem a ser tratados como atividades econômicas regulares, com reflexos em contratos, tributação e organização financeira.

A norma funciona, assim, como uma linha divisória entre a criação eventual e a atuação profissional no mercado digital.

No conjunto, a Lei nº 15.325/2026 sinaliza uma mudança de paradigma. Ao reconhecer juridicamente o trabalho digital e impor maior clareza às relações econômicas, o novo marco fortalece o setor e aumenta a responsabilidade de quem monetiza audiência, consolidando um mercado mais maduro e previsível.

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