Artigos e Opinião

OPINIÃO

Rodrigo Capella: "O governo e os alertas do agronegócio"

Rodrigo Capella: "O governo e os alertas do agronegócio"

Continue lendo...


Com frequência, tenho o hábito de visitar fazendas e de ter longas conversas com agropecuaristas. Também mantenho diálogos frequentes com profissionais do agronegócio e presidentes de importantes associações.

As recentes prosas foram balizadas, de forma geral, pelos dilemas que o governo Bolsonaro enfrentará dentro deste importante setor. Alguns de rápida solução; outros que talvez tenham duração extensa, envolvendo até mesmo as gestões futuras.

Estes dilemas podem ser traduzidos em alertas do agronegócio. O primeiro se refere à questão do uso de antibiótico em pecuária. Nos Estados Unidos, a Associação Americana de Produtores de Bovinos (AABP), por exemplo, já divulgou uma nota relatando iniciativas que apoiam a pecuária sem o uso destas substâncias. Na União Europeia, é proibido, desde 2006, o uso de antibióticos para o crescimento de animais que serão utilizados como alimentos.

O futuro governo precisará, então, contribuir diretamente para a não utilização indiscriminada de antibióticos na pecuária. Neste contexto, será imprescindível o estimulo governamental a outros produtos e substâncias, mais naturais e saudáveis, em substituição ao uso de antibióticos, contribuindo para uma melhor saúde pública.

Outro alerta é sobre roubo de gado, invasões de propriedade e destruição de cultivos. Caberá ao futuro governo intensificar a segurança das propriedades rurais, com monitoramento intensivo e qualificado.

Será importante capacitar os profissionais do policiamento com cursos sobre as características rurais para ajudar nas práticas corretas e eficazes de defesa do campo, além de munir estes profissionais com os equipamentos necessários para tal prática ganhar constância.

Um terceiro alerta se debruça na necessidade de se combater, com medidas eficazes e intensivas, a pirataria de semente. Levantamento da Associação Brasileira de Sementes e Mudas e da Associação Paranaense dos Produtores de Sementes e Mudas revela que, no Brasil, o agronegócio amarga um prejuízo de aproximadamente R$ 2,5 bilhões por ano com sementes piratas.

Uma medida eficaz será a criação de um selo do Ministério da Agricultura que certifique precisamente a autenticidade das sementes, além da utilização intensiva e obrigatória de um QR Code, a ser impresso em embalagens, para monitoramento direto da procedência das sementes, garantindo informações precisas aos produtores rurais, como origem, práticas ambientais e qualidade.

Além da questão do antibiótico, roubo de gado, invasões de propriedades, destruição de cultivos e pirataria de sementes, outro tema de grande impacto é a logística. Dados divulgados pelo estudo Custos Logísticos no Brasil, realizado pela Fundação Dom Cabral, mostram-se alarmantes: as rodovias são responsáveis pelo transporte de aproximadamente 75% da produção brasileira.

Este cenário causa extrema dependência aos produtores rurais, consumidores e países importadores.
Mirar ao Norte e se inspirar nos Estados Unidos é algo fundamental. Neste país, as hidrovias totalizam 40 mil quilômetros, com destaque para rios como Mississippi, Missouri e Ohio.

As exportações de frutas também merecerão atenção do próximo governo: de acordo com a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados, o Brasil teve um aumento de 15,7% em valor e de 9,0% em volume, comparando 2017 com 2016.

Trata-se de um mercado de altíssimo potencial, principalmente para citros, uva, maçã e manga. O governo precisa facilitar tal prática e incentivá-la, sem criar entraves. Produtores rurais apostam em certificações e em tecnologias de rastreabilidade, qualificando-se cada vez mais para o comércio internacional.

Campanhas globais que valorizem a nossa fruta, destacando segurança alimentar, qualidade e benefícios das vitaminas, deverão ser constantes.

O último alerta é em relação à tecnologia. O Brasil tem vivenciado um boom de startups de agronegócio. Segundo a Associação Brasileira de Startups, as Agtechs, empresas de tecnologia com foco em agronegócio, têm um crescimento da ordem de 70% ao ano e movimentam aproximadamente R$ 15 bilhões. O governo deverá se atentar e fomentar este cenário, com incentivos às empresas que criarem hubs de startups.

Estes seis alertas, ao ganharem protagonismo, irão valorizar ainda mais o agronegócio e contribuirão diretamente para o consumidor final ter um produto seguro e de extrema qualidade. E mais: impulsionarão o Brasil como verdadeira potência mundial! 

EDITORIAL

A nova chance da Malha Oeste

O que Mato Grosso do Sul espera é que o próximo operador transforme esse potencial em realidade, devolvendo ao Estado uma ferrovia moderna

13/07/2026 07h15

Continue Lendo...

A possibilidade de que a Malha Oeste desperte o interesse de grandes operadores ferroviários representa uma das notícias mais animadoras para a logística de Mato Grosso do Sul nos últimos anos.

Como mostra o Correio do Estado nesta edição, tanto a Rumo quanto a MRS Logística poderão disputar a concessão da ferrovia no leilão previsto para este ano.

O simples fato de haver concorrência por um ativo que durante muito tempo foi tratado como secundário demonstra que a ferrovia voltou a ser vista como estratégica.

Essa constatação merece ser destacada. Afinal, a Rumo, que administrou a Malha Oeste por décadas e que permitiu sua deterioração, manifesta interesse em permanecer na disputa.

A empresa já concentra seus investimentos na Malha Norte, economicamente mais atraente, e durante anos a ferrovia que corta Mato Grosso do Sul ficou relegada a um plano secundário, com baixa capacidade operacional, trechos abandonados e perda contínua de competitividade.

O resultado desse longo período de abandono é conhecido pelos sul-mato-grossenses. Uma ferrovia que já transportou combustíveis, grãos, carnes, produtos industrializados e cargas refrigeradas praticamente desapareceu da rotina econômica do Estado.

Enquanto outras regiões ampliavam sua infraestrutura logística, Mato Grosso do Sul assistia à degradação de um patrimônio fundamental para seu desenvolvimento.

O cenário, porém, começa a mudar. Se empresas do porte da Rumo e da MRS Logística demonstram interesse na concessão, é porque enxergam potencial econômico na Malha Oeste. Não faltam cargas para justificar esse investimento.

A expansão da indústria de celulose, o transporte de minério e o crescimento da produção agropecuária criaram uma demanda que dificilmente poderá ser atendida apenas pelas rodovias.

Mais do que atender às necessidades atuais, a ferrovia reúne condições para recuperar sua vocação histórica de integrar diferentes cadeias produtivas.

Além da celulose e do minério, poderá voltar a transportar combustíveis, cereais, carnes e produtos refrigerados, reduzindo custos logísticos, aumentando a competitividade das empresas e diminuindo a pressão sobre as estradas.

Há ainda um aspecto estratégico frequentemente subestimado. A Malha Oeste constitui uma rota bioceânica ferroviária natural. Sua conexão com a Bolívia abre caminho para o acesso aos portos do Pacífico, oferecendo uma alternativa importante para o comércio exterior brasileiro, especialmente com os mercados asiáticos.

Em um momento em que Mato Grosso do Sul amplia sua inserção internacional, essa característica torna a ferrovia ainda mais relevante.

Por isso, a concorrência pela concessão deve ser recebida como uma excelente notícia. A Malha Oeste pode não ter tido um presente à altura de sua importância, em grande parte pela condução insatisfatória de sua atual concessionária. Mas tudo indica que seu futuro continua promissor.

O que Mato Grosso do Sul espera é que o próximo operador transforme esse potencial em realidade, devolvendo ao Estado uma ferrovia moderna, eficiente e capaz de impulsionar o desenvolvimento econômico pelas próximas décadas.

ARTIGOS

O falso conflito entre ciência e religião

Para Teilhard de Chardin, o cosmos está se dirigindo ao encontro com Deus no fim dos tempos

11/07/2026 07h45

Continue Lendo...

Já dizia Albert Einstein: “A ciência sem a religião é paralítica. A religião sem a ciência é cega”. O que motivava os cientistas de outrora? O que desejavam? Queriam, na verdade, desvendar o universo de Deus!

Cientistas como Isaac Newton, Johannes Kepler e G. W. Leibniz viam na pesquisa uma maneira de entender o divino. O paleontólogo e jesuíta Teilhard de Chardin procurou a vida toda unir ciência e religião.

Em suas palavras: “O Universo, considerado em seu conjunto, tem um fim e não pode errar de direção, nem parar no caminho”. Para ele, o cosmos está se dirigindo ao encontro com Deus no fim dos tempos. Não vivemos num universo dominado pelo acaso.

Segundo a mecânica quântica, todas as partículas estão interligadas, formando uma unidade. Aqui temos o acaso científico sendo desafiado! Essa é uma visão mística e religiosa.

“Quer queiramos, quer não, estamos todos ligados a tudo o que nos circunda, com todas as fibras de nosso ser”. Palavras do jesuíta que queria unir, e não separar.

Atualmente, físicos como Amit Goswami e Menas Kafatos procuram unir ciência e espiritualidade e até mesmo o físico brasileiro Marcelo Gleiser está caminhando nesse sentido. C. G. Jung, ao contrário de Freud, legitimava o impulso religioso do homem.

Para Jung, existe dentro de nós uma imagem de Deus e Santo Agostinho dizia algo parecido. “O Reino de Deus está dentro de vós”, falava Jesus.

O Papa João Paulo II, uma vez por ano, reunia no Vaticano os maiores astrofísicos e filósofos do mundo com o objetivo de discutir questões como a origem do universo.

Jung conversou muito com o Prêmio Nobel de Física Wolfgang Pauli. Eles aproximaram a psicologia e a física quântica que nos mostra a nossa espiritualidade.

Segundo a mesma física, a consciência humana tem participação ativa na construção da própria realidade. Ao olharmos para uma partícula como o elétron, mudamos o seu comportamento.

Joseph Campbell dizia que os mitos universais apontam para aquilo que vai além: apontam para o transcendente. Outrora, os homens elaboravam histórias para poder entender e explicar esse universo maravilhoso e aterrador.

Então surgiu a ciência empírica. Gradualmente os cientistas foram deixando de lado a religião até banirem completamente Deus. Mas agora muitos deles já estão percebendo que não é possível explicar o universo abandonando completamente a hipótese Deus.

Toda disputa entre ciência e religião não terá futuro se dependermos da nova ciência espiritualista que está surgindo. Precisamos urgentemente unir os conhecimentos humanos.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).