Mato Grosso do Sul costuma aparecer em rankings nacionais como um dos estados com melhores indicadores de segurança pública do País. Em linhas gerais, os números sustentam essa percepção.
A população, sobretudo em cidades do interior, ainda convive com uma sensação de tranquilidade acima da média brasileira, algo cada vez mais raro em um cenário nacional marcado pelo avanço da violência urbana e pela presença do crime organizado em diferentes regiões.
Mas a segurança pública não pode ser analisada apenas sob a ótica das estatísticas frias. A sensação de segurança também é construída pelo cotidiano das pessoas, pela percepção de ordem nas ruas, pela presença ostensiva das forças policiais e pela confiança de que o Estado mantém controle sobre o território.
Quando crimes violentos começam a ocorrer em sequência, especialmente homicídios, a percepção social muda rapidamente, mesmo em estados que apresentam indicadores considerados positivos.
Nesta edição mostramos que Campo Grande, ao menos neste mês, já contabiliza mais assassinatos do que a região de fronteira com o Paraguai, historicamente associada aos altos índices de violência e à atuação do narcotráfico.
O dado chama atenção justamente porque rompe uma lógica consolidada ao longo dos últimos anos, na qual os maiores focos de violência letal estavam concentrados nas cidades fronteiriças.
Aliás, os próprios indicadores que sustentam a redução da criminalidade em Mato Grosso do Sul têm sido fortemente influenciados pelos números do interior do Estado.
Em muitos municípios, especialmente nos menores, ainda prevalece um ambiente de relativa estabilidade social e baixos índices de homicídios.
Isso ajuda a equilibrar as estatísticas estaduais, mas não pode servir para mascarar problemas específicos enfrentados pela Capital.
Campo Grande cresceu, se expandiu territorialmente e passou a conviver com desafios típicos dos grandes centros urbanos brasileiros.
Aumento populacional, desigualdade social, expansão periférica desordenada e presença crescente de facções criminosas exigem uma resposta proporcional do poder público.
Há necessidade de uma atuação mais incisiva no combate aos crimes contra a vida na Capital.
Mais do que investigações eficientes, que são indispensáveis, é preciso reforçar a presença ostensiva das forças de segurança em regiões estratégicas da cidade.
O policiamento visível continua sendo um instrumento importante não apenas para reprimir delitos, mas também para transmitir confiança à população.
A presença policial organizada, integrada e inteligente contribui diretamente para reduzir a sensação de abandono em áreas mais vulneráveis.
Quando homicídios passam a ocorrer em ritmo fora da curva, como observado neste mês, a reação do Estado precisa ser rápida, coordenada e cirúrgica.
Não se trata apenas de conter estatísticas negativas, mas de impedir que a escalada da violência comprometa um dos principais patrimônios sociais de Mato Grosso do Sul: a sensação de segurança.
O Estado ostenta índices positivos quando comparado a outras regiões do País. Isso precisa ser preservado. É condição essencial para o desenvolvimento econômico, para a atração de investimentos e para a qualidade de vida da população.

