Artigos e Opinião

EDITORIAL

Uma história de 72 anos de confiança

Os números do Correio do Estado mostram que a tradição construída ao longo de décadas no papel migrou para o universo digital sem perder sua essência

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Os anos mudam, o tempo passa, as tecnologias se transformam – mas o Correio do Estado permanece. Neste dia 7 de fevereiro, completamos 72 anos de história, uma marca que poucos veículos de comunicação no Brasil podem ostentar.

Pouquíssimos, aliás. Em um país onde jornais nascem e desaparecem com rapidez, atravessar mais de sete décadas é, antes de tudo, um atestado de relevância, resistência e confiança.

Ao longo desses 72 anos, o Correio do Estado foi testemunha e narrador de profundas transformações sociais, políticas, econômicas e culturais. Viu Campo Grande crescer, Mato Grosso do Sul nascer e se consolidar, e acompanhou gerações inteiras em momentos decisivos de sua história.

Também presenciou – e enfrentou – mudanças radicais na forma de produzir, distribuir e consumir informação. Da prensa ao offset, do papel ao digital, do impresso ao tempo real das redes, cada virada exigiu mais do que investimento tecnológico: exigiu visão, coragem e fidelidade a princípios.

E é justamente esse equilíbrio entre adaptação e permanência que explica nossa longevidade. O Correio do Estado soube incorporar novas linguagens, plataformas e ferramentas sem abrir mão de seus valores basilares.

O compromisso com o jornalismo responsável, com a informação independente, com o contraditório e com a verdade dos fatos sempre foi – e continua sendo – o alicerce sobre o qual construímos nossa trajetória.

Não é exagero afirmar que o que nos fez durar tanto tempo foi, sobretudo, a confiança do nosso público. Confiança não se impõe, se conquista. E se renova diariamente, edição após edição, reportagem após reportagem.

É essa relação de credibilidade com o leitor que nos trouxe até aqui e que nos impulsiona a seguir em frente, mesmo em tempos de desinformação, polarização e ataques ao jornalismo profissional.

Neste espaço, portanto, mais do que celebrar, renovamos um compromisso. Um compromisso com você, que nos lê, que nos acompanha, que consome nossas notícias e que conta conosco para contar a história de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul. Seguiremos atentos ao interesse público, vigilantes ao poder, abertos ao debate e firmes na defesa da boa informação.

Neste aniversário, também é justo destacar nosso crescimento no ambiente digital. Os números mostram que a tradição construída ao longo de décadas no papel migrou para o universo digital sem perder sua essência. A audiência cresce, o alcance se amplia, e os valores permanecem inabaláveis.

O Correio do Estado de hoje dialoga com novas gerações, novos hábitos e novas plataformas, sem renunciar àquilo que sempre nos definiu.

Por fim, neste 7 de fevereiro, a palavra que melhor resume este editorial é gratidão. Gratidão a você, leitor, que faz parte dessa história. São 72 anos porque você esteve conosco. E é com você que seguiremos escrevendo os próximos capítulos.

EDITORIAL

Gestão da Saúde sob novo teste

No fim das contas, o debate não deve se limitar à forma de gestão, mas ao resultado entregue ao cidadão. O novo modelo deve reduzir filas e ampliar atendimentos

26/03/2026 07h15

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A decisão de Campo Grande de transferir a gestão dos Centros Regionais de Saúde 24 horas para organizações sociais inaugura um novo capítulo na administração pública municipal. Trata-se de uma medida que desperta debates legítimos, tanto pela sensibilidade do tema quanto pela importância estratégica dessas unidades para a população.

Ainda assim, é preciso reconhecer que a proposta, se bem estruturada, pode representar uma oportunidade concreta de melhoria no atendimento.

A rede de saúde pública enfrenta desafios conhecidos: filas, demora, falta de profissionais, problemas de gestão e dificuldade para garantir atendimento digno e eficiente. Esses obstáculos não são exclusivos da capital sul-mato-grossense, mas atingem boa parte do País.

Diante desse cenário, testar novos modelos administrativos deixa de ser apenas uma alternativa e passa a ser uma necessidade. A população merece serviços mais ágeis, humanizados e resolutivos, sobretudo nas unidades de atendimento 24 horas, que funcionam como porta de entrada para milhares de cidadãos.

A experiência com organizações sociais já foi adotada em diferentes localidades, com resultados variados. Há casos de sucesso, com ganho de eficiência, maior flexibilidade na contratação de profissionais e melhor organização dos serviços.

Contudo, também existem exemplos negativos, marcados por falta de controle, desperdício de recursos e até denúncias de irregularidades. Por isso, o êxito da iniciativa não depende apenas do modelo escolhido, mas da forma como ele será implantado e fiscalizado.

É justamente nesse ponto que reside a principal atenção. O Município precisa estabelecer mecanismos rigorosos de controle, com metas claras, indicadores de desempenho e avaliação permanente dos resultados.

A transparência deve ser total, com divulgação de contratos, custos, metas e relatórios de desempenho. A sociedade tem o direito de saber como os recursos públicos são aplicados e quais melhorias estão sendo efetivamente alcançadas.

Outro aspecto essencial é a atuação dos órgãos de controle. O acompanhamento próximo do Ministério Público será fundamental para garantir que o modelo não se desvie de seu objetivo principal: melhorar o atendimento à população. A fiscalização preventiva evita distorções e fortalece a credibilidade da iniciativa.

No fim das contas, o debate não deve se limitar à forma de gestão, mas ao resultado entregue ao cidadão. Se o novo modelo for capaz de ampliar o acesso, reduzir filas e qualificar o atendimento, terá cumprido seu papel.

O mais importante é assegurar que os bilhões destinados à Saúde sejam aplicados com eficiência, responsabilidade e foco em quem mais precisa. A população não espera apenas mudanças administrativas, mas melhorias concretas no cuidado com a vida.

Artigo

TEA em adultos: por que o diagnóstico tardio mistura alívio e dúvidas?

Entre adultos, é comum que o diagnóstico ocorra tardiamente, especialmente em casos com menor prejuízo funcional

25/03/2026 07h45

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O diagnóstico tardio do transtorno do espectro autista (TEA) em adultos costuma provocar uma mistura de sentimentos como alívio, dúvidas e interpretações equivocadas, como associação com inteligência. A condição segue cercada de desinformação, independentemente da idade. O que acaba gerando muitas dúvidas.

O TEA é uma das principais condições neurodivergentes, caracterizado por diferenças na comunicação social, comportamento e processamento sensorial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas vivem com o transtorno no mundo. No Brasil, o Censo Demográfico de 2022 aponta 2,4 milhões de diagnósticos, o equivalente a 1,2% da população.

Entre adultos, é comum que o diagnóstico ocorra tardiamente, especialmente em casos com menor prejuízo funcional. Essas pessoas, muitas vezes classificadas no nível 1 de suporte, conseguem estudar, trabalhar e se relacionar, o que contribui para que sinais passem despercebidos.

Ainda assim, é frequente o relato de sensação de desconexão e dificuldade de pertencimento, que leva à busca por ajuda psicológica.

Em muitos casos, o TEA aparece inicialmente associado a quadros como ansiedade, depressão ou fobia social. Também há confusão diagnóstica com transtorno do deficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e altas habilidades, além da possibilidade de comorbidades.

Quando o diagnóstico é tardio, o prognóstico tende a ser mais desfavorável, e o nível de incompreensão aumenta – tanto por parte das pessoas ao redor quanto da própria pessoa em relação ao seu funcionamento.

Com frequência, observo pacientes relatarem que percebem e sentem o mundo de forma diferente, além de enfrentarem dificuldades para manter o convívio social. Diante disso, muitos iniciam tratamento para depressão ou fobia social e, apenas posteriormente, recebem o diagnóstico de TEA.

O momento do diagnóstico pode gerar reações diversas. Há quem sinta alívio ao se compreender, enquanto familiares podem expressar sentimento de culpa por não terem percebido alguns sinais. A falta de informação também faz com que alguns adultos resistam a se reconhecer como neurodivergentes.

É importante destacar que o TEA, assim como o TDAH e outros transtornos, não tem relação com nível de inteligência. Quando se fala de TEA, estamos falando de um cérebro neurodivergente que tem uma alteração no funcionamento cerebral, que pode coexistir tanto com deficits quanto com altas habilidades.

Sem diagnóstico, as experiências podem parecer incoerentes e gerar culpa. Com a identificação adequada, a psicoterapia se torna além de um espaço de escuta, um espaço de construção de estratégias práticas, transformando dificuldades difusas em caminhos possíveis de adaptação, estratégias concretas e qualidade de vida.

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