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TEA em adultos: por que o diagnóstico tardio mistura alívio e dúvidas?

Entre adultos, é comum que o diagnóstico ocorra tardiamente, especialmente em casos com menor prejuízo funcional

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O diagnóstico tardio do transtorno do espectro autista (TEA) em adultos costuma provocar uma mistura de sentimentos como alívio, dúvidas e interpretações equivocadas, como associação com inteligência. A condição segue cercada de desinformação, independentemente da idade. O que acaba gerando muitas dúvidas.

O TEA é uma das principais condições neurodivergentes, caracterizado por diferenças na comunicação social, comportamento e processamento sensorial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas vivem com o transtorno no mundo. No Brasil, o Censo Demográfico de 2022 aponta 2,4 milhões de diagnósticos, o equivalente a 1,2% da população.

Entre adultos, é comum que o diagnóstico ocorra tardiamente, especialmente em casos com menor prejuízo funcional. Essas pessoas, muitas vezes classificadas no nível 1 de suporte, conseguem estudar, trabalhar e se relacionar, o que contribui para que sinais passem despercebidos.

Ainda assim, é frequente o relato de sensação de desconexão e dificuldade de pertencimento, que leva à busca por ajuda psicológica.

Em muitos casos, o TEA aparece inicialmente associado a quadros como ansiedade, depressão ou fobia social. Também há confusão diagnóstica com transtorno do deficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e altas habilidades, além da possibilidade de comorbidades.

Quando o diagnóstico é tardio, o prognóstico tende a ser mais desfavorável, e o nível de incompreensão aumenta – tanto por parte das pessoas ao redor quanto da própria pessoa em relação ao seu funcionamento.

Com frequência, observo pacientes relatarem que percebem e sentem o mundo de forma diferente, além de enfrentarem dificuldades para manter o convívio social. Diante disso, muitos iniciam tratamento para depressão ou fobia social e, apenas posteriormente, recebem o diagnóstico de TEA.

O momento do diagnóstico pode gerar reações diversas. Há quem sinta alívio ao se compreender, enquanto familiares podem expressar sentimento de culpa por não terem percebido alguns sinais. A falta de informação também faz com que alguns adultos resistam a se reconhecer como neurodivergentes.

É importante destacar que o TEA, assim como o TDAH e outros transtornos, não tem relação com nível de inteligência. Quando se fala de TEA, estamos falando de um cérebro neurodivergente que tem uma alteração no funcionamento cerebral, que pode coexistir tanto com deficits quanto com altas habilidades.

Sem diagnóstico, as experiências podem parecer incoerentes e gerar culpa. Com a identificação adequada, a psicoterapia se torna além de um espaço de escuta, um espaço de construção de estratégias práticas, transformando dificuldades difusas em caminhos possíveis de adaptação, estratégias concretas e qualidade de vida.

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Algumas reflexões sobre direita e esquerda

O foco final é a sociedade, o ser humano como seu destinatário, o problema está no radicalismo exacerbado ou exagerado desses enfoques, ou seja, na sua intransigência

23/06/2026 07h30

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Os vieses ideológicos de direita e de esquerda, com conceitos enraizados na Revolução Francesa de 1789, em si, são salutares.

Um faz contraponto ao outro. São abordagens valorativas diferentes de ver a mesma coisa. São enfoques diversos de como as pessoas enxergam, entendem e sentem o mundo e a sociedade. Nesse diapasão, longe de se repelirem, complementam-se!

O foco final é a sociedade, o ser humano como seu destinatário. O problema está no radicalismo exacerbado ou exagerado desses enfoques, ou seja, na sua intransigência. Neste viés, ambos se julgam donos absolutos da verdade.

O “nós e os outros” ou “nós e eles”, utilizado tanto por um lado como pelo outro, é bem revelador dessa assertiva fora da curva.

O extremismo, seja de que lado for, não acrescenta nada, ao contrário, incentiva a discórdia, acirra os ânimos entre as pessoas, como se estivesse falando de dois mundos diferentes. Um diálogo de dois inimigos!

O radical vê o mundo conforme as suas conveniências.

Prioriza-se a parte que lhe convém, em detrimento do todo. Um olhar vesgo! Aliás, mesmo que se esforce, nem mesmo o princípio da pluralidade explica ou justifica esse olhar torto!

A propósito, é pertinente o recente artigo do cientista e economista da USP Michael França, publicado na Folha de São Paulo, no dia 9/6/2026, p. A17, quando afirma que “esquerda vs. direita virou disputa de cego com cego”.

Segundo esse articulista: “Uma pessoa madura deveria ser capaz de dizer: a esquerda tem algo importante a ensinar sobre proteção social e concentração de riqueza. A direita tem algo importante a lembrar sobre liberdade individual e os limites do Estado. O erro começa quando cada campo transforma suas verdades parciais em dogmas. A maturidade política começa quando aceitamos que ninguém está certo o tempo todo. Nem a esquerda. Nem a direita”.

Sem essa compreensão, o caráter pedagógico do diálogo cai por terra!

O radical se esquece de que o razoável seria buscar, em uma visão atual, pragmática e humanitária, encontrar um ponto de equilíbrio para se ver o mundo e a sociedade e, com isso, conciliar o interesse individual com o interesse social, sem se afastar das premissas filosóficas apregoadas por Hobbes e Rousseau há séculos.

Aliás, a nossa Constituição Federal, em vários dispositivos, busca dar voz ao equilíbrio individual e social, a exemplo da contemplação do direito de propriedade e da sua função social. Igualmente, nas chamadas ações afirmativas, entre outras.

As ditaduras, sejam de direita, sejam de esquerda, são resultantes do embate radical. Elas (ditaduras) não visam ao bem comum, ao interesse da sociedade, do ser humano, e sim à manutenção do status quo por interesses próprios e de grupos dominantes. Um autêntico maquiavelismo!

Portanto, nenhum pecado há em ser de direita ou de esquerda. O pecado capital está na irracionalidade do radicalismo. O caminho racional, menos tortuoso e espinhoso, é, sem dúvida, a maturidade política do ser humano!

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Editorial

Cooperação que enfraquece o crime

O crime organizado prospera porque gera lucro. Quando o Estado consegue retirar recursos e causar prejuízos aos criminosos, enfraquece a principal motivação de sua existência

23/06/2026 07h15

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O combate ao crime organizado exige muito mais do que operações isoladas, ações pontuais ou esforços individuais de uma única instituição.

As organizações criminosas que atuam no tráfico internacional de drogas têm estrutura sofisticada, movimentam cifras bilionárias e operam além das fronteiras nacionais.

Por isso, quando as forças de segurança conseguem atuar de forma coordenada, compartilhando informações e inteligência, os resultados costumam ser expressivos.

Nesta edição, mostramos um exemplo claro de como a cooperação entre diferentes órgãos pode produzir efeitos concretos no enfrentamento ao narcotráfico.

A atuação conjunta da Polícia Rodoviária Federal, da Receita Federal, de autoridades norte-americanas especializadas no combate ao tráfico internacional e de órgãos bolivianos de segurança resultou em uma apreensão que pode entrar para a história do Brasil.

As estimativas iniciais apontam para um volume que pode chegar a 50 toneladas de cocaína escondidas em carregamentos de madeira transportados da Bolívia para território brasileiro.

Não se trata de um número qualquer. Caso as projeções sejam confirmadas, estaremos diante de uma das maiores apreensões já registradas no País e de uma das mais relevantes do mundo.

O impacto de uma operação dessa magnitude vai muito além da retirada da droga de circulação.

Ela representa um golpe direto na capacidade operacional e financeira das organizações criminosas responsáveis pelo carregamento.

É importante compreender que o tráfico de drogas é, antes de tudo, uma atividade econômica ilícita. Os grupos criminosos movimentam recursos vultosos porque conseguem transformar a droga em dinheiro.

Quando uma carga desse porte é interceptada, não ocorre apenas a perda do produto, há prejuízos logísticos, financeiros e estratégicos que afetam toda a cadeia criminosa envolvida.

São milhões, possivelmente bilhões de reais, que deixam de alimentar estruturas criminosas.

Por isso, operações dessa natureza merecem reconhecimento. Não apenas pelo resultado imediato, mas pelo método empregado.

O compartilhamento de informações entre países e instituições demonstra que a integração continua sendo uma das ferramentas mais eficientes para enfrentar redes criminosas que não respeitam fronteiras.

Enquanto os traficantes atuam de forma globalizada, as forças de segurança também precisam agir dessa maneira.

Naturalmente, a apreensão da droga é apenas uma etapa do trabalho. A investigação precisa avançar para identificar financiadores, proprietários da carga, operadores logísticos e demais integrantes da organização criminosa.

A prisão dos responsáveis continua sendo fundamental para interromper a atividade delituosa e evitar a formação de novas redes de tráfico.

Entretanto, tão importante quanto prender é atingir o patrimônio dessas organizações. O crime organizado prospera porque gera lucro.

Quando o Estado consegue retirar recursos, apreender mercadorias e causar prejuízos milionários aos criminosos, enfraquece a principal motivação de sua existência. É uma estratégia que produz efeitos duradouros e reduz o poder dessas facções.

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