Um convite: vamos abrir um espaço e nos recolher e olhar para dentro de nós. Lá dentro existe um coração repleto de sentimentos. São sentimentos variados. Uns incentivando para o bem. Outros querendo arrastar para o mal. E o controle fica por conta da razão.
O que realmente interessa são os sentimentos voltados para o bem e que produzem atitudes e comportamentos como respostas aos anseios de uma vida pautada por princípios cristãos de honestidade, de bondade e de misericórdia. E isso com certeza faz a diferença entre os que creem em Deus e os que não creem.
Mesmo assim ficam as muitas dúvidas e as muitas interrogações: será que o ser humano consegue ter uma vida tranquila sem ter que pensar em Deus? Muitos creem que sim. Especialmente quem se permite raciocinar a partir da matéria facilmente se envolverá no materialismo e conduzirá seu raciocínio a partir disso.
Creio, porém, que um vazio há de perturbar essas mentes. Em consequência criará uma divindade para si. Poderá ser uma filosofia, uma ideologia, uma arte ou qualquer outra que lhe dê suporte às suas convicções. Mas sempre permanecerá uma força superior a lhe assegurar o seu pensar e o seu agir.
E o coração humano continuará inquieto enquanto não encontrar uma força que o sustente em suas fraquezas, uma luz a iluminar seus pensamentos e um princípio que alimente suas buscas. Essa inquietude precisará ser esclarecida e decifrada.
Nada melhor e nada mais sagrado para isso do que encontrar um ambiente onde possa se sentir à vontade para um desabafo e uma palavra amiga e solidária. É comum a queixa de que não há tempo para isso. Os compromissos não lhe dão sossego. A sobrecarga de atividades não dão espaço. E a vida se torna prisioneira das inquietudes.
Na vida de muita gente está faltando bom senso. Está faltando equilíbrio. Está faltando controle das emoções. Está faltando oração. Não serão fórmulas. Serão atitudes. Fórmulas existem muitas. Faltam atitudes orantes. Julgamos que a recitação de fórmulas transforme nosso viver. E, no entanto, nada muda. As lamentações continuam. As contrariedades também. E os pecados se avolumam. E o ser humano se vê perdido.
Será necessária uma mudança radical de atitudes. Urge reorganizar o plano de vida e de atividades. Será necessário encontrar uma lugar e um tempo para estar a sós com Deus. O mestre dos mestres nos ensina isso. Passava noites a sós com o Pai. Foi justamente num momento desses que despertou nos seguidores o desejo de também entenderem. E pediram: “Senhor, ensina-nos a rezar”.
A partir desse encontro tudo mudou. Não só aprenderam algo novo, como também se viram comprometidos a conviver com os demais de uma maneira diferente. Passaram a tratar como gostariam ser tratados. Passaram a fazer aos outros aquilo que quereriam fosse feito a eles.
Essa maneira que o Mestre revelou de comunicar-se com o Pai constitui até nossos dias uma maneira muito familiar e muito meiga de tratar a Deus como Pai de todas as nações e de todas as crenças.

