Cidades

MS-276

Asfalto feito pelo presidente da Agesul se esfarela dias após liberação de rodovia para circulação

Obra ainda não inaugurada de 5,9 km e que custou R$ 28 milhões em Nova Andradina foi executada pela ENGR Engenharia; Gil Marcio era procurador da empreiteira

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Anunciado há quatro anos e liberado ao tráfego faz menos de um mês, o asfalto de 5,92 quilômetros na MS-276, entre Batayporã e Nova Andradina, está se esfarelando antes mesmo de ser inaugurado oficialmente.

E o mais curioso é que um dos responsáveis técnicos pela execução da obra é Gil Márcio Franco, que assumiu o comando da Agesul em maio deste ano depois da exoneração de Rudi Fioresi, envolvido em um escândalo de desvio de dinheiro público na prefeitura de Campo Grande.  

Vídeo publicado em redes sociais mostra que, apesar de ainda não haver sinalização, o tráfego já está liberado e o revestimento está literalmente desmanchando (veja o vídeo ao final da reportagem). A Agesul e o governo alegam que o revestimento principal de asfalto ainda não foi aplicado. 

No dia 26 de junho, durante entrega de outras obras em Batayporã, o governador Eduardo Riedel (PP) vistoriou a obra de asfaltamento, o que foi interpretado por moradores da região como se tivesse ocorrido a inauguração.

Conforme informações no site do Governo do Estado à época, a obra recebeu investimento R$ 28 milhões e estava com 96% dos serviços executados. O asfalto novo conecta as rodovias BR-376 e MS-473, na divisa entre Batayporã e Nova Andradina.

A licitação da obra foi anunciada há mais de quatro anos, em maio de 2022, e o projeto está sendo executado pela ENGR Engenharia e Consultoria. O edital inicial previa investimento de R$ 19,577 milhões, bancados por recursos do Fundersul, mas até agora a obra já consumiu 50% acima disso.

Entre outras publicações, um aditivo ao contrato que saiu no diário oficial do Governo do Estado em 21 de dezembro de 2023 mostra que ele foi assinado pelo então presidente da Agesul, Mauro Azambuja Rondon Flores, e por Maria Forin Cruz Ribeiro (p. p. Gil Márcio Franco).

Ou seja, o atual diretor da Agesul tinha procuração da sócia da empreiteira, Maria Forin, para assinar documentos com o Governo do Estado em nome da empreiteira, deixando claro que foi o responsável pela execução de boa parte da obra que está virando pó antes mesmo da inauguração oficial. 

Desde janeiro do ano passado Gil Márcio ocupava o cargo de diretor de Infraestrutura Viária da Agesul, com salário de R$ 22 mil. Desde então está oficialmente afastado da empreiteira. Em maio deste ano foi alçado ao comando da autarquia, depois da eclosão do escândalo sofre supostos desvios no serviço de tapa-buracos as esburacadas ruas de Campo Grande. 

Um vídeo publicado nas redes sociais por Marcos Guimarães, que se apresenta como pré-candidato a deputado federal pelo Novo e que já foi candidato a prefeito de Nova Andradina pelo mesmo partido, atribui a má qualidade do asfalto à “ânsia de entregar obras às vésperas de uma eleição”.

Para o autor das denúncias, o fato de o tráfego ter sido liberado significa que a obra foi entregue, embora não tenha ocorrido inauguração oficial. E o esfarelamento, segundo ele, é a prova de que muita gente está trafegando pela nova rodovia.

Nas imagens, que estão com mais de 250 comentários e o mesmo número de compartilhamentos, ele dá destaque um trecho que não teria resistido à primeira chuva, mas elas também mostram que esfarelamento semelhante ocorre em outros pontos. O problema, segundo ele, existe principalmente próximo à ponte sobre o Córrego Esperança.

Nas dezenas de comentários não faltam insultos à classe política, assim como normalmente ocorre nas redes sociais. Porém, também há informações de que este não é o único local em que asfalto novo se desfaz.

“Essa ai ta boa, da uma passada na MS 278 entre o café porã no município de caarapó e Fátima do Sul que nem inaugurou tem fezer outro asfalto”, escreveu um homem que se identificou como Gilvan Alves de Oliveira.

Em nota, a Agesul informou que já tomou providências para solucionar o problema.

Confirma a nota da Agesul na íntegra:

NOTA À IMPRENSA – AGESUL

A Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) informa que, durante a execução da capa asfáltica na MS-276, a empresa contratada identificou a presença de lençol freático no encabeçamento de uma das pontes da rodovia. O problema foi detectado no momento da aplicação da capa, inviabilizando a segunda camada e exigindo intervenção complementar antes da conclusão do serviço.

Ressalta-se que a obra ainda não foi entregue. A empresa permanece em regime de contrato vigente, sendo de sua responsabilidade sanar todas as não conformidades identificadas antes do recebimento definitivo pelo poder público.

Atualmente, a rodovia conta com 92% dos serviços executados. Como não é possível interromper o tráfego em uma via com esse nível de avanço, todo o trecho já finalizado recebeu sinalização adequada e segue operando com segurança enquanto as correções são realizadas.

A empresa já está mobilizada e iniciará nos próximos dias os serviços de nova drenagem, com o objetivo de eliminar a água do lençol freático, e conclusão da capa asfáltica no local e da obra.

* Matéria alterada às 16h31 para acréscimo da nota da Agesul

Saúde

Plano de saúde terá que cobrir mamografia digital para todas as idades

Decisão da ANS vale a partir de 1º de outubro

10/09/2026 19h00

José Cruz/Agência Brasil

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A partir de 1º de outubro, os planos de saúde serão obrigados a cobrir exame de mamografia digital para todas as pessoas sempre que houver indicação médica, ou seja, não haverá restrição de idade. Atualmente, a cobertura desse exame é obrigatória apenas para mulheres com idade entre 40 e 69 anos.

A decisão foi tomada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no último dia 3 e anunciada nesta quinta-feira (10). A ANS é o órgão que regula a indústria de planos de saúde no país.

A mamografia digital versão mais avançada do exame convencional é considerada um dos principais exames para a detecção precoce do câncer de mama, permitindo identificar alterações antes mesmo de serem percebidas ao toque.

Menos tempo de exposição

A modalidade digital oferece vantagens como menor exposição à radiação, menor tempo de compressão da mama durante o exame e armazenamento das imagens em formato digital, o que facilita o acompanhamento da evolução clínica e a avaliação por diferentes especialistas.

No comunicado de fim de restrição, a ANS destaca que a cobertura obrigatória é “uma oportunidade de celebrar o Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama”.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca), ligado ao Ministério da Saúde, estima que o país tenha cerca de 73.610 novos casos de câncer de mama por ano.

O diagnóstico precoce aumenta as chances de tratamento e pode reduzir a necessidade de procedimentos mais invasivos.

Todos os gêneros

A intenção de ampliar a cobertura do exame partiu da própria ANS, após discussões realizadas na Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar (Cosaúde).

Na Cosaúde, a maioria da comissão defendeu que “o uso da mamografia digital já está consolidado como padrão de cuidado oncológico” e que a restrição para mulheres de 40 a 69 anos, poderia “prejudicar ou atrasar o acesso oportuno” ao diagnóstico de câncer de mama.

Ao determinar cobertura obrigatória para “todas as pessoas”, a ANS inclui qualquer gênero, ou seja, o exame passa a ser garantido a pessoas que se considerem não binárias (não se identificam exclusivamente como homem ou mulher).

Farra dos Salgadinhos

Polícia descobre esquema de desvio de milhares de salgadinhos em Campo Grande

Produtos eram retirados clandestinamente de uma indústria e foram encontrados em depósito e pontos comerciais; polícia ainda calcula o prejuízo.

10/09/2026 18h54

Milhares de pacotes de salgadinhos foram apreendidos durante investigação sobre desvio de cargas em Campo Grande.

Milhares de pacotes de salgadinhos foram apreendidos durante investigação sobre desvio de cargas em Campo Grande. Foto: Divulgação/Polícia Civil.

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Milhares de pacotes de salgadinhos desviados de uma indústria alimentícia foram apreendidos pela Polícia Civil em Campo Grande nesta quinta-feira (10). As mercadorias estavam distribuídas entre um depósito no bairro São Conrado, na região sudoeste da Capital, e duas unidades de um estabelecimento comercial, onde parte dos produtos já era oferecida para venda no atacado.

A quantidade apreendida chama atenção. Imagens da operação mostram grandes volumes de fardos com pacotes de salgadinhos armazenados e posteriormente recolhidos pelos investigadores.

Segundo a Polícia Civil, nenhuma documentação fiscal correspondente às mercadorias foi apresentada nos locais fiscalizados.

A ação foi realizada pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos (Derf) e faz parte de uma investigação sobre o desvio reiterado de cargas de uma indústria alimentícia instalada na Capital.

Depósito armazenava milhares de pacotes

Um dos endereços identificados durante as diligências fica no São Conrado. Conforme a Polícia Civil, o imóvel vinha sendo utilizado como depósito dos produtos desviados.

No local, os investigadores encontraram milhares de unidades de mercadorias da indústria armazenadas sem as respectivas notas fiscais. Os produtos foram recolhidos e o endereço passou por exame pericial.

Milhares de pacotes de salgadinhos foram apreendidos durante investigação sobre desvio de cargas em Campo Grande.Carga com milhares de pacotes de salgadinhos foi apreendida durante diligências da Derf em Campo Grande. Foto: Divulgação/Polícia Civil.

A investigação avançou até duas unidades de um estabelecimento comercial de Campo Grande. Nesses pontos, outras milhares de unidades dos mesmos salgadinhos também foram localizadas sem documentação fiscal.

Ao contrário do depósito, porém, nesses estabelecimentos os produtos já estavam expostos para comercialização no atacado.

Outro elemento passou a ser considerado pelos investigadores: os salgadinhos eram oferecidos por valores significativamente inferiores aos preços normalmente praticados no mercado, segundo a Polícia Civil.

Polícia apura retirada de cargas de dentro da indústria

As apreensões são parte de uma investigação mais ampla. O avanço das diligências revelou indícios, segundo a Derf, da existência de um esquema estruturado para retirar clandestinamente cargas diretamente das dependências da indústria.

A suspeita é de que, depois de retiradas da empresa, as mercadorias fossem levadas para depósitos e posteriormente colocadas à venda no mercado local.

Agora, os investigadores trabalham para identificar quem participava de cada etapa do esquema, desde a retirada dos produtos da indústria até o armazenamento, aquisição e comercialização.

Os três endereços vistoriados nesta quinta-feira foram submetidos a perícia. Os produtos apreendidos serão identificados e avaliados antes de serem restituídos à empresa vítima.

Caso começou a ser investigado em agosto

A operação desta quinta-feira é um desdobramento de diligências realizadas pela Derf em agosto, quando os policiais chegaram a outro depósito que também armazenava milhares de produtos desviados da mesma indústria.

Naquela ocasião, um investigado foi preso em flagrante. A continuidade da apuração levou os policiais aos novos endereços identificados nesta semana.

As pessoas encontradas no depósito e nos estabelecimentos comerciais foram levadas à sede da Derf para prestar esclarecimentos. Os responsáveis pela aquisição e comercialização das mercadorias serão intimados e interrogados durante o inquérito.

A investigação continua para identificar todos os envolvidos, descobrir quantas cargas teriam sido desviadas e calcular o prejuízo provocado à indústria.

Até o momento, a Polícia Civil não informou o valor total das mercadorias recuperadas nem a estimativa do prejuízo causado pelos desvios.

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