Quase dois meses após a terceira audiência a respeito da morte de Sophia Ocampo, agredida e morta aos dois anos de idade, a Justiça ainda não tem data para ouvir as duas médica da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Coronel Antonino que atenderam a vítima no dia 26 de janeiro, quando já chegou morta ao local.
Ao Correio do Estado, a advogada Janice Andrade, que representa os pais de Sophia, Jean Carlos Ocampo e Igor de Andrade, destacou que o depoimento do médico que atendeu a menina no dia de sua morte será importante para o caso, mas que o processo judicial está dentro do prazo, apesar do hiato de quase 60 dias sem audiências.
“A acusação não arrolou as médicas porque extrapolou o número legal de testemunhas, então, o magistrado indeferiu, mas achou necessário ouvir as médicas”, explicou.
O despacho de intimação das testemunhas, assinado pelo juiz que acompanha o caso, Carlos Alberto Garcete de Almeida, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, é do dia 06 de junho, contudo, não é informado o dia em que as médicas devem comparecer em audiência para prestar os esclarecimentos. O documento apenas diz:
“A oitiva das aludidas médicas é necessária para saber qual era o estado, de fato, da criança no momento da entrada naquela unidade médico-hospitalar”, apontou,
A advogada, que é assistente de acusação junto ao Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul, explicou que esta pausa entre uma audiência e outra é normal e acredita que o depoimento das médicas será marcado até o final deste mês.
As três audiências serviram para ouvir as testemunhas de defesa de Stephanie de Jesus da Silva e Christian Leitheim, mãe e padrasto de Sophia, acusados de agredir e matar a menina, bem como as testemunhas de acusação do caso.
Também foram ouvidos um perito que participou das investigações, bem como o policial militar que atendeu a ocorrência no dia do fato, dentro da UPA Coronel Antonino.
INVESTIGAÇÃO SESAU
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), a sindicância foi concluída no final de maio. Ainda conforme o explicado pela pasta, a investigação não tem caráter punitivo, apenas foi realizada para identificar os pontos frágeis no atendimento de crianças que podem ser melhorados.
“A sindicância não tinha por caráter identificar quem foi o culpado, mas, sim, levantar em que momento houve eventual falha no processo de acolhimento desta criança e apontar possíveis melhorias”, explicou o assessor da pasta.
A sindicância foi realizada após pressão da imprensa e da assistente de acusação, já que Sophia passou mais de 30 vezes por diversas unidades de saúde ao longo de dois anos, uma quantidade apontada por pediatras como “anormal” para uma criança saudável como era a vítima.
Além disso, a menina sempre tinha machucados e hematomas aparentes durante as consultas e a maior parte de suas passagens por consultórios era em casos de emergência, contudo, a equipe médica não acionou qualquer mecanismo de segurança, sempre acreditando nas justificativas apresentadas por Stephanie para explicar os machucados e marcas roxas pelo corpo.
Contudo, como a sindicância não foi instalada com caráter punitivo, nenhum dos profissionais envolvidos nos atendimentos foi afastado ou responsabilizado.




