Cidades

Atropelamento

Autor de atropelamento com morte na Avenida Fábio Zahran teria participado de briga de torcidas

Charles de Goes Júnior é integrante da "Pavilhão 9", torcida organizada do Corinthians em Campo Grande (MS)

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O condutor do veículo que atropelou e matou uma mulher na madrugada desta quinta-feira (13/10) no cruzamento da Avenida Fábio Zahran com a Rua Ouro Branco, no Bairro Vila Carvalho, em Campo Grande (MS), teria participado da briga de torcidas organizadas do Corinthians e Flamengo no mês de agosto deste ano na Capital e que terminou com três pessoas feridas a tiros. Trata-se de Charles de Goes Júnior, 30 anos, integrante da “Pavilhão 9”, torcida organizada do Corinthians em Mato Grosso do Sul.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem do Correio do Estado, Charles Goes foi um dos envolvidos na briga generalizada ocorrida na noite de 2 de agosto deste ano, quando, logo após a partida entre Flamengo e Corinthians pela Taça Libertadores da América, as torcidas de ambas as equipes entraram em confronto e o resultado foram três pessoas feridas a tiros. Agora, ele é o autor do atropelamento que matou Michelli Alves Custódio, de 36 anos, quando ela estava em frente da própria residência em companhia da travesti identificada apenas como Samantha.

Charles Goes perdeu o controle do veículo que conduzia, Renault Sandero, ao bater no meio-fio da Avenida Fábio Zahran e atropelou Michelli Custódio e Samantha. De acordo com o boletim de ocorrência, o integrante da “Pavilhão 9” estava embriagado - o teste do bafômetro resultou em 0,83 miligramas por litro de ar expirado – e foi preso em flagrante por homicídio simples, pois a mulher morreu na hora, enquanto a outra vítima foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada para a Santa Casa de Campo Grande.

O marido da prima de Michelli Custódio, um homem de 32 anos, ainda tentou impedir que Charles Goes fugisse do local do acidente fatal se jogando na frente do veículo, mas foi arrastado por duas quadras, sendo também socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado para a Santa Casa.

Ao ser preso, o condutor estava com o braço direito machucado, recebeu atendimento no local do acidente e foi encaminhado para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol.

No momento em que foi preso, conforme testemunhas, Charles Goes estava com o uniforme da “Pavilhão 9”, pois teria acabado de sair do galpão utilizado pela torcida organizada do Corinthians para acompanhar os jogos do time transmitidos pela TV. Assim como nesta noite de quarta-feira para quinta-feira, em 2 de agosto Charles Goes, da “Pavilhão 9” também estava na sede da torcida organizada quanto aconteceu o confronto com torcedores do Flamengo, pois as sedes das duas torcidas organizadas ficam a 700 metros de distância uma da outra.

À época, a 1ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande abriu inquérito para investigar a briga generalizada entre torcedores do Corinthians e Flamengo, que terminou com pelo menos três baleados. A ordem de serviço para investigação de tentativa de homicídio foi pedida pelo delegado Antônio Ribas Junior, considerando que uma das vítimas foi ferida gravemente no abdômen e ficou internada na Santa Casa.

Passados cinco dias da briga, o delegado Antônio Ribas Júnior, responsável pelo caso, informou que tinha identificado o homem de 33 anos que atirou contra os torcedores do Flamengo. No dia 8 de agosto, ele foi preso no Bairro Jardim Los Angeles, mas negou qualquer envolvimento no crime, alegando apenas que esteve na torcida organizada no dia, mas não participou da briga.

Porém, as informações dele contrariam a versão das três vítimas e das testemunhas que foram ouvidas pela Polícia Civil. Pelo menos duas vítimas e uma testemunha confirmaram que viram o autor participando da briga. Devido a isso e por a arma não ter sido localizada, o homem foi indiciado por tentativa de homicídio.

Na manhã desta sexta-feira (14), o Ministério Público manifestou-se pela conversão do flagrante em prisão preventiva, a defesa manifestou-se pela concessão da liberdade provisória de Charles Goes, não ouvida.

DOURADOS

Irmãos colocam dedo no peito de policial e ameaçam vizinha em MS

A discussão começou por causa de um som automotivo na noite deste sábado (13)

13/09/2026 12h00

O caso foi registrado na Depac-Dourados

O caso foi registrado na Depac-Dourados Foto: Divulgação/PCMS

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Dois irmãos, identificados Franklim Lima Parron Garcia e André Lima Parron Garcia, de 43 e 46 anos respectivamente, foram presos em flagrante após ameaçarem uma vizinha, que teria reclamado do som alto, e por desacatarem policiais militares durante o atendimento da ocorrência no bairro Jardim Rasslem, em Dourados.

De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada para ir até a residência da vítima por volta das 22h50 deste sábado (12), para atender um caso de perturbação de sossego.

A vizinha relatou que estava em sua casa junto com seus filhos, sendo duas meninas, uma de 17 e outra de 9 anos, e um menino, de 14 anos, quando seu vizinho ligou o som automotivo em alto volume.

Ela relatou aos policiais que pediu para que Franklim baixasse o volume, mas ele teria aumentado ainda mais, pulado dentro de seu quintal e batido na porta repetidas vezes dizendo "abre aqui essa porta, você não é a gostosona, abre aqui".

A vítima relatou ainda que era possível ouvir o filho do vizinho gritando "pai não pula não, não faz isso pai" e depois "pai volta aqui, ela vai chamar a policia". Após a mulher se recusar a abrir a porta e Franklim ouvir ela chamando a polícia, ele pegou um tijolo e jogou em direção a sua porta.

Após ouvir o relato da vítima, os policiais foram até a casa de Franklim que teria se apresentado junto com André, relatando que estava testando o som automotivo quando a vizinha pediu para baixar o volume.

Enquanto os policiais faziam os procedimentos em relação ao suspeito, André ficou na calçada da vizinha com os braços cruzados e encarando a mulher que aguardava no portão de casa.

Os policiais teriam dado ordem para que ele saísse de lá porque a mãe e a filha estavam com medo. Neste momento, André se aproximou de uma militar dizendo "essa vizinha está se achando só porque é mulher, ela vai ver o dela".

Questionado pela policial sobre o que disse, teria apontado o dedo em direção a militar e falado "você é prevalecida só porque é mulher, vai à merda". Neste momento, foi dada voz de prisão ao homem, que desobedeceu e voltou para dentro da casa. Um reforço foi solicitado e quando Franklim ouviu que tinha mais viaturas vindo, chamou o irmão à frente.

Ao retornar estaria sorrindo e teria dito "vocês não sabem com quem estão mexendo, vocês vão se f*der".

Enquanto André estava sendo algemado, Franklim começou a gritar com a equipe policial perguntando "cadê as câmeras de vocês?" "vocês estão gravando?", momento em que ele colocou o dedo indicador no colete do policial, em tom ameaçador, dizendo "vocês estão ferrados".

Foi dada ordem para que Franklim se afastasse, porém foi desobedecida e novamente tentou colocar a mão no colete do policial. Após se recusar pela segunda vez, o homem foi preso.

Os dois foram levados à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário para que seja investigado o caso, registrado como ameaça agravante em caso de vítima mulher, violação de domicílio, dano, desobediência, desacato e perturbação do trabalho ou sossego alheio.

CASO MASTER

PF aponta fraude de R$ 17 bilhões em operações entre Master e BRB

A conclusão aparece no conjunto de arquivos cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça

13/09/2026 10h30

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 Divulgação: MPC-MS

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A Polícia Federal concluiu que as fraudes praticadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) somaram cerca de R$ 17 bilhões e foram "estruturadas mediante produção massiva de documentos falsos" e utilização de uma empresa de fachada.

A conclusão aparece no conjunto de arquivos cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa estão presos. Procurada, a defesa de Vorcaro não comentou. O Estadão não conseguiu contato até a noite de sábado (12) com os advogados de Costa.

Segundo a PF, "as investigações identificaram que operações fictícias ou materialmente insubsistentes, que somam cerca de R$ 17 bilhões, foram estruturadas mediante produção massiva de documentos falsos, manipulação de dados internos e utilização de empresa de fachada, com a conivência e atuação dolosa da alta administração do BRB, especialmente de seu então presidente, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa".

Especificamente sobre o BRB, a PF apontou "prática de corrupção explícita" pelo ex-presidente da instituição e calculou em R$ 20 bilhões o total de transferências do Banco de Brasília para operações incompatíveis com a higidez do banco.

O Master vendeu carteiras de crédito fictícias para o BRB, banco estatal do Distrito Federal. Em 2025, o BRB tentou comprar o Master, mas a negociação foi rejeitada pelo Banco Central e o banco de Daniel Vorcaro foi liquidado. O BRB, por sua vez, herdou um prejuízo bilionário, que ainda não foi totalmente calculado nem coberto.

Conforme as investigações, o banco de Daniel Vorcaro passou a enfrentar dificuldades de liquidez mais graves a partir de 2024. Foi, então, que, para conseguir recursos rapidamente, passou a vender carteiras de crédito para o BRB.

Para concretizar a fraude, foi constituída a Tirreno, empresa suspeita de ser aberta para servir como veículo de emissão e circulação dos ativos. A Tirreno repassava créditos para o Master, que os vendia para o BRB.

O objetivo seria conferir lastro às transações previamente realizadas entre os dois bancos, pois o Master não possuía histórico ou capacidade operacional de produção de crédito consignado suficiente para alcançar os volumes bilionários das operações.

A aprovação das compras era feita pela diretoria do BRB com "trâmite frequentemente acelerado", contrariando pareceres jurídicos que exigiam consulta ao conselho de administração, segundos os relatórios da PF.

"Mesmo diante de alertas técnicos e jurídicos, inexistência de lastro financeiro e impedimentos de auditoria, o BRB persistiu nas aquisições, suprimindo controles de governança e flexibilizando limites prudenciais, com o objetivo de favorecer o Banco Master", dizem os investigadores da PF.

A polícia identificou que, como contrapartida, Vorcaro pagou uma propina de R$ 146,5 milhões a Paulo Henrique, operacionalizada por meio da aquisição de pelo menos seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília. Foi essa informação que, em abril passado, levou o ministro André Mendonça a determinar a prisão do ex-presidente do BRB, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero.

'Daniel e os leões'

Segundo a PF, Vorcaro tinha um grupo no WhatsApp com seus advogados para encaminhar documentos relativos ao Master e ao BRB. O grupo se chamava "Daniel e os leões".

Entre as fraudes, a PF descobriu que a equipe de tecnologia do Banco Master utilizava scripts e códigos para gerar Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) em lote a partir de CPFs extraídos de bancos de dados antigos (como do programa CredCesta, cartão de benefício consignado criado na Bahia que veio parar no Banco Master).

A fraude envolveu também a fabricação de cláusulas nas quais se simulava que os clientes teriam dado poderes para o Banco Master ou para a Tirreno assinarem empréstimos em seus nomes, sem que os titulares jamais tivessem autorizado ou assinado qualquer procuração. Houve a criação automatizada de 2,7 mil procurações, das quais provavelmente saíram 1.785 procurações enviadas ao BRB referentes a créditos supostamente originados pela Tirreno.
 

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