Cidades

SITUAÇÃO TENSA

Autoridades confirmam morte de indígena em área de conflito no Estado

Segundo o Departamento de Operações da Fronteira (DOF), assassinato foi com tiro na cabeça

GABRIEL MAYMONE E CELSO BEJARANO, DE ANTÔNIO JOÃO

29/08/2015 - 16h32
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Confirmada a morte de um indígena, neste sábado (29), na região de Antonio João (MS). Segundo o Departamento de Operações de Fronteira (DOF), a morte ocorreu nesta tarde, e foi causada, aparentemente por tiro de calibre .22, mas pode ter sido a paulada. 

A reportagem do Correio do Estado, que está no local, apurou que há outro índio ferido, internado no hospital, e suspeita de mais indígenas baleados.

O corpo do índio será levado para a autópsia, em Ponta Porã. O DOF também informou que a perícia irá apurar a autoria.

A comunidade indígena Aty Guasu, uma das que defendem os Guarani-Kaiowá, afirma em sua página no Facebook que o indígena morto é o líder Guarani Semion Vilhalva, mas a identificação não foi confirmada pelas autoridades.

SITUAÇÃO TENSA

Na manhã deste sábado (29), um grupo de aproximadamente 100 fazendeiros armados em 40 caminhonetes se dirigiu à Fazenda Barra com o propósito de desocupar a propriedade “na marra”.

No local estão 11 viaturas da da Força Nacional, quatro viaturas do DOF (Departamento de Operações de Fronteira) e uma da Polícia Militar Rodoviária. 

Produtores estão armados e com colete a prova de balas e os indígenas também estão armados com arco e flecha e espingardas. 

Fotos: Álvaro Rezende / Correio do Estado

investimento

Sete anos depois de obras do Reviva, Rua 14 de Julho continua "morrendo"

Reportagem contou 23 espaços fechados disponíveis para locação ou compra na principal via do centro de Campo Grande

09/07/2026 08h00

Rua 14 de Julho tem sequência de comércios fechados, mesmo após revitalização que prometia levar mais consumidores à região

Rua 14 de Julho tem sequência de comércios fechados, mesmo após revitalização que prometia levar mais consumidores à região Foto: Gerson Oliveira

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Mesmo depois do projeto Reviva Centro, que prometeu a revitalização da região mais movimentada de Campo Grande para atrair os empresários e a população, a Rua 14 de Julho segue abandonada pelos comerciantes, com número de empreendimentos fechados semelhante ao de sete anos atrás, durante as obras.

Na tarde de ontem, a reportagem do Correio do Estado foi às ruas para contabilizar quantos espaços estão disponíveis para locação ou venda na Rua 14 de Julho.

Ao todo, foram encontrados 23 estruturas sem funcionamento entre as Ruas 7 de Setembro e Maracaju, o que deixa explícito o insucesso da revitalização para os comerciantes.

Para efeito de comparação, durante as obras de revitalização, entre maio e junho de 2018, estavam fechados 25 imóveis na Rua 14 de Julho, segundo levantamento realizado pela Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG). 

Vale lembrar que, naquela época, por causa da reforma, trechos da região ficaram interditados para veículos, o que dificultava o acesso ao Centro para pessoas que moravam longe e levou muitos estabelecimentos a fecharem pela diminuição do movimento, situação que piorou pouco tempo depois, em razão da pandemia de Covid-19.

Rua 14 de Julho tem sequência de comércios fechados, mesmo após revitalização que prometia levar mais consumidores à regiãoPrédio onde funcionou a Americanas está entre os locais fechados - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Em entrevista à reportagem, o arquiteto e urbanista Ângelo Arruda disse que o levantamento feito pelo Correio do Estado revela que o plano de revitalização não deu certo, o que ele diz ser efeito do aumento do e-commerce (compra e venda de bens ou serviços pela internet) e da pouca diversificação no tipo de comércios, já que cerca de 8 em cada 10 espaços são destinados a varejistas de vestuário.

“O e-commerce me joga na logística de eu ter o produto muito perto para eu entregar. A lógica da venda comercial no Brasil alterou profundamente as relações de comércio das áreas centrais. Ainda, 80% são atividades econômicas de roupas e calçados. Não tem padaria, supermercado, lanchonete ou barzinho, ou seja, ela é essencialmente do comércio varejista de três ou quatro produtos. Sem a mistura de atividades econômicas, você vai enterrar todo mundo junto”, analisa o arquiteto.

Arruda também cita a criação de subcentros espalhados por Campo Grande, que são polos secundários de comércio, serviços e empregos que se formam fora do Centro.

Como exemplo, o arquiteto menciona a evolução do Bairro Nova Lima, que saiu da fama de uma região “favelada” para uma área urbana com comércio forte e expansão imobiliária.

Uma das ideias dadas pelo especialista para que o centro da Capital voltasse a ter um movimento que representasse maiores ações comerciais foi tirar a prefeitura da Avenida Afonso Pena e a transferir para a Galeria São José, que também está localizada na Rua 14 de Julho e tem poucas lojas funcionando. No entanto, foi um plano recusado pela administração municipal à época.

RELATO

Próximas de um espaço fechado perto do cruzamento da Rua 14 de Julho com a Rua Maracaju, as empresárias Jussara Cintra e Carol Ramos, que são mãe e filha, trabalham juntas em um empreendimento de roupas infantis desde 2021.

Em conversa com a reportagem, elas revelam que a insegurança e a falta de higiene na região influenciam muito para um comerciante decidir apostar no lugar como investimento.

“Esses imóveis estarem vazios talvez não seja pelo valor, mas sim a baderna, a loucura e a sujeira que virou isso aqui. É estrangulante o que a gente faz. É triste demais. A gente tem que limpar vômitos, fezes, urina. É podre. A gente gasta com água, com produtos de limpeza. É uma loucura”, conta Jussara.

“Tem a questão da segurança, porque as abordagens são frequentes. Agora mesmo a gente estava sem água porque mexeram no nosso registro. Esses postos de energia que fizeram depois da reforma da rua, a gente teve que trancar para não roubarem. A onda de roubo de fios de cobre prejudicou, nós mesmos fomos vítimas disso”, complementa Carol.

As duas também afirmara que o sucesso da vida noturna na região desde 2023, com a abertura de bares na Rua 14 de Julho, que cresceu significativamente, especialmente perto da Rua Maracaju, também teria prejudicado os comerciantes casuais, como varejistas e donos de restaurantes.

“Essa mistura de bar com comércio também prejudica um pouco, o local se tornou uma rinha. Os donos de bar estão no direito deles também, porque eles são comerciantes, eles são proprietários. Só que eu acho que são coisas que não se misturam. O comerciante só é lesado”, desabafa Carol Ramos.

* Saiba 

A revitalização da Rua 14 de Julho fez parte do programa Reviva Centro e foi custeada com recursos do Banco Internacional de Desenvolvimento (BID).

Ao todo, foram gastos R$ 60 milhões para instalação de fiação subterrânea e mobiliário urbano. A rua ficou mais estreita e as calçadas mais largas.

SUCCESSIONE

Condenado por assalto à mão armada, Razuk é "caçado" pelo Gaeco

Integrantes do Ministério Público teriam ido até a residência da família do ex-deputado, em Dourados, à sua procura

09/07/2026 08h00

Neno Razuk perdeu o mandato de deputado estadual em maio

Neno Razuk perdeu o mandato de deputado estadual em maio Wagner Guimarães/Alems

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Condenado a 15 anos e 7 meses de prisão por chefiar uma organização criminosa voltada a prática do jogo do bicho e que teria praticado assaltos à mão armada, o ex-deputado Roberto Razuk Filho (PL), conhecido como Neno Razuk, que perdeu o mandato e, consequentemente o foro privilegiado, é procurado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

Na manhã de ontem, investigadores e policiais a serviço do Gaeco estiveram na residência do pai do deputado, o também ex-deputado estadual Roberto Razuk, em Dourados. Porém, Neno não foi localizado. 

Seu advogado, Ricardo Pereira, confirmou a visita do Gaeco à residência do pai de Neno. Ele não revelou, porém, se os agentes estavam tentado cumprir um mandado de prisão que teria sido expedido contra o ex-deputado.

O advogado informou que não teve acesso aos autos e não sabia informar se havia sido emitido decreto de prisão contra Neno.

Como o processo está em segredo de justiça, a reportagem não conseguiu confirmar se há realmente um mandado de prisão contra ele, porém, dentre os ditos líderes da suposta organização criminosa, Neno é o único que não havia sido preso, muito por conta de seu foro privilegiado.

Uma reportagem do Correio do Estado já havia relatado que, em maio, quando perdeu o mandato, Neno Razuk chegou a confidenciar para deputados que possivelmente deixaria o País por conta do temor de ser preso, já que estava perdendo a imunidade garantida pelo cargo de deputado.

O ex-deputado perdeu o mandato em decorrência de decisão da Justiça Eleitoral que cassou o diploma de suplência de Raquelle Trutis (PL), fazendo com que os votos dela fossem anulados.

A medida provocou uma recontagem dos votos, o que mexeu com o coeficiente eleitoral, resultando na perda de mandato de Neno e na diplomação de João César Mattogrosso (PSDB).

Parlamentares chegaram a relatar ao Correio do Estado que, desde que ficou sem uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) o ex-deputado praticamente rompeu contato com os colegas, impossibilitando até a manutenção de sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados.

CONDENAÇÃO

Neno foi considerado chefe de uma organização crimonosa voltada ao jogo do bicho em dezembro do ano passado, pela 4ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). A pena de 15 anos e 7 meses de prisão deverá ser cumprida em regime fechado.

A condenação dele foi proferida com as condenações de mais 11 pessoas que também foram alvo da Operação Successione.

De acordo com investigação do Gaeco, Neno liderava uma organização criminosa que estaria intensificando suas práticas em Campo Grande após as prisões de Jamil Name e Jamil Name Filho, durante a Operação Omertà, deflagrada em 2019 pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) contra milícias armadas.

Conforme consta em documento que decretou as prisões preventivas de 20 pessoas que foram alvo da quarta fase da Operação Successione, deflagrada em novembro de 2025, a família Razuk é “conhecida há décadas pela exploração ilegal do jogo do bicho e com expertise nas negociatas relacionadas ao ilícito”.

O texto dizia ainda que eles “têm praticado crimes de toda ordem, entre os quais assaltos à mão armada e lavagem de dinheiro”.

Esses assaltos, segundo a investigação, aconteciam contra grupos rivais que estavam dominando o jogo do bicho em Campo Grande, após a saída dos Name.

Ainda segundo o Gaeco, a tentativa dos Razuk era de que, além de dominar a contravenção em Dourados, eles também se instalassem em Campo Grande. No entanto o “ponto” teria sido vendido pelos Name para um grupo de São Paulo, com ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Essa condenação é referente apenas a primeira fase da operação, que já teve quatro etapas e levou à prisão o pai de Neno, Roberto Razuk, e seus dois irmãos, Rafael Razuk e Jorge Razuk.

Além de Neno, também foram condenados: Carlito Gonçalves Miranda; Diogo Francisco; Edilson Rodrigues Ferreira; Gilberto Luis dos Santos; José Eduardo Abdulahah; Júlio Cezar Ferreira dos Santos; Manoel José Ribeiro; Mateus Aquino Júnior; Taygor Ivan Moretto Pelissari; Valnir Queiroz Martinelli; e Wilson Souza Goulart.

*SAIBA

A primeira fase da Operação Successione foi deflagrada em dezembro de 2023 e cumpriu 10 mandados de prisão e 13 mandados de busca e apreensão. Nesta fase, até os ex-assessores parlamentares de Neno Razuk foram pegos.

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