Cidades

CAMPO GRANDE

Bando aplicou golpe milionário em bancos com empresas laranja

Quadrilha abria empresas de fachada para antecipar de bancos e maquininhas de cartão dinheiro de vendas feitas com cartões clonados; prejuízo é de R$ 4 milhões

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Suspeitos de aplicar golpe milionário em bancos e nas operadoras de cartão, integrantes de uma quadrilha especializada de Mato Grosso do Sul criavam empresas fictícias para conseguir ter acesso a uma plataforma de vendas ou até máquina de cartão, que seriam usados posteriormente como os principais acessórios para ter sucesso nas fraudes.

Ontem, a Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) deflagrou a Operação Chargeback, que desmantelou uma associação criminosa que atuava desde 2023 com fraudes eletrônicas contra instituições financeiras, com foco nos bancos digitais.

Para que o plano desse certo, os indivíduos envolvidos criavam empresas de fachada para que pudessem adquirir uma plataforma de venda ou maquininhas.

“Esses indivíduos criavam pessoas jurídicas, supostas empresas voltadas exclusivamente para fraudes. Com essas empresas, eles adquiriam junto a uma instituição financeira uma plataforma de vendas, máquina de cartão ou vendas no próprio site”, disse o delegado Pedro Henrique Pillar Cunha, do Garras.

Com essa possibilidade, a quadrilha conseguia praticar vendas simuladas de diversos produtos, que iam desde carnes até veículos.

Porém, em vez de enganar os interessados em comprar as tais mercadorias, os golpistas utilizavam cartões de créditos de terceiros para efetuar o pagamento e, posteriormente, solicitar uma ferramenta chamada “antecipação de venda”, que é típica de bancos digitais.

“Eles solicitavam junto à instituição financeira uma modalidade conhecida como antecipação de venda, da qual, antes da liquidação desse valor do cartão de crédito do comprador, eles antecipam parte do valor pagando uma taxa para a instituição financeira. Posteriormente, o proprietário do cartão de crédito utilizado nessa questão, ele alega o desconhecimento dessa compra e solicita a contestação desse valor que estava acreditado no cartão dele”, explica.

Diante da contestação da compra, a bandeira do cartão de crédito cobrava a instituição financeira, que por sua vez cobrava o vendedor. Contudo, o vendedor, que é integrante do grupo criminoso, não apresentava a comprovação da entrega do bem ou qualquer prestação de serviço, desaparecendo com o dinheiro.

“Ele [o integrante da quadrilha] pulveriza em diversas outras contas de terceiros e a instituição financeira fica no prejuízo”, reforça o delegado. Ao todo, estima-se que o grupo rendeu um prejuízo de R$ 4 milhões aos bancos digitais durante esses quase três anos em atividade.

O Garras ainda não descobriu como a organização criminosa tinha acesso aos cartões e seus respectivos dados.

Porém, o delegado não descartou a hipótese de serem oriundos de furtos, roubos ou outros tipos de delito, ou até mesmo com terceiros oferecendo os próprios dados de seus cartões para receber uma porcentagem do golpe no futuro.

“Já verificamos que alguns dos cartões eram registrados por laranjas ou por até eles próprios para a prática do ilícito, mas verificamos também a existência de diversas compras realizadas por cartões terceiros que ainda está sendo apurada a forma que eles adquiriram esses dados de cartões”, disse.

O delegado não quis informar a quantidade e nome das instituições financeiras que foram vítimas dos golpes, mas confirmou que foram mais de uma.

OPERAÇÃO

A Operação Chargeback cumpriu 15 mandados de busca e apreensão e realizou cinco prisões nos bairros Aero Rancho, Nova Campo Grande, Jardim Paradiso, Jardim Aeroporto, todos em Campo Grande.

Os presos não tiveram seus nomes divulgados, mas são homens adultos de 21 a 32 anos. Alguns deles não tem passagens pela polícia, mas outros possuem passagens por roubo, tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo e agiotagem.

Durante as diligências, foram apreendidos: uma arma de fogo (pistola Glock) com adulteração de numeração; um carregador de pistola comum; um carregador de pistola prolongado; aproximadamente 100 munições de arma de fogo calibre 9mm; oito máquinas de cartão de crédito; cerca 40 cartões de créditos em nome de indivíduos diversos; um veículo importado; aparelhos celulares; computadores; e entre outros objetos.

Além disso, R$ 2 milhões foram bloqueados judicialmente das contas bancárias dos integrantes do grupo criminoso.

Os detidos, que neste momento estão à disposição das autoridades, devem responder por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de capitais. Caso sejam condenados, os presos podem pegar de 8 a 21 anos de reclusão e multa, somando as penas dos crimes.

Sobre outros alvos, o delegado informou que ainda está sendo investigado o envolvimento de mais pessoas no golpe e principalmente a função exercida dentro do grupo criminoso.

A ação foi coordenada pelo Departamento de Polícia Especializada (DPE) e contou com apoio da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv) e Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP).

*Saiba

Segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), no ano passado foram registrados 12.061 estelionatos, uma redução de 13,77% em relação aos números de 2024, quando tiveram 13.987 ocorrências – recorde até o momento.

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MATO GROSSO DO SUL

Motorista morre após atropelar javali e bater carro carregado com cigarros na BR-267

Acidente ocorreu na madrugada desta quarta-feira, em Nova Andradina; veículo transportava carga contrabandeada do Paraguai

21/01/2026 11h45

O carro estava carregado com cigarros contrabandeados do Paraguai

O carro estava carregado com cigarros contrabandeados do Paraguai Divulgação: Corpo de Bombeiros

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Um homem identificado como João Pedro Leite, de 33 anos, morreu após se envolver em um grave acidente de trânsito na madrugada desta quarta-feira (21), na BR-267, em Nova Andradina, a 298 quilômetros de Campo Grande.

De acordo com as informações apuradas no local, João Pedro conduzia uma Hyundai Veracruz, com placas de Goiânia, quando saiu da pista após atropelar um javali que estava sobre a rodovia. Na sequência, o veículo colidiu violentamente contra duas árvores às margens da estrada.

Segundo o portal Dourados Agora, o carro estava carregado com cigarros contrabandeados do Paraguai. O acidente ocorreu no trecho entre Nova Alvorada do Sul e o distrito de Nova Casa Verde.

Equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul foram acionadas por volta das 2h30. Ao chegarem ao local, os socorristas encontraram o veículo completamente destruído e o condutor já sem vida, caído ao lado do automóvel. A vítima era moradora de Dourados e trabalhava como borracheiro.

A ocorrência relacionada ao contrabando foi assumida pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Também estiveram no local policiais civis e peritos da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, que realizaram os procedimentos de praxe.

O corpo de João Pedro Leite foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde passará por exames necroscópicos. Até o momento, a quantidade exata de cigarros apreendidos não foi divulgada pelas autoridades.

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INTERIOR | MS

Gaeco vê fraudes em licitação e mira prisão de seis envolvidos

Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado e 1ª Promotoria de Justiça de Terenos suspeitam de contratos e licitações, supostamente, fraudadas pelo menos desde 2021

21/01/2026 11h29

Gaeco deflagrou duas operações simultâneas para desarticular suposto esquema de fraude em licitações, mirando a prisão de pelo menos seis envolvidos. 

Gaeco deflagrou duas operações simultâneas para desarticular suposto esquema de fraude em licitações, mirando a prisão de pelo menos seis envolvidos.  Marcelo Victor/Correio do Estado

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Após amanhecer com agentes nas ruas de Campo Grande, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul confirmou que o chamado Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou duas operações simultâneas para desarticular suposto esquema de fraude em licitações, mirando a prisão de pelo menos seis envolvidos. 

Conforme o MPMS em nota, as operações em questão foram batizadas de "Collusion" e "Simulatum", remetendo os supostos acordos que seriam firmados de forma ilícita para fraudar contratos entre os investigados, bem como fazendo referência às competições simuladas para dar credibilidade aos processos licitatórios. 

Em Campo Grande - como bem acompanha o Correio do Estado pelas ruas da Capital -, o Gaeco amanheceu na porta do Jornal Impacto, uma empresa de comunicação da Capital que pertence a Francisco Elivaldo "Eli" de Sousa.

Segundo o texto divulgado pelo Ministério Público, as operações, através do Grupo de Atuação Especial e da 1ª Promotoria de Justiça de Terenos, miram o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão e pelo menos 30 de busca e apreensão. 

Em Campo Grande, os agentes do Gaeco e Batalhão de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul estiveram em dois endereços que ficam basicamente um de frente para o outro: o Jornal e a casa que seria residência de Francisco Elivaldo, conhecido como Eli Sousa, o proprietário do Grupo Impacto Mais de Comunicação. 

A princípio, a empresa de comunicação Jornal Impacto seria o alvo em questão, já que o proprietário teria saído de sua residência e atravessado a rua para adentrar o outro estabelecimento que fica logo em frente acompanhado do Gaeco.

Francisco Elivaldo "Eli" de Sousa, aparece como proprietário do Grupo Impacto Mais de Comunicação, que possui em seu "guarda-chuva" empresas de rádio, revista e portal de notícias online, passando de radialista e jornalista para empreendedor com o passar do tempo. 

Conforme Renan Augusto Vieira, advogado do Jornal Impacto, o grupo ficou ciente da operação agora pela manhã, permanecendo à disposição das autoridades. "Até que tenhamos, no caso, conhecimento dos fatos para serem apurados, aí nós nos manifestaremos", disse. 

"Collusion" e "Simulatum"

Segundo o texto divulgado pelo Ministério Público, as operações, através do Grupo de Atuação Especial e da 1ª Promotoria de Justiça de Terenos, miram o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão e pelo menos 30 de busca e apreensão. 

Ainda conforme nota do MPMS, a dita operação “Collusion” se debruça sobre a organização apontada como responsável por crimes contra administração pública, principalmente fraudes em licitações e contratos públicos, além de outros delitos relacionados.

A palavra, que do inglês traduz-se "conluio" e remete à essa ideia entre os investigados, uma espécie de cumplicidade tramada para conseguir contratos a materiais e serviços gráficos firmados com o Município e a Câmara Municipal de Terenos, desde o ano de 2021. 

O texto frisa que, esses supostos contratos fraudados seriam firmados com o município de Terenos pelo menos desde 2021, com a Impacto tendo pelo menos três contratos firmados com a gestão executiva em questão.

Sendo que todos tratam-se de contratações para prestar serviços de divulgação em site e jornal de matérias e atos oficiais e de interesse da Câmara Municipal, o primeiro aparece com vigência entre 1° de setembro até 31 de dezembro de 2022, no valor de R$ 42.720,00. 

Depois desse, no ano seguinte um segundo contrato foi firmado com vigência entre 1° de março até 31 de dezembro de 2023, no valor de R$ 106.800,00, posteriormente acrescido através de aditivo para R$ 128.160,00, vigorando entre 02 de janeiro de até 31 de dezembro de 2024. 

Por outro lado, a "Simulatum" (que do latim significa "simulado") faz menção à possível existência de um organização especializada em crimes contra administração, através de contratos de publicidade fraudados e locação de equipamentos de som firmados nesse caso específico com a Câmara Municipal de Terenos, também desde o ano de 2021.

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