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Barrada, empresa vence contrato milionário após recurso em MS

Construtora do Pará foi inabilitada em licitação para construção de presídio na Capital, mas decisão foi revertida com base em formalismo moderado

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A JAC Engenharia Soluções Inteligentes Ltda., constituída em fevereiro de 2021 e com sede a mais de 2.600 quilômetros de Campo Grande, foi a única empresa inicialmente rejeitada que conseguiu reverter sua inabilitação e sagrar-se vencedora da Concorrência Eletrônica nº 130/2025, conduzida pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul).

A obra se refere à construção da Unidade Prisional de Baixa Complexidade da Gameleira I, no complexo penitenciário de Campo Grande, sob o valor de R$ 22,18 milhões.

A ata eletrônica da licitação e o julgamento do recurso administrativo, obtidos pela reportagem, revelam o caminho incomum que a JAC percorreu até assinar o contrato.

Em 5 de fevereiro deste ano, a JAC foi declarada inabilitada por um motivo específico e técnico: seu atestado de capacidade técnica não mencionava expressamente “SPDA” (Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas), exigido pelo edital.

No recurso administrativo, a JAC argumentou que o SPDA havia sido efetivamente executado na obra do atestado, a falha era apenas formal. Juntou ao recurso os projetos elétricos da obra que detalham especificamente o sistema de proteção atmosférica.

A área técnica da Agesul analisou os projetos e concluiu favoravelmente à empresa.

Após o recurso da JAC, a Agesul abriu prazo legal para que as empresas habilitadas se manifestassem, e nenhuma o fez.

A Engetal Engenharia e Construções Ltda., uma das habilitadas, chegou a manifestar interesse em recorrer da fase de habilitação, mas não apresentou nenhuma contestação ao recurso da empresa, que acabaria vencendo o contrato de R$ 22 milhões.

O segundo ponto diz respeito ao tamanho da obra do atestado. Os documentos mostram que a capacidade técnica da JAC foi comprovada com base numa obra de 588,17 m², um canteiro de pequeno porte.

Editais de obras prisionais habitualmente exigem atestados de área mínima significativamente maior. O julgamento do recurso não registra se esse critério foi verificado, focou exclusivamente na questão do SPDA.

Construção faz parte do Complexo Prisional da Gameleira, localizado na saída para Sidrolândia, em Campo GrandeConstrução faz parte do Complexo Prisional da Gameleira, localizado na saída para Sidrolândia, em Campo Grande - Foto: Paulo Ribas / Correio do Estado

PROPOSTAS

A disputa de preços trouxe outro sinal de alerta. Duas das quatro empresas que chegaram à fase de lances, Alcance Engenharia e Construção Ltda. e Engetal Engenharia e Construções Ltda., apresentaram propostas iniciais idênticas ao valor máximo estimado pelo poder público: exatos R$ 22.318.979,79.

A apresentação simultânea de propostas correspondentes ao teto do orçamento por empresas distintas é reconhecida pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) como um dos padrões associados à cartelização em licitações.

O órgão já instaurou investigações em casos análogos, em que algumas empresas combinam lances de cobertura para garantir a vitória de um parceiro previamente escolhido. O desconto total da licitação sobre o valor orçado foi de R$ 133 mil (0,6%).

EMPRESA JOVEM

A JAC Engenharia tem capital social declarado de R$ 26 milhões e CNAE principal de construção de edifícios.

Fundada há cinco anos, saiu do Simples Nacional em dezembro de 2023, indicativo de crescimento de faturamento, e acumula 112 processos trabalhistas no Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT5), no Pará.

A empresa teve uma alteração societária recente: Bruna Firmiano Mangas ingressou como administradora da empresa em 19 de maio deste ano, exatos 35 dias antes da assinatura do contrato com o governo de Mato Grosso do Sul, ocorrida em 23 de junho.

A sócia anterior, Andrea Costa Dantas, havia ingressado apenas em janeiro de 2025.

A troca de administração às vésperas de um contrato de grande porte é um padrão que auditores da

Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU) associam a diferentes estratégias: da reestruturação societária legítima à tentativa de isolar sócios de responsabilização.

R$ 95 MILHÕES PARADOS

A licitação ocorre num cenário de grave acúmulo de recursos não utilizados. Documentos internos do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que Mato Grosso do Sul acumula R$ 95,7 milhões do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) sem aplicação, segundo informação da Divisão de Engenharia da Regional Centro-Sul da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).

O documento foi produzido em resposta a um pedido do governo sul-mato-grossense: em março de 2025, o titular da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Antônio Carlos Videira, solicitou ao governo federal mais R$ 20 milhões para construir nova unidade prisional, enquanto o Estado mantinha três contratos de R$ 15 milhões cada (Gameleira I, II e III), firmados em 2023, com 0% de execução.

A Senappen negou o pedido em agosto de 2025 por indisponibilidade orçamentária.

O Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT) inspecionou unidades prisionais de MS no segundo semestre do ano passado e identificou condições degradantes.

A resposta técnica do Ministério da Justiça e Segurança Pública à inspeção confirmou que obras de reforma na Penitenciária Estadual de Dourados e no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, com R$ 9,98 milhões reservados desde 2017, jamais foram iniciadas.

*SAIBA

O contrato publicado no Diário Oficial do Estado de 24 de junho prevê a construção do presídio Gameleira I. A obra integra o pacote de R$ 121 milhões anunciado pelo então ministro da Justiça e Segurança Pública Flávio Dino, durante visita a Mato Grosso do Sul em setembro de 2023.

estiagem

Rio da Prata enfrenta seca e mobiliza ações de resgate de peixes

MPMS acompanha agravamento da estiagem, monitora as condições ambientais do rio e fiscaliza ações de resgate e preservação da fauna aquática

10/09/2026 19h15

Rio da Prata enfrenta seca

Rio da Prata enfrenta seca Foto: Divulgação / MPMS

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Mais de 200 peixes foram resgatados e realocados no Rio da Prata, que enfrenta crise hídrica e seca, com locais com fluxo da água interrompido, em Jardim. A situação é acompanhada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Jardim.

Conforme reportagem do Correio do Estado, em agosto, o nível do rio já estava baixo em algumas áreas, devido à estiagem. Neste mês, a situação se agravou e, diante do cenário emergencial, uma operação foi montada para tentar reduzir os impactos da estiagem.

De acordo com o MPMS, neste ano, o Instituto Guarda Mirim Ambiental (IGMA) comunicou o agravamento da situação hídrica em trecho localizado próximo à Ponte do Curê, na Rodovia MS-178, e constatou as condições críticas decorrentes da estiagem prolongada.

A entidade identificou trechos secos e formação de poças isoladas, com risco de evaporação, situação que coloca diversas espécies em condição de vulnerabilidade.

O presidente do IGMA, Nisroque Soares, afirma que abaixo da área onde foram feitos resgates de peixes, em 2024 e 2025, o fluxo d’água é interrompido por aproximadamente 4 km até a Ponte do Curê.

Na operação emergencial foram executados planos de resgate e realocação de peixes que se encontravam ilhados no local afetado.

Dentre as espécies realocadas estão lambaris, piraputangas, cascudos, joaninhas e traíras, que foram levados para áreas do rio com melhores condições de sobrevivência.

No ano passado, também houve a mesma operação, onde aproximadamente 1.421 peixes foram resgatados do Rio da Prata, em um trecho de 7 km afetado pela interrupção do fluxo d’água.

O MPMS informou que há um inquérito civil, instaurado em julho de 2024, que acompanha os trabalhos do IGMA. O órgão ressaltou que continuará acompanhando e fiscalizando as ações desenvolvidas pelos órgãos e entidades envolvidos na preservação do Rio da Prata e de sua fauna aquática.

Saúde

Plano de saúde terá que cobrir mamografia digital para todas as idades

Decisão da ANS vale a partir de 1º de outubro

10/09/2026 19h00

José Cruz/Agência Brasil

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A partir de 1º de outubro, os planos de saúde serão obrigados a cobrir exame de mamografia digital para todas as pessoas sempre que houver indicação médica, ou seja, não haverá restrição de idade. Atualmente, a cobertura desse exame é obrigatória apenas para mulheres com idade entre 40 e 69 anos.

A decisão foi tomada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no último dia 3 e anunciada nesta quinta-feira (10). A ANS é o órgão que regula a indústria de planos de saúde no país.

A mamografia digital versão mais avançada do exame convencional é considerada um dos principais exames para a detecção precoce do câncer de mama, permitindo identificar alterações antes mesmo de serem percebidas ao toque.

Menos tempo de exposição

A modalidade digital oferece vantagens como menor exposição à radiação, menor tempo de compressão da mama durante o exame e armazenamento das imagens em formato digital, o que facilita o acompanhamento da evolução clínica e a avaliação por diferentes especialistas.

No comunicado de fim de restrição, a ANS destaca que a cobertura obrigatória é “uma oportunidade de celebrar o Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama”.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca), ligado ao Ministério da Saúde, estima que o país tenha cerca de 73.610 novos casos de câncer de mama por ano.

O diagnóstico precoce aumenta as chances de tratamento e pode reduzir a necessidade de procedimentos mais invasivos.

Todos os gêneros

A intenção de ampliar a cobertura do exame partiu da própria ANS, após discussões realizadas na Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar (Cosaúde).

Na Cosaúde, a maioria da comissão defendeu que “o uso da mamografia digital já está consolidado como padrão de cuidado oncológico” e que a restrição para mulheres de 40 a 69 anos, poderia “prejudicar ou atrasar o acesso oportuno” ao diagnóstico de câncer de mama.

Ao determinar cobertura obrigatória para “todas as pessoas”, a ANS inclui qualquer gênero, ou seja, o exame passa a ser garantido a pessoas que se considerem não binárias (não se identificam exclusivamente como homem ou mulher).

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