Cidades

APÓS TRAGÉDIA EM BRUMADINHO

Barragens de seis usinas serão fiscalizadas pela Aneel e Agepan em MS

No Estado, barragens tem risco baixo, mas dano potencial alto

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A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) inicia na próxima terça-feira (12) a força-tarefa para fiscalizar seis barragens de usinas hidrelétricas em Mato Grosso do Sul, consideradas de risco baixo, mas de dano potencial alto. A fiscalização já havia sido anunciada no fim de janeiro, como resposta ao rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho (MG), e foi definida em reunião na tarde de hoje (5)

Os trabalhos serão realizados em conjunto com a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (Agepan), que é conveniada da Aneel. O diretor de Gás e Energia da Agepan, Valter Almeida da Silva, e o fiscal da Câmara Técnica de Energia engenheiro Luiz Brás de Oliveira participaram, em Brasília (DF), de reunião preparatória com a Aneel nesta tarde.

Mato Grosso do Sul tem 18 usinas, sendo 17 com barragem e uma com dique. A fiscalização da Agência caracteriza as barragens por dois critérios: dano potencial alto e risco. Conforme definido na reunião, a Aneel vai inspecionar com equipe própria e apoio de agentes credenciados barragens das usinas de maior dano potencial, que no caso do Estado são seis. 

Serão fiscalizadas barragens das usinas hidrelétricas e Pequenas Central Hidrelétrica Ponte de Pedra (Sonora), Assis Chateuabriand - antiga Salto Mimoso (Ribas do Rio Pardo), Alto Sucuriú (Chapadão do Sul/Água Clara), Ponta Alta (São Gabriel do Oeste), Indaiá Grande (Cassilândia) e Verde 4A (Ribas do Rio Pardo). 

Apesar de risco baixo de rompimento, as barragens são consideradas de dano potencial alto, que diz respeito a área pela usina e não as condições estruturais. A classificação que ompreende os seguintes aspectos: barragens com grandes reservatórios; existência de pessoas ocupando permanentemente a área a jusante da barragem; área a ser afetada apresenta interesse ambiental relevante ou é protegida e existência de instalações residenciais, comerciais, agrícolas, industriais de infraestrutura e serviços de lazer e turismo na área que seria afetada. 

No critério de risco são avaliados: a documentação do projeto, qualificação técnica da equipe de segurança de barragens, roteiros de inspeção de segurança e monitoramento; regra operacional dos dispositivos de descarga da barragem e relatórios de inspeção de segurança com análise e interpretação.

Além das vistorias presenciais, em cumprimento às deliberações da Resolução do Conselho Ministerial de Supervisão de Respostas a Desastres, a Aneel irá determinar a todas as usinas, inclusive as que são avaliadas como de menor risco, a atualização do Planos de Segurança de Barragens e do Plano de Ação Emergencial.

Em todo o Brasil,serão vistoriadas 142 usinas hidrelétricas até maio, em 18 Estados, além do Distrito Federal. Depois dessa primeira etapa, a Agência estenderá, entre maio e o fim de dezembro, a inspeção presencial a todas as barragens de hidrelétricas classificadas como “Dano Potencial Alto”, até totalizar 335 empreendimentos vistoriados no ano.

A Aneel informou que entre 2016 e 2018 fez vistorias presenciais em 122 usinas. Em Mato Grosso do Sul a Agepan, conveniada à Aneel, fiscalizou em 2017 a barragem da Usina Hidrelétrica Assis Chateaubriand (Mimoso), e em 2018 a da Pequena Central Hidrelétrica Indaiazinho.

* Colaborou Rafael Ribeiro

Meio Ambiente

Piracema proíbe pesca a partir de domingo e mobiliza 40 fiscais em MS

Defeso começa em 1º de novembro na bacia do Paraná e no dia 5 na do Paraguai; restrição segue até 28 de fevereiro de 2027

30/10/2026 13h41

Operação Piracema

Operação Piracema Reprodução / PMA

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A pesca estará proibida a partir deste domingo (1º) na calha do rio Paraná e, a partir de 5 de novembro, nos rios da bacia do Paraguai e demais rios estaduais de Mato Grosso do Sul. O período de defeso da Piracema segue até 28 de fevereiro de 2027 e mobilizará 40 servidores do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) para combater a pesca ilegal e proteger a reprodução dos peixes.

As equipes atuarão em pontos estratégicos das duas bacias, fiscalizando embarcações, áreas de reprodução, peixarias, mercados, restaurantes e outros estabelecimentos que comercializam pescado nativo. A operação também prevê vistorias em locais de armazenamento, transporte e venda de peixes.

Durante o defeso, a pesca amadora e profissional fica proibida, ressalvadas as exceções previstas em lei. A pesca de subsistência é permitida nas condições estabelecidas pela legislação, exclusivamente para alimentação e sem finalidade comercial, com limite de até 3 quilos de pescado ou um exemplar, respeitadas as regras aplicáveis.

Comerciantes e pescadores profissionais que mantêm estoques de pescado nativo devem apresentar a Declaração de Estoque ao Imasul no prazo de 48 horas a partir do início do defeso aplicável. Para o calendário de 2026, o prazo informado pelo órgão termina em 7 de novembro.

A declaração pode ser enviada para [email protected] ou entregue em unidades da Polícia Militar Ambiental (PMA). A falta de declaração obrigatória pode resultar em apreensão e autuação.

A pesca do dourado continua proibida em Mato Grosso do Sul, inclusive após o fim da Piracema, exceto para pesquisas científicas expressamente autorizadas.

O defeso busca proteger a reprodução natural dos peixes e a renovação dos estoques pesqueiros. A retomada da pesca, prevista para 1º de março de 2027, não libera a atividade sem restrições: continuam valendo as regras sobre espécies, tamanhos, cotas, petrechos e licenças.

Retomada da pesca 

O encerramento do período de defeso está previsto para 28 de fevereiro de 2027. A retomada da pesca deverá respeitar as normas ambientais vigentes, incluindo a obtenção da Licença Ambiental de Pesca, quando exigida, emitida digitalmente pelo Imasul.

Também permanecem válidas as regras referentes às espécies permitidas, tamanhos, cotas e petrechos autorizados.

O fim do defeso não representa liberação irrestrita da atividade. As demais normas de proteção dos recursos pesqueiros continuam em vigor, incluindo a proibição da pesca do dourado.

O Imasul reforça que a participação da sociedade, o respeito à legislação e a colaboração nas ações de fiscalização são fundamentais para proteger os ambientes aquáticos e assegurar a conservação das espécies para as próximas gerações.

CORUMBÁ

Fundação de Meio Ambiente fará avaliações em água contaminada por minério, diz prefeito

A água que abastece a comunidade Antônio Maria Coelho foi totalmente tomada pela lama procedente das atividades da mineração desenvolvidas pela LHG Mining

30/10/2026 12h15

Cerca de cem moradores da comunidade Antônio Maria Coelho foram afetados com a contaminação da água

Cerca de cem moradores da comunidade Antônio Maria Coelho foram afetados com a contaminação da água Reprodução

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O prefeito de Corumbá, Gabriel Alves de Oliveira, o Dr. Gabriel (MDB), esteve na comunidade Antônio Maria Coelho, acompanhado da equipe da Fundação de Meio Ambiente, para verificar de perto a situação relatada pelos moradores em relação à água barrenta e contaminada que abastece a população do local. A lama que invadiu os canos é procedente das atividades da mineração desenvolvidas pela LHG Mining, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista.

A reportagem do Correio do Estado procurou o prefeito municipal para saber o posicionamento do Executivo nesta situação. Em resposta, o gestor disse que a comunidade afetada já estava recebendo assistência da empresa mineradora local e entende que a população não pode ficar desamparada diante deste cenário.

"Nosso papel, enquanto Prefeitura, é estar presente, ouvir os moradores, acompanhar os desdobramentos e garantir que as providências necessárias sejam tomadas. Por isso, a Fundação de Meio Ambiente dará andamento às avaliações técnicas e prestará o suporte necessário para a atuação dos órgãos competentes de fiscalização".

O prefeito também disse que a prioridade é garantir a segurança, a saúde e o bem-estar das famílias de Antônio Maria Coelho. "Vamos acompanhar o caso de perto e buscar os encaminhamentos necessários para que a comunidade tenha respostas e as medidas cabíveis sejam adotadas", conclui Dr. Gabriel.

Lama contamina água em comunidade pantaneira

Os cerca de cem moradores do povoado Antônio Maria Coelho e praticamente toda a estrutura turística do Balneário Menck, a cerca de 45 quilômetros da área urbana de Corumbá, foram surpreendidos na manhã desta quinta-feira (29) com a água que abastece a comunidade totalmente tomada pela lama procedente das atividades da mineração desenvolvidas pela LHG Mining.

Segundo Edevaldo Santana de Oliveira, a água que abastece a comunidade é captada e canalizada a partir do Córrego Piraputanga, a cerca de 3,5 quilômetros de distância. E, de acordo com ele, próximo ao local de captação existe uma espécie de muro de arrimo para impedir que água barrenta das estradas chegue ao córrego.

Na noite de quarta-feira (28), porém, algum funcionário da mineradora, utilizando uma máquina, destruiu esta proteção e direcionou a água da chuva em direção ao local onde ocorre a captação, explica Edevaldo, que há 58 anos mora na comunidade Antônio Maria Coelho.

E, de acordo com ele, a chuva não foi intensa e não existe explicação lógica para fizesse a manobra. “Acho que foi para desviar a água que ficava empossada próximo de uma guarita da mineradora. Isso é um crime ambiental e alguém precisa ser responsabilizado por isso”, opina Edevaldo. 

Historicamente a comunidade, instalada às margens da desativada ferrovia (estação Antônio Maria Coelho) captava água de córregos mais próximos. Mas, por conta da mineração, estas nascentes secaram e eles tiveram de improvisar a tubulação para trazer a água de longe.

Na comunidade existe um reservatório de dez mil litros e a partir dele a água é direcionada para as caixas dos moradores. Por volta do meio dia desta quinta-feira a coloração da água procedente do Piraputanga já havia melhorado, mas os reservatórios estão todos tomados pela lama, reclama Edeltrudes Correia Olveira, mais conhecida como Edil.

Por conta da lama, a água dos reservatórios foi despejada nesta quinta-feira. Porém, ao escorrer ela invadiu o pátio da escola da comunidade, inviabilizando até mesmo as atividades lúdicas das crianças, reclamaram os vereadores. 

Os moradores da região consomem a água do Corrego Piraputanga sem qualquer tipo de tratamento. Eles chegaram a receber filtros, mas praticamente todos já abandonar os equipamentos, pois a cada semana eram obrigados a substituir os refis, pois ficavam tomadas pela lema e a água simplesmene não passava mais, segundo Edevaldo. 

"Antigamente tinhamos água mineral aqui. Prova disso é que vinha gente de tudo que é lado para buscar água, já que que tinha a fama se ser medicinal. Hoje, não temos água mineral, mas temos água com minério de ferro", lamenta a senhora Edil antes de enviar uma série de vídeos mostrando a água avermelhada. 

O que diz a LHG Mining?

O Correio do Estado procurou a LHG Mining e a informação que obteve é de que uma equipe que fica na área urbana de Corumbá foi enviada à comunidade para tentar entender o que ocorreu.

"Em razão das fortes chuvas na região, a Lhg Mining está ajudando a comunidade de Antônio Maria Coelho, que sofreu impacto devido ao escoamento de água das estradas. A empresa está dando todo o suporte necessário aos moradores e a situação será resolvida com brevidade", disse a LHG Mining, em nota.

(Colaboração de Neri Kaspary)*

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