Nilton Norio Shibaki, diretor do Hospital Municipal Maternidade Professor Mario Degni, onde morreu o bebê Kauê Abreu dos Santos, prestou depoimento nesta quarta-feira (9) no 51º DP (Butantã). O recém-nascido morreu na madrugada de segunda-feira (7) após receber 10 ml de leite materno na veia por engano.
Em depoimento à delegada Nayara Caetano Borlina Duque, Shibaki disse que foi informado da morte de Kauê às 8h30 de segunda-feira (o bebê morreu às 7h25).
No depoimento, Shibaki disse que Kauê ficou recebendo leite na veia por meia hora, mas que o problema só foi detectado quando o bebê começou a passar mal (e os aparelhos começaram a apitar). “Por volta de 0h, foi administrado o leite materno a Kauê, pela auxiliar de enfermagem Maria Neuza Nery Leão, e por volta de 0h30 Kauê apresentou baixa oxigenação. Nesse momento, outra funcionária identificou a troca da via de administração, ou seja, o equipamento de leite materno estava conectado ao sistema venoso”, diz o depoimento.
Shibaki então informou que a troca dos conectores foi corrigida e que a equipe médica começou a trabalhar imediatamente para uma melhora do quadro do bebê. Por volta das 3h30, porém, Kauê apresentou um “novo desconforto respiratório e sinais de choque com piora progressiva e resposta insatisfatória às manobras de suporte”, sendo constatada a morte às 7h25.
Sondas identificadas por cores
Segundo o diretor do hospital, por padronização da instituição, o acesso venoso tem um conector de cor branca e, na sonda nasogástrica (por onde deveria ter sido administrado o leite), o conector é azul. Ainda no depoimento, o diretor informou que a auxiliar atuava por contrato de emergência na unidade neonatal do hospital há quase dois anos e que foi afastada imediatamente, sendo demitida pela Secretaria Municipal de Saúde.
Guaracy Moreira Filho, delegado titular do 51º DP, que cuida do caso, disse que a ocorrência está sendo investigada como homicídio culposo, mas que ainda não houve indiciamentos. “Estamos apurando se houve imprudência do hospital. As informações dão conta de que houve uma confusão.” O delegado diz ainda que a causa da morte só será esclarecida após a emissão do laudo do IML (Instituto Médico Legal), o que deve ocorrer dentro de um prazo de 15 a 30 dias.
O depoimento de Maria Neuza Nery Leão, a auxiliar de enfermagem que aplicou o conector contendo leite na veia de Kauê, está marcado para as 15h desta quinta-feira (10).
Em nota, o Coren-SP (Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo) informou que o caso já está sendo investigado por uma equipe de fiscalização. "Após apuradas todas as informações relacionadas direta e indiretamente ao fato e oficialmente constatado o envolvimento de profissional de enfermagem, serão seguidos todos os procedimentos legais previstos pelo Código de Processos Éticos dos Conselhos de Enfermagem."
Kauê tinha 13 dias de vida quando morreu na manhã de segunda-feira (7) no Hospital Municipal e Maternidade Professor Mario Degni, no Rio Pequeno (zona oeste de SP).
Segundo informações do jornal "Folha de S.Paulo", a mãe da criança, Jovenita de Abreu, 32, ia todos os dias ao hospital para retirar o leite e deixar o material para que o bebê fosse alimentado por uma sonda no nariz. A mãe diz que, no dia da morte, duas médicas e um médico disseram que ele havia morrido devido a uma hemorragia.
Jovenita diz que foi informada de que Kauê começou a ter complicações respiratórias e cardíacas por volta das 2h30 e morreu cinco horas depois. Quando os documentos sobre a morte ficaram prontos, ela e o marido, o encarregado de produção Admilton dos Santos, 31, foram chamados de novo. "Um médico disse que queria dormir com a consciência tranquila e falou o que aconteceu", relata a mãe.

