Cidades

Decisão Judicial

Bolsonarista que causou pânico na UFMS consegue atestado psiquiátrico

O ex-aluno ameaçou o professor de morte, colocou pedaços de carne no banheiro feminino do campus e avisou: "Preparem-se para as eleições" em referência a 2019

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O ex-acadêmico da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), que ameaçou de morte um professor do Curso de Artes Visuais e deixou pedaços de carne no banheiro feminino, obteve atestado de insanidade mental.

O estudante passou por exame pericial no dia 27 de julho de 2024, conduzido por dois médicos psiquiatras, e o laudo apontou que o réu, à época dos fatos, não estava em condições de compreender que suas atitudes configuravam crime e, portanto, ficou enquadrado como inimputável.

“Assim, à semelhança do que já consignado em relação aos delitos de injúria e ameaça, verifica-se que a conduta em análise configura fato típico e ilícito, estando devidamente comprovadas a materialidade e a autoria delitivas, bem como o dolo do agente”, entendeu o magistrado e completou:

“Todavia, conforme será analisado em tópico próprio e de forma conjunta em relação a todas as imputações, a culpabilidade do agente encontra-se afastada em razão da inimputabilidade reconhecida nos autos do processo incidental de insanidade mental. Trata-se, portanto, de fato típico e ilícito (injusto penal), porém não culpável.”

Entenda

Conforme o processo, entre os dias 21 e 22 de setembro de 2018, o então acadêmico vandalizou a obra artística “Dentro e Fora”, uma casinha de madeira colocada no Corredor Central da UFMS, projeto da Semana Mais Cultura.

Imagem Reprodução

Na ocasião, ele queimou objetos que consistiam em brinquedos tingidos de azul e rosa; pichou a obra; colou imagens de pessoas mortas e versículos bíblicos; deixou bilhetes com ameaças que, em depoimento, uma das testemunhas afirmou acreditar serem endereçados ao professor.

A situação descrita pelos educadores foi de “muitos meses com medo de frequentar a universidade”, mesmo entre aqueles que não sofriam ataques diretos, como ocorria com o professor que era alvo constante.

Cenário

Segundo relatos do professor, antes da depredação, em situação ocorrida no dia 10 de setembro de 2018, ao passar pelo estudante no corredor e cumprimentá-lo com “boa tarde”, recebeu diversos xingamentos.

“Quero que você se foda, quero que você se foda muito, eu te odeio, quero que você suma da minha frente, você não é meu psiquiatra, você não é meu pai, você não é mais meu professor”, respondeu o estudante, conforme consta no processo.

Posteriormente, ele recordou a depredação da porta da sala. Outra testemunha informou que um espelho quebrado foi fixado nela e que a função do educador era retirada constantemente da placa de identificação afixada acima do batente.

Além disso, ele deixava bilhetes com ameaças, que eram retirados por colegas para evitar situações de estresse ao profissional.

O caso foi escalonando até que ele criou uma conta fake no Facebook e no Instagram.

Na primeira, identificou-se com o nome de Raphael e proferiu ameaças de morte ao docente, além de demonstrar incômodo com a orientação sexual do professor.

“Aqui quem fala é o X (Nome preservado). Eu te odeio muito, eu espero que você sofra muito na sua vida e que você morra logo, você é um escravo de Satanás. Não chegue perto de mim, não fale comigo nem mande ninguém atrás de mim, você é um péssimo professor, um tirano que abusa psicologicamente dos alunos, um herege esquerdista imundo, uma bicha com cara de pedófilo estuprador, eu te odeio muito e espero que Deus te castigue se você não se arrepender. Se eu precisar te matar, eu faço. Esteja avisado”, escreveu o autor.

No relato, a vítima disse que, com a proximidade das eleições de 2019, em que Jair Messias Bolsonaro (PL) foi eleito presidente, havia um cenário que ele (o acadêmico) considerava propício para que morresse devido à sua condição de homem gay.

“Eu sequer me lembrava dele em sala de aula. No presencial, ele falava que queria me ver morto, né? Ele dizia: ‘Eu quero que você morra. Eu quero que você morra. Eu te odeio. Eu quero ver você morto...’ Isso no presencial, no físico. Ele associava essa questão à eleição do candidato que foi eleito na época, o Bolsonaro, como se tudo o que eu fosse encontrar no meu caminho a partir daquele período estivesse relacionado a isso”, disse o educador.

Pedaços de carne no banheiro

Em um episódio que ganhou destaque na mídia, foram deixados pedaços de galinha nas pias do banheiro de um dos blocos da instituição, além de uma camiseta suja de vermelho simulando sangue.

A equipe de limpeza se deparou com a situação, que acabou vazando para fora do campus, inclusive em uma página no Instagram mantida por estudantes da UFMS que denunciaram o caso.

Por meio de câmeras de segurança, verificou-se que o estudante vandalizou a intervenção artística à noite e também colocou os pedaços de carne.

Com a repercussão, ele usou o próprio perfil no Instagram para responder.

Estudantes comentando em redes sociais o ocorrido / Imagem Reprodução

No dia 22 de outubro de 2018, publicou na rede social:

“Eu não sou terrorista. Colocar vidas inocentes em perigo é algo que abomino. Eu NÃO ando com armas de fogo ou bombas, não tenho dinheiro nem para me sustentar direito. Não matei ninguém. A camisa branca que estava no banheiro estava suja de tinta vermelha e preta”, disse, e completou:

“Representava o homicídio de inocentes, o ABORTO. Os pedaços de frango colocados na pia representavam os fetos abortados. Gostem ou não, eu só quis me expressar. Eu não mato inocentes com o aborto. NÃO sou neonazista, sou católico romano fiel ao ensinamento da Igreja"

 Escreveu e prosseguiu:

"O nazismo foi oficialmente condenado pela Santa Igreja na encíclica ‘Mit brennender Sorge’, do Papa Pio XI. Lembro aqui Santa Edith Stein e São Maximiliano Maria Kolbe, mártires do regime nazista, entre vários outros. Só mataria alguém em legítima defesa, se me perseguissem para matar. Foi essa a razão pela qual enviei uma mensagem a um professor abusivo, invasivo e manipulador (X.X, maldito). Não odeio mulheres, pelo contrário, amo demais essa criação de Deus, sou escravo da Virgem Maria, só não sou obrigado a aceitar o narcisismo feminista. Não sou obrigado a ser esquerdista. Fofoca é muito feio. Preparem-se para as eleições. Leave me alone.”

Incapaz de responder

O juiz federal Felipe Bittencourt Potrich reconheceu que houve crime, mas concluiu que o réu não pode ser condenado porque, naquele momento, não tinha condição mental de responder pelos próprios atos.

“A culpabilidade do agente encontra-se afastada em razão da inimputabilidade reconhecida nos autos do processo incidental de insanidade mental. Trata-se, portanto, de fato típico e ilícito (injusto penal), porém não culpável.”

Mesmo tendo sido reconhecida a existência do crime, o magistrado decidiu que o ex-acadêmico não será preso nem receberá pena.

Em vez disso, deverá fazer tratamento por pelo menos um ano, com acompanhamento e possibilidade de nova avaliação posterior.

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Alagamento

Família enfrenta chuva e alerta motoristas em via alagada de Campo Grande

Moradores da Vila Popular enfrentaram o temporal para sinalizar trecho alagado próximo ao Córrego Imbirussu e evitar acidentes na região oeste da Capital.

15/10/2026 19h14

Moradores enfrentaram a chuva para sinalizar trecho alagado e alertar motoristas na Vila Popular, em Campo Grande, nesta quinta-feira (15).

Moradores enfrentaram a chuva para sinalizar trecho alagado e alertar motoristas na Vila Popular, em Campo Grande, nesta quinta-feira (15). Foto: Foto enviada à redação

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Em meio à forte chuva que atingiu Campo Grande ao longo do dia e no início da noite desta quinta-feira (15), uma família decidiu enfrentar o temporal para evitar que motoristas entrassem em uma área alagada na Vila Popular, região oeste da Capital.

Mesmo debaixo de chuva, os moradores permaneceram na via para alertar quem passava pelo local sobre os riscos provocados pelo acúmulo de água nas proximidades do Córrego Imbirussu.

A situação foi registrada por volta das 18h, na região da Avenida Rádio Maia com a Rua Antônio Sobreira. A fotografia encaminhada ao Correio do Estado apresenta como localização a Avenida José Barbosa Rodrigues, na altura do número 115, também na Vila Popular.

Nas imagens, é possível observar pelo menos cinco pessoas reunidas na via, algumas protegidas por guarda-chuvas, enquanto motociclistas aparecem nas proximidades.

Galhos de árvores também estão espalhados sobre o asfalto molhado, em meio aos transtornos provocados pela chuva.

Segundo informações repassadas à reportagem, a mobilização começou depois que os moradores perceberam que a água havia tomado parte da via, oferecendo riscos aos condutores que tentassem atravessar o trecho.

Preocupados com a possibilidade de acidentes, integrantes da família passaram a orientar os motoristas a não avançarem pela área alagada, na tentativa de impedir que veículos ficassem presos na água ou fossem surpreendidos pelas condições da pista.

A atitude chamou a atenção de quem passava pela região. Em relato encaminhado ao Correio do Estado, uma testemunha destacou a iniciativa da família, que permaneceu na rua durante o temporal para ajudar a proteger os condutores.

O episódio evidencia os riscos enfrentados por motoristas e moradores durante as chuvas intensas, especialmente em trechos próximos a córregos, onde o acúmulo de água pode comprometer a circulação de veículos.

Moradores enfrentaram a chuva para sinalizar trecho alagado e alertar motoristas na Vila Popular, em Campo Grande, nesta quinta-feira (15).Água avança sobre trecho próximo ao Córrego Imbirussu, na Vila Popular, durante chuva intensa em Campo Grande. Foto: Foto enviado à redação

Durante períodos de chuva intensa, o aumento do volume de água e as dificuldades de escoamento podem representar riscos para motoristas, motociclistas e pedestres, principalmente em trechos mais baixos das vias.

A situação registrada nesta quinta-feira evidencia a preocupação dos próprios moradores com a segurança de quem circula pela região.

Outubro mais chuvoso

Em apenas 15 dias, Campo Grande já registrou mais chuva do que a média histórica para todo o mês de outubro. Levantamento realizado a partir de registros meteorológicos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta um acumulado de 207,6 milímetros até as 16h desta quinta-feira (15), volume aproximadamente 38% superior à média mensal de 150,6 milímetros.

A diferença chega a 57 milímetros, mesmo faltando 16 dias para o encerramento do mês. O resultado evidencia a intensidade das chuvas na primeira quinzena de outubro, marcada por temporais e grandes volumes de água concentrados em poucas horas.

Somente nesta quinta-feira, foram registrados 67,6 milímetros de chuva até as 16h30, segundo o Inmet. Para efeito de comparação, a média histórica de outubro, calculada pelo instituto com base nos registros de 1981 a 2024, é de 150,6 milímetros para o mês inteiro.

 

Habitação Popular

Campo Grande anuncia 352 apartamentos e prevê sorteio no início de 2027

Com investimento previsto de R$ 72,2 milhões, novos conjuntos habitacionais serão construídos nos bairros Leblon e Tarumã; unidades terão dois quartos e serão destinadas a famílias de baixa renda

15/10/2026 18h28

Campo Grande terá 352 novos apartamentos populares nos bairros Leblon e Tarumã, com sorteio previsto para o início de 2027; imagem ilustrativa de conjunto habitacional em construção.

Campo Grande terá 352 novos apartamentos populares nos bairros Leblon e Tarumã, com sorteio previsto para o início de 2027; imagem ilustrativa de conjunto habitacional em construção. Foto: Prefeitura de Campo Grande.

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A Prefeitura de Campo Grande anunciou, nesta quinta-feira (15), a construção de 352 novos apartamentos populares em dois bairros da Capital, com investimentos previstos de R$ 72,2 milhões. Os imóveis serão destinados a famílias de baixa renda, e a previsão é de que o sorteio para selecionar os beneficiários aconteça no início de 2027.

A autorização para viabilizar os empreendimentos foi assinada pela prefeita Adriane Lopes (PP). A iniciativa envolve uma parceria entre os governos federal, estadual e municipal e busca ampliar o acesso à casa própria em Campo Grande, especialmente para famílias que ainda não possuem imóvel.

Os apartamentos serão distribuídos em dois conjuntos habitacionais: o Condomínio Residencial Leblon, com 192 unidades, e o Condomínio Residencial Zélia Gattai, com outras 160. Ambos terão imóveis com dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço.

Durante o anúncio, a prefeita confirmou que a seleção dos futuros moradores deverá ocorrer no próximo ano.

"Estamos assinando um contrato para a construção de mais 352 novos apartamentos. É moradia digna para a população da nossa cidade. Serão sorteados pela Agência de Habitação no início de 2027. A gente segue com muito trabalho", afirmou Adriane Lopes.

Somados, os empreendimentos representam um investimento de R$ 72,2 milhões. A maior parte dos recursos previstos será destinada ao Residencial Leblon, responsável por aproximadamente 55% do valor total anunciado.

A construção dos conjuntos habitacionais também poderá movimentar o setor da construção civil na Capital, principalmente pela demanda por trabalhadores, materiais de construção e serviços durante a execução das obras.

Além da atividade econômica, os projetos fazem parte das ações de enfrentamento ao déficit habitacional, situação que envolve famílias sem acesso a moradias adequadas ou que precisam comprometer uma parcela elevada da renda para conseguir um lugar onde morar.

Como será o sorteio dos apartamentos?

A previsão é de que o sorteio dos imóveis seja realizado no início de 2027 pela Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha). Conforme anunciado pela prefeita Adriane Lopes (PP).

Até o momento, a Prefeitura não divulgou as datas de inscrição nem os critérios que serão utilizados para selecionar as famílias beneficiadas. Também não foi informado se os interessados precisarão realizar um novo cadastro ou se serão considerados os registros já existentes.

Os empreendimentos ainda não possuem cronograma de obras e previsão de entrega divulgados. A seleção dos beneficiários ocorrerá antes da disponibilização dos imóveis, que serão destinados a famílias de baixa renda.

Novos imóveis buscam reduzir déficit habitacional

A ampliação da oferta de moradias populares ocorre em um cenário de demanda por habitação em Campo Grande, especialmente entre famílias que enfrentam dificuldades para adquirir um imóvel no mercado imobiliário.

Para essa parcela da população, programas habitacionais representam uma alternativa de acesso à moradia, embora a participação e a contemplação dependam das regras estabelecidas para cada empreendimento.

No caso dos residenciais Leblon e Zélia Gattai, a proposta anunciada é disponibilizar apartamentos com espaços básicos para atender às necessidades das famílias contempladas.

A Prefeitura apresenta a iniciativa como parte das ações destinadas à redução do déficit habitacional e à expansão da oferta de moradias de interesse social na cidade.

A próxima etapa será o detalhamento das condições de participação e do cronograma dos empreendimentos, informações que deverão esclarecer quando os interessados poderão concorrer aos apartamentos e qual será a previsão de entrega das unidades.

 

 

 

 

 

 

 

 

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