Cidades

cenário crítico

Bonito vai decretar situação de emergência por causa das chuvas

As fortes chuvas registradas no município e na região nos últimos dias prejudicam a produção agropecuária e o setor turístico na bacia do Rio Miranda, que já conta com cancelamentos de passeios

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Enchentes nos rios Miranda e Formoso causadas pelas chuvas que atingiram o município de Bonito na sexta-feira resultaram em diversos estragos na cidade, que deve decretar situação de emergência nesta semana. 

Segundo o prefeito de Bonito, Josmail Rodrigues (PSB), a cidade registrou entre 150 mm e 180 mm de chuva em pouco mais de seis horas na sexta-feira, e os danos causados pela chuva prejudicam o transporte de estudantes, o turismo e a colheita da produção agrícola. 

“A situação em Bonito é crítica, para nós o grande problema agora são as estradas. Estamos em período de colheita e, quando o tempo secar, os produtores vão começar a colher todos juntos e teremos uma demanda imensa de caminhões nas estradas, isso sem falar no transporte escolar, que na sexta-feira já não rodou e agora vamos ver o que fazer para começar a semana”, detalhou o prefeito ao Correio do Estado.

“Estou tratando este assunto com cautela, preciso ver como ficarão os estragos depois que o nível do rio baixar. Além de Bonito, acredito que mais oito municípios da região também devem decretar situação de emergência”, complementou Rodrigues.

Ainda sem detalhes do total de perdas financeiras no turismo da cidade por conta dos alagamentos em Bonito, o prefeito afirmou que o setor foi um dos mais prejudicados.

“Depois das enchentes, vários passeios programados para acontecer na cidade foram cancelados por conta da cheia nos rios Formoso, do Peixe e Mimoso. Algumas reservas foram prorrogadas no setor do turismo”, declarou.

Com relação aos danos materiais, Josmail relatou que deques e passarelas de passeios dos balneários e de pousadas em Bonito foram danificados com a força das enchentes.

O governo do Estado, por meio do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), propôs para a prefeitura de Bonito um financiamento para o turismo. Entre as restaurações aos danos causados pela chuva está a reconstrução de deques.

ALAGAMENTOS

Há uma preocupação por parte da prefeitura de Bonito com relação a possíveis desabamentos de pontes que interligam estradas acima dos rios que passam pelo município.

“Temos cerca de 50 pontes em Bonito, nenhuma chegou a cair aqui, tivemos danos apenas nas cabeceiras das pontes. Mas a água da enchente está descendo pelo Rio Miranda e deve chegar até os afluentes de outros rios, colocando em risco a queda de pontes”, informou Josmail.

Os alagamentos pela cidade, causados pelos rios transbordados, deixaram famílias desabrigadas na região. Funcionários da prefeitura estão operando máquinas de patrola no Distrito Águas do Rio Miranda, onde pelo menos 10 famílias estão desabrigadas por conta do temporal.

A Defesa Civil de Bonito chegou a emitir alerta sobre as chuvas torrenciais, que causaram pontos de alagamento pela cidade, principalmente em ruas próximas aos córregos urbanos. 

Conforme informação da Defesa Civil, os pontos de alagamento foram registrados na MS-382, sentido Guia Lopes-Bonito, passando pela ponte do Rio Miranda.

A orientação feita pela Defesa Civil de Bonito para os moradores da cidade é se proteger da enxurrada e não atravessar pontes e áreas de enxurrada pesada.

SITUAÇÃO EMERGENCIAL

O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB), junto com os secretários Eduardo Rocha, da Casa Civil, Hélio Peluffo Filho, de Infraestrutura e Logística (Selog), e Jaime Verruck, do Meio Ambiente Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, sobrevoaram ontem as regiões de Bonito afetadas pelas chuvas.

Nas redes sociais, o governador informou que está acompanhando toda a situação das chuvas e de seus estragos nas regiões sudoeste e sul do Estado.

Eduardo Riedel se reuniu na cidade com oito prefeitos de municípios próximos (Miranda, Porto Murtinho, Bela Vista, Bodoquena, Nioaque, Guia Lopes da Laguna, Jardim e Bonito) que também tiveram problemas causados pelas chuvas.

A prioridade apresentada pelo grupo é a manutenção das estradas, levando em consideração o período de escoamento da safra e o retorno das aulas, bem como apoio aos desabrigados.

O governo se comprometeu a ajudar os municípios com a reconstrução de estradas afetadas pelas chuvas.

“O Estado estará presente ajudando prontamente na recuperação das estradas estaduais e municipais, com insumos e com equipamentos”, declarou o governador Eduardo Riedel.

Um dos assuntos abordados pelo governador na reunião com os prefeitos foi a prestação de ajuda às famílias desabrigadas em decorrência das enchentes. “Vamos dar apoio social com cestas, colchões, roupas, o que precisarem. Estaremos atentos apoiando as prefeituras nesse sentido”, disse Eduardo Riedel.

O prefeito de Bela Vista, Reinaldo Piti, afirmou durante a reunião com o governo do Estado que a preocupação maior no município tem sido com as famílias desabrigadas. 

“Em Bela Vista, o nível do Rio Apa está ameaçando um bairro inteiro. Por enquanto estamos conseguindo abrigar algumas famílias, mas precisamos de apoio com alimentação, colchões e, se for o caso, retirada dos moradores das áreas de risco”, disse Piti.

Já o prefeito de Miranda, Fábio Florença, enfatizou sua preocupação com a água que ainda descerá dos municípios, chegando à cidade.

“Já realocamos algumas famílias para abrigos e estamos monitorando a situação de outras. Todo apoio do Estado neste momento será essencial, principalmente com alimentação e também combustível para os maquinários, para que possamos começar alguns reparos”. 

Florença informou à reportagem que, em Miranda, em torno de 130 famílias serão realocadas para o parque de exposições da cidade.

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Literatura

Escritora de MS participa da Bienal do Livro de São Paulo

Jucelia Silva apresenta o romance "Antes de Nós" no estande da Editora Flyve durante o evento, que começou nesta sexta-feira

04/09/2026 17h30

Foto: Arquivo pessoal

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A escritora campo-grandense Jucelia Silva participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que começou nesta sexta-feira (4), na capital paulista. Autora do romance Antes de Nós, ela representa Mato Grosso do Sul entre os escritores que integram a programação do evento.

Jucelia está no estande da Editora Flyve, onde o livro será apresentado ao público. O romance aborda temas como memória, família, ancestralidade e pertencimento, a partir da relação entre diferentes gerações.

A participação ocorre após a escritora integrar eventos literários em Mato Grosso do Sul. Nos últimos meses, ela participou da Feira Literária de Bonito (FLIB), do projeto Leituras e Conversas, da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, e do Sarau do Recanto, em Campo Grande.

Romance

Em Antes de Nós, a autora parte de uma pergunta sobre a vida dos pais e antepassados antes de eles ocuparem esses papéis dentro da família. A história transita entre campo e cidade e aborda relações familiares, diferenças sociais e raciais e as marcas deixadas pelas escolhas de gerações anteriores.

“Antes de Nós nasceu do desejo de olhar para aqueles que vieram antes e imaginar quem eram nossos pais antes de ocuparem esse lugar em nossas vidas. Estar na Bienal de São Paulo com esse romance é muito significativo para mim”, afirma Jucelia.

Além de escritora, Jucelia é professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), doutora em Letras e mestre em Estudos de Linguagens. Ela também integra a União Brasileira de Escritores de Mato Grosso do Sul (UBE-MS).

A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo segue até o dia 13 de setembro, reunindo editoras, autores e leitores no Distrito Anhembi. Antes de Nós também pode ser encontrado no site da Editora Flyve, na Amazon, com a autora e na Hámor Livraria, em Campo Grande.

Fronteira com MS

Cidade do Paraguai decreta folga em 7 de setembro e gera revolta

Prefeitura de Capitán Bado decretou ponto facultativo para liberar servidores e escolas para desfile da Independência do Brasil em Coronel Sapucaia, mas decisão provocou críticas até em Assunção

04/09/2026 17h29

Capitán Bado, separada por uma rua de Coronel Sapucaia (MS)

Capitán Bado, separada por uma rua de Coronel Sapucaia (MS) Arquivo

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Um decreto do município de Capitán Bado, cidade paraguaia distante 400 quilômetros de Campo Grande, está causando polêmica no país vizinho. É que a prefeitura do município, localizado no Departamento de Amambay, decretou ponto facultativo na próxima segunda-feira (7), feriado de Independência do Brasil.

Capitán Bado é separada do Brasil apenas por uma rua. Região de fronteira seca, o município paraguaio é vizinho de Coronel Sapucaia (MS).

O jornal paraguaio El Nacional tratou a decisão da prefeitura paraguaia como “Vergonha Inexplicável”. A explicação do prefeito de Capitán Bado, feita por meio de nota, é que a decisão se justifica pela necessidade de liberar funcionários públicos e escolas para participar do desfile de 7 de setembro em Coronel Sapucaia.

A notícia chegou à capital paraguaia, Assunção. Algumas autoridades do país vizinho já pediram explicações.

Nas redes sociais, cidadãos paraguaios mais nacionalistas condenaram a atitude do prefeito, chamado de “intendente” no país vizinho. Outros não viram nada demais em decretar o ponto facultativo em consideração a uma cidade-irmã.

Outro questionou a soberania paraguaia: “Seria uma colônia do Brasil?”, disse.

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