Cidades

Entrevista

BRASIL DAS ÁGUAS está de volta!

BRASIL DAS ÁGUAS está de volta!

Bruna Lucianer

05/10/2010 - 10h11
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O Brasil representa a maior reserva de água doce da Terra, com 12% do total mundial. Durante 14 meses, entre outubro de 2003 e dezem  bro de 2004, o aviador Gérard Moss, junto com a esposa Margi, coletaram 1.160 amostras de água doce de rios e lagos espalhados pelo vasto rritório brasileiro utilizando um método inédito: um avião anfíbio. Os resultados das análises dessas amostras ajudaram a desenhar um abrangente panorama da qualidade das águas do país para fins de alerta e conscientização.  Agora, passados alguns anos, o casal está de volta e retoma o projeto Brasil afora.
 
O projeto estava parado? Quais foram as últimas ações?
Margi Moss - O Projeto Rios Voadores completou, em Março de 2009,  os dois anos de patrocínio conforme as condições dos projetos do Programa Petrobras Ambiental. Agora, no final de junho de 2010, saiu a aprovação de mais dois anos com a Petrobras Ambiental, nosso patrocinador principal.  
Já fizemos um voo de coleta de amostras de vapor de água, mas como vocês em Campo Grande também sentiram na pele, com a estiagem deste ano, não está valendo a pena ainda sair catando umidade do ar! Vamos esperar mais um pouco para retomar os voos. 
 
Como acontecerá a retomada? O site será reformulado? Quais serão as novidades?  
Estamos sim renovando totalmente o site, e teremos uma seção para dar prioridade às escolas, fornecendo informações e animações para ajudar professores e crianças a entenderem o fenômeno dos rios voadores. Outra novidade, mas só para ano que vem, é o uso de um balão estático em certas cidades pré-definidas, o que permitiria levar os estudantes para o ar, para medir por exemplo uma diferença de temperatura, umidade, etc. 
 
Quando os voos serão retomados? Vocês pretendem sobrevoar o Pantanal novamente? 
Os voos serão retomados logo, acho, porque finalmente parece que a estiagem está chegando ao fim. Como traba-lhamos em parceria com a INPE e CPTec, eles indicam qual é o melhor momento para realizar um voo acompanhando um rio voador.  A rota do rio voador às vezes nos leva acima do Pantanal, às vezes corta mais pelo leste... mas certamente em alguma ocasião estaremos acompanhando um que passa, sim, pela região do Pantanal, Corumbá e/ou Campo Grande.
 
Os estudos e expedições já renderam livro e várias pa-lestras sobre os rios do Brasil. Quais os resultados que você considera mais importantes nesses anos todos de trabalho? 
Acho que, aos poucos, a população está começando a se dar conta de que não podemos continuar poluindo e poluindo nossos rios, e ao mesmo tempo esperar que esses mesmos rios nos forneçam água limpa! Tem mais pessoas-cidadãos que lutam pela preservação, e ao mesmo tempo, infelizmente, mais políticos que votam e agem contra a preservação, às vezes mesmo contra a lei. Se você mostrar aos jovens a importância do meio ambiente na sua qualidade de vida agora e para o futuro, eles entendem e percebem a lógica. Apenas os adultos, que deveriam entender melhor e querer proteger os filhos, promovem a destruição (seja dos biomas ou das águas) porque apenas querem medir os ganhos momentâneos.  
 
Com a experiência de quem sobrevoa os rios do Brasil há anos, qual você apontaria como o principal problema enfrentado por nossos cursos d’água? 
Atualmente, acho que os principais problemas dos rios são os efluentes jogados sem tratamento. Tanto industriais como domésticos. Uma pesquisa do IBGE divulgada recentemente, com dados de 2008, mostra que mais da metade dos domicílios não têm coleta de esgoto.... Agora, as pessoas esquecem que coleta e tratamento de esgoto são duas coisas distintas. Pelo mesmo estudo, nem um terço (28%) das cidades tratam “adequadamente” seu esgoto.
 
E o principal problema do Pantanal? 
Para mim, o principal problema do Pantanal é vê-lo transformado em pasto. Grandes empresas e indivíduos ricos de São Paulo (mas também de outros lugares) compram as terras e entram logo com motosserra e carvoeiros. Pior, é gente “instruída”, que sabe muito bem o que faz e está nem aí. Parece que essa gente não lê jornal. Porque destruir um paraíso? É necessário? O Brasil vai quebrar se não destruir o Pantanal? Claro que não!  Mas a longo prazo, estão destruindo mais do que algumas árvores e bichos: o Pantanal, como a floresta amazônica, também libera vastos volumes de umidade no ar, umidade evaporada de suas extensas águas ou solo encharcado. Funciona como uma bomba hidráulica lenta. A remoção da vegetação para abrir pastos - ou pior, plantar cana! - pode eventualmente ter um impacto sobre o regime de chuvas em outras regiões como São Paulo, Paraná, e etc.

Saúde

Sarampo: entenda sintomas, riscos e quando se vacinar

Manchas vermelhas no rosto e atrás das orelhas são os principais sintomas

11/08/2026 22h00

OMS

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Em junho deste ano, o Ministério da Saúde emitiu um alerta sobre o risco iminente de reintrodução e de disseminação do sarampo no Brasil em razão do fluxo intenso de viajantes para a Copa do Mundo 2026.

A nota técnica citava um cenário de alta transmissibilidade da doença nas Américas.

“Há um risco iminente de reintrodução do sarampo no Brasil após o retorno desses viajantes ou da chegada de estrangeiros, porventura infectados.”

No mesmo mês, a pasta recomendou a aplicação da chamada dose zero da vacina tríplice viral em crianças de 6 meses a 11 meses. O objetivo era reforçar a proteção contra o sarampo na faixa etária considerada mais suscetível à infecção e a formas graves.

À época, a zona norte de São Paulo registrava três casos da doença em crianças menores de 2 anos. Atualmente, a Secretaria de Saúde de São Paulo já confirma pelo menos 23 casos em 2026.

A doença

O sarampo é uma doença infecciosa altamente contagiosa que já figurou como uma das principais causas de mortalidade infantil em todo o mundo.

Apesar dos avanços significativos no controle e na prevenção por meio da vacinação, o sarampo ainda representa um desafio para a saúde pública, sobretudo em regiões com baixas taxas de imunização.

Transmissão e prevenção

Caracterizado por sintomas que podem ser confundidos com os de outras doenças virais, o sarampo exige atenção e conhecimento para ser identificado e tratado adequadamente.

A transmissão do vírus acontece de pessoa a pessoa, por via aérea, ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Uma única pessoa infectada pode transmitir a doença para 90% das pessoas próximas que não estejam imunes.

A transmissão pode ocorrer entre seis dias antes e quatro dias após o aparecimento das conhecidas manchas vermelhas pelo corpo.

Sinais e sintomas

Os principais sinais e sintomas do sarampo são manchas vermelhas (exantema) e febre alta (acima de 38,5 graus), acompanhados de um ou mais dos seguintes sintomas:

  • tosse seca;
  • irritação nos olhos (conjuntivite);
  • mal-estar intenso.

Entre três a cinco dias, é comum aparecer manchas vermelhas no rosto e atrás das orelhas que, em seguida, se espalham pelo restante do corpo.

A febre persistente é considerada sinal de alerta e pode indicar gravidade, sobretudo em crianças menores de 5 anos.

Complicações

O sarampo é considerado uma doença grave, que pode deixar sequelas por toda a vida ou, até mesmo, causar a morte.

Algumas complicações associadas ao sarampo incluem:

  • pneumonia (infecção no pulmão): cerca de 1 em cada 20 crianças com sarampo pode desenvolver pneumonia, causa mais comum de morte por sarampo em crianças pequenas;
  • otite média aguda (infecção no ouvido): ocorre em cerca de 1 em cada 10 crianças com sarampo e pode resultar em perda auditiva permanente;
  • encefalite aguda (inflamação no cérebro): entre 1 e 4 de cada mil crianças podem desenvolver essa complicação e 10% podem morrer em decorrência do quadro;
  • morte: entre 1 e 3 de cada mil crianças infectadas pelo sarampo podem morrer em decorrência de complicações da doença.

Diagnóstico

O diagnóstico do sarampo pode ser feito de forma clínica, com base em sinais e sintomas apresentados pelo paciente, mas o diagnóstico considerado ideal é o laboratorial, por meio de amostra de sangue e também por meio de amostras de secreção de orofaringe, nasofaringe e urina.

Tratamento

Não existe tratamento específico para o sarampo. Os medicamentos utilizados têm como objetivo reduzir o desconforto causado pelos sintomas.

A orientação é não fazer uso de nenhum medicamento sem antes passar pelo médico e procurar o serviço de saúde mais próximo caso apresente sintomas.

O uso de antibióticos é contraindicado, exceto se houver indicação médica pela ocorrência de infecções secundárias. Para os casos sem complicação, devem-se manter a hidratação e o suporte nutricional e diminuir a hipertermia (elevação da temperatura corporal).

Muitas crianças necessitam de quatro a oito semanas para recuperar o estado nutricional.

Vacinação

O sarampo é uma doença prevenível por meio da vacinação. Os critérios para indicação da dose levam em conta características clínicas, idade, ter adoecido por sarampo durante a vida e a ocorrência de surtos, além de outros aspectos epidemiológicos.

A vacinação contra o sarampo está disponível em apresentações diferentes, sendo que todas previnem a doença.

Cabe ao profissional de saúde aplicar a dose adequada para cada pessoa, de acordo com a idade ou situação epidemiológica.

Tipos de vacinas

  • dupla viral: protege do vírus do sarampo e da rubéola. Pode ser utilizada para o bloqueio vacinal em situação de surto.
  • tríplice viral: protege do vírus do sarampo, da caxumba e da rubéola.
  • tetra viral: protege do vírus do sarampo, da caxumba, da rubéola e da varicela (catapora).

Na rotina dos serviços de saúde, todas as pessoas de 12 meses a 59 anos têm indicação para serem vacinadas contra o sarampo.

Adolescentes e adultos não vacinados ou com esquema incompleto contra o sarampo devem iniciar ou completar o esquema vacinal de acordo com a situação encontrada, respeitando as indicações do Calendário Nacional de Vacinação.

Nos postos de saúde, há duas vacinas disponíveis para proteção contra o sarampo: a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e a tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela).

A depender da situação epidemiológica de cada localidade, há necessidade de estabelecer outras estratégias – além das doses de rotina, a vacina contra o sarampo pode ser indicada para crianças de 6 meses a menores de 1 ano, em localidades com o surto da doença, por exemplo.

Esquema vacinal

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) considera protegido todo indivíduo que tomou duas doses contra o sarampo na vida, com intervalo mínimo de um mês, aplicadas a partir dos 12 meses de idade.

Em situação de risco para o sarampo — surtos ou exposição domiciliar, por exemplo – a primeira dose pode ser aplicada a partir dos 6 meses.

A dose não deve ser considerada como dose válida para o cumprimento do esquema de rotina: continuam sendo necessárias duas doses a partir dos 12 meses, com intervalo mínimo de 1 mês.

12 meses: primeira dose da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola)

15 meses: segunda dose, por meio da vacina tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela).

5 anos a 29 anos: duas doses da vacina, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas, caso não tenham sido vacinados no período recomendado.

30 anos a 59 anos: se não tiver comprovação de vacinação prévia deve receber uma dose da vacina.

A vacina tríplice viral é contraindicada durante a gestação. Gestantes não vacinadas ou com esquema incompleto devem receber a vacina durante o puerpério.

Em casos de surto de sarampo, pode ser considerada a aplicação de uma terceira dose em pessoas com esquema completo.

Indivíduos com história pregressa de sarampo são considerados imunizados contra a doença, mas é preciso certeza do diagnóstico. Na dúvida, a recomendação é a vacinação.

Plataforma

Discord entrega à AGU proposta para reforçar segurança de crianças

Medida vem após caso de live que induziu menina a tirar a vida

11/08/2026 21h00

Juca Varela/Agência Brasi

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A empresa Discord, dona do aplicativo de comunicação de mesmo nome, entregou à Advocacia-Geral da União (AGU) uma proposta prevendo a adoção de medidas destinadas a reforçar a segurança de seus usuários no ambiente digital, especialmente crianças e adolescentes.

Segundo a AGU informou em nota na tarde desta terça-feira (11), representantes da companhia apresentaram a proposta nesta segunda-feira (10) – quatro dias após terem se reunido com servidores da AGU, do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), para tratar de falhas na verificação da idade dos usuários do aplicativo e na proteção de menores de 18 anos de idade.

A AGU não detalhou os termos da proposta, mas destacou que vai analisá-la em parceria com os demais órgãos federais.

“A partir da avaliação das medidas, procedimentos e mecanismos apresentados pela empresa, a AGU examinará a possibilidade de avançar na construção de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), com compromissos, obrigações, mecanismos de acompanhamento e prazos destinados à adequação da plataforma às exigências [legais] brasileiras”, diz nota.

Ainda segundo o órgão, a busca por uma solução consensual não afasta a possibilidade da União adotar as medidas administrativas e judiciais cabíveis para garantir o cumprimento da legislação e a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

A reunião da última sexta-feira foi agendada após a repercussão do caso de uma adolescente de 13 anos que foi induzida a tirar a própria vida durante uma live transmitida em tempo real por canais do Discord, em 22 de julho. A situação foi investigada na Operação Lívia.

Durante a reunião da semana passada, os representantes da empresa manifestaram disposição para cumprir as exigências legais e corrigir quaisquer falhas identificadas.

De acordo com a AGU, “a identificação de falhas nos mecanismos de verificação de idade e de proteção”, previstos na Lei 15.211/2025, o chamado ECA Digital, “suscitaram preocupações quanto à efetividade das medidas adotadas pela Discord para prevenir o acesso e a exposição de crianças e adolescentes a situações de risco no ambiente digital”.

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