Cidades

Pesquisa

Brasileiro acha que o governo gasta muito, mas defende benefícios atrelados ao mínimo

Para a maioria dos entrevistados, o governo deve investir mais, mas não querem pagar mais impostos

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A maioria da população avalia que a gestão do Orçamento público é um problema grave e que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva gasta mais do que pode. Por outro lado, grande parte dos brasileiros defende o pagamento de benefícios atrelados ao salário mínimo e a manutenção dos pisos de Saúde e Educação, que pressionam as contas públicas.

Também há a percepção de que o governo deveria cortar as emendas parlamentares e os supersalários do funcionalismo público.

Os dados são de pesquisa do Instituto Ideia, antigo Ideia Big Data, encomendada pelo Movimento Orçamento Bem Gasto e obtida pelo Estadão.

O movimento lançou, no ano passado, um manifesto em defesa de mudanças nas contas públicas. Entre os signatários estão os economistas Persio Arida, Edmar Bacha, Arminio Fraga, Henrique Meirelles, Mailson da Nóbrega, Elena Landau, Felipe Salto e Fabio Giambiagi.

Procurado, o governo não se manifestou.

A pesquisa ouviu 1.518 pessoas entre 3 e 8 de dezembro de 2025, em todas as regiões do País. A margem de erro estimada é de 2,5 pontos porcentuais, para mais ou para menos.

Seis em cada dez brasileiros consideram que a gestão do Orçamento público é um problema grave para a sociedade. Para 55% dos entrevistados, o governo federal gasta atualmente mais do que pode.

A corrupção é apontada como o principal problema do País por 31% dos brasileiros. A economia - com temas como inflação, desemprego, aumento de impostos e pobreza - aparece em segundo lugar, com 17%.

No campo das contas públicas, a corrupção também lidera (39%), seguida de má gestão e desperdício (19%), gastos excessivos (15%), dívida pública elevada (8%) e arrecadação insuficiente (4%).

A dívida do governo federal, que atingiu 78,7% do PIB em 2025 e deve se aproximar de 84% do PIB em 2026, é considerada um problema muito grave por 58% dos entrevistados.

Sete em cada dez apoiam total ou parcialmente a criação de uma regra para controlar o crescimento dos gastos públicos. Atualmente, o governo adota o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, mas muitos economistas avaliam que a regra se sustenta apenas até 2027, sendo necessária, depois disso, uma mudança ou um ajuste fiscal mais robusto.

Para 78% dos entrevistados, os benefícios pagos pelo governo deveriam ser reajustados anualmente de acordo com o salário mínimo. Benefícios previdenciários, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o seguro-desemprego e o abono salarial são vinculados ao mínimo e estão entre as despesas que mais crescem no Orçamento.

Apesar do apoio majoritário à vinculação, 31% defendem totalmente uma mudança na regra para organizar as contas públicas, e outros 31% apoiam parcialmente.

Em 2024, o governo propôs, e o Congresso aprovou, uma regra que mantém a vinculação ao salário mínimo, mas limita o crescimento real (acima da inflação) a 2,5% ao ano - o mesmo teto previsto no arcabouço fiscal.

Situação semelhante ocorre com os pisos constitucionais de Saúde e Educação, que vinculam os gastos à arrecadação e crescem acima de outras despesas submetidas ao arcabouço, reduzindo o espaço para demais gastos.

Entre os entrevistados, 63% defendem a existência de um valor mínimo obrigatório de investimento. Ao mesmo tempo, 60% apoiam total ou parcialmente mudanças que deem mais liberdade ao governo para remanejar esses recursos.

'Conta não fecha'

Para o economista Fabio Giambiagi, pesquisador associado do FGV/Ibre, a pesquisa evidencia a necessidade de o governo explicar à população as medidas necessárias, inclusive durante as eleições.

"Se você perguntar para qualquer pessoa: você quer pagar mais ou menos imposto? Ela vai dizer: vou querer pagar menos. Você quer que o governo gaste mais ou menos com Saúde e Educação? Ela vai dizer: que gaste mais. Quando você coloca tudo isso no conjunto, a conta não fecha", afirma Giambiagi.

Recentemente, ele elaborou um estudo propondo um ajuste no resultado primário - saldo entre receitas e despesas, sem contar os juros da dívida - de 1,3% do PIB no próximo mandato presidencial (2027-2030) e de 2,5% do PIB até 2035.

O plano prevê crescimento real zero do gasto público no primeiro ano do próximo governo, eliminação de despesas "extrateto", redução do limite de crescimento do arcabouço de 2,5% para 2% e do piso, de 0,6% para 0%.

Despesa obrigatória

Além disso, o economista defende alterar a regra de vinculação da despesa obrigatória em Saúde, para que o gasto passe a seguir o teto do arcabouço, e promover a estabilização real da despesa com pessoal e dos repasses ao Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), que passariam a ser corrigidos apenas pela inflação.

"O governante tem o papel pedagógico de expor essas questões à sociedade, definir a agenda e estabelecer prioridades. Não será o Legislativo que vai pautar essa agenda. Isso começa por tratar as pessoas, o eleitor e o cidadão como adultos capazes de perceber as contradições e a necessidade de fazer escolhas", diz.

Emendas e supersalários

Na pesquisa, 76% dos brasileiros disseram apoiar total ou parcialmente a redução do valor das emendas parlamentares. O Congresso aprovou R$ 62 bilhões para 2026, mas o presidente Lula vetou uma parte e bloqueou outra para recompor o caixa dos ministérios.

O Orçamento prevê R$ 50 bilhões em emendas diretamente controladas pelos congressistas em 2026, ano eleitoral. Elas representam cerca de 20% das despesas discricionárias do Executivo federal.

Outro gasto sob questionamento são os supersalários pagos acima do teto constitucional do funcionalismo público. O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o fim dos chamados "penduricalhos" - verbas que ultrapassam o limite - e discute com o Congresso uma transição para implementar a medida.

Mais da metade da população (55%) apoiaria totalmente a criação de uma lei para limitar os supersalários. Considerando também os que apoiariam parcialmente, o porcentual chega a 73%.

Segundo Giambiagi, as emendas têm peso relevante nas despesas e precisam ser revistas. Já os supersalários têm impacto menor no Orçamento, mas sua limitação é importante para conferir legitimidade a outras medidas.

"Cortar os supersalários não será a solução para o desequilíbrio fiscal. Porém, do ponto de vista da legitimidade das propostas, é impossível mexer em temas controversos sem tratar dessa questão", afirma o economista. "O trabalhador que ganha um salário mínimo, e que, segundo alguns de nós, não pode ter reajustes na velocidade atual, vai questionar: 'Vocês insistem para que eu não receba R$ 20 a mais por ano, mas por que não vão atrás de quem recebe metade do rendimento fora do contracheque?' "

Tarifa zero

Outro tema abordado foi a possibilidade de o governo financiar a gratuidade do transporte coletivo em todo o País. O presidente Lula encomendou ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, um estudo sobre a medida.

Especialistas estimam custo superior a R$ 90 bilhões para os cofres públicos. A Secretaria de Política Econômica do ministério emitiu parecer favorável a um projeto que abre caminho para o benefício, mas ressaltou que não há posição oficial da pasta sobre o tema.

A tarifa zero conta com apoio de 73% dos brasileiros, entre favoráveis e muito favoráveis. Ainda assim, 40% não aceitariam pagar mais impostos para financiar a medida. Outros 24% aceitariam se fosse comprovado que a iniciativa melhora a cidade, e 17% concordariam desde que o valor adicional fosse pequeno.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Inquérito

Juiz diz que Bernal é "risco" e mantém ex-prefeito preso

Magistrado afirmou que ainda não havia provas para considerar o caso como legítima defesa

26/03/2026 08h15

Juiz diz que Bernal é considerado um

Juiz diz que Bernal é considerado um "risco" Álvaro Rezende

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O juiz Ronaldo Gonçalves Onofri, que comandou a audiência de custódia do ex-prefeito Alcides Bernal, na manhã de ontem, manteve o advogado na cadeia. Entre as suas razões para mantê-lo preso está o fato de que o magistrado o considerou um “risco à segurança das pessoas envolvidas e à ordem pública”.

Alcides Bernal foi preso na tarde de terça-feira, após matar a tiros o fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, que havia entrada na sua casa, imóvel que havia sido arrematado pela vítima, mas que ainda não estava em sua posse.

A prisão em flagrante foi convertida em preventiva pelo magistrado durante a audiência de custódia, realizada na manhã de ontem no Fórum da Comarca de Campo Grande. 

O magistrado derrubou todos os argumentos da defesa em sua deliberação. Sobre a tese de legítima defesa, principal linha dos advogados de Bernal, o juiz alegou falta de provas para subsidiá-la.

“A defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento. Ao contrário, os elementos constantes dos autos indicam versão distinta”, afirma Onofri.

“Destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho e efetuado disparos de imediato. Relatou, ainda, que nem ele nem a vítima estavam armados, tampouco houve discussão ou confronto prévio”, completou.

Em outro ponto, o juiz afirma que a alegação de que o ex-prefeito tem saúde fragilizada ainda não foi comprovada, por isso não viu necessidade de converter a prisão para outras medidas.

“No que tange às condições de saúde, deverá o custodiado ser submetido à avaliação médica, a fim de se aferir a real dimensão de eventuais necessidades clínicas. Todavia, até o presente momento, não há elementos que indiquem a impossibilidade de tratamento no âmbito da unidade prisional, tampouco prova de enfermidade grave que justifique a substituição da prisão preventiva por medida diversa. Assim, não se verifica, neste momento, a necessidade de conversão da prisão preventiva em outra medida, permanecendo adequada a custódia cautelar nos termos já delineados”, alega.

Por fim, Onofri alega que pelo fato de Alcides Bernal ter antecedentes criminais, já que foi condenado por crime de calúnia, em processo que já transitou em julgado, e pela gravidade do crime, a sua soltura representaria insegurança para pessoas ligadas ao fato.

“O custodiado é acusado da prática de crime doloso contra a vida, o que, por si só, evidencia elevada gravidade concreta. Soma-se a isso o contexto fático, no qual se verifica a existência de conflito patrimonial ainda em curso, o que potencializa o risco à segurança das pessoas envolvidas e à ordem pública, caso lhe seja concedida liberdade”, defende o magistrado.

“É certo que a prisão preventiva constitui medida excepcional. Contudo, no presente caso, estão presentes elementos concretos que evidenciam o perigo gerado pelo estado de liberdade do custodiado, revelando-se a medida extrema necessária e adequada, sendo insuficientes quaisquer medidas cautelares diversas da prisão para a preservação da ordem pública”, completa Onofri.

O CRIME

A vítima foi morta com dois tiros nas laterais da barriga. Um dos disparos transfixou e saiu nas costas, de acordo com o boletim de ocorrência.

Roberto Carlos e Bernal disputavam a posse de uma verdadeira mansão, localizada na Avenida Antônio Maria Coelho, no Bairro Jardim dos Estados. A propriedade havia sido arrematada pela vítima, em um leilão feito pela Caixa Econômica Federal, porém, o ex-prefeito continuava no imóvel e recusava-se a sair.

Segundo testemunhas disseram à polícia, Bernal havia, inclusive, trocado, por várias vezes, a fechadura da residência. Na terça-feira, no entanto, Roberto Carlos, acompanhado de um chaveiro, se dirigiu até a casa. O profissional abriu o portão e quando estava abrindo a porta da frente os dois foram surpreendidos pelo ex-prefeito.

Conforme depoimento do chaveiro, Maurilio da Silva Cardoso, o ex-prefeito teria apontado a arma para Roberto Carlos e perguntado o que ele estava fazendo no local.

A testemunha afirma que antes mesmo da vítima responder foi atingida por um tiro e caiu. Já Bernal garante que haviam três homens e que ele teria sido atacado, por isso respondeu com os tiros.

Por outro lado, o chaveiro garantiu, em depoimento, ter ouvido apenas um disparo, no entanto a vítima foi atingida por dois tiros. 

Após atirar, Bernal foi até a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) e confessou o crime, alegando legítima defesa. O caso segue em investigação.

* Saiba

O caso foi registrado como homicídio qualificado como traição e emboscada e pode ser levado ao Tribunal do Júri.

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Cidades

Júri nos EUA considera Instagram e YouTube responsáveis em julgamento sobre vício em redes

Após mais de 40 horas de deliberação ao longo de nove dias, os jurados da Califórnia decidiram que a Meta e o YouTube foram negligentes no design ou operação de suas plataformas

25/03/2026 23h00

Crédito: Marcelo Casal Jr / Agência Brasil

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Um júri considerou a Meta e o YouTube responsáveis nesta quarta-feira, 25, em um processo inédito que visava responsabilizar as plataformas de mídia social por danos a crianças que usam seus serviços, concedendo a autora US$ 3 milhões em danos.

Após mais de 40 horas de deliberação ao longo de nove dias, os jurados da Califórnia decidiram que a Meta e o YouTube foram negligentes no design ou operação de suas plataformas.

O júri também decidiu que a negligência de cada empresa foi um fator substancial na causa do dano à autora, uma mulher de 20 anos que afirma ter se tornado viciada em mídias sociais quando criança e que esse vício exacerbou seus problemas de saúde mental.

Este é o segundo veredicto contra a Meta esta semana, depois que um júri no Novo México determinou que a empresa prejudica a saúde mental e a segurança das crianças, violando a lei estadual

Meta e YouTube (de propriedade do Google) emitiram declarações discordando do veredicto e prometendo explorar suas opções legais, o que inclui apelações.

O porta-voz do Google, Jose Castañeda, afirmou na declaração da empresa que o caso "não entende o YouTube, que é uma plataforma de streaming construída de forma responsável, não um site de mídia social". Fonte: Associated Press.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado

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