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Brasileiros da Missão Humanitária a Gaza são impedidos de entrar na Cisjordânia

Brasileiros da Missão Humanitária a Gaza são impedidos de entrar na Cisjordânia

AGENCIA BRASIL

02/04/2015 - 19h00
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Dois brasileiros integrantes da Missão Humanitária a Gaza do Fórum Social Mundial foram barrados pelo serviço de imigração israelense. Soraya Misleh, jornalista brasileira de origem palestina, e Mohamad El Kadri, de origem libanesa, foram impedidos de entrar na Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel, sob a alegação de que poderiam oferecer riscos à segurança israelense.

Perguntados sobre os motivos que levaram à suspeita, os funcionários da fronteira limitaram-se a dizer que não poderiam dar mais informações. Além de terem que assinar um documento em hebraico e inglês que informava a proibição, os brasileiros foram alertados pelos funcionários do serviço de imigração de que o impedimento vale por cinco anos.

A missão chegou a Allenby Bridge, fronteira entre a Jordânia e a Palestina, por volta das 16h30 de terça-feira (31). A saída da Jordânia ocorreu com tranquilidade. As dificuldades começaram no lado controlado por Israel. Depois de quase quatro horas de espera, o grupo que, até então era formado por 15 pessoas, recebeu a notícia de que o ingresso seria permitido apenas para parte da missão. A decisão gerou um clima de indignação. Soraya Misleh e Mohamad El Kadri eram os únicos com sobrenomes árabes.

"Entendemos que mais uma vez sofremos de discriminação e racismo. Eu tenho tios e primos lá e novamente estou sendo impedida de ver minha família", disse Soraya, que já havia sido impedida de entrar na Palestina em 2011.

A diferença é que desta vez a entrada da missão foi mediada pelo governo brasileiro, em conversas com o governo de Israel. "O que queremos agora é que o governo brasileiro tome as devidas providências e adote medidas de reciprocidade. As pessoas aqui presentes puderam testemunhar como funciona a arbitrariedade desse Estado [Israel]", disse El Kadri.

Nessa quarta-feira (1°), o embaixador do Brasil na Palestina, Paulo França, foi informado de que a missão vai pedir uma posição do governo brasileiro sobre o caso. O representante do governo na Palestina disse que vai levar o assunto ao embaixador do Brasil em Israel, Henrique Sardinha.

Antes mesmo da negativa, a espera no serviço de imigração israelense havia irritado o grupo, que cantava músicas de protesto enquanto estava com os passaportes retidos. No repertório, canções como Suíte do Pescador, de Dorival Caymmi, e Apesar de Você, de Chico Buarque.

A Missão Humanitária a Gaza começou a ser organizada em novembro de 2014 pelos integrantes brasileiros do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial. O objetivo do grupo era levar apoio aos palestinos que vivem na Faixa de Gaza, região que teve cerca de 96 mil casas e edifícios destruídos e 2.272 mortos depois dos bombardeios de junho de 2014.

Apesar de terem entrado na Palestina, o grupo ainda não teve a autorização de Israel para acessoa a Gaza. A missão ainda procura meios de concretizar o objetivo.

A comitiva é formada por sindicalistas, ativistas e jornalistas, entre eles, dois profissionais da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) que acompanham a missão.

O ex-senador e atual secretário de Direitos Humanos da prefeitura de São Paulo, Eduardo Suplicy, chegou a confirmar a participação, mas cancelou a agenda alegando outros compromissos profissionais. Dias antes, o secretário ouviu as criticas da Federação Israelita de São Paulo, que, em nota, classificou a missão humanitária de ato em "solidariedade ao grupo terrorista Hamas".

Infraestrutura

Desabamento interrompe tráfego, força desvios e gera prejuízos no escoamento da produção

Atoleiros e buracos travam escoamento e elevam custos de frete no Estado

25/08/2026 07h55

Foto: Reprodução

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Quatro caminhões saíram para buscar milho e levaram dois dias tentando completar o trajeto. Não chegaram. Numa outra noite, uma carreta atravessou na areia solta e travou a passagem de todo mundo. O cenário é em um trecho da MS-213, também conhecida como Estrada de Sete Placas, que corta a área produtiva de Sonora, no extremo-norte de Mato Grosso do Sul.

A reportagem teve acesso a 14 mensagens de áudio e dois vídeos gravados na semana passada por produtores rurais e transportadores que usam a via. As identidades são preservadas a pedido das fontes. O que os relatos descrevem é uma estrada que não funciona em nenhuma estação do ano.

“O pessoal lá, na época da chuva, não passa porque é atoleiro, e agora na época da seca também. Não é produção simples, pouca coisa, não. É muita soja, é muito gado, é muito eucalipto, é cana, é um volume absurdo de produção”, conta uma fonte.

Outro produtor resume a rotina em uma frase que se repete nos áudios: “Seca é pó, chuva é barro, e assim vai a luta por dia”.

CARRETAS TRAVADAS

Um transportador relata a situação dos quatro caminhões parados: “Carreta da [empresa] não subiu. Eu estou com quatro caminhões há dois dias na estrada para chegarem e não chegaram. Tem que abandonar, não tem como”.

Um dos vídeos, gravado à noite, mostra carretas travadas em um trecho de areia. “A carreta deu ‘pau’ aqui, não sobe”, diz quem filma. “Trancou tudo, atravessou”.

Há também relato de acidente. Segundo uma das mensagens, um carro derrapou na terra fofa ao tentar ultrapassar uma carreta atolada e bateu na lateral do veículo, com danos no retrovisor, no para-choque e no para-lama.

VOLTAR DA ESCOLA

A queixa mais recorrente nos áudios, porém, não é sobre a lavoura. É sobre as crianças que moram nas fazendas da região e dependem do transporte escolar rural.

“O que me dá dó é das crianças que ficam aí, quatro horas para ir, quatro horas para voltar, numa estrada de chão, num ônibus ruim, sem arcondicionado, sem nada”, revela uma fonte.

Em outra mensagem, um morador levanta a hipótese de uma emergência médica no trecho, onde há possibilidade de um veículo comum trafegar em determinados pontos: “Se vê um doente aí, vai ter que botar nas costas ou numa rede”.

MANUTENÇÃO

As mensagens descrevem uma rotina de conservação improvisada e custeada pelos usuários da estrada. Em um dos áudios, um produtor conta ter enviado um caminhão-pipa para molhar o trecho e tentar compactar a poeira.

“Mandamos o [caminhão-]pipa lá para molhar um pouco, para compactar um pouco, para ver se melhorava um pouco lá, mas está difícil”, conta uma fonte.

Em outro, aparece a ideia de o sindicato rural depositar em juízo o Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul (Fundersul) para contratar diretamente uma empresa de manutenção. 
A avaliação embutida no relato é de que os produtores pagam o fundo destinado a estradas e, ao mesmo tempo, tiram do bolso para manter a via que usam.

OBRA PREVISTA

A MS-213 tem 205,6 quilômetros, segundo o Sistema Rodoviário Estadual publicado pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul). O trecho entre Porto Badeco e a BR-163, de 92 km, é pavimentado.

O restante, 113,6 quilômetros, entre a BR-163 e o entroncamento com a MS-407, está classificado como implantado: leito natural, sem pavimento. É esse pedaço que atravessa a área produtiva de Sonora.

No dia 22 de junho, o Diário Oficial do Estado (DOE) publicou aviso de licitação para a implantação e pavimentação de 20,02 quilômetros desse trecho, com valor máximo de R$ 78,071 milhões. As propostas foram abertas no dia 9 de julho, porém, até agora não houve anúncio do vencedor do certame.

A obra corresponde a 17,7% da extensão sem asfalto. Outros 93,18 quilômetros seguem sem contrato de pavimentação.

Nos áudios, os produtores fazem essa mesma conta: “Lá tem mais de 120 km só da principal. Daí tem as vicinais que tem mais 60 km. […] Fazer 20 km de asfalto não vai resolver, a estrada não é 20 km”.

Um deles sustenta ainda que a obra não vai alcançar os pontos mais críticos do percurso, afirmação que a reportagem não pôde confirmar por não ter tido acesso ao projeto executivo, que define os limites exatos do trecho a ser pavimentado.

Antes da obra, o Estado contratou o projeto em janeiro deste ano. O DOE publicou a contratação da empresa Oliveira, Rae & Cia Engenharia, por R$ 856.590,85, para elaborar o estudo de viabilidade, os projetos básico e executivo e o licenciamento ambiental do trecho. 

Em junho, ao anunciar um pacote de investimentos para o município, o governo do Estado informou que a ordem de serviço da pavimentação deveria ser assinada em julho, mas o certame ainda segue em aberto. 

Tragédia em Kitnet

Homem é encontrado morto e carbonizado após incêndio em kitnet em MS

Bombeiros encontraram a vítima no interior do imóvel após enfrentarem dificuldades para entrar; objetos bloqueavam a porta pelo lado de dentro.

24/08/2026 20h09

Equipes atuam no local onde homem foi encontrado morto e com sinais de carbonização após incêndio em kitnet.

Equipes atuam no local onde homem foi encontrado morto e com sinais de carbonização após incêndio em kitnet. Foto: Corpo de Bombeiros.

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Um homem foi encontrado morto e com sinais de carbonização após um incêndio atingir, na tarde desta segunda-feira (24), uma kitnet no Bairro Santa Terezinha, região sul de Três Lagoas. O caso mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar. As circunstâncias do incêndio e da morte serão investigadas pela Polícia Civil.

As primeiras informações apontam que uma moradora chegou ao local e percebeu indícios de que uma das kitnets estava em chamas. Diante da situação, o 5º Grupamento de Bombeiros Militar foi acionado para combater o fogo.

A Polícia Militar também foi chamada e enviou uma equipe ao endereço para acompanhar a ocorrência e prestar apoio ao trabalho dos bombeiros.

Porta estava bloqueada por dentro

Ao chegarem ao imóvel, os militares encontraram um obstáculo para acessar a residência. Objetos haviam sido colocados atrás da porta pelo lado de dentro, formando uma espécie de barricada e dificultando a abertura da entrada.

Depois de conseguirem romper o bloqueio e entrar na kitnet, os bombeiros encontraram um homem já sem vida. O corpo apresentava sinais de carbonização.

Equipes atuam no local onde homem foi encontrado morto e com sinais de carbonização após incêndio em kitnet.Porta da kitnet ficou danificada durante o atendimento à ocorrência; objetos colocados pelo lado de dentro dificultaram a entrada dos bombeiros. Foto: Corpo de Bombeiros.

O incêndio provocou danos severos no interior do imóvel. Após controlar e extinguir as chamas, a equipe realizou os procedimentos de segurança e preservação da área para permitir os trabalhos das autoridades responsáveis pela investigação.

Equipes atuam no local onde homem foi encontrado morto e com sinais de carbonização após incêndio em kitnet.Fachada da kitnet atingida pelo incêndio que terminou com um homem encontrado morto no interior do imóvel. Foto: Corpo de Bombeiros.

A existência da barricada é uma das circunstâncias que deverá ser esclarecida durante a apuração. Até o momento, as informações disponíveis não permitem determinar por que os objetos estavam posicionados atrás da porta nem estabelecer qualquer relação entre o bloqueio, o incêndio e a morte.

Documento é encontrado no imóvel

Durante o atendimento da ocorrência, foi localizado dentro da kitnet um documento em nome de Luciano Cristiano dos Santos. Apesar disso, a identidade do homem encontrado morto ainda depende de confirmação oficial pelas autoridades competentes. A vítima aparentava ter cerca de 50 anos.

Segundo relatos de testemunhas, o morador da kitnet trabalhava em uma vidraçaria situada nas proximidades da residência.

A Polícia Civil foi acionada e deverá investigar tanto as circunstâncias da morte quanto a origem do incêndio. A perícia também deverá auxiliar na reconstrução do que aconteceu dentro do imóvel.

Até o momento, não há confirmação sobre o ponto de início nem sobre a causa das chamas. Também não foi esclarecido se o homem morreu em consequência direta do incêndio ou se havia outra circunstância relacionada à morte. Essas respostas dependerão dos exames periciais e do avanço da investigação.

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