Cidades

"Fiscais"

Cães que acharam drogas na fronteira vão receber R$ 1 milhão para cuidados com a saúde

Animais são treinados e já interceptaram, usando apenas o faro, vários quilos de drogas que entrariam no Brasil

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Na região de fronteira do Brasil com a Bolívia, onde há diferentes medidas ilegais praticadas por traficantes para tentar driblar a fiscalização de forças de segurança como Polícia Federal, Receita Federal, Polícia Militar, Departamento de Operações de Fronteira, Exército, Polícia Civil, um desses fiscais tem se mostrado muito ativo para conseguir descobrir técnicas avançadas de criminosos.

A arma poderosa desses fiscais é o faro, a partir de cães treinados. Uma dessas equipes integra a Alfândega da Receita Federal em Corumbá, que promove licitação de R$ 1.073.035,12 para demandas de atendimentos veterinários.

No período de cerca de 12 meses, entre junho de 2024 e o mesmo mês deste ano, os cães de faro da Receita Federal, bem como da Polícia Militar, contribuíram para que as autoridades encontrassem mais de 43 kg de diferentes tipos de drogas.

Em geral, esses entorpecentes estavam escondidos em fundos falsos dos mais variados pacotes e equipamentos, ou tinham sido ingeridas, ou ainda estavam em formato líquido.

Esconderijos arquitetados pelos traficantes para dificultar ao máximo as abordagens, praticamente sem chance de identificação apenas por visualização de policiais e auditores fiscais.

Em alguns casos, somente com exame médico em hospital para garantir a localização do entorpecente. Contudo, os cães de faro que têm atuado em Corumbá estão descobrindo esses entorpecentes.

Nessas apreensões que esses cães ajudaram a serem feitas corresponderam a um prejuízo para o crime de mais de R$ 2 milhões, com identificação de cocaína, pasta base de cocaína e skunk.

Para garantir também que esse reforço na segurança pública recebe os devidos cuidados, a Receita Federal divulgou a abertura de licitação para realizar serviços veterinários em Corumbá. Só para serviços veterinários previsíveis, o valor máximo previsto para atender esses cães é de R$ 204.755,30.

Para os serviços veterinários extraordinários, o valor máximo previsto é de R$ 802.659,02, totalizando pouco mais de R$ 1 milhão para o período de 20 meses de contrato com as prestadoras a serem contratadas. 

Para garantir que o atendimento aos animais seja feito dentro de padrões mínimos, a Receita Federa ainda prevê que os especialistas contratados vão passar por avaliação prévia.

“A avaliação prévia do local de execução dos serviços é imprescindível para o conhecimento pleno das condições e peculiaridades do objeto a ser contratado, sendo assegurado ao interessado o direito de realização de vistoria prévia, acompanhado por servidor designado para esse fim”, detalhou o edital. 

Os atendimentos de assistência médico-veterinária precisam ser integrais, com responsabilidade por 7 dias da semana, com disponibilidade de 24 horas por dia, para dar conta das demandas de até 3 cães de faro. 

O fiscal de faro em Corumbá integra o Plano Estratégico de Fronteiras para combate a crimes transnacionais. Desde novembro de 2022, a Receita Federal dispõe de cães de faro com o Centro Nacional de Cães de Faro da RFB (CNK9) e os Centros de Cães de Faro da RFB (CCF), com unidades tanto em Corumbá como na Delegacia da Receita em Campo Grande. 

“O CCFK9 atende aos processos de trabalhos vinculados às atividades de prevenção e repressão à lavagem de dinheiro, ao tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e ao contrabando de tabaco, armas e munições, no âmbito da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil”, detalhou a Receita.

Todo o atendimento previsto envolve alimentação especializada com fornecimento de ração premium, com suplementação alimentar prescrita para reforçar o sistema imunológico e promover saúde por meio de planos alimentares específicos para cada cão, considerando idade, atividade e condições de saúde. O apoio ainda envolve outros serviços como infraestrutura para hospedagem, assistência veterinária integral.

Licitação abrange também Campo Grande

A Delegacia da Receita Federal em Campo Grande também conduz licitação para contratar os mesmos serviços a serem prestados em Corumbá. Na Capital, o serviço também tem teto de valor em R$ 1.073.035,12. 

A sessão pública para definir as empresas vencedoras do certame vai acontecer no dia 1 de julho, às 9h (horário de Brasília). 

Em operações especiais que podem ocorrer, a Receita Federal também pode utilizar esses cães especializados nas cidades de Dourados, Bataguassu e Nova Andradina

As atuações direta dos cães de faro na fronteira com a Bolívia

  • 20/06/2025 – 1,1 kg pasta base cocaína e prisão de mulher boliviana de 30 anos, estava com cápsulas de droga escondida 
  • 03/06/2025 – 3,5 kg em 100 cápsulas de pasta base, com a prisão de dois homens, com idades de 51 e 25, e uma mulher 33 anos
  • 26/04/2025 – 3,5 kg de cocaína com a prisão de 2 homens e 1 mulher, a droga estava escondida em 100 cápsulas
  • 21/4/2024 – 15 pacotes de 2 kg cada com cocaína, carga avaliada em mais de R$ 1 milhão
  • 18/4/2024 – 10 kg skunk dentro de extintor, carga avaliada em R$ 300 mil e a prisão de um colombiano
  • 17/10/2024 – 1,1 kg cocaína escondidos em 60 cápsulas, com valor estimado em R$ 140 mil
  • 06/07/2024 – 4,4 kg skunk e a prisão de um brasileiro de 53 anos
  • 01/07/2024 – 3,2 kg cocaína e a prisão de uma mulher boliviana de 23 anos
  • 30/06/2024 – cão da Polícia Militar ajudou a localizar 15kg skunk, outras 500 gramas de cocaína em cápsulas e 1 litro cocaína líquida

CAMINHOS

Veja como manifestar intenção de doar órgãos por meio de cartórios

Assunto ganha importância durante o Setembro Verde, em um país onde mais de 49 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante

20/09/2026 08h47

Cerca de 45 mil dos que aguardam um transplante de órgão esperam por um rim

Cerca de 45 mil dos que aguardam um transplante de órgão esperam por um rim Divulgação

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Desde o lançamento da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo), em 2024, mais de 32 mil brasileiros já usaram os cartórios para manifestar formalmente a intenção de doar órgãos. 

O assunto ganha importância durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos, em um país onde mais de 49 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante.

Segundo o Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), o procedimento é gratuito e realizado integralmente pela internet. O interessado acessa a plataforma da Aedo, disponível no e-Notariado, preenche seus dados e escolhe um cartório de notas para realizar o procedimento.

Na sequência, participa de uma videoconferência com o tabelião para confirmar sua identidade e sua desejo de doar órgãos. O documento é assinado eletronicamente e passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos, que pode ser consultada pelos profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes.

A pessoa pode indicar quais órgãos, tecidos ou partes do corpo deseja doar e revogar a autorização a qualquer momento. Todo o procedimento pode ser realizado sem necessidade de comparecimento presencial ao cartório.

Oferta e demanda

Dados dos Cartórios de Notas mostram que 32.587 solicitações de Aedo já foram realizadas no país. Foram 18.659 em 2024, 8.886 em 2025 e outras 5.042 em 2026, segundo os dados mais recentes da plataforma. Essa queda por ser atribuída a menos campanhas de divulgação da iniciativa. 

São Paulo concentra o maior número de manifestações desde a criação do serviço, com 9.399 solicitações, seguido por Paraná (3.818), Rio de Janeiro (2.930), Minas Gerais (2.172) e Rio Grande do Sul (2.012). A Aedo registra solicitações em todas as unidades da Federação.

Os números se inserem em um cenário no qual a demanda por transplantes permanece elevada no país. Dados do Ministério da Saúde divulgados este mês apontam que mais de 49 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil, sendo cerca de 45 mil por um rim.

Somente na fila por uma córnea estão 37.719 pessoas, segundo levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), número 15% maior que o registrado em dezembro de 2025.

Autorização familiar

Um dos principais desafios tem sido a autorização familiar. No Brasil, a retirada de órgãos após a morte depende da concordância da família, mesmo quando a pessoa manifestou em vida o desejo de ser doadora.

Atualmente, a taxa média de recusa familiar gira em torno de 45%, e entre os motivos apontados estão o desconhecimento sobre a vontade do potencial doador, além de dúvidas e receios relacionados ao procedimento.

É neste contexto que a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos permite que o cidadão deixe formalmente registrada sua decisão. 

“A decisão final continua sendo da família. Por isso, tão importante quanto registrar a vontade de ser doador é conversar sobre ela. A Aedo permite que essa manifestação fique formalizada e ajuda a levar esse assunto para dentro das famílias, para que elas conheçam previamente a decisão de quem deseja doar”, afirma Eduardo Calais, presidente do CNB/CF.

No próximo dia 27 de setembro, é celebrado o Dia Nacional de Doação de Órgãos, data criada para estimular a discussão sobre o tema e incentivar as pessoas a comunicarem aos familiares sua vontade de serem doadoras.

 

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SAÚDE

Morre Paulo Roberto Teixeira, referência no combate à aids no Brasil

Médico atuou na criação de políticas de prevenção e tratamento

19/09/2026 23h00

Paulo Roberto Teixeira

Paulo Roberto Teixeira EMI SHIMMA/DIVULGAÇÃO

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Morreu neste sábado (19), aos 77 anos, o médico Paulo Roberto Teixeira, uma das referências em saúde pública no Brasil. Ele foi protagonista na criação da primeira resposta de governo à aids no Brasil, em 1983, época em que a doença era ainda pouco conhecida e marcada pelo estigma.Paulo Roberto TeixeiraPaulo Roberto Teixeira

Quando os primeiros casos da doença foram confirmados em São Paulo, Teixeira estava à frente do programa de hanseníase do estado. A experiência com uma doença que também era marcada pela exclusão, ajudou a desenhar para a aids uma política pautada no direito à saúde e ao respeito, que passava pela prevenção e assistência, incluindo o acesso aos antirretrovirais, e o trabalho em parceria com sociedade civil.

Em 2000, já à frente do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Paulo Teixeira passou a denunciar que os preços dos medicamentos eram inviáveis para a manutenção do acesso universal ao tratamento de aids pelo SUS e passou a defender a quebra de patentes dos laboratórios farmacêuticos.

Defendeu que a Lei de Patentes brasileira, aprovada em 1996, limitou o acesso à saúde e organizou um programa internacional de transferência de tecnologia entre países do Sul global para a produção de antirretrovirais genéricos.

Esse movimento foi fundamental para que em 2001, a Organização Mundial do Comércio reconhecesse que o direito à saúde está acima das regras de propriedade intelectual e fortaleceu a luta dos países pobres pelo direito de acesso ao tratamento.

A luta pelo acesso universal ao tratamento seguiu na OMS, quando Paulo Roberto Teixeira, assumiu em 2003 o Departamento de HIV/Aids da OMS e integrou a estratégia 3 by 5 que estabeleceu a meta de 3 milhões de pessoas vivendo com HIV em tratamento até o fim de 2005.

Em nota, o Ministério da Saúde manifestou pesar pela morte de Paulo Roberto Teixeira, reconhecendo que ele foi um dos "nomes fundamentais da resposta do país à epidemia" e que Paulo Teixeira "dedicou a vida à defesa da saúde como direito, dos direitos humanos e do acesso universal à prevenção e ao tratamento".

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