Cidades

COMBATE AO TRÁFICO

Cães farejadores ajudam a achar 105 kg de cocaína e PRF já bate 10 apreensões no ano

Somadas às quantidades de substâncias encontradas pelas demais forças policiais, drogas retiradas de circulação superaram uma tonelada ainda em fevereiro

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Com apoio de cães farejadores do Exército Brasileiro, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) passou das 10 apreensões no ano com os mais 105 kg de cocaína encontrados em Ponta Porã, na tarde desta quarta-feira (13), sendo que, se somado aos trabalhos das demais forças, as polícias em Mato Grosso do Sul passaram de uma tonelada dessa substância apreendida antes mesmo do fim de fevereiro. 

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, os 105 kg foram encontrados dentro de duas rodas que estavam montadas em uma oficina mecânica do município, após os agentes da PRF suspeitarem desses itens quando chegaram ao estabelecimento para uma manutenção na viatura. 

Questionado sobre os dois pneus novos instalados em rodas de caminhão, o dono da oficina disse que um conhecido - identificado por ele como "Ludmilo" - deixou os pneus para pegar depois e que receberia R$ 5 mil, segundo apuração do portal local, Ponta Porã News. 

Suspeitando da história, foi solicitada a presença do Grupo de Busca com Cães do Exército Brasileiro, com os agentes caninos constatando a presença das substâncias nas rodas. A partir daí, bastou retirar os pneus e contar os tabletes. 

Conforme a PRF, o dono da oficina apontou aos policiais que não sabia que no interior das rodas havia tabletes de cocaína. Ainda assim, juntamente com a droga, o indivíduo foi encaminhado para a Polícia Civil em Ponta Porã. 

Apreensões da PRF

Ainda que a primeira ação de apreensão a chamar atenção em 2024 tenha sido os 62 kg de cocaína encontrados em uma ambulância, em 09 de janeiro, na BR-262, outras duas apreensões realizadas na primeira semana de 2024 já somavam 76 kg, totalizando 138 kg só nos primeiros 10 dias do ano. 

Já em 19 de janeiro, a PRF localizou e apreendeu mais 238 kg de cocaína, em Rio Verde de Mato Grosso, no interior do Estado, considerada a primeira grande apreensão de 2024, superada cerca de 11 dias depois. 

Em 30 de janeiro, no município de Ivinhema, a fiscalização da PRF na BR-376 encontrou 242 kg de cocaína em um caminhão Volvo/FH12. Nessa ocasião o motorista fazia zigue-zague pela pista e, por isso, foi abordado. 

Em 02 de fevereiro, outros 107 kg da droga foram encontrados em um caminhão carregado de eucalipto. O curioso desse caso é que, após os policiais pararem o caminhão, enquanto retiravam os estepes por estranharem o peso das rodas, o motorista fugiu e não foi mais localizado. 

Em seu lugar, a mulher que viajava com ele, vinda de Chapadão do Sul com destino à Minas Gerais, foi presa em flagrante após a localização das substâncias. 

Na sequência de casos inusitados, uma caminhonete transportada em um caminhão cegonha com destino para São Paulo carregava 126 kg de cocaína nas rodas, localizada por um cão farejador da Polícia Rodoviária Federal em 10 de fevereiro. 

Antes disso, em 08 de fevereiro, equipes da PRF localizaram mais 82 kg dessa mesma substância transportada em uma S/10 pela BR-463. Os policiais só conseguiram fazer a apreensão após alcançarem o motorista de 23 anos, que não obedeceu à parada e empreendeu fuga. 

Ainda, no intervalo de cinco dias, entre 14 e 19 de fevereiro, a PRF em Corumbá apreendeu mais 33,2 kg de cocaína em três ocasiões diferentes.

Depois, uma perseguição iniciada em Brasilândia e encerrada em São Paulo resultou na apreensão de 234 kg de cocaína. Nesse caso, um comboio de três veículos iniciou fuga na divisão com o Estado paulista.

Beirando o fim de fevereiro, a quantia de 201 kg de pasta base de cocaína, encontrada na BR-262 em Terenos, garantiu que as apreensões da substância por forças políciais de Mato Grosso do Sul batessem uma tonelada até o dia 27 desse segundo mês. 

Nessa ocasião, um caminhão acoplado a dois reboques foi abordado e seu motorista se mostrava bastante nervoso, sem conseguir informar qualquer detalhe da viagem e bastou uma busca minuciosa no veículo para que os policiais encontrassem um compartimento secreto, localizado na cabine do caminhão. 

Outras apreensões

Para além das apreensões da PRF, até mesmo o Exército Brasileiro conseguiu uma grande apreensão de cocaína na fronteira da Bolívia. Na chamada parte alta de Corumbá, 163 kg foram encontrados pela 18ª brigada de Infantaria de Pantanal, em 19 de fevereiro. 

Também a Polícia Federal mostrou bons resultados de apreensões em Mato Grosso do Sul neste 2024 até então, sendo a primeira em 11 de janeiro, em Corumbá, encontrando 9,5 kg da droga em fiscalização nas rodovias. 

Depois disso, a PF em MS localizou mais 50 kg de pasta base de cocaína em Ponta Porã, em 20 de janeiro; 3,6 kg da droga em Campo Grande, com uma mulher que embarcava no aeroporto com destino à São Luiz (MA), além de outros 20 kg em Ponta Porã, na BR-463, antes mesmo do fim de janeiro. 

Ainda assim, a maior apreensão dessa força policial em Mato Grosso do Sul aconteceu quando a Polícia Federal localizou em Bataguassu quase meia tonelada de cloridrato de cocaína, que tinha como destino o porto do Santos (SP), o que indica que essa substância deixaria o País rumo ao exterior.
**(Mídias: PRF)

 

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PESQUISA

Campo Grande está entre as 10 capitais mais seguras do País

Ranking de Competitividade dos Estados mostra que a capital de Mato Grosso do Sul está à frente de cidades como Belo Horizonte e Salvador neste quesito

06/04/2026 08h20

Célia Campos mora há 10 anos em São Paulo e falou sobre a diferença que sente entre a capital paulista e Campo Grande

Célia Campos mora há 10 anos em São Paulo e falou sobre a diferença que sente entre a capital paulista e Campo Grande Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Campo Grande é a 10ª capital mais segura do Brasil, segundo mostra o Ranking de Competitividade dos Estados de 2025, feito pelo Centro de Liderança Pública (CLP). De acordo com a pesquisa, a capital de Mato Grosso do Sul fica à frente de cidades muito maiores, como Belo Horizonte (MG) e Salvador (BA).

Conforme o CLP, a pesquisa avalia como as cidades oferecem condições para que a população viva com tranquilidade e perspectivas de prosperidade no longo prazo. Na pesquisa anterior, a Capital também aparecia na mesma posição.

“Um bom nível de segurança atrai moradores, estudantes, trabalhadores e empreendedores. A falta dela reduz a qualidade de vida, afasta talentos e enfraquece os vínculos da população com o município”, informou a entidade.

Em relação a todos os municípios do País, Campo Grande fica no 256º lugar, atrás da posição anterior, quando era o 222º. Em relação ao Centro-Oeste, é a 21ª mais segura. Entre as capitais, fica atrás de Cuiabá, em quarto na classificação das capitais, mas à frente de Goiânia (GO), que está em 13º.

Os cinco melhores colocados no ranking são: Florianópolis (SC), Belém (PA), Porto Alegre (RS), Cuiabá (MT) e Curitiba (PR).

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que, entre 2023 e 2025, houve uma leve variação de homicídios dolosos, quando há intenção de matar. Enquanto em 2023 foram 124 pessoas assassinadas, em 2024 foram 127. No ano passado, o número subiu para 141 mortes.

A situação se inverte, porém, em relação a crimes contra o patrimônio. De 2023 a 2025, houve uma redução significativa de roubos e furtos na Capital. Em 2023, foram registrados 3.348 roubos em Campo Grande. Enquanto no ano passado o número caiu para 1.723.

Em relação aos furtos a queda foi menor, mas também sentida, saindo de 18.755, em 2023, para 16.357, no ano passado.

Sobre isso, a prefeita Adriane Lopes afirmou que a gestão tem investido em capacitação e equipamentos para a Guarda Civil Metropolitana (GCM).

“Estamos trabalhando para fortalecer essa política pública de grande relevância. Quando as pessoas têm segurança, conseguem desenvolver todas as áreas da vida. Temos investido em capacitação e equipamentos para a Guarda Civil Metropolitana, que tem desempenhado um papel importante dentro das forças de segurança da Capital”, destacou Adriane.

ESTADO

A pesquisa também traz outros indicadores de segurança pública, como o de segurança pessoal nos estados, em que mede o “risco de violência letal nas unidades da Federação”.

Conforme esse dado, Mato Grosso do Sul é o oitavo estado com a menor taxa por 100 mil habitantes de mortes intencionais. Não há esse indicativo no ano anterior.

Outro ponto da pesquisa mede a segurança patrimonial, que, segundo o CLP, “considera diferentes tipos de roubo, como a estabelecimento comercial, residência, transeunte, instituição financeira, carga e outras modalidades”.

O indicador mostra Mato Grosso do Sul em quarto no ranking entre os estados brasileiros, atrás somente de Santa Catarina, Minas Gerais e Tocantins, respectivamente.

Neste quesito, o Estado melhorou uma posição em relação à pesquisa do ano anterior.

Célia Campos mora há 10 anos em São Paulo e falou sobre a diferença que sente entre a capital paulista e Campo Grande

NAS RUAS

A população diz se sentir mais segura nas ruas de Campo Grande do que em outras capitais. A aposentada Célia Campos, de 65 anos, que morou em Campo Grande, mas hoje reside em São Paulo falou que percebe que na capital de MS as pessoas “respeitam mais” do que na capital paulista.

“Aqui é mais tranquilo, as pessoas respeitam mais. Lá você não tem segurança, tranquilidade como aqui, principalmente em relação às crianças”, avaliou a idosa, que está passando férias na Capital.

O mesmo diz o estudante Guilherme Marinho, de 16 anos. Ele usava tranquilamente o celular no centro da cidade e afirmou que, em locais públicos, sente segurança para isso.

“Dependendo do lugar eu uso [celular em público]. Com parado com outras capitais que eu fui aqui é a mais segura, tenho segurança de andar com o celular na rua e mexer, principalmente em espaços públicos”, contou o estudante, que esteve em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Manaus e Salvador. Dessas capitais, porém, apenas Salvador aparece atrás de Campo Grande.

O zelador Ilário Dias, de 50 anos, relatou que apesar de mexer no celular em alguns locais públicos, como a Praça Ary Coelho, não costuma correr o risco porque foi roubado no bairro onde reside, o Tijuca.

“Não mexo com o celular na rua, mexi aqui porque estava esperando um amigo, mas fui assaltado no meu bairro, levaram meu dinheiro e tudo o que eu tinha”, disse ao Correio do Estado.

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SANEAMENTO BÁSICO

Falha da Agereg trava acesso de 28 mil famílias à tarifa social de água

Lei foi publicada em dezembro de 2025, mas concessionária aguarda Município confirmar clientes que serão beneficiados

06/04/2026 08h00

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Mesmo com a lei municipal publicada em dezembro do ano passado, a implantação do desconto na conta de água para famílias carentes ainda não saiu do papel, em razão do atraso da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg) para concluir o cadastro das pessoas que serão beneficiadas com o programa, segundo informação da concessionária de abastecimento de água e tratamento de esgoto de Campo Grande.

O atraso prejudica o acesso ao benefício de aproximadamente 28 mil domicílios de baixa renda na Capital.

Em junho de 2024, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) instituiu a Lei Federal n° 14.898, que regulamenta a tarifa social de água e esgoto, benefício que oferece desconto de 50% sobre a tarifa de água e esgoto, até o volume de 15 m³ mensais, destinado a famílias com renda mensal até meio salário mínimo por pessoa.

Contudo, mesmo que essa lei seja federal, o governo federal exige que os Executivos estaduais e municipais regulamentem o programa por meio de leis próprias, o que já ocorreu em Campo Grande.

Há cerca de quatro meses, a Prefeitura de Campo Grande publicou a aprovação da norma nº 1/2025, que “estabelece regras, procedimentos e critérios mínimos para aplicação da tarifa social pelos prestadores dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário” na Capital, o que ainda não saiu do papel até o momento.

Em nota enviada à reportagem, a Agereg disse que “já adotou todas as medidas necessárias para viabilizar a implementação da tarifa social, incluindo regulamentação, envio de dados e acompanhamento contínuo do processo”, e que a responsabilidade pela implementação é da Águas Guariroba, concessionária da cidade.

Tarifa social de água e esgoto oferece desconto de 50% no valor da conta a famílias com renda até meio salário mínimo por pessoa - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Em resposta ao posicionamento da Agereg, a Águas Guariroba disse que aguarda manifestação do Município para dar seguimento à efetiva aplicação da tarifa social em Campo Grande, já que espera a Agereg confirmar os cadastros dos clientes que serão beneficiados pelo programa.

“É necessário que, primeiro, a Agereg promova a confirmação da base cadastral dos clientes que serão beneficiados, com base no CadÚnico [Cadastro Único]. A concessionária vem auxiliando a agência com as análises das bases brutas disponibilizadas. Inclusive, nesta análise, foi identificado que mais de 28 mil famílias poderão ser enquadradas no benefício”, afirma a concessionária.

“É fundamental que haja a validação do ente regulador, visto que é o responsável por essa definição nos termos da legislação e regulamentação nacional. Com base nessas informações já analisadas, a concessionária já apresentou o estudo dos impactos contratuais de implantação da tarifa social, também pendente de análise pelo órgão regulador”, completa a Águas Guariroba, em nota.

A Águas Guariroba também aproveitou a oportunidade para afirmar que concordou que os impactos que devem ser quantificados neste momento, nos termos da lei, serão aplicados a partir de 2029, conforme 9º termo aditivo ao contrato de concessão, que estabelece “eixos de análise e adequação contratual, para fins de incorporação ao contrato de parâmetros, normas, critérios, condições e métricas”.

ESTADO

Os municípios com rede de água e esgoto sob responsabilidade da Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul) e do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) tiveram sua regulamentação da tarifa social publicada no início de dezembro pela Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (Agems).

INVESTIGAÇÃO

Em agosto do ano passado, pouco antes da publicação oficial da regulamentação pela Agems, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou procedimento administrativo com o objetivo de fiscalizar e acompanhar a implementação da tarifa social de água e esgoto em Bela Vista, um dos municípios concessionados pelo Saae.

De acordo com o MPMS, o procedimento foi aberto após o Núcleo do Direito do Consumidor (Nudecon) alertar sobre a ausência de providências por parte do Saae de Bela Vista quanto à implementação da tarifa social.

Em resposta, o diretor-presidente da concessionária disse que realmente desconhecia a lei federal de 2024, embora tenha informado que já realizava concessões pontuais do benefício, mediante encaminhamento da Secretaria Municipal de Assistência Social.

Por sua vez, a secretaria confirmou que realmente ocorreram reuniões com o Saae para discutir o fluxo de encaminhamento de famílias em situação de vulnerabilidade, mas sem formalização de critérios ou procedimentos.

Diante disso, o promotor de Justiça impôs que o município elaborasse e iniciasse o quanto antes um plano de ação para iniciar a aplicação da tarifa social na cidade.

*Saiba

Há cerca de 10 dias, no Dia Mundial da Água, a Agência Nacional de Água e Saneamento Básico (ANA) divulgou a primeira versão da lista positiva da tarifa social de água e esgoto, que apontou que 143 prestadores de serviços de saneamento, que atendem 1.879 municípios (34% do total), concluíram o processo de implementação da tarifa social, conforme os critérios estabelecidos na Lei nº 14.898/2024.

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