Cidades

Proteção

Campanha da igreja Adventista contra violência reforça o Agosto Lilás em MS

O Quebrando o Silêncio faz parte do calendário oficial de eventos e reforça o combate à violência doméstica e destaca o crescimento da violência digital neste ano

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O Agosto Lilás é um marco anual de conscientização e enfrentamento à violência contra as mulheres e, em 2025, reforça o papel da Lei Maria da Penha como instrumento de proteção e transformação de vidas. 

Entre as ações de diversos órgãos voltados ao mês, a mobilização em Mato Grosso do Sul também será promovida pela campanha “Quebrando o Silêncio” da Igreja Adventista do Sétimo Dia que, desde o mês de junho, faz parte do calendário estadual de eventos.  

Com isso, a partir de agora, o quarto sábado de agosto será dedicado a ações que fortalecem o combate à violência contra crianças, mulheres e idosos. Neste ano, o foco será a violência digital, um perigo, muitas vezes silencioso, que aflinge as mulheres sul-mato-grossenses. 

De acordo com a Secretaria de Comunicação do Governo Federal em Mato Grosso do Sul, o estado registrou um aumento de 27,25% nas denúncias de violência feminina em todos os meios através do Ligue 180 em 2024. 

Esse crescimento expressivo reforça a urgência da campanha e a necessidade de ampliar políticas públicas e o apoio às vítimas.

Em 2025, o tema da campanha adventista é “Violência Digital: quando o perigo vem da tela” e busca colocar em evidência os desafios do cyberbullying, fake news, exposição indevida e ameaças virtuais, além de despertar a atenção da sociedade, principalmente familiares, para os sinais de alerta e formas de proteção no ambiente virtual.

Neusa Almeida, diretora do Ministério da Mulher da Igreja Adventista em Mato Grosso do Sul e líder local da campanha, reforça que a violência destrói famílias. 

“Essa oficialização no calendário do estado fortalece ainda mais o nosso compromisso de levar informação, apoio e coragem para quem sofre em silêncio. A violência, seja dentro de casa ou no mundo virtual, destrói vidas e famílias, mas juntos podemos romper esse ciclo. Nossa esperança é que cada pessoa saiba que não está sozinha e que há caminhos para proteção e denúncia”.

Durante todo o mês, serão oferecidas várias atividades nos municípios de Mato Grosso do Sul, como palestras, fóruns, passeatas, com a participação de voluntários, instituições e da comunidade para fortalecer a rede de proteção e acolhimento.

Campanha de 2025 é voltada ao combate ao crime digital.

A campanha

O Quebrando o Silêncio é um programa educativo promovido todos os anos pela Igreja Adventista do Sétimo Dia voltado à prevenção ao abuso e à violência doméstica. Integra uma iniciativa global chamada “End it Now” - “Acabe Com Isso Agora”. 

Além das mulheres, crianças, idosos e pessoas com deficiências também enfrentam riscos maiores de abuso e exploração, o que leva a campanha a incluí-los nas iniciativas de prevenção e conscientização. 

O projeto é realizado ao longo de todo o ano, mas tem como marco o quarto sábado do mês de agosto, onde ocorrem fóruns, palestras educativas e preventivas e distribuição de materiais informativos para crianças, adolescentes e adultos em toda a América do Sul.

Números

De acordo com o Mapa da Segurança Pública dos anos 2023 e 2024, o Estado foi o 5º com maior crescimento de assassinatos contra a mulher no período, com um aumento de 16,67%. Com isso, Mato Grosso do Sul atingiu a segunda maior taxa do país, 2,39 feminicídios por 100 mil mulheres, mais que o dobro da média nacional, de 1,34. 

Em 2025, foram confirmados 22 casos de feminicídio em MS e 12.819 registros de violência contra a mulher, de acordo com o Monitor da Violência contra a Mulher, promovido pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). 

De janeiro até 21 de julho de 2025, 13.864 mulheres foram vítimas de algum tipo de crime no estado. Deste total, 12.643 sofreram violência doméstica — o que representa cerca de 68 casos por dia, em uma média que se repete com pouca variação nos últimos anos.

O serviço de denúncias Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos, registrou no período de janeiro a maio 1.577 relatos de violência contra crianças e adolescentes em Mato Grosso do Sul. Esse número representa 34% das denúncias feitas pelo canal no Estado no ano.

Entre as denuncias mencionadas no disque 100, 135 se tratava de casos de abuso e violência sexual contra crianças e adolescentes. 
 

Trânsito

Cerca de 8 mil motoristas de MS tiveram a CNH renovada gratuitamente

Com a renovação automática, o programa Bom Condutor beneficia quem não recebeu multas nos últimos 12 meses

07/02/2026 10h44

Aplicativo CNH do Brasil

Aplicativo CNH do Brasil Crédito: Robson Dantas / Detran-MS

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Em 25 dias, o programa Bom Condutor resultou na renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de 8 mil motoristas que não cometeram infrações em Mato Grosso do Sul.

Conforme dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), até o dia 3 de fevereiro, condutores de diversas categorias foram contemplados por não terem cometido infrações nos últimos 12 meses.

O programa da Senatran serve como incentivo aos motoristas que respeitam as regras de trânsito.

A medida, implementada pelo Governo Federal, entrou em vigor no dia 9 de janeiro e, em menos de uma semana, teve 2.997 habilitações renovadas, sem a necessidade de o condutor enfrentar a burocracia das agências do Detran.

A renovação automática ocorreu sem a cobrança de taxas, o que trouxe alívio ao bolso  dos condutores - referente a renovação da primeira semana - e resultou em uma economia estimada de R$ 1,47 milhão para a população.

Como participar

A renovação ocorre de forma totalmente digital. Os dados do motorista são atualizados diretamente na base nacional, e o novo documento fica disponível no aplicativo CNH do Brasil. Além disso, os condutores contemplados passam a receber um selo de "Bom Condutor", que identifica o histórico positivo no trânsito.

O Governo Federal informou que  685.325 motoristas de habilitações vigentes no país, que atenderam ao critério exigido foram beneficiados.

Critérios do programa

Vale lembrar que nem todos os motoristas, porém, estão aptos à renovação automática. O benefício não se aplica a condutores com 70 anos ou mais. Já os motoristas a partir dos 50 anos têm direito a apenas uma renovação automática ao longo da vida, quando a CNH vencer.

Também não entram na regra condutores que possuem prazo de validade reduzido por recomendação médica, em casos de doenças progressivas ou condições que exigem acompanhamento de saúde, além de motoristas com CNH vencida há mais de 30 dias.

Com a nova política, o Governo busca ampliar o uso de ferramentas digitais, reduzir a burocracia e incentivar um comportamento mais responsável no trânsito.

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POSICIONAMENTO

Presidente da Câmara "comemora" decisão de juiz contra aumento do IPTU

Ontem, a Justiça determinou que a Prefeitura de Campo Grande recalcule o valor cobrado dos donos de imóveis de acordo com o índice inflacionário dentro de 30 dias

07/02/2026 10h30

O presidente da Câmara Municipal, vereador Epaminondas Vicente Silva Neto (PSDB), o Papy

O presidente da Câmara Municipal, vereador Epaminondas Vicente Silva Neto (PSDB), o Papy Foto: Arquivo

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A Câmara Municipal de Campo Grande“comemorou” a decisão judicial da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande que mandou a Prefeitura limitar o aumento do valor do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) cobrado dos donos de imóveis a 5,32%, em nota divulgada neste sábado (7).

Publicada hoje no site oficial da Casa de Leis, a nota cita o histórico de reuniões e encontros que aconteceram desde o dia 30 de dezembro, quando chegou às mãos da população o valor do IPTU 2026 com aumento que não teria sido comunicado pela administração municipal.

“A Câmara Municipal entende que a decisão judicial proferida nesta sexta-feira corrobora o posicionamento adotado pela Casa desde o início, no sentido de minimizar os impactos do IPTU 2026 no bolso do contribuinte, preservando, ao mesmo tempo, a arrecadação necessária ao funcionamento do Município”, afirma.

Por fim, a Casa cita que o diálogo com as frentes ainda não terminou, já que na próxima terça-feira (10), será votado o veto da prefeita Adriane Lopes (PP) que derrubou o projeto de Lei aprovado pelos vereadores no mês passado, que anula a regulamentação da taxa do lixo.

“A Câmara Municipal de Campo Grande segue empenhada em construir uma solução legislativa na próxima terça-feira (10/02) que traga segurança ao contribuinte, estimulando o pagamento do imposto, e garanta ao Município as condições necessárias para executar políticas públicas e serviços essenciais à população”, reforça.

Oposição feliz

A vereadora Luiza Ribeiro (PT) também se manifestou acerca da decisão judicial contra o aumento do IPTU. Em suas redes sociais, a parlamentar exaltou a determinação e destacou a atuação da Ordem de Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul (OAB-MS) no caso. “Por isso, estamos muito agradecidas à OAB e parabenizo todos os advogados por essa conquista”.

Também, a vereadora indicou que a Casa deve derrubar o veto da prefeita no próximo dia 10, já que, segundo ela, essa é a posição da Câmara desde o início dos debates.

Decisão

A Prefeitura de Campo Grande terá de limitar o aumento do valor do IPTU cobrado dos donos de imóveis a 5,32%, segundo determinou o juiz da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, Ariovaldo Nantes Corrêa, na sexta-feira. O prazo para lançamento de novos valores é de até 30 dias.

O magistrado atendeu ao pedido feito pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional de Mato Grosso do Sul (OAB-MS). Cabe recurso da decisão.

A medida estabelecida pelo magistrado pode levar o município a ter de recalcular o tributo lançado a milhares de contribuintes em Campo Grande, uma vez que, no bojo deste e de outros processos, proprietários informaram reajustes no valor cobrado superiores a 5,32% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E), índice legal usado para reajustar o imposto.

O magistrado, assim como no pedido feito pelo presidente da OAB-MS, Bitto Pereira, enxergou uma manobra do município para aumentar o valor cobrado pelo imposto sem mexer na alíquota.

Apesar de existir um decreto da prefeita Adriane Lopes (PP) limitando o aumento do imposto a 5,32%, a prefeita alterou o Código Tributário Municipal (CTM) para mudar os critérios de enquadramento dos imóveis.

“Apesar de o ato normativo alhures transcrito fixar apenas o reajuste inflacionário do IPTU de acordo com o IPCA-E em 5,32%, na prática houve alteração real do imposto, seja por mudança do valor venal do imóvel, seja pelo aumento da alíquota para o cálculo do referido imposto, majorando-o por vias indiretas e em desacordo com o estabelecido em lei”, destacou o magistrado.

O magistrado ainda lembrou que a Administração de Campo Grande reconheceu expressamente que as eventuais alterações do IPTU se deram por causa da atualização cadastral dos imóveis promovida pela Secretaria Municipal de Fazenda (Sefaz), que levou em conta mudanças estruturais nas edificações verificadas por meio de georreferenciamento, além do registro de melhorias em infraestrutura na proximidade dos terrenos.

“A atualização cadastral, como feita, pode implicar o aumento do valor venal do imóvel, considerando que há valorização quando identificada a implantação ou aumento de construção e que a identificação e o cadastro das melhorias no entorno dos imóveis servem como parâmetro para seu enquadramento em percentual de alíquota maior, o que, pela via indireta, importa na majoração do imposto”, justificou Ariovaldo Nantes Corrêa.

A OAB-MS acusou outra manobra da prefeitura para elevar o imposto, e o juiz reconheceu: a mudança de alíquota de 1% para imóveis edificados e com melhorias dependeria da realização de vistoria pelo poder público, o que não ocorreu, além da instauração de processo administrativo que desse ao contribuinte a oportunidade do contraditório.

O pior de tudo: “a atualização cadastral se deu internamente junto à Sefaz e sequer foi publicada no Diário Oficial”, destacou o magistrado.

O juiz, contudo, não atendeu ao pedido da OAB-MS que solicitava a retomada do desconto de 20% para pagamento à vista do tributo.

A medida tomada pela prefeitura está dentro da legislação. No processo, a prefeitura informou que a retirada dos 10 pontos percentuais de desconto no pagamento à vista lhe traz uma receita de R$ 35 milhões.

O que acontece agora?

Cabe recurso da decisão, que pode ser revertida em agravo na 2ª instância. Se ela for mantida, contudo, a prefeitura terá de recalcular os valores lançados. As eventuais adequações terão de ocorrer em até 30 dias após a publicação da decisão de Ariovaldo Nantes Corrêa.

Ele também suspende os prazos para pagamento do IPTU. O vencimento da primeira parcela do tributo, assim como da parcela única com desconto, é no dia 12 deste mês.

“É feita a ressalva de que a data de novo vencimento da primeira parcela (para quem vai parcelar) ou da parcela única (para quem vai pagar à vista) será definida pelo município de Campo Grande de acordo com a sua possibilidade de cumprimento do que foi aqui determinado. Intimem-se pessoalmente os impetrados da liminar concedida e para prestarem as informações necessárias no prazo legal”, explicou o magistrado.

O Correio do Estado procurou a Prefeitura de Campo Grande para comentar a decisão. Não houve retorno até a publicação desta matéria.

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