Cidades

Crime organizado

Campo Grande era central logística do tráfico de cocaína que abastecia estados

Esquema foi desarticulado em operação da PF nesta quinta-feira

RENAN NUCCI

18/10/2018 - 09h29
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A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a Operação Time Out, para desarticular esquema do tráfico de cocaína operado a partir de Campo Grande e que abastecia vários estados do país. A droga era armazenada em galpões e despachada em caminhões. O trabalho investigativo resultou em prisões, apreensões de bens, indisponibilidade 96 veículos e bloqueios de contas bancárias dos suspeitos.

Segundo a PF, 43 policiais cumprem oito mandados de busca e apreensão e seis de prisão preventiva expedidos pela 2ª Vara Criminal Residual, tanto na Capital quanto em Três Lagoas. Durante cinco meses de investigações foi apreendida mais de uma tonelada de cocaína. Também ocorreram três prisões em flagrante em Mato Grosso do Sul e São Paulo, e apreensão de três caminhões. 

O inquérito policial teve início em outubro de 2017, a partir de diligências de campo que indicavam que pessoas residentes nesta Capital mantinham galpões na área urbana, onde caminhões eram carregados com cocaína. Os veículos se dirigiam a outros estados, sendo que os lucros da atividade criminosa eram utilizados pelos criminosos na aquisição de imóveis e veículos, registrados em sua grande maioria em nome de “laranjas”.

Também foi decretado pela Justiça Estadual, a pedido da PF, o bloqueio de contas bancárias dos investigados, bem como a indisponibilidade de seus bens imóveis e de 96 veículos pertencentes à organização criminosa. Os presos estão sendo conduzidos para a Superintendência da Polícia Federal em Campo Grande, se condenados, poderão cumprir penas que ultrapassam 20 (vinte) anos de prisão.
 

Justiça

Loja é condenada a pagar R$ 10 mil por acusar cliente de furto

Consumidora foi impedida de sair do estabelecimento em Campo Grande; brinquedo que motivou a suspeita havia sido comprado em outra loja

26/10/2026 16h59

Reprodução/TJMS

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Uma loja de utilidades de Campo Grande foi condenada a pagar R$ 10 mil por danos morais a uma consumidora acusada injustamente de furto. A mulher foi impedida de deixar o estabelecimento após funcionários suspeitarem que ela havia pegado um brinquedo da prateleira sem pagar. O produto, porém, havia sido comprado anteriormente em outra loja.

A decisão é do juiz Juliano Rodrigues Valentim, da 3ª Vara Cível de Campo Grande, que considerou abusiva a abordagem e reconheceu que a consumidora foi exposta a constrangimento diante de outras pessoas.

Conforme o processo, a mulher estava no estabelecimento acompanhada de familiares quando uma criança deixou um brinquedo sobre uma prateleira. A consumidora recolheu o objeto e o colocou novamente na sacola da família, já que o produto havia sido adquirido em outro comércio.

Os funcionários suspeitaram de furto e impediram o grupo de sair para averiguação. A Polícia Militar foi acionada e, durante a ocorrência, confirmou-se que o brinquedo não pertencia à loja.

Ao analisar o caso, o magistrado destacou que estabelecimentos comerciais podem adotar medidas para proteger o patrimônio, mas precisam agir com razoabilidade e discrição. A suspeita de furto, segundo o entendimento exposto na decisão, não justifica expor clientes a situações vexatórias nem restringir injustificadamente sua circulação.

Registros em vídeo e depoimentos de testemunhas confirmaram que a saída foi bloqueada e que a discussão ocorreu diante de outros consumidores. Para o juiz, a mulher teve de justificar publicamente a posse do brinquedo, contestar a acusação e pedir a presença da polícia, situação que ultrapassou o limite de um aborrecimento cotidiano.

Justiça

O processo também incluiu uma alegação de discriminação racial. Uma testemunha relatou que, durante o episódio, teria sido utilizada uma expressão relacionada à cor da pele. No entanto, as provas não permitiram concluir com segurança que a expressão foi dirigida à consumidora ou a seus familiares, nem que a abordagem teve motivação racial.

Por isso, a condenação foi fundamentada na abordagem abusiva e no constrangimento indevido comprovados no processo, e não no reconhecimento de discriminação racial.

A indenização por danos morais foi fixada em R$ 10 mil.

À Procura

Suspeito de matar homem após carreata bolsonarista tem 16 anos e está foragido

Adolescente teve apreensão decretada pela Justiça após briga de trânsito em Bonito; vítima deixou esposa grávida de cinco meses e dois filhos.

26/10/2026 16h29

Ewerton Rodrigues da Silva foi morto a tiros após uma carreata política em Bonito; ele deixou esposa grávida e dois filhos.

Ewerton Rodrigues da Silva foi morto a tiros após uma carreata política em Bonito; ele deixou esposa grávida e dois filhos. Foto: Rede Social.

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O adolescente de 16 anos suspeito de matar a tiros Ewerton Rodrigues da Silva, de 34 anos, durante uma suposta briga de trânsito após o término de uma carreata bolsonarista em Bonito, continua foragido.

O crime ocorreu na noite de sábado (24), véspera do segundo turno das eleições presidenciais, nas proximidades de um posto de combustíveis, na região central do município. A vítima deixou a esposa, grávida de cinco meses, e dois filhos, de 9 e 11 anos.

A Polícia Civil informou, nesta segunda-feira (26), que o adolescente teve um mandado de apreensão decretado pela Justiça, mas ainda não foi localizado.

O pai do jovem, identificado como Márcio Cossari, de 47 anos, também é investigado por porte ilegal de arma de fogo e lesões corporais recíprocas.

De acordo com informações da polícia, a confusão começou após o encerramento da carreata, quando um suposto desentendimento no trânsito evoluiu para uma briga envolvendo várias pessoas.

Durante a discussão, o adolescente teria retirado uma arma de fogo de uma caminhonete e efetuado disparos contra os envolvidos.

 

Ewerton foi atingido por pelo menos três tiros e morreu após receber atendimento médico no hospital da cidade. Outro homem, identificado como Alex Machado Leite, também foi baleado durante a confusão.

Devido à gravidade dos ferimentos, ele precisou ser transferido para Campo Grande, onde receberia atendimento especializado.

Apesar de o episódio ter ocorrido após uma manifestação política, a Polícia Civil esclareceu que, conforme os elementos reunidos até o momento, a motivação do homicídio não seria política.

O adolescente é investigado por atos infracionais análogos aos crimes de homicídio qualificado por motivo fútil e tentativa de homicídio simples. As diligências são conduzidas pela Seção de Investigações Gerais (SIG) da Delegacia Regional de Jardim.

Vítima deixou esposa grávida e dois filhos

Natural de Guarulhos, em São Paulo, Ewerton se mudou para Bonito em 2007 e construiu sua trajetória profissional no setor turístico. Especialista em técnicas verticais, ele integrou a equipe do Abismo Anhumas, uma das principais atrações de turismo de aventura da região.

A morte deixou a esposa, grávida de cinco meses, e os filhos Pedro, de 11 anos, e Heitor, de 9 anos.

Em nota de pesar, a equipe do Abismo Anhumas, empresa onde Ewerton trabalhou, lamentou a morte do ex-colaborador e manifestou indignação diante da violência que tirou sua vida.

"Hoje, os Guardiões do Anhumas estão de luto. Nos despedimos, com profunda tristeza, de Ewerton, ex-guardião que fez parte da nossa história e da nossa equipe. Sua partida violenta e precoce nos causa dor e indignação. Nenhuma vida deveria ser interrompida dessa forma", destacou a organização.

A equipe também manifestou solidariedade aos familiares e amigos, pediu o esclarecimento dos fatos e ressaltou o carinho e as lembranças deixadas por Ewerton durante sua passagem pelo empreendimento.

"Sua memória permanecerá viva entre nós, que tivemos o privilégio de compartilhar parte de sua caminhada e conviver com sua energia, seu carisma e seu carinho", concluiu a nota.

Polícia procura adolescente

A Polícia Civil segue realizando diligências para localizar o adolescente, esclarecer as circunstâncias dos disparos e identificar a participação de cada envolvido.

A autoridade policial representou pela apreensão do jovem, medida autorizada pelo Poder Judiciário. Até a divulgação da atualização oficial, nesta segunda-feira (26), ele permanecia sem ser localizado.

O caso continua sob investigação.

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