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Campo Grande tem nova agressão a criança, 1 ano após caso Sophia

Assim como no episódio da menina, mãe e padrasto são investigados; menino de 2 anos teve morte cerebral constatada

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No mês em que o caso da menina Sophia Ocampo completou um ano, Campo Grande registrou história parecida, porém, com outros personagens. A polícia investiga, assim como foi em 2023, uma mãe e um padrasto que teriam espancado uma criança de 2 anos, que passou por exames que constataram sua morte cerebral. 

O menino está internado na Santa Casa. Crime ocorreu no dia 23 de janeiro, em uma casa abandonada no Jardim Colibri. Segundo testemunhas, a criança de 2 anos teve traumatismo craniano grave e está internada desde então.

A mãe e o padrasto haviam dado justificativas diferentes sobre como o fato ocorreu. Após checar todas elas, a polícia concluiu que o bebê foi espancado e prendeu a dupla. Segundo vizinhos, o menino de 2 anos e a sua irmã de 4 anos já tinham sido vistos na região aparentando sinais de maus-tratos.

De acordo com moradores da região do Bairro Los Angeles, onde a mãe e o padrasto do bebê moravam, havia desconfianças de que os filhos do casal não eram bem cuidados. 

Sinais como roupas sujas e a aparência dos menores, indicando terem fome, foram observados por vizinhos. Alguns moradores acreditavam que o padastro das crianças batia nelas. "Têm uma amiga minha que até entrou na casa deles, porque eles estavam tendo relação sexual e as crianças estavam trancadas para o lado de fora, na chuva, para não atrapalhar os dois", informou uma testemunha.

De acordo com a avó das crianças, que foi ouvida pela reportagem do Correio do Estado, enquanto estava vivendo com a mãe e os pequenos, o padastro não dava o devido cuidado para os menores.

O casal não trabalhava e só conseguia dar comida, roupas limpas e cuidados adequados para as crianças com a ajuda da avó, que oferecia esse auxílio quando a sua filha, de 19 anos, que é a mãe dos pequenos de 2 e 4 anos, a procurava.

Conforme a avó e conhecidos do casal, todo esse descaso com a saúde física das crianças começou a acorrer de fato há oito meses, quando a mulher começou a manter relação com o padastro.

PAI BIOLÓGICO

Quando as crianças viviam com a sua mãe e o pai biológico delas, que tem em torno de 30 anos, a realidade era outra. Os pais eram vistos com os dois menores andando no bairro ou indo ao supermercado, e as crianças aparentavam estar bem cuidadas, conforme informado pela advogada do pai das crianças, Eleudi Silva. "O pai da criança é trabalhador, paga pensão e está buscando nesse momento a guarda delas", contou.
A ausência dele nesses oito meses seria porque ele aceitou um trabalho para construir uma piscina no interior do Estado, localidade em que ele acabou sendo preso, ficando cerca de seis meses detido.

A advogada explicou que essa prisão teria acontecido por conta de um acidente de trabalho, no qual ele responde em liberdade. O pai só foi preso pelo período por conta do seu não comparecimento à Justiça, 
a fim de dar explicações sobre o caso. Nesse tempo em que ele esteve ausente, a mãe das crianças vem se relacionando com um homem de 24 anos, que virou o padastro dos menores.

A partir dessa nova relação, os conhecidos do casal informaram que ambos usavam drogas, negligenciavam os cuidados com os filhos e se mudaram do Bairro Los Angeles após venderem os imóveis da kitnet onde estavam, para comprar entorpecentes.

O QUE DIZ A POLÍCIA

Segundo a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), as investigações sobre o caso apontam o padrasto e a mãe como os responsáveis pelo estado de saúde do menino.

Além da lesão no crânio, a criança apresentava lesões em órgãos vitais, como o pulmão e o fígado, além de líquido no abdômen e algumas escoriações nas pernas. O casal teve prisão temporária decretada, e agora a polícia aguarda os laudos periciais.

Segundo a delegada responsável pelo caso, Nelly Macedo, o casal vive em situação de rua, o que dificultou a identificação do local onde as violências foram praticadas. Isso porque o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado a duas quadras da residência onde a família morava temporariamente, de forma irregular, durante a noite.

Além disso, as versões dos depoimentos eram confusas e inconsistentes. Foram apresentadas três narrativas, sendo a primeira delas de que o menino havia caído na rua.

"Em um primeiro momento, a nossa maior dificuldade foi estabelecer a dinâmica do que aconteceu com a criança. As diligências no local não deixavam conclusivas as situações. A mãe também chegou a relatar que a criança talvez teria caído dentro da casa em uma escada", comentou Nelly.

No hospital, foram identificadas as demais lesões nos órgãos vitais do menino, o que fez com que a primeira versão apresentada fosse descartada. "Nós começamos a suspeitar dessas dinâmicas narradas. Quando chegou a informação do grau das lesões que a criança havia sofrido, que eram lesões graves, isso nos fez suspeitar que não se tratava de um acidente, mas sim de algum ato violento contra essa criança", destacou a delegada.

Outra narrativa dita pelo casal era de que a criança teria caído quando eles invadiram a casa, já que eles precisavam pular o muro para entrar. "Mas é outra versão que também não condiz com as lesões", disse Nelly.

Sendo assim, as investigações constataram que o casal seria o autor das agressões, e ambos devem responder por tentativa de homicídio. "Essa criança sofreu violências, e não há dúvidas de que esses dois são os responsáveis", concluiu a delegada. As investigações ainda apuraram que o padastro de 24 anos já tinha passagens por violência doméstica e roubo.

SAIBA

Por meio de câmeras de segurança, a polícia identificou que o casal havia invadido uma residência que estava à venda no Bairro Jardim Colibri, onde passavam a noite. Segundo a polícia, a família vivia de casa em casa de forma irregular e chegou até a morar em uma Kombi abandonada.

(Colaborou Alanis Netto)

Autoproteção

MS Florestal treina mulheres em defesa pessoal durante o Agosto Lilás em MS

Parceria com a Polícia Civil capacita 30 trabalhadoras em Bataguassu com técnicas de autoproteção, prevenção de riscos e reação diante de situações de violência.

18/08/2026 18h41

Mulheres participam de treinamento de defesa pessoal promovido pela MS Florestal durante as ações do Agosto Lilás.

Mulheres participam de treinamento de defesa pessoal promovido pela MS Florestal durante as ações do Agosto Lilás. Foto: Agro Agência.

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Em meio às ações do Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher, 30 trabalhadoras da MS Florestal participam de um treinamento de defesa pessoal em Bataguassu. A capacitação reúne orientações teóricas e atividades práticas voltadas à prevenção de riscos e à autoproteção feminina.

O workshop é realizado em parceria com a Delegacia de Polícia Civil de Bataguassu e foi direcionado, nesta primeira etapa, às colaboradoras que atuam no setor administrativo da empresa no município.

A proposta é ensinar desde a identificação de situações potencialmente perigosas até formas de posicionamento e técnicas de evasão diante de uma ameaça.

A programação foi dividida em dois momentos. Pela manhã, as participantes acompanham a parte teórica em sala de aula, com orientações relacionadas à segurança, prevenção e comportamento em situações de risco.

No período da tarde, o treinamento passa para a etapa prática, realizada em uma academia de Bataguassu. Nessa fase, as mulheres participam de exercícios e simulações, com a aplicação de manobras de evasão e técnicas destinadas a ampliar a capacidade de reação e proteção em situações de ameaça.

A iniciativa foi organizada pelo grupo de Diversidade e Inclusão da MS Florestal. De acordo com Elaine Nascimento, analista de Desenvolvimento de Recursos Humanos da empresa, que conversou com a equipe de reportagem do Correio do Estado, a capacitação surgiu de uma articulação entre a área de segurança patrimonial e a Polícia Civil.

“Essa ação é uma iniciativa do grupo de Diversidade e Inclusão que temos aqui na empresa. A atividade vai ser conduzida pelo nosso gerente de segurança patrimonial, que fez a parceria com a delegada do município de Bataguassu para estar à frente do treinamento”, explicou.

Treinamento busca ampliar percepção de risco

Além de ensinar técnicas de defesa pessoal, a capacitação busca trabalhar a percepção das participantes diante de situações que possam representar algum tipo de ameaça.

A intenção, segundo a empresa, é fornecer conhecimentos que possam ser utilizados também fora do ambiente profissional.

“A ideia é que realmente essas mulheres aprendam como se defender diante de algumas situações, compreendam como se posicionar e fiquem em sinal de alerta”, afirmou Elaine.

O treinamento realizado em Bataguassu funciona como uma turma piloto. Inicialmente, foram selecionadas 30 mulheres que trabalham na área administrativa da companhia, mas a empresa pretende ampliar a iniciativa e formar novos grupos.

“Essa é uma turma piloto voltada para as mulheres do administrativo alocadas em Bataguassu. Temos a intenção de criar novas turmas, em breve”, acrescentou a analista.

Agosto Lilás

Realizado durante o mês de agosto, o Agosto Lilás concentra campanhas e ações de conscientização sobre a violência contra a mulher e busca ampliar a divulgação dos mecanismos de prevenção, proteção e denúncia.

Em Bataguassu, a proposta do treinamento é transformar essa mobilização em uma atividade prática.

Ao aproximar trabalhadoras de profissionais ligados à segurança pública e oferecer treinamento de autoproteção, a iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre prevenção e preparar as participantes para reconhecer e reagir a situações de risco.

A ação também pretende estimular a formação de redes de apoio e levar o debate sobre segurança feminina para além do ambiente de trabalho.

A expectativa da MS Florestal é que, após a experiência com o primeiro grupo de 30 participantes, o treinamento possa ser estendido a outras colaboradoras.

Prevenção e autoproteção

A delegada Izabela Borin Favoreto, da Polícia Civil de Bataguassu, também participou da iniciativa e reforçou a importância de ações que aliem informação, prevenção e preparação das mulheres para situações de risco.

A participação da Polícia Civil no treinamento aproxima as forças de segurança das trabalhadoras e amplia o caráter preventivo da programação do Agosto Lilás, ao levar para além das campanhas de conscientização orientações que podem ser aplicadas no cotidiano.

Durante a atividade, as participantes tiveram contato com informações sobre segurança e autoproteção e puderam compreender melhor como identificar situações potencialmente perigosas, adotar uma postura preventiva e buscar ajuda quando necessário.

A proposta é que o conhecimento adquirido no treinamento contribua não apenas para a capacidade de reação diante de uma eventual ameaça, mas principalmente para ampliar a percepção de risco e a confiança das mulheres na tomada de decisões em circunstâncias que possam colocar sua integridade em perigo.

A presença da delegada no workshop também reforça a atuação da Polícia Civil no enfrentamento à violência contra a mulher durante o Agosto Lilás, período em que as ações de prevenção, orientação e divulgação dos mecanismos de proteção ganham maior visibilidade.

Violência Indígena

Relatório aponta sequestro de indígenas e cães enterrados vivos em MS

Documento do Cimi relata ataque contra comunidade Guarani-Kaiowá em Caarapó, com disparos, indígenas levados para sede de fazenda e destruição de pertences.

18/08/2026 18h19

Indígenas durante mobilização pela demarcação de terras em Mato Grosso do Sul; relatório do Cimi reúne denúncias de violência contra comunidades no Estado.

Indígenas durante mobilização pela demarcação de terras em Mato Grosso do Sul; relatório do Cimi reúne denúncias de violência contra comunidades no Estado. Foto: Arquivo/Correio do Estado.

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Indígenas teriam sido sequestrados, levados para a sede de uma fazenda e integrantes de uma comunidade Guarani-Kaiowá teriam sido recebidos a tiros ao tentar buscá-los durante um ataque registrado em Caarapó, Mato Grosso do Sul. O episódio, ocorrido em setembro de 2025, é relatado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, Dados de 2025.

O documento descreve uma sequência de conflitos envolvendo a Terra Indígena Guyraroka e afirma que, em um dos episódios, dois cães foram enterrados vivos em um ato de intimidação. O relato é atribuído pelo Cimi à apuração de uma comissão de direitos humanos que esteve no local. 

O ataque ocorreu em 25 de setembro de 2025, na retomada da Fazenda Ipuitã, área que, conforme o relatório, está sobreposta à TI Guyraroka.

A comunidade havia retomado a propriedade dias antes, em meio a uma disputa territorial e a denúncias relacionadas à pulverização de agrotóxicos nas proximidades das moradias indígenas. 

Indígenas teriam sido levados para sede de fazenda

Segundo o relato apresentado pelo Cimi, o episódio do dia 25 teria envolvido jagunços e forças policiais. O documento afirma que indígenas foram sequestrados e levados para a sede da propriedade rural.

Ao tomarem conhecimento da situação, outros integrantes da comunidade Guarani e Kaiowá foram até o local para tentar recuperá-los. Conforme o relatório, eles foram recebidos a tiros por pistoleiros, que posteriormente deixaram a área. 

O documento não informa quantos indígenas teriam sido sequestrados, por quanto tempo permaneceram retidos nem identifica os supostos autores. Também não detalha eventual responsabilização criminal relacionada especificamente ao episódio.

Além dos disparos, o Cimi afirma que uma comissão de direitos humanos esteve no local e apurou outras formas de violência.

De acordo com esse relato, pertences dos indígenas teriam sido destruídos e dois cães foram enterrados vivos, em uma ação descrita como forma de intimidação.

O relatório classifica o episódio entre os ataques contra comunidades, aldeias e retomadas e afirma que situações dessa natureza representam graves violações de direitos humanos. 

Conflito havia começado dias antes

O episódio não aparece isoladamente no documento. O relatório descreve uma sucessão de confrontos em Guyraroka após a retomada realizada pela comunidade em setembro.

Três dias antes do ataque relatado, em 22 de setembro, a Tropa de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul atuou na retomada da Fazenda Ipuitã.

Na versão apresentada pelo Cimi, a ação resultou em um despejo realizado sem ordem judicial e sem a presença da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). 

Ainda conforme o documento, pelo menos dois indígenas foram atingidos por disparos de balas de borracha e outros sofreram agressões.

O Cimi registra também que indígenas recolheram cápsulas de bombas de gás que estariam vencidas. Essas informações são apresentadas pelo relatório com base em relatos de lideranças, do Cimi Regional Mato Grosso do Sul e da assessoria de comunicação da entidade. 

A retomada havia ocorrido no dia anterior. Conforme a versão registrada no relatório, uma das motivações da comunidade era impedir a pulverização de agrotóxicos nas proximidades das moradias e pressionar pela conclusão do procedimento de demarcação do território. 

Violência continuou após setembro

O relatório aponta que os conflitos não terminaram naquele mês. Em 17 de outubro, a comunidade voltou a entrar em confronto com a Tropa de Choque durante um protesto contra o avanço de tratores e a pulverização de agrotóxicos em uma área próxima à aldeia.

De acordo com o Cimi, os indígenas mantinham uma estrada vicinal bloqueada desde o dia anterior. O protesto teria começado após a comunidade perceber movimentação para o plantio em uma área próxima à ocupação.

O documento relata a utilização de drones, escudos, bombas de gás e disparos de balas de borracha durante a ação policial. 

O próprio relatório apresenta Guyraroka como um dos casos emblemáticos de sobreposição de diferentes formas de violência registradas em 2025.

Segundo o Cimi, a maior parte da Terra Indígena permanece ocupada por fazendeiros enquanto o processo demarcatório aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).

O documento também menciona recorrentes episódios de intoxicação relacionados à pulverização de agrotóxicos nas proximidades das moradias Guarani e Kaiowá. 

MS teve 18 tentativas de assassinato de indígenas

Os episódios de Guyraroka estão inseridos em um cenário mais amplo retratado pelo relatório. Em 2025, o Cimi contabilizou 38 casos de tentativa de assassinato de indígenas no Brasil, e 18 ocorreram em Mato Grosso do Sul.

Com isso, o Estado respondeu por aproximadamente 47% das ocorrências registradas no País nessa categoria.

O relatório afirma que ataques contra comunidades e retomadas em diferentes territórios Guarani e Kaiowá resultaram em diversas tentativas de assassinato contra lideranças. 

Mato Grosso do Sul também aparece entre os estados com maior número de invasões, exploração ilegal de recursos naturais e danos ao patrimônio indígena. Foram 18 ocorrências envolvendo 13 terras indígenas no Estado durante 2025. 

No indicador mais grave, o de assassinatos consumados, 37 indígenas foram mortos em Mato Grosso do Sul em 2025, conforme os dados reunidos pelo relatório. O Estado teve o terceiro maior número do Brasil, atrás de Roraima, com 82, e Amazonas, com 47. 

Entre as mortes citadas pelo documento está a de Vicente Fernandes, indígena Guarani-Kaiowá, morto com um tiro na cabeça durante um ataque contra uma retomada no tekoha Pyelito Kue, na Terra Indígena Iguatemipegua I, em 16 novembro de 2025. 

Os episódios descritos nesta reportagem têm como base o relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, Dados de 2025, elaborado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), e refletem as informações, relatos e denúncias reunidos pela entidade.

O documento cita, entre as fontes utilizadas para os acontecimentos em Mato Grosso do Sul, lideranças indígenas, o Cimi Regional MS, a assessoria de comunicação da organização e, em determinados episódios, apurações de entidades que estiveram nos locais.

As circunstâncias narradas correspondem, portanto, à versão apresentada pelo Cimi no relatório

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