Cidades

vulnerabilidade social

Campo Grande tem quase 1,5 mil pessoas vivendo em situação de rua

Levantamento identificou 1.476 pessoas nessa condição; Centro concentra 40% dos registros e mais da metade das pessoas encontradas nas ruas não tinha documento em mãos

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Campo Grande tem 1.476 pessoas em situação de rua, conforme levantamento realizado pelo Grupo de Trabalho Intersetorial da População em Situação de Rua (GT-PSR). O número revela a dimensão desse público na Capital: são quase 1,5 mil pessoas identificadas entre aquelas encontradas em vias públicas e as registradas pela rede de atendimento.

A maior parte foi localizada diretamente nas ruas. Das 1.476 pessoas contabilizadas, 843 ou 57% estavam em vias públicas, enquanto outras 634 o equivalente a 43%, apareceram nos registros de serviços e instituições de atendimento.

A contagem foi realizada em 30 de setembro de 2025 e utilizou a metodologia Point-in-Time Count (PIT), que combina observação em espaços públicos com informações dos registros administrativos. O objetivo foi obter um retrato da população em situação de rua em uma data específica.

Os homens representam ampla maioria. Foram identificados 1.190 homens, ou 80,6% do total, além de 234 mulheres (15,9%) e 52 crianças (3,5%).

Centro concentra maior número

A Região Urbana do Centro aparece como principal ponto de concentração dessa população. Foram 566 pessoas, correspondentes a 40% dos registros que puderam ser territorializados.

Na sequência está a região do Anhanduizinho, com 363 pessoas, ou 25,6%. O levantamento também encontrou pessoas nas regiões do Prosa, Lagoa, Segredo, Bandeira e Imbirussu. Outras 60 foram contabilizadas em uma comunidade terapêutica localizada na área rural.

Depois da contagem, o GT avançou para uma segunda etapa, destinada a entender quem são e quais são as principais necessidades das pessoas que vivem nessa condição.

Foram realizadas 257 entrevistas, sendo 193 com pessoas classificadas no grupo "em rua" e 64 com pessoas acolhidas. Entre os entrevistados, a idade média é de 39,6 anos e predominam homens e pessoas pardas.

Do total, 196 entrevistados são homens cis, correspondentes a 76,3%, e 54 são mulheres cis, ou 21%. Pessoas pardas representam 60,3% da amostra e pessoas pretas, 17,1%.

Um dos dados que chama atenção é a falta de documentação. Em 120 das 257 entrevistas, ou 46,7%, foi assinalado que a pessoa não tinha nenhum documento em sua posse.

A situação é ainda mais significativa entre aqueles que estavam efetivamente nas ruas: 57,5% dos 193 entrevistados desse grupo estavam sem qualquer documento em mãos.

O levantamento também identificou 135 entrevistados inscritos no Cadastro Único e 101 que disseram receber algum benefício social.

Para boa parte dos entrevistados, estar nas ruas não era uma situação inédita. Em 166 registros, equivalentes a 64,6% das entrevistas, houve indicação de recorrência da situação de rua. Outros 190 entrevistados, ou 73,9%, disseram permanecer sozinhos.

Entre as 193 pessoas entrevistadas diretamente no grupo em rua, 88, ou 45,6%, afirmaram realizar trabalho informal. A catagem e a reciclagem aparecem com destaque e foram mencionadas em 72 registros desse grupo.

A violência também faz parte da realidade relatada. 127 entrevistados, quase metade da amostra (49,4%), disseram ter sofrido violência física. Outros 121 registros apontam violência psicológica ou emocional, 56 mencionam violência institucional e 24, violência sexual.

Quando questionados sobre suas principais necessidades, trabalho e renda aparecem em 110 respostas, seguidos por moradia, com 108; alimentação, 107; saúde, 100; documentação, 91; e tratamento relacionado ao uso de substâncias, com 77 registros.

Entre quem permanece nas ruas, alimentação foi a necessidade mais citada. Já entre os acolhidos, trabalho, renda e moradia ocupam as primeiras posições.

Dados devem orientar políticas públicas

A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, por meio do Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos (Nudedh), coordenou os trabalhos do GT-PSR.

Para a coordenadora do núcleo, defensora pública Thaisa Raquel Medeiros de Albuquerque Defante, o levantamento permite que os órgãos responsáveis trabalhem com informações mais precisas na elaboração de ações para esse público.

"O relatório já foi encaminhado aos órgãos que trabalham com esses dados para o monitoramento e o acompanhamento das políticas aplicáveis. O documento também deve servir de base para que o Poder Público elabore políticas públicas a partir das informações levantadas", afirmou.

O relatório aponta que as respostas do poder público precisam envolver diferentes áreas, como documentação, emprego e renda, moradia, saúde, acolhimento e reconstrução de vínculos.

Também são indicadas ações específicas para grupos com necessidades distintas, entre eles mulheres, pessoas trans, famílias, casais, pessoas com deficiência, migrantes e idosos.

O GT-PSR reúne, além da Defensoria Pública, órgãos estaduais e municipais, Ministério Público de Mato Grosso do Sul, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Associação Águia Morena de Redução de Danos.

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Evento Religioso

Governo contrata show de R$ 140 mil para Jornada Diocesana da Juventude

Evento reunirá jovens de diferentes paróquias com programação de fé, música e convivência em Nioaque

19/08/2026 11h23

Banda

Banda "Fraternidade São João Paulo II" em apresentação Foto: Reprodução

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Por meio do Diário Oficial publicado na manhã desta quarta-feira (19), o Governo do Estado anunciou a contratação da banda “Fraternidade São João Paulo II”. O grupo musical irá se apresentar na Jornada Diocesana da Juventude, no dia 30 de agosto, na cidade de Nioaque. 

A contratação da banda foi pelo governo estadual por meio da Summer Produções LTDA, empresa responsável pelo grupo de artistas. O valor do show foi de R$ 140 mil e contará com o apoio do projeto Ações Culturais para o Fortalecimento de Mato Grosso do Sul, da Fundação de Cultura do Estado.

A Jornada Diocesana da Juventude é um encontro religioso voltado à participação de jovens. A programação costuma reunir oração, celebrações, música, momentos de convivência e atividades de formação.

Para 2026, a divulgação encontrada aponta Nioaque como sede do evento, com participação de grupos de jovens e representantes de paróquias da região.

A escolha da banda para se apresentar no evento não foi aleatória, o grupo Fraternidade São João Paulo II, em atuação ligada à Igreja Católica e trabalha com atividades de evangelização, música e encontros religiosos.

O grupo já foi contratado para apresentações em outras cidades brasileiras. Em Prado, na Bahia, a Fraternidade participou das festividades de Nossa Senhora da Purificação, em fevereiro de 2025, em contrato de R$ 110 mil.

Com a atração musical, a Jornada Diocesana da Juventude deve reunir religião, música e atividades voltadas ao público jovem.
 

ÍCONE DA SAÚDE

Símbolo do tratamento da hanseníase em MS, Irmã Silvia completa 95 anos

Presidente de honra do Hospital São Julião, italiana nascida em Auronzo di Cadore chegou ao Brasil em 1959 e revolucionou cuidado com hansenianos a partir de 1969

19/08/2026 11h11

 Irmã Sílvia trouxe para Campo Grande voluntários da Operação Mato Grosso após buscar apoio na Itália em 1969

Irmã Sílvia trouxe para Campo Grande voluntários da Operação Mato Grosso após buscar apoio na Itália em 1969 Reprodução/Divulgação

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Parte da história de Mato Grosso do Sul, a popular Irmã Silvia Vecellio completa mais uma primavera de vida e chega aos 95 anos nesta quarta-feira (19),  sendo presidente de honra do Hospital São Julião e símbolo vivo do tratamento da hanseníase no Estado.

O próprio Hospital São Julião celebra, em nota, a data em que "o mundo ganhou a mulher que fez da própria existência uma missão e deixou em Mato Grosso do Sul um legado que atravessa gerações". 

"Há vidas que passam pelo tempo. E há vidas que transformam o tempo por onde passam", cita o texto.

Como bem frisa a instituição, este 19 de agosto serve de celebração de uma vida que escolheu cuidar e ensinou que pessoal alguma deve ser esquecida. 

"E uma pessoa que, ao dedicar sua própria existência à vida do outro, ajudou a transformar para sempre a história de Mato Grosso do Sul", complementa. 

Irmã Silvia

Silvia Vecellio nasceu em 19 de agosto de 1931, na cidade de Auronzo di Cadore, ao norte da Itália, uma vila alpina cercada por picos rochosos que impulsionaram a irmã ainda jovem a se dedicar ao alpinismo. 

A prática lhe ensinou, desde cedo, a superar grandes desafios e manter a visão para além dos picos e montanhas que aparecem à nossa frente. Irmã Sílvia começou sua vida religiosa e ingressou no instituto batizado de "Filhas de Maria Auxiliadora", que fica na cidade italiana de Turim. 

Esse seria um dos primeiros passos da jovem que, à época, já sonhava em trabalhar junto às populações indígenas do então Estado de Mato Grosso uno. O mês de setembro de 1959 marca a chegada de Irmã Sílvia ao Brasil. 

Chegando ao Brasil para lecionar em Campo Grande como professora no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, a jovem já demonstrava estar além do seu tempo e indicava à época que a "educação" em si estaria para além dos livros. 

"Levou o cinema para dentro da sala de aula, estimulou suas alunas a refletirem sobre questões filosóficas e sociais e, aos domingos, passou a visitar comunidades periféricas de Campo Grande".

Justamente uma dessas visitas, feita ao Educandário Getúlio Vargas em 1964, ligaria a história de Irmã Sílvia às pessoas que viviam no chamado Asilo Colônia São Julião, já que os filhos desses internados traziam consigo cartas e fotografias de um local que até então era pouco falado. 

Distante em uma área isolada da cidade, centenas de pessoas viviam precariamente, abandonadas sem a devida assistência médica e medicações adequadas para tratar uma condição que até então era envolta por medo e preconceito. 

Antigamente chamada de "lepra", a doença infecciosa crônica que possui cura tornava esses pacientes insensíveis para a maior parte da sociedade, sendo causada por uma bactéria que afeta principalmente os nervos periféricos e causa manchas na pele. 

Ícone da saúde local

Cerca de cinco anos depois, trouxe para Campo Grande voluntários da Operação Mato Grosso após buscar apoio na Itália em 1969. Junto de colaboradores brasileiros e italianos, religiosos, profissionais e empresários, teve início uma verdadeira força-tarefa para reconstruir o espaço em questão. 

Já em 1970 nasce a Associação de Auxílio e Recuperação de Hansenianos, que abriu as portas para a chegada do saneamento, tratamento médico, laborterapia, melhoria da alimentação, escola e mais. 

Conforme a instituição, o ato de Irmã Sílvia trouxe principalmente uma nova forma de olhar para pessoas que ao longo de décadas haviam sido excluídas da sociedade em geral. 

Logo, o espaço de isolamento tornou-se um local de reabilitação, cuidado e educação, quando surge o Hospital São Julião, que ampliou a atuação e tornou-se referência ao longo dos anos não apenas no atendimento à hanseníase. 

Além de contar com centro cirúrgico, este Hospital oferece atendimento à população: escola, centro oftalmológico, estruturas de reabilitação, ações sociais e iniciativas voltadas à educação, cultura e inclusão.

Carlos Melke é presidente do São Julião e faz questão de exaltar Irmã Sílvia, também pelos seus atos, mas sobretudo por seu exemplo de vida.

“Conviver com a Irmã Silvia é aprender todos os dias que cuidar do ser humano vai muito além de tratar uma doença. Ela nos ensina, pelo exemplo, que cada pessoa precisa ser enxergada com amor, respeito e carinho, independentemente da sua condição ou daquilo que a sociedade possa pensar sobre ela. Sua dedicação à vida é algo que não se explica apenas com palavras.

Está em cada gesto, em cada pessoa que ela acolheu e em cada história que ajudou a transformar. O São Julião carrega esse ensinamento todos os dias: ninguém deve ser privado de dignidade, esperança e oportunidade de recomeçar”, conclui

**(Com assessoria)

 

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