Cidades

APREENSÃO

Polícia prende influencer que fatura milhões com rifas de carro

Eduardo Razuk e o irmão foram presos nesta terça-feira em operação que apura lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração ilegal de loterias

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O influenciador digital Eduardo Rezende da Silva Razuk, conhecido nas redes sociais por exibir carros de luxo e promover rifas de veículos, foi preso na manhã desta terça-feira (18), em Campo Grande, durante operação da Polícia Civil. O irmão dele, Rafael Rezende da Silva Razuk, também foi preso. 

A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração ilegal de loterias. A operação é coordenada pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC), com cumprimento de mandados em Campo Grande e Dourados.

A dimensão financeira das rifas chama a atenção, de acordo com os carros que aparecem no perfil de Eduardo, estão modelos que ultrapassam R$ 1 milhão, enquanto a participação nos sorteios era oferecida aos seguidores por valores que, em alguns casos, ficam entre R$ 7 e R$ 8.

Razuk reúne mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais e construiu sua presença na internet principalmente em torno do universo automobilístico. Além dos sorteios, publicava vídeos de veículos de alto padrão, viagens e outros registros de uma rotina marcada pela exposição de bens de elevado valor.

Nesta terça-feira, equipes policiais estiveram em endereços ligados aos irmãos na região da Vila Carlota, Vilas Boas e Jardim Cruzeiro, em Campo Grande. Diversos veículos foram apreendidos durante o cumprimento dos mandados e encaminhados para a Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos (Defurv).

Entre os automóveis recolhidos estão modelos de alto valor. Um Volkswagen Arteon, veículo pouco comum no Brasil, tem valor estimado entre R$ 800 mil e R$ 900 mil. Também estão entre os carros relacionados à operação um veículo da BMW avaliado em aproximadamente R$ 1 milhão e uma RAM estimada em mais de R$ 600 mil. 

No endereço onde o irmão do influenciador foi preso, no Vilas Boas, uma Ford Ranger e um Mini Cooper também foram apreendidos.

Nas redes sociais e em página destinada aos sorteios, Razuk divulgava veículos de diferentes faixas de preço. Entre os modelos anunciados estava um Porsche 911, cujas versões podem ultrapassar R$ 1,2 milhão no mercado.

Horas antes da prisão o influenciador estava em Angra dos Reis, mesmo após a prisão, conteúdo relacionado às rifas continuou aparecendo em seu perfil no Instagram. Um vídeo publicado horas depois da operação apresentava um Volkswagen Golf GTI como um dos próximos veículos destinados a sorteio. 

As investigações também miram a movimentação financeira do irmão de Eduardo, uma empresa cuja atividade declarada estaria relacionada à construção civil e à coleta e tratamento de resíduos, teria sido utilizada para receber valores provenientes das rifas, apesar de não possuir atividade regularizada para exploração desse tipo de sorteio.

A suspeita sobre a forma como os recursos circulavam é um dos pontos que integram a investigação policial.

Problemas desde 2020

A prisão desta terça-feira ocorre anos depois de Eduardo Razuk ter sido alvo de questionamentos sobre sorteios realizados pela internet.

Em 2021, o Correio do Estado mostrou que uma rifa promovida pelo influenciador oferecia como prêmio um Ford Mustang Black Shadow que não pertencia a ele, mas a um lojista do Paraná.

Na ocasião, foram colocadas à venda 20 mil cotas por R$ 50 cada, o que representava potencial de arrecadação de R$ 1 milhão. O Mustang era avaliado, à época, em aproximadamente R$ 356,6 mil.

O veículo anunciado acabou não sendo entregue. Razuk afirmou posteriormente que teria oferecido ao vencedor a possibilidade de receber outro automóvel semelhante ou o valor correspondente em dinheiro. Segundo a versão apresentada pelo influenciador naquele momento, o ganhador teria escolhido o pagamento.

A reportagem também revelou naquele ano que Razuk já respondia a procedimentos administrativos relacionados à realização de sorteios sem autorização. Outro caso envolvia uma Volkswagen Amarok, em uma ação que teria movimentado cerca de R$ 500 mil sem que o veículo fosse sorteado conforme inicialmente anunciado.

Apesar das controvérsias, o influenciador voltou a promover rifas e ampliou seu público nos anos seguintes.

 Em abril de 2020, ele chegou a ser preso em Campo Grande por suspeita de receptação de um Toyota Corolla XRS com placas paraguaias.

O veículo havia aparecido em vídeos publicados pelo próprio influenciador e posteriormente foi localizado e apreendido pela Polícia Civil.

Razuk foi liberado no mesmo dia após pagamento de fiança de R$ 20 mil, enquanto o automóvel permaneceu apreendido.

No mesmo período, o influenciador também ganhou repercussão por vídeos em que aparecia dirigindo em alta velocidade pelas ruas de Campo Grande. Em março de 2020, durante as restrições impostas em razão da pandemia de Covid-19, ele publicou imagens circulando pela cidade durante o toque de recolher.

O episódio resultou em investigação sobre condutas como direção perigosa, desobediência e descumprimento das medidas sanitárias então vigentes.

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OPERAÇÃO ANTIDOTUM

Justiça concede prisão domiciliar a ex-diretor da Santa Casa

Rinaldo Romano é réu em investigação sobre desvio milionário de recursos do hospital e deverá usar tornozeleira eletrônica por 180 dias

14/10/2026 11h36

Rinaldo é um dos sete réus na investigação da Operação Antidotum sobre supostos desvios milionários de recursos da Santa Casa de Campo Grande

Rinaldo é um dos sete réus na investigação da Operação Antidotum sobre supostos desvios milionários de recursos da Santa Casa de Campo Grande Reprodção/Alems

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A Justiça de Mato Grosso do Sul autorizou que o ex-diretor administrativo e financeiro da Santa Casa de Campo Grande, Rinaldo Hakme Romano, cumpra prisão domiciliar em caráter humanitário. Ele é um dos sete réus na investigação da Operação Antidotum sobre supostos desvios milionários de recursos da instituição. 

Conforme decisão encaminhada ao Diário da Justiça, o pedido de revogação da prisão preventiva apresentado pela defesa foi negado. No entanto, a Justiça aceitou o pedido subsidiário para substituir a prisão em estabelecimento prisional pelo recolhimento domiciliar, levando em consideração as condições de saúde do acusado.

Na decisão, foram considerados os elementos reunidos no processo, a complexidade da ação penal e as informações prestadas pela administração penitenciária. 

A medida estabelece que Rinaldo permaneça integralmente em sua residência, inclusive aos finais de semana e feriados, podendo sair apenas mediante autorização judicial ou em situações de urgência média, que deverão ser justificadas e comunicadas à Justiça. 

O ex-diretor também deverá utilizar tornozeleira eletrônica pelo prazo inicial de 180 dias, período que poderá ser reavaliado judicialmente. 

Entre as restrições impostas está a proibição de manter contato com os demais acusados, testemunhas relacionadas à denúncia e pessoas diretamente envolvidas na execução dos contratos investigados. A determinação abrange contatos presenciais, telefônicos, aplicativos de mensagens, redes sociais e comunicação por terceiros.

Rinaldo também está proibido de frequentar as dependências da Associação Beneficiente Santa Casa de Campo Grande e da operadora Santa Casa Saúde, incluindo setores administrativos, financeiros e unidades relacionadas às atividades investigadas.

A decisão permite exceção em caso de necessidade de atendimento médio de urgência, desde que devidamente justificada. 

Outra condição impede o ex-diretor de deixar a comarca de Campo Grande sem autorização judicial, ressalvadas as situações de deslocamento para tratamento médico, mediante comprovação documental. 

Além disso, Rinaldo também terá que manter endereço e telefone atualizados e comparecer aos atos processuais para os quais for intimado.

A Justiça advertiu que em caso de descumprimento injustificado, de qualquer uma das condições, poderá resultar na reavaliação da prisão domiciliar, inclusive com o retorno ao estabelecimento prisional. 

Operação Antidotum

Conforme já publicado pelo Correio do Estado, Rinaldo Hakme Romano está entre os acusados que se tornaram réus após a Justiça aceitar denúncia apresentada pelo MPMS, relacionada a supostas irregularidades em contratos da Santa Casa de Campo Grande.

A Operação Antidotum foi deflagrada em 11 de setembro pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), com o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

As investigações apontaram supostos desvios de aproximadamente R$ 4,9 milhões em dois contratos de prestação de serviços de digitalização de prontuários médicos da instituição.  

Além de Rinaldo, também são réus a ex-presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima Nery, Alessandro Dias Junqueira, Jary de Carvalho e Castro, Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, Monique Gregório de Oliveira e Maurício Aparecido Benites.

 

    

SANCIONADA

Governo de MS reduz R$ 5,2 bilhões de déficit previdênciário

De acordo com a Ageprev, o déficit técnico atuarial a ser equacionado está estimado no valor de R$ 6,34 bilhões

14/10/2026 11h30

Agência de Previdência Social de MS (Ageprev) é responsável pelo pagamento de aposentadorias

Agência de Previdência Social de MS (Ageprev) é responsável pelo pagamento de aposentadorias Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado

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O Governo de Mato Grosso do Sul revisou os aportes necessários para garantir o equilíbrio financeiro do regime previdenciário estadual e atualizou o Plano de Amortização para o Equacionamento do Déficit Atuarial do Regime Próprio de Previdência Social do Estado de Mato Grosso do Sul (MSPREV). A atualização reduz em R$ 5,28 bilhões o déficit técnico atuarial a ser equacionado.

Na nova lei, sancionada pelo governador Eduardo Riedel (PP), na edição do Diário Oficial do Governo desta quarta-feira (14), o déficit técnico atuarial a ser equacionado fica estabelecido no valor de R$ 6,34 bilhões.

O déficit atuarial é o desequilíbrio entre o que o fundo de previdência possui (reservas financeiras e contribuições futuras) e o total estimado que ele precisará gastar para pagar todos os benefícios aos servidores (ativos, inativos e pensionistas) ao longo das próximas décadas.

A atualização do plano de amortização do MSPREV teve como base o Parecer Atuarial 2026, da Agência de Previdência Social do Estado de Mato Grosso do Sul (AGEPREV), na data de 17 de junho deste ano. 

Com isso, a redução do déficit atuarial chega a R$ 5,28 bilhões, passando de R$ 11,63 bilhões, estabelecido em 2024, para os atuais R$ 6,34 bilhões.

Os deputados estaduais aprovaram em sessão ordinária da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), do dia  16 de setembro, a revisão deste plano de amortização do regime previdenciário.

Os valores dos aportes definidos serão atualizados anualmente pelo índice de inflação definido na Política de Investimento do MSPREV, acumulado conforme Parecer Atuarial 2026 até o último dia do exercício anterior ao de sua exigência.

Agência de Previdência Social de MS (Ageprev) é responsável pelo pagamento de aposentadorias

Em 2024, o déficit técnico atuarial a ser equacionado era no valor de R$ 11.632.652.550,70 conforme apontado no Relatório de Avaliação da Ageprev, na data de 31 de dezembro de 2023. O cronograma definido naquela época pelo Governo do Estado teve como principal diferença no aporte suplementar no período entre 2028 a 2065. Em 2024, era na ordem de R$ 645,696.438,93 e reduziu para R$ 450.637.718,63, em 2026, totalizando R$ 195 milhões de redução.

Agência de Previdência Social de MS (Ageprev) é responsável pelo pagamento de aposentadorias

Outras mudanças

A nova lei também traz funções à Secretaria de Fazenda, como a de apurar os valores efetivamente aportados durante 2026, confrontando-os com o valor total anual previsto para o ano.

Além disso, terá que recalcular os valores dos aportes devidos para os meses subsequentes à publicação da lei, para este exercício, após a compensação dos valores mensais já realizados, tendo por base o saldo remanescente apurado.

A proposição também pretende adequar as estruturas dos Conselhos Deliberativo e Fiscal às exigências estabelecidas pelo Programa de Certificação Institucional e Modernização de Gestão dos Regimes Próprios e Previdência Social (PRÓ-Gestão RPPS), que condiciona a certificação institucional à observância da composição paritária entre representantes dos segurados e do ente federativo nos órgãos colegiados de governança.

O Conselho Deliberativo será integrado por 12 membros titulares e seus respectivos suplentes, escolhidos dentre segurados do RPPS-MS, representantes, sendo:

  • um do Poder Executivo;
  • um do Poder Legislativo;
  • um do Poder Judiciário; 
  • um do Ministério Público;
  • um da Defensoria Pública;
  • um do Tribunal de Contas;
  • três dos servidores ativos;
  • três dos servidores aposentados.

O Conselho Fiscal também será integrado por 12 membros titulares e seus respectivos suplentes, com a mesma distribuição anterior.

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