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Capital tem 100 leitos psiquiátricos a menos do que o recomendado

Com 327 vagas, Ministério da Saúde aponta a necessidade de pelo menos 428 leitos para tratamentos de saúde mental

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Com 327 leitos psiquiátricos disponíveis atualmente para o tratamento de diversos transtornos mentais e dependência de álcool e drogas, Campo Grande tem pelo menos 100 leitos a menos do que o mínimo necessário segundo as exigências do Ministério da Saúde, que considera, entre outros fatores, o tamanho da população.

Conforme a Nota Técnica 11 do Ministério da Saúde, publicada em fevereiro de 2019, é exigido que o município tenha um leito psiquiátrico para cada 2,2 mil habitantes. 

Levando em consideração a última parcial do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em dezembro do ano passado, como a Capital tem 942.140 habitantes, o município deveria contar com pelo menos 428 leitos psiquiátricos ativos. 

Conforme o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (Cnes), a maior parte dos 327 leitos psiquiátricos disponíveis hoje em Campo Grande não atende os pacientes do Sistema Único de Saúde. São 239 leitos em instituições particulares e apenas 88 em hospitais públicos. 

O sistema do Cnes aponta a existência de 157 leitos psiquiátricos na Clínica Carandá, todos particulares. Outros 136 leitos estão disponíveis no Hospital Nosso Lar – destes, 56 atendem pacientes do SUS. 

O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) conta com mais 12 vagas no Sistema Único de Saúde.

Outros 20 leitos do SUS estão disponíveis na Santa Casa de Campo Grande, além de dois leitos particulares no Hospital Proncor. 

ATENDIMENTO

Ao Correio do Estado, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) informou que o município realiza, em média, 9,9 mil consultas de saúde mental por mês na rede pública de saúde. 

De acordo com a Sesau, na cidade, são 40 leitos em residências terapêuticas, que são destinados para pessoas que já passaram pelo período de internação, mas não têm local de moradia para dar continuidade ao tratamento. 

Na prática, esses leitos ficam vagos somente quando os pacientes são novamente acolhidos por familiares, quando eles são identificados ou quando há o óbito de um deles. Há também 21 leitos em unidades de acolhimento.

Para internação, a Sesau informou a existência de 86 leitos na Capital, divididos entre seis Centros de Atenção Psicossocial (Caps) da cidade e na Santa Casa de Campo Grande, sendo um para tratamento de álcool e drogas, um infantojuvenil e quatro com tipificação III, que, de acordo com o Ministério da Saúde, engloba até cinco vagas de acolhimento noturno e observação para pacientes de todas as faixas etárias e transtornos mentais graves e persistentes, inclusive pelo uso de substâncias psicoativas. 

Um paciente, que preferiu não se identificar, relatou à reportagem que enfrentou dificuldades para ser internado em um leito psiquiátrico em um Caps. “Tive um pico de crise de ansiedade associado à depressão e tentei o suicídio. Fui atendido em regime de urgência, mas, após ser medicado, recebi alta por falta de um leito disponível”. 

AMPLIAÇÃO

A Sesau estima que até o fim do ano que vem duas novas unidades sejam inauguradas, um Caps Álcool e Drogas, com 20 leitos, e outra unidade de acolhimento, com mais 15 leitos.

Em outubro de 2019, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) recomendou a criação de 244 leitos destinados a pacientes com transtorno mental ou com algum problema decorrente de álcool e drogas na Capital no prazo de dois meses. 

De acordo com o documento apresentado à época, foram 750 tentativas de suicídios em 2014, 812 em 2015, 868 em 2016, 1.086 em 2017 e, por fim, 1.127 em 2018, representando um aumento de 50% em quatro anos.

Os números de casos consumados aumentaram em 48%, saindo de 49, em 2015, para 73, em 2018.

Em nota, a Sesau afirmou que, em relação à recomendação do MPMS em 2019, “não houve possibilidade de avaliá-la e atendê-la, uma vez que, logo em seguida, foram registrados os primeiros casos de Covid-19 em Campo Grande, sendo todos os esforços destinados ao combate ao vírus no município”. 

Com a situação da pandemia mais controlada, a equipe da Sesau voltará novamente suas ações a esse estudo.

MINISTÉRIO PÚBLICO

Ao Correio do Estado, a 32ª Promotoria de Justiça da Saúde da Capital informou que, após a conclusão da investigação instaurada em 2019, não houve “justa causa para eventual ajuizamento de ação civil pública, haja vista que foram implementados 20 novos leitos AD [álcool e drogas] no Hospital Santa Casa de Campo Grande, o que se mostrou suficiente à demanda de internação hospitalar AD na época”. 

A 32ª Promotoria de Justiça da Saúde da Capital destacou, ainda, que a recomendação do MPMS feita em 2019 resultou na reativação de 26 leitos psiquiátricos no Hospital Nosso Lar, que estava restringindo atendimento por questões orçamentárias, além da nova contratualização com o Hospital Santa Casa para a prestação de serviços à rede municipal de saúde, na qual, mediante ajuste financeiro, foi incluída a implementação de 20 leitos psiquiátricos em 2021. 

Cabe ressaltar que apesar da ampliação de 189 leitos, em 2019, para os atuais 327 para tratamento de diversas doenças mentais, o total de leitos ainda não contempla o preconizado pelo Ministério da Saúde.

Saiba: De acordo com o Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde, Campo Grande tem 327 leitos psiquiátricos, sendo 88 no Sistema Único de Saúde. 

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Ex-funcionário é preso após furtar mais de R$ 13 mil em picanha e bacon de empresa

Homem confessou o crime e revelou que utilizava uma chave antiga guardada desde o período em que trabalhava no local para cometer os furtos

17/08/2026 18h15

Picanha, bacon e suco foram avaliados em R$ 13.630,00

Picanha, bacon e suco foram avaliados em R$ 13.630,00 Foto: Divulgação / Polícia Civil

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Um homem de 24 anos, identificado pelas iniciais L. C. O. E. foi preso após furtar mais de R$ 13 mil em picanha, bacon e suco de uma empresa onde havia trabalhado, no Jardim Carioca, em Campo Grande.

De acordo com a Polícia Civil, na madrugada do último sábado (15), o supervisor de cargas e descargas da transportadora acionou a polícia após notar, pelo sistema de monitoramento, que um ex-funcionário invadiu o depósito de produtos congelados.

Com base em informações de inteligência levantadas pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos (Derf), que já monitorava ocorrências anteriores na câmara frigorífica da mesma empresa, equipe tática do Grupo de Operações e Investigações (GOI) intensificou ações de patrulhamento e a vigilância na região.

Por volta das 4h, investigadores, com apoio da Força Tática da Polícia Militar (PM) interceptaram um veículo Chevrolet Onix, na Avenida Sete.

O carro era conduzido pelo ex-funcionário e, dentro do veículo, foram encontrados e apreendidos 13 caixas de picanha fatiada Friboi, avaliadas em R$ 12.950,00; duas caixas de bacon Seara, no valor de R$ 580, e um fardo de suco Prates de 1,5 litro, avaliado em R$ 100, totalizando R$ 13.630,00 em produtos furtados.

O suspeito confessou o crime e afirmou que utilizava uma chave antiga, guardada desde o período em que trabalhava no local, para acessar o escritório e abrir a câmara fria.

Ele disse ainda que havia a suposta colaboração de um outro funcionário atual da empresa nos crimes.

Na abordagem, o suspeito estava acompanhado do irmão, de 26 anos, que alegou ter sido chamado apenas para receber uma suposta carne de presente e que não sabia da origem ilícita dos itens.

Ambos foram detidos e encaminhados à delegacia, onde foram autuados por furto qualificado durante o repouso noturno, pelo concurso de pessoas e pelo abuso de confiança. O caso segue sob investigação.

Picanha, bacon e suco foram avaliados em R$ 13.630,00Caixas de picanha e bacon estavam no interior de um Onix (Foto: Divulgação / Polícia Civil)

Mobilização

IBGE em MS pode entrar em greve; servidores decidem na quarta sobre paralisação

Núcleo estadual está em estado de greve, mas adesão ainda é baixa; assembleia marcada para quarta-feira (19) definirá se servidores de MS vão aderir à paralisação.

17/08/2026 17h54

Servidores do IBGE em Mato Grosso do Sul decidem nesta quarta-feira (19) se aderem à greve nacional.

Servidores do IBGE em Mato Grosso do Sul decidem nesta quarta-feira (19) se aderem à greve nacional. Foto: Reprodução.

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Os servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em Mato Grosso do Sul ainda não aderiram à greve iniciada em outras unidades do país e decidirão, na próxima quarta-feira (19), se vão se juntar à paralisação. A decisão será tomada durante uma assembleia geral da categoria no Estado.

O núcleo estadual está atualmente em estado de greve, situação em que os trabalhadores permanecem em atividade, mas se mantêm mobilizados para uma possível paralisação. 

A informação foi confirmada à equipe de reportagem do Correio do Estado por uma servidora do IBGE em Mato Grosso do Sul. Segundo ela, apesar da mobilização nacional, ainda não há greve no Estado.

“O sindicato declarou estado de greve, mas ainda não é greve. Na quarta-feira vai ter uma assembleia geral do sindicato aqui de MS e será votado se vai ter greve ou não”, explicou.

A servidora também relatou que, neste momento, a mobilização entre os trabalhadores sul-mato-grossenses ainda é pequena. Conforme a avaliação dela, mesmo que a paralisação seja aprovada na assembleia, parte dos funcionários poderá permanecer trabalhando.

“A adesão dos servidores aqui está baixa. Se for declarado, muitos aqui não vão aderir”, afirmou.

A situação coloca Mato Grosso do Sul entre os oito núcleos que, conforme levantamento divulgado pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE (ASSIBGE-SN), estão em estado de greve, etapa anterior à eventual aprovação de uma paralisação.

Além de Mato Grosso do Sul, estão nessa condição os núcleos de Sergipe, Piauí, Espírito Santo, a unidade do Chile, no Rio de Janeiro (RJ), a unidade do Canabarro, também no Rio de Janeiro (RJ), Paraná e Rio Grande do Sul.

Mato Grosso e Pará possuem indicativo de greve, enquanto Bahia e Sede já aprovaram a paralisação.

Greve começou em 10 de agosto

A mobilização nacional dos trabalhadores do IBGE começou em 10 de agosto e faz parte de um calendário de reivindicações definido durante a Reunião de Direção Nacional da ASSIBGE-SN, realizada entre 9 e 11 de julho.

A paralisação ocorre em meio a uma escalada das divergências entre servidores e a direção do instituto, comandada pelo presidente Marcio Pochmann.

Entre as reivindicações apresentadas pelo sindicato estão questões relacionadas ao Programa de Gestão e Desempenho (PGD) dos servidores que ingressaram por meio do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), além da criação de comissões paritárias para discutir o programa e a experiência dos novos funcionários.

A pauta também inclui o retorno dos critérios anteriores para pagamento da indenização de campo, reajuste e garantia de direitos aos trabalhadores temporários, eleição do Comitê de Carreira, negociação dos dias paralisados em uma greve anterior na unidade do Chile, no Rio de Janeiro (RJ), e reabertura dos canais de diálogo entre trabalhadores e direção.

Um dos principais pontos de insatisfação envolve justamente as regras de trabalho dos novos servidores.

De acordo com a entidade sindical, trabalhadores aprovados no concurso haviam recebido a informação de que poderiam ingressar no regime híbrido depois de determinado período, mas uma portaria publicada posteriormente teria modificado essa previsão.

O sindicato questiona ainda mudanças relacionadas à indenização de campo, benefício destinado a trabalhadores que realizam atividades externas.

Paralisação já atinge outros estados

Enquanto Mato Grosso do Sul ainda discute uma possível adesão, a greve já alcança unidades do IBGE em outras regiões.

No Rio de Janeiro, segundo informações divulgadas pelo sindicato, a mobilização chegou à sede do instituto e à Superintendência Estadual. Na Bahia, a entidade informou adesão de parte dos trabalhadores.

Apesar do avanço da mobilização, não há, até o momento, indicação de suspensão ou adiamento das divulgações estatísticas programadas pelo IBGE.

A estratégia da ASSIBGE-SN é ampliar gradualmente o movimento nos estados. A entidade orienta que cada núcleo realize sua própria assembleia antes de aderir formalmente à paralisação.

De acordo com as orientações distribuídas aos trabalhadores, após a aprovação da greve em uma unidade, o núcleo sindical deve comunicar oficialmente a decisão à respectiva Superintendência ou Diretoria e encaminhar a ata da assembleia à Executiva Nacional da entidade.

A orientação é para que a paralisação comece 72 horas depois da deliberação local.

Servidores são orientados a interromper atividades

Caso a greve seja aprovada em Mato Grosso do Sul na quarta-feira, os servidores que decidirem aderir deverão comunicar individualmente a decisão à chefia imediata e ao núcleo sindical.

Os dias de paralisação deverão ser registrados no sistema de controle de frequência com o código correspondente à greve, para posterior negociação.

A orientação também alcança os funcionários que trabalham remotamente. Segundo o sindicato, quem aderir ao movimento deverá interromper integralmente as atividades profissionais durante a paralisação, inclusive o acesso aos sistemas internos, Microsoft Teams, e-mails e mensagens relacionadas ao trabalho.

A entidade também orienta os núcleos a realizarem levantamentos periódicos sobre o número de servidores que aderirem, permitindo acompanhar a evolução do movimento em cada estado.

Categoria questiona gestão do instituto

Além das reivindicações trabalhistas, representantes sindicais têm feito críticas à condução administrativa do IBGE.

A ASSIBGE-SN questiona decisões relacionadas à participação dos servidores na gestão, às condições estruturais das unidades e à área de tecnologia do instituto.

Entre os pontos levantados está uma contratação estimada em aproximadamente R$ 80 milhões envolvendo o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).

O sindicato questiona a transferência de serviços e recursos tecnológicos e sustenta que o próprio IBGE dispõe de estrutura de processamento de dados.

A entidade também relata problemas de infraestrutura em unidades do instituto, incluindo dificuldades relacionadas à internet, energia elétrica, mobiliário e espaços destinados ao trabalho presencial.

Em relação aos servidores que participarem da greve, o sindicato afirma que a adesão ao movimento não configura falta grave.

A entidade ressalta, porém, que decisões do Supremo Tribunal Federal admitem o desconto dos dias não trabalhados, salvo quando houver acordo para compensação.

Em Mato Grosso do Sul, porém, qualquer paralisação ainda depende da decisão dos próprios servidores. A assembleia de quarta-feira será o ponto decisivo para definir se o Estado continuará apenas em estado de greve ou passará a integrar efetivamente o movimento nacional.

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