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Capital

Carro cravejado por tiros é encontrado no Nhanhá

Os tripulantes do veículo estariam bêbados e ameaçando atropelar os pedestres do bairro

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Um veículo Gol Voyage branco foi encontrado com, pelo menos, dez marcas de tiro no bairro Vila Nhanhá na manhã deste domingo (18). 

O carro havia colidido com o meio-fio próximo à rua Sol Nascente após ser atingido pelos disparos.

Segundo informações do Corpo de Bombeiros, o veículo teria atingido uma vítima na rua Rua Floriano Paula Corrêa, próximo ao Ginásio Guanandizão.

No local, foram encontradas várias cápsulas de pistola no chão.

Relatos afirmam que eram três integrantes dentro do veículo que estavam embriagados e faziam “algazarras” pelo bairro, dirigindo em zigue-zague e ameaçando atropelar os pedestres. 

Um homem que estava a pé teria efetuado os disparos, acertando dois dos homens. Um deles foi atingido no queixo encontrado pelos agentes consciente, mas desorientado, com ferimentos causados por arma de fogo.

Ele foi socorrido e encaminhado para uma Unidade de Saúde de Campo Grande pelo Corpo de Bombeiros. 

Outro foi atingido no quadril e conseguiu fugir com o terceiro indivíduo, que teria saído ileso. 

O autor dos disparos não foi identificado até o momento. 

O caso também envolveu a Polícia Militar Municipal (PM) e equipes do Grupo de Operações e Investigações (GOI), que estiveram no local. 

A dinâmica dos fatos ainda deve ser investigada e esclarecida, bem como o paradeiro dos demais envolvidos. 

A região é conhecida por ser ponto de tráfico de drogas. 

*Matéria alterada às 14h41 para atualização de informações
 

Agentes estiveram no local. Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

BRASIL

Pesquisa inédita com genoma protege espécies de peixes da Amazônia

Estudo foi motivado pela necessidade de conter impactos causados pelo avanço da exploração predatória de espécies como o pirarucu

18/01/2026 11h00

Reprodução/Opan/Adriano Gamarini

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O pirarucu (Arapaima gigas) e o filhote (Brachyplatystoma filamentosum) são duas espécies de peixes amazônicos que, além de compartilharem o bioma de origem, possuem outras características em comum: a alta demanda pela gastronomia e a dificuldade de reprodução em ambientes de piscicultura.

Foram essas características que os elegeram as primeiras espécies a terem seus conjuntos de DNA decifrados por um estudo inédito conduzido pela Universidade Federal do Pará (UFPA).

Segundo o pesquisador Sidney Santos, que liderou a equipe do Laboratório de Genética Humana e Médica do Instituto de Ciências Biológicas, o estudo foi motivado pela necessidade de conter os impactos causados pelo avanço da exploração predatória dessas espécies, em função do aumento da demanda.

“A ideia central é, se você de uma forma equilibrada e direcionada conseguir conhecimento suficiente para produzir esses peixes do jeito mais sustentável possível, você pode diminuir a demanda da natureza”, explica.

Estudo da UFPA foi motivado pela necessidade de conter impactos causados pelo avanço da exploração predatória dessas espécies, entre elas o pirarucu.

DNA

A forma mais completa de buscar esse conhecimento é decifrando o DNA (ácido desoxirribonucleico) fornecido por amostras biológicas de vários indivíduos das espécies. Essa molécula, composta por quatro tipos de nucleotídeos (Adenina (A), Timina (T), Citosina (C) e Guanina (G), guarda informações precisas sobre saúde, traços físicos e ancestralidade, por exemplo.

No caso do estudo com o pirarucu e o filhote, os cientistas colheram amostras de mais de 100 peixes, para que os DNAs pudessem ser lido por um sequenciador genético capaz de entender a ordem dos nucleotídeos. Cada ordem diferente traz informações sobre um ser vivo, que juntas formam o genoma daquela espécie. Um tipo de manual completo sobre o grupo.

“Isso pode valer para qualquer animal que você imagine, qualquer vegetal. O modelo é sempre o mesmo. Se você, de uma forma sustentada, consegue a informação completa sobre o genoma desses animais, você pode fazer qualquer coisa com eles, inclusive reproduzir”, diz Santos.

Segundo o pesquisador, na prática, é possível saber se aquele peixe é filho de uma matriz para produção na piscicultura, ou se ele foi retirado diretamente da natureza e comercializado para outro país.

Rastreabilidade

A proteção das espécies vai além de aliviar a retirada do meio ambiente de peixes reproduzidos naturalmente. Por meio do conhecimento do genoma das espécies, é possível também saber a origem precisa daquele animal.

Segundo o diretor do Instituto Sócio Ambiental e dos Recursos Hídricos da Universidade Federal Rural da Amazônia, Igor Hamoy, que participou do estudo da UFPA, além de todo o conhecimento fisiológico, o genoma permite a rastreabilidade genética.

“Com a história que está dentro do genoma do pirarucu, por exemplo, eu consigo descobrir se um pirarucu que está sendo vendido em Boston foi oriundo da Amazônia”, diz Hamoy.

Ele destaca ainda que toda a informação trazida pelo estudo é registrada em um banco genético público, possibilitando o avanço de novas pesquisas sobre a espécie.

“Eu consigo descobrir exatamente que espécie é aquela e não ter mais dúvidas se o nome científico ou o nome vulgar, que está sendo utilizado por uma comunidade, é realmente aquele peixe que aquela comunidade amazônica há muito tempo come, há muito tempo trabalha”, destaca.

Avanços

Foi a partir da informação obtida, que os pesquisadores conseguiram avançar sobre os principais entraves em relação a psicultura do pirarucu e do filhote: a indução do hormônio sexual, o desenvolvimento de uma nutrição adequada para ambientes artificiais e a rastreabilidade para evitar que espécies amazônicas sejam comercializadas de forma ilegal.

Segundo a secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Rita Mesquita, esses avanços da ciência são orientadores na implementação de políticas públicas de conservação no país.

“A pesquisa genética contribui para aumentar nosso conhecimento sobre a biodiversidade brasileira e também contribui para a gente conseguir melhor compreender o que a gente já fez e o que ainda falta ser feito,” afirmou.

De acordo com a secretária, o planejamento até 2030, previsto na Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (Epanb) foi pensado a partir do que a ciência aponta ser necessário para reduzir a perda de biodiversidade e regenerar os biomas brasileiros.

Algumas políticas públicas dependem ainda mais dos genomas decifrados por cientistas, como é o caso da elaboração das listas de espécies exóticas invasoras e Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção. Outro exemplo citado pela secretária é o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), lançado pelo governo federal em 2024.

“Em processos de refaunação, porque fauna desapareceu, ou restauração de vegetação, essa biblioteca de informação genética permite que a gente possa ter acesso ao conhecimento necessário para devolver aos lugares certos as espécies”, explica Mesquita.

Desafios

Pesquisador da UFPA, Sidney Santos, liderou  estudo sobre impactos causados pelo avanço da exploração predatória. Foto: Sidney Santos/Arquivo Pessoal

Na avaliação do pesquisador Sidney Santos, a ampliação de estudos para decifrar genomas de espécies em geral é um tipo de conhecimento que tem uma tendência de avançar no país e em todo o mundo, principalmente pela diminuição do custo dos recursos necessários.

“O genoma humano, que foi o primeiro, demorou 10 anos para fazer, custou de US$ 2,5 a 3 bilhões. A partir daí, o poderio das máquinas foi aumentando. Hoje, com o MGI, que é o equipamento [sequenciador de DNA] que usamos, você consegue fazer 48 genomas humanos em 3 horas, a um custo, que eu espero que ainda diminua, de US$1,5 mil a US$ 2 mil no máximo”, diz.

Por outro lado, Hamoy destaca que para a região amazônica os desafios são maiores que em outras regiões do país. De acordo com Santos, além do equipamento da UFPA ser o único sequenciador genético do setor público da Amazônia, há ainda o chamado “custo Amazônia” causado por dificuldades logísticas e operacionais.

“O custo hoje está menor, mas não é um custo ainda acessível para qualquer pesquisador, para qualquer universidade. Então o parque tecnológico que a UFPA tem aqui, no Laboratório de Genética Humana e Médica, é um parque que consegue fazer tudo isso, informou.

“Mas o insumo dessa pesquisa, por exemplo, tem que ser financiado. Então, assim, são muitas linhas de pesquisa, que precisam de financiamento, especialmente aquelas que são pesquisas aplicadas”, acrescentou.

Para Rita Mesquita, o trabalho para assegurar que espécies não sejam perdidas é um desafio do tamanho da biodiversidade do país: a maior do mundo.

“O que o Ministério [do Meio Ambiente] faz nesse sentido é continuar trabalhando com a ciência para aprimorar nossa informação sobre áreas prioritárias, continuar buscando a proteção dos territórios para as espécies, principalmente aquelas mais ameaçadas, que essas espécies tenham a devida proteção para não desaparecer”, reforça.

E o papel da ciência é parte fundamental para gerar conhecimento que permita que a interação de humanos com espécies de qualquer bioma seja pautada por parâmetros de sustentabilidade, destaca a secretária.

“Isso vale para bicho e vale para planta. Se a gente tem formas de manejar de maneira sustentável, formas de recuperar, restaurar e devolver, a gente pode estabelecer uma relação onde as espécies possam ser manejadas a partir de princípios sustentáveis do manejo de baixo impacto e com populações asseguradas em áreas protegidas”, conclui.

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

MS teve 7 quebras de Medidas Protetivas de Urgência por dia em 2025

Com quase três mil casos de decumprimentos das decisões que deferem as chamadas MPU, Mato Grosso do Sul bateu o terceiro pior ano da série histórica em número de feminicídios

18/01/2026 10h30

É possível denunciar casos de violência contra a mulher através de contato com a Central 180 ou mesmo no 190 em emergências.

É possível denunciar casos de violência contra a mulher através de contato com a Central 180 ou mesmo no 190 em emergências. Marcelo Victor/Correio do Estado

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Dados repassados pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que, Mato Grosso do Sul registrou aproximadamente sete descumprimentos das chamadas Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) por dia em 2025, sendo quase três mil casos no terceiro pior ano da série histórica em números de feminicídios. 

Ferramentas da Lei Maria da Penha, na teoria as MPUs servem de proteção para mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, afastando o agressor do domicílio, proibindo contatos e inclusive restringindo o acusado de fazer visitas aos filhos. 

Mantido pela Sejusp e pelo Poder Judiciário do Tribunal de Justiça, Mato Grosso do Sul conta com um "monitor da violência contra a mulher", que elenca desde os casos de feminicídio até mesmo os registros de violências domésticas e casos ligados às Medidas Protetivas de Urgência. 

Sobre o descumprimento das decisões judiciais que deferem as MPUs, a Sejusp aponta para um total de 2.828 casos de quebra dessa determinação no ano passado. A secretaria informa que os dados do painel são atualizados diariamente a partir da integração entre a Pasta e o Poder Judiciário. 

Entretanto, acesso feito durante a terceira semana de janeiro mostram números de 2025, referentes às ações preventivas (de fiscalização de MPU) e reativas (em caso de descumprimentos), bem abaixo do patamar registrado em anos anteriores. 

É possível denunciar casos de violência contra a mulher através de contato com a Central 180 ou mesmo no 190 em emergências.Reprodução/MonitorDaViolênciaContraAMulher

Na ponta do lápis, esses 2.828 descumprimentos informados pela Sejusp ao Correio do Estado representam, aproximadamente, sete casos diários de quebras de Medidas Protetivas de Urgência em Mato Grosso do Sul em 2025. 

Mulheres em risco

Apesar das mais diversas campanhas de conscientização, como por exemplo a #TodosPorElas que é promovida pelo próprio Tribunal de Justiça do MS, nota-se que os números ligados à violência contra a mulher não têm diminuído de forma tão expressiva. 

Compilados os dados do ano passado em balanço, Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com 39 feminicídios, o terceiro pior índice da série histórica, atrás apenas de 2022 e 2020, com 44 e 40 vítimas respectivamente. 

Neste 2026 Mato Grosso do Sul já registrou seu primeiro feminicídio na manhã de sexta-feira (16), manchando inclusive uma "marca positiva" do ano passado que foi a de um janeiro inteiro sem mulheres mortas por companheiros. 

Além da mulher morta em Bela Vista, próximo da fronteira com o Paraguai, no município de Três Lagoas, que fica no extremo leste do Mato Grosso do Sul, no mesmo dia um homem de 22 anos foi preso por lesão corporal qualificada e ameaça, no contexto de violência doméstica. 

Segundo a Polícia Civil, esse casal estava junto há três anos, apresentando um histórico de agressões verbais e físicas, que teriam se intensificado recentemente. Depois de lançar um copo na cabeça e empurrar a vítima, o agressor ainda pegou uma faca de serra e passou a ameaçar a mulher de morte. 

"A vítima conseguiu acionar a delegacia e por temer pela própria integridade física, solicitou medidas protetivas. O autor foi autuado em flagrante", complementa a PCMS.

Dos casos de violência contra a mulher, faltando 17 dias para "virar" o ano, até 14 de dezembro de 2025 o MS registrava 20.637 vítimas de violência doméstica.  

Apesar dos números, a Sejusp cita que, em 2025, houve uma "intensificação e aperfeiçoamento" das ações voltadas ao enfrentamento da violência doméstica e familiar: "com foco na ampliação da proteção às vítimas, maior eficiência na apuração dos crimes e fortalecimento da rede de atendimento", diz em nota. 

Entre as iniciaitivas, é citada uma reestruturação metodológica dos procedimentos, reforço do efetivo, ampliação da infraestrutura operacional e integração com instituições parceiras que teria começado a partir do primeiro trimestre de 2025. 

"Atualmente, Mato Grosso do Sul conta com 12 delegacias especializadas de atendimento à mulher, 57 unidades de Sala Lilás — sendo dez inauguradas em 2025 — e dois Núcleos Integrados de Atendimento à Mulher, alcançando 86,1% dos municípios e uma cobertura de 97,3% das mulheres do Estado.

A SEJUSP destaca ainda a consolidação da medida protetiva em formato 100% digital, integrada ao sistema SIGO, garantindo comunicação imediata entre as instituições e maior efetividade no controle e cumprimento das decisões judiciais.

A nova sede da DEAM, com núcleo de cartórios digitais, possibilitou a centralização e digitalização dos serviços, ampliando a capacidade de atendimento especializado e assegurando maior privacidade às vítimas", conclui. 

É possível denunciar casos de violência contra a mulher através de contato com a Central 180 ou mesmo no 190 em emergências.

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