A programação da COP15 não acontecerá apenas dentro da chamada Blue Zone, no Bosque Expo, no Shopping Norte Sul Plaza. A conferência terá atividades culturais espalhadas pela cidade, na Casa do Homem Pantaneiro.
A “Conexão Sem Fronteira” será um espaço aberto ao público para debates globais e acesso à cultura, em programação especial entre os dias 24 e 29 de março, promovida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
As atividades na Casa do Homem Pantaneiro, localizada dentro do Parque das Nações Indígenas, irão englobar debates, exposição fotográfica, sessões de cinema e atividades culturais, com o objetivo de deixar o público imerso em temas centrais da COP15, como conservação das espécies migratórias, mudanças climáticas, biomes e proteção de habitats.
Ao longo da semana, cada dia será voltado a uma dimensão da conservação. Na abertura, os debates irão abordar o papel das aves migratórias, o turismo de observação como uma ferramenta de conservação e conhecimentos da Amazônia.
No segundo dia, a programação é voltada para os ecossistemas marinhos, com discussões sobre tubarões, baleias e a grande biodiversidade do Atlântico Sul.
Na sequência, as atividades se voltam para o Pantanal e as estratégias de proteção dos habitats como a prevenção de incêndios, conservação de grandes mamíferos e possíveis soluções urbanas para a biodiversidade.
No último dia de programação, assumem o foco as paisagens aquáticas, áreas úmidas e rotas migratórias que unem biomas.
No espaço também haverá o Cine Pantanal, com exibição de filmes socioambientais e exposição fotográfica sobre os biomas brasileiros. Durante o final de semana, a programação inclui atividades voltadas para crianças e famílias, com cinema, roda de conversa e ações educativas.
A entrada é gratuita e aberta ao público geral.
“Queremos reconhecer que esse espaço é resultado de um esforço coletivo e só foi possível graças às parcerias locais, que trabalharam de forma integrada para viabilizar essa realização, como o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, a Prefeitura de Campo Grande e o Imasul, além de outras parcerias e organizações da sociedade civil. O espaço já nasce sendo construído de forma coletiva, com o objetivo de promover a popularização da ciência junto à população de Campo Grande”, destacou Rita Mesquita, secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Veja a programação completa aqui.
Além da Casa do Homem Pantaneiro, outros atrativos da cidade estarão voltados aos turistas, como o Bioparque Pantanal, Museu Dom Bosco, Parque Estadual do Prosa e o Parque Estadual Matas do Segredo.
Por que no Pantanal?
Em coletiva para apresentação da COP15, realizada no Dia Mundial das Áreas Úmidas, o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, destacou a relevância do Pantanal no cenário ambiental global e seu papel estratégico na preservação das espécies migratórias.
“Nós estamos aqui na maior área úmida continental do planeta Terra, que é o Pantanal, e que concentra parte do esforço internacional na proteção das áreas úmidas, que tem papel absolutamente fundamental para a biodiversidade, para o controle climático e para a manutenção dos recursos hídricos”, afirmou.
O secretário ressaltou que a Convenção sobre Espécies Migratórias representa uma das maiores expressões da cooperação internacional na área ambiental, já que trata de espécies que atravessam fronteiras e dependem do esforço conjunto entre países para concluir suas travessias em segurança.
“As espécies migratórias passam por vários países. Elas não são, necessariamente, espécies nativas permanentes daquele país, mas estão circulando pelo planeta. Quando um país assume o compromisso de garantir espaços habitáveis para essas espécies, garantindo pouso, alimentação, descanso ou reprodução, está contribuindo para que essa cadeia de espécies continue existindo”, explicou.
Segundo ele, sediar a COP 15 é uma oportunidade para o Brasil reafirmar seu compromisso com o multilateralismo e com a cooperação internacional, já que o País é visto internacionalmente como uma liderança ambiental.
Além disso, é uma oportunidade de apresentar o Estado de Mato Grosso do Sul para outros países, bem como o Pantanal.
“O Pantanal é uma espécie de hub biológico, onde as espécies passam, encontram o ambiente necessário para recuperar energias, se alimentar e seguir sua trajetória”.
Atualmente, são 1.189 espécies migratórias listadas, sendo: 962 espécies de aves, 94 de mamíferos terrestres, 64 de mamíferos aquáticos, 58 de peixes, 10 de répteis e 1 de insetos.
Campo Grande é a morada e espaço de passagem de um bom número de espécies de aves e peixes migratórios. Esse é um dos pontos que contribuíram para a votação e aprovação da Capital como sede da 15ª edição do evento.
“Campo Grande tem uma infraestrutura extremamente interessante, uma cidade de altíssimo nível e de qualidade muito alta. Ao mesmo tempo, tem uma relação com o meio ambiente muito diferenciada. Em várias áreas, é uma mistura do urbano com a natureza, e é justamente isso que queremos passar para os visitantes, até porque um dos temas centrais da Cop do Clima, em Belém, foi justamente a adaptação e a resiliência do meio ambiente humano. É uma cidade diferenciada, que permite a convivência com espécies, e em um ambiente que está fazendo parte do bioma humano”, destacou João Paulo.




