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Caso Bernardo: pai dava remédios tarja preta, diz madrinha

Caso Bernardo: pai dava remédios tarja preta, diz madrinha

R7

04/05/2014 - 07h46
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A madrinha de Bernardo, encontrado enterrado em um matagal em Frederico Westphalen (RS), no dia 14 de abril, disse em entrevista ao R7 que o pai do garoto dava remédios tarja preta para ele e que foi possível notar um comportamento estranho nas últimas férias em que o menino passou em sua casa. Clarissa da Silva Oliveira era amiga de infância da mãe de Bernardo, morta em 2010, e disse ter certeza de que a morte de Be, como o chamava, foi premeditada.

— O pai do Bernardo me disse que o levou a um médico psiquiatra que receitou remédios tarja preta, mas o menino desmentiu isso e acredito nele porque os medicamentos eram todos amostras grátis. Tenho certeza que o Leandro [pai] pegou no hospital que trabalhava e deu para o menino por conta própria. Não tinha nem receita.

Clarissa explica que nos dias em que o garoto esteve com ela, no mês de janeiro, ela não deixou que ele ingerisse a medicação. Ela o descreveu como um menino calado, apático, mas que passou a ser ‘revoltado’ nos últimos tempos.

— Eu sempre estranhei que ele aceitava com muita facilidade tudo o que o pai falava e mandava. Não era um comportamento normal para um menino da idade dele. Mas ele estava diferente. Estava respondão e parecia revoltado. Hoje eu sei que é porque ele estava sofrendo e sabe-se lá o que passou na mão do pai e madrasta.

O pai de Bernardo, o médico Leandro Boldrini, a madrasta, a enfermeira Graciele Ugulini, e Edelvânia, amiga da madrasta, estão detidos desde o dia 14 de abril, quando o corpo da criança foi encontrado. Graciele confirmou em depoimento que fez a aplicação do medicamento Midazolam, mas que a morte do menino foi acidental. A amiga confessou que ajudou a esconder o corpo e ambas dizem que o pai não tem participação na morte. Para a polícia, Boldrini teria conhecimento do crime e quer apurar o que realmente cada um colaborou no caso.

A madrinha disse que a última vez que viu Leandro pessoalmente foi em 2011. Depois disso, a madrasta era quem levava o garoto até ela nos períodos de férias e sempre acompanhada de um parente. Clarissa conta que não conversava com eles e quando queria falar com Bernardo ligava direto no celular do menino.

— Eu falei com ele pela última vez dez dias antes dele ser morto. Ele queria saber do Miguel, meu bebê, perguntei se ele estava bem. Eu tenho certeza que a madrasta premeditou tudo. Ela foi a Frederico Westphalen dois dias antes de enterrar o corpo. Para mim, ela foi ver o local. Em fevereiro o Bernardo confirmou para o juiz que sofria maus-tratos e todos ficaram bravos por isso.

Morte da mãe
Clarissa conheceu a mãe de Bernardo ainda na infância, quando tinham cerca de dez anos. Odilaine morreu com um disparo de arma de fogo em 2010, aos 32 anos, três dias antes de assinar a separação do pai do garoto. A polícia concluiu que ela cometeu suicídio. Clarissa recebeu uma carta de despedida escrita por ela.

— Na carta, ela se despedia de todo mundo e dizia que tomou a decisão porque estava cansada da vida. Eu culpo o Leandro pela morte dela também. A Odilaine estava depressiva e ele não contou para ninguém. Ela tomava remédios receitados por ele e morreu dentro da clínica dela com uma arma de fogo. Dois meses depois ele casou com a Graciele. Se ela realmente cometeu suicídio, ele contribuiu muito para isso.

O advogado Marlon Adriano Balbon pretende protocolar na próxima terça-feira (5) um pedido na Justiça para que a Polícia Civil abra novas investigações sobre a morte de Odilaine Segundo Balbon, que representa a avó de Bernardo, Jussara Uglione, a família nunca se convenceu de que Odilaine cometeu suicídio, como concluiu o inquérito sobre o caso. Com a morte de Bernardo, os parentes querem acusar o pai do menino como um possível suspeito também do falecimento de Odilaine.

— Vou argumentar a partir das falhas no inquérito que já existe sobre a morte dela e pedir novas diligências no caso. A família acredita que ela foi assassinada e que o pai do Bernardo pode ser considerado um suspeito. Uma tomografia computadorizada foi feita em Odilaine, mas nunca anexada ao processo. Queremos rever as provas para esclarecer tudo.

Ela receberia R$ 1,5 milhão e uma pensão de R$ 10 mil por mês após a separação. Para a família, ela foi morta para não receber esse valor. O pedido será protocolado no fórum da cidade de Três Passos. A Justiça não tem um prazo determinado para dar um parecer. 

CATOLICISMO

Romaria de Nossa Senhora Aparecida leva milhares às ruas de Campo Grande

Católicos participam de procissão, caminhada, romaria, oração e missa; celebrações ocorrem em diferentes pontos da Capital

12/10/2026 10h15

Fiéis se encontraram na Paróquia Santa Rita de Cássia e seguiram em procissão até o Centro de Formação São Vicente Pallotti

Fiéis se encontraram na Paróquia Santa Rita de Cássia e seguiram em procissão até o Centro de Formação São Vicente Pallotti MARCELO VICTOR

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Romaria da Padroeira do Brasil reúne milhares de fiéis nas ruas de Campo Grande, nesta segunda-feira (12), feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida, celebrado anualmente em 12 de outubro em todo o País.

Família e amigos de diferentes paróquias e comunidades católicas se uniram em procissões e missas para celebrar a data.

Devotos aproveitam a ocasião para agradecer pelas graças alcançadas, cumprir promessas e pedir proteção e bênçãos.

A programação especial inclui procissão, caminhada, romaria, oração, missa, almoço, bingo e sorteios.

De acordo com o Padre Nori, a estimativa é que pelo menos três mil fiéis, das Paróquias Santa Rita de Cássia, Matriz Divino Espírito Santo e São Martinho de Lima, caminhem em romaria por cerca de três quilômetros e se reúnam na Casa de Formação São Vicente Pallotti para celebrar a data.

Confira a programação:

  • Paróquia Santa Rita de Cássia: procissão às 6h, com saída da Comunidade Maria Mãe. Uma segunda saída está prevista para as 8h, da Comunidade Matriz Santa Rita de Cássia. Às 9h, será celebrada missa no Centro de Formação São Vicente Pallotti.
  • Comunidade Matriz Divino Espírito Santo: concentração às 6h30, na Rua Galeão, 730, no Aero Rancho, seguida de procissão até o Centro de Formação São Vicente Pallotti. Os participantes se encontrarão com fiéis das comunidades Santa Rita de Cássia e São Martinho de Lima.
  • Paróquia São Martinho de Lima: concentração para a procissão às 7h30, na Rua Barão de Limeira, 1683, no Bairro Pioneiros. A comunidade aguardará a chegada dos fiéis que seguirão em procissão a partir da Paróquia Divino Espírito Santo.

Técnica em farmácia de manipulação, Rosimar da Silva Segretto, é devota há anos e conquistou inúmeras bençãos através da fé.

Fiéis se encontraram na Paróquia Santa Rita de Cássia e seguiram em procissão até o Centro de Formação São Vicente PallottiRosimar da Silva Segretto é devota de Nossa Senhora Aparecida. Foto: Marcelo Victor

“Faz anos que eu participo aqui na paróquia, não me vejo em outra religião. Eu fico arrepiada só de falar, é muito emocionante estar aqui. Servir o próximo é tão bom, é tão gratificante, porque você dá sem receber nada em troca, o que você ganha? Saúde e bençãos. Eu recebi muitas bençãos e algumas delas são a compra da minha casa e o nascimento da minha fila”, contou emocionada.

Professora, Marinês Alves Ribeiro Baptista, afirmou que a data é importante para orar, devotar e agradecer.

Fiéis se encontraram na Paróquia Santa Rita de Cássia e seguiram em procissão até o Centro de Formação São Vicente PallottiMarinês Alves Ribeiro Batista é devota da Paróquia Santa Rita de Cássia, em Campo Grande. Foto: Marcelo Victor

“A data significa muita devoção, muito agradecimento e muita fé em Nossa Senhora Aparecida. Nós participamos todos os anos e acolhemos cada pessoa”, disse.

Padre Pallottino Wellignton é servo em Porto Alegre (RS) mas está em Campo Grande (MS) para celebrar uma das datas mais importantes do calendário cristão.

“Essa data tem três importâncias fundamentais. Primeiro, é a Padroeira do nosso país e para nós, católicos, é muito importante rezar pela nação. O segundo motivo de importância é porque venerar a mãe de Jesus significa reconhecer aquilo que Deus faz em favor do seu povo. E o terceiro motivo, que é muito importante, é a reunião de todo esse povo simples que se une para viver a sua fé e tudo aquilo que espiritualmente e também financeiramente aqui é arrecadado, depois é distribuído nas paróquias, nas suas pastorais e movimentos para o serviço tanto religioso quanto assistencial”, explicou.

As romarias ocorrem em diferentes pontos de Campo Grande. No restante da cidade, outros fiéis de outras paróquias/comunidades caminham em procissão e celebram missas.

Fotos: Marcelo Victor 

zona de conflito

Libaneses ligados a MS seguem em alerta, apesar de cessar-fogo

Familiares de Campo Grande e pessoas que ainda moram no Líbano continuam apreensivos diante do cenário de instabilidade na guerra entre Israel e o Hezbollah

12/10/2026 09h12

Márcio Jamil esteve em agosto no Líbano para visitar suas irmãs e sua mãe, que moram lá desde 1994

Márcio Jamil esteve em agosto no Líbano para visitar suas irmãs e sua mãe, que moram lá desde 1994 arquivo pessoal

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Desde junho, Israel e o Hezbollah, grupo terrorista que é do Líbano, estão em cessar-fogo. No entanto, mesmo que os bombardeios tenham sido reduzidos gradativamente em relação ao primeiro semestre deste ano, libaneses com ligações com Campo Grande relatam que o perigo e o medo ainda existem diante do cenário de instabilidade da guerra.

Há pouco mais de sete meses, o Correio do Estado reportou a preocupação de famílias com conexões campo-grandenses e libanesas em meio à guerra no Oriente Médio. 

Diante do número de mortos e feridos que aumentava dia após dia nos países envolvidos no conflito, um cessar-fogo foi acordado entre Israel e o Líbano, intermediado pelos Estados Unidos. Porém, a continuidade de relatos de violências mútuas e ataques esporádicos tornaram o acordo algo mais teórico do que prático, sendo costumeiramente quebrado.

FAMILIARES

Secretário da Junta Militar, Márcio Jamil nasceu em Campo Grande, mas tem raízes libanesas, e sua mãe e sua irmã moram no país asiático desde 1994, na cidade de Zahlé, que fica a 30 quilômetros da área dos bombardeios. Ao Correio do Estado, ele contou que a quantidade de mísseis lançados diminuiu com o cessar-fogo, mas a região sul ainda tem sofrido com algumas tentativas.

“Não vou falar que terminou a guerra, mas está bem mais calmo. Acho que se atribui isso às negociações que estavam havendo, porque aparentemente eles conseguiram o que eles queriam, que era acabar com o sul do Líbano. Então, eu acredito que pode ser a intervenção dos países, pedindo uma trégua para ver se conseguem resolver a situação do Líbano”, disse à reportagem.

O comentário feito por Márcio Jamil realmente se confirma. Na segunda-feira, Israel voltou a bombardear o sul do Líbano, resultando na morte de uma pessoa e 12 feridos. Segundo o exército israelense, o ataque foi uma resposta a flagrantes violações do acordo de cessar-fogo por parte do Hezbollah.

Antes do retorno desses momentos de tensão, Márcio Jamil aproveitou o cessar-fogo e visitou o Líbano por duas semanas, em agosto. Se antes, em março, ele relatava que a tensão estava “maior que nos outros momentos”, agora ele conta que a “situação aparentemente já está melhor” e que “graças a Deus está todo mundo bem”.

ABDALA E CÔNSUL

Intérprete das Nações Unidas no sul do Líbano e orientador da religião muçulmana, Abdala Dakour nasceu e mora no Líbano, mas mantém conexões em Campo Grande por já ter morado na capital sul-mato-grossense e ainda ter uma propriedade na Rua 14 de Julho, além de um sobrinho residir no Município.

Atualmente, Dakour mora com seus filhos e sua esposa em Rafid, uma vila no distrito de Rashaya com habitantes predominantemente muçulmanos sunitas. Mesmo sem pisar em Campo Grande desde 2001, o líder religioso pensa em voltar à cidade ainda este ano ou em 2027, mas depende dos imbróglios políticos libaneses.

Em nova conversa com o Correio do Estado, ele relata que a situação está um “pouco melhor”, mas que a continuidade desse momento menos tenso “depende da política do Trump”, fazendo uma referência às mediações feitas pelos Estados Unidos nos últimos meses nas negociações de paz entre Israel e Líbano. Inclusive, o bombardeio de segunda-feira ocorreu um dia depois de mais uma rodada de negociações de paz entre os dois países.

Cônsul honorário do Líbano em Mato Grosso do Sul, Eid Toufic Anbar também conversou com a reportagem sobre o momento atual. 

“Os bombardeios continuam onde tem pessoas dos partidos Hezbollah e Hamas, que são financiados pelo Irã e estão infiltrados no meio dos libaneses. Além do sul, os bombardeios têm ocorrido também na capital do Líbano”, contou.

TRÊS ANOS

Na semana passada, a guerra no Oriente Médio completou três anos, após os ataques do grupo Hamas (movimento político e militar palestino sunita) ao sul de Israel, a partir de Gaza. A operação resultou na morte de aproximadamente 1.200 pessoas e no sequestro de 251 reféns. 

Em resposta, bombardeios comandados por Benjamin Netanyahu, líder israelense, mataram mais de 74 mil palestinos.

Em 9 de outubro de 2025, cerca de dois anos depois das ofensivas, um acordo de cessar-fogo, considerado extremamente frágil, foi oficializado, com o intermédio dos Estados Unidos. 

Desde então, quase 1.500 pessoas morreram, média de quatro óbitos por dia.

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