Cidades

TRAGÉDIA

Caso Sophia: "Temos que buscar caminhos e resposta", diz Riedel

Após um mês da morte de Sophia, governo do Estado busca soluções para evitar que crianças sejam vítimas de violência e abuso sexual, mas nada ainda saiu do papel

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Governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB), afirmou que a morte de Sophia de Jesus Ocampo, de 2 anos e 7 meses, é inaceitável e precisa de resposta. Além disso, afirmou que é necessário buscar caminhos para que tragédias, como essa, não se repitam.

A menina foi morta em 26 de janeiro deste ano, após ser agredida pela mãe, Stephanie de Jesus da Silva, de 24 anos, e pelo padrasto, Christian Campoçano Leitheim, de 25 anos.

Ela era agredida constantemente e chegou a frequentar o posto de saúde, com partes do corpo quebradas, mais de 30 vezes, antes de morrer.

De acordo com laudo necroscópico emitido pelo Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), o padrasto também estuprou a criança.

Riedel destacou que o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Antônio Carlos Videira, está buscando soluções para proteger crianças e evitar que sejam mortas vítimas de violência e abuso sexual.

“Secretário Carlinhos [Antônio Carlos Videira] está diretamente envolvido nesse projeto porque um dos instrumentos que o Estado tem que ter para dar proteção a essa situação que ocorre, que é inaceitável”, disse.

O pronunciamento foi feito na manhã desta quarta-feira (1º), durante cerimônia de entrega da reforma da Escola Estadual João Carlos Flores, no bairro Rita Vieira.

PLANOS DO GOVERNO

Os planos do governo, para evitar que crianças sejam vítimas de violência e abuso sexual, são:

  • Implantar sala de denúncias na Casa da Mulher Brasileira, destinada para crianças e adolescentes do sexo masculino e femino
  • Estender o atendimento da DEPCA para o fim de semana e feriados
  • Construir a Casa da Criança em Campo Grande, nos mesmos moldes da Casa da Mulher Brasileira

Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado, o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Antônio Carlos Videira, afirmou que a implantação da ‘salinha’ de denúncias na Casa da Mulher Brasileira, em combate à violência infantil, ainda não saiu do papel por questões burocráticas.

Videira anunciou que, por enquanto, a ideia é estender o atendimento da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e Adolescente (DEPCA) para finais de semana e feriados.

Ou seja, o objetivo é que a sede da DEPCA fique aberta nos sete dias da semana, e não apenas em dias úteis, como ocorre atualmente.

Para isso, de acordo com o secretário, será necessário trazer policiais de outras cidades para atuar nas escalas extras de plantão.

Videira irá se reunir com o Delegado-Geral de Polícia Civil-MS, Roberto Gurgel, ainda nesta semana, para agilizar o funcionamento plantonista na sede da DEPCA.

“Conselho gestor da Casa da Mulher Brasileira disse que antes de emitir qualquer autorização, eles consultariam o Ministério. Mas, não dá para esperar resposta do Ministério. Quero me reunir com o doutor Gurgel para deliberar o que será necessário para que nós tenhamos a DPCA funcionando durante os finais de semana, nem que para isso nós tenhamos de fazer escala extra e trazer policias de cidades daqui do entorno”, explicou o secretário, durante evento do Conselho Estadual de Trânsito (Cetran-MS) realizado na Academia de Polícia Civil (Acadepol-MS), na manhã desta segunda-feira (27).

Portanto, a curto prazo, haverá atendimento plantonista na sede da DEPCA. E, a médio prazo, a Casa da Criança será construída nos mesmos moldes e com o mesmo objetivo da Casa da Mulher Brasileira.

Videira ainda ressaltou que o governador de Mato Grosso do Sul (PSDB), Eduardo Riedel, irá nomear agentes de Polícia Científica, Peritos Criminais e Escrivães, o que pode auxiliar no funcionamento plantonista da DEPCA.

“Não é porque nós teremos a DEPCA funcionando aos sábados e domingos que nós vamos deixar de demandar a criação do Centro [da criança]. Nós temos ali na proximidade da Casa da Mulher Brasileira um grande número de imóveis da União desocupados e nós vamos levar ao Governo Federal a demanda de uma área próxima da Casa da Mulher Brasileira, onde nós possamos edificar um prédio que abrigue a DEPCA e ali compartilhar o núcleo do IML [Instituto Médico Legal]”, finalizou.

CASO SOPHIA

Sophia Ocampo, de 2 anos e 7 meses, chegou morta na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Coronel Antonino, em 26 de janeiro deste ano, após ser agredida pela mãe, Stephanie de Jesus da Silva, de 24 anos, e pelo padrasto, Christian Campoçano Leitheim, de 25 anos.

A menina era agredida constantemente e chegou a frequentar o posto de saúde, com partes do corpo quebradas, mais de 30 vezes, antes de ser morta.

De acordo com laudo necroscópico emitido pelo Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), o homem também estuprou a criança.

Christian e Stephanie são réus por homicídio triplamente qualificado, por motivo fútil, contra menor de 14 anos e meio cruel.

O padrasto foi denunciado pelo crime de estupro de vulnerável e mãe por homicídio doloso por omissão, já que encaminhou a menina à UPA após morta.

A morte de Sophia de Jesus Ocampo completou um mês neste domingo (26) e a data foi marcada por protestos nos altos da avenida Afonso Pena.

Cerca de 30 pessoas - pai, avó materna, prima e outros familiares e amigos - se reuniram em frente ao Bioparque Pantanal em busca de justiça pela morte da menina.

Após um mês, nenhuma medida saiu do papel para evitar que outras crianças sejam mortas, vítimas de violência e abuso sexual.

“Nesse prazo de um mês, após a Sophia, a gente já viu mais quatro casos novos. O que mais sangra o nosso coração, o que mais nos revolta além da nossa filha, é que não tomaram nenhuma atitude. O que está lutando aqui hoje é justamente para a prevenção. O Brasil, infelizmente, não trabalha com prevenção à agressão à criança”, afirmou Jean Carlos Ocampo, pai de Sophia.

Segurança Pública

Cresce número de armas apreendidas e MS tem recorde de fuzis encontrados

Secretário atribui aumento a reforço no policiamento e disputas entre o Comando Vermelho e o PCC no Estado

17/08/2026 07h50

Segundo o Instituto Sou da Paz, entre 2021 e 2025 houve alta de 175% na apreensão de fuzis

Segundo o Instituto Sou da Paz, entre 2021 e 2025 houve alta de 175% na apreensão de fuzis Foto: Divulgação

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Mato Grosso do Sul registrou um aumento de armas de fogo apreendidas, considerando os primeiros sete meses do ano, com destaque para o número de fuzis, que pela primeira vez atingiu a marca de 20 apreensões e acompanha o crescimento de ações contra o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) no Estado.

Segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), 1.117 armas foram apreendidas de 1º de janeiro a 31 de julho em Mato Grosso do Sul. Dentre os tipos mais encontrados pelos agentes, revólver lidera a lista, seguido de pistola e espingarda. As armas adulteradas ou com a numeração raspada são responsáveis por mais de 50% da quantidade apreendida.

Porém, o que chama mesmo a atenção nesta lista é o aumento da presença de fuzis no Estado ano após ano, com recorde já estabelecido este ano, mesmo tendo mais três meses e meio pela frente. Para se ter ideia, 20 fuzis já foram apreendidos este ano em Mato Grosso do Sul, o dobro em relação a 2023 e quatro vezes mais em comparação com 2022. No ano passado inteiro, apenas 14 foram confiscados.

Para Antônio Carlos Videira, titular da Sejusp, o reforço no policiamento é um dos principais fatores que contribuem para o aumento nas apreensões, especialmente diante da parceria com os estados de São Paulo, Mato Grosso e Paraná para fiscalização das rodovias que acabam sendo trechos essenciais para organizações criminosas conseguirem transportar os ilícitos.

Outro motivo listado pelo secretário é a volta de disputas territoriais entre as duas maiores facções criminosas do Brasil no Estado, especialmente na faixa de fronteira. Tanto que, considerando o recorte dos 44 municípios que fazem divisa com os países vizinhos – Paraguai e Bolívia –, quase metade das armas e dos fuzis encontrados estão na fronteira.

“Essa disputa entre facções não se restringe apenas a Mato Grosso do Sul. Elas também estão demandando armas e munições para outros estados, e essas armas principalmente vêm do Paraguai. Então, a gente tem também uma incrementação nas apreensões de armas que estariam sendo transportadas principalmente do Paraguai para outros estados, onde essa disputa também está acontecendo”, explica.

“Nós estamos trabalhando para, além de aumento da fiscalização, instauração dos inquéritos, pedidos de prisões e busca e apreensão, para que os magistrados determinem a inclusão de presos que estão cumprindo pena, principalmente no Mato Grosso, e dando ordens para crimes em Mato Grosso do Sul serem incluídos no sistema penal federal. Isso é uma forma de isolar essas lideranças negativas e tentar manter o controle aqui”, reforça Videira.

Segundo o Instituto Sou da Paz, entre 2021 e 2025 houve alta de 175% na apreensão de fuzis

RECURSO FEDERAL

Vale lembrar que, no início de junho, Mato Grosso do Sul recebeu R$ 10,3 milhões do governo federal para custear diárias de policiais para ações contra organizações criminosas nas regiões de fronteira, divisas e biomas. Esse recurso tem colaborado para o aumento das operações de combate ao PCC e ao CV.

Esse recurso veio por parte do programa Brasil contra o Crime Organizado, instituído em maio deste ano pelo governo federal como a principal estratégia para combater facções, milícias e grupos paramilitares. O objetivo da medida é a asfixia financeira desses grupos, a atuação de inteligência e a cooperação interinstitucional.

De acordo com Videira, esse recurso será utilizado até setembro para operações contra essas facções criminosas. A intensificação dessas operações veio ao mesmo tempo que o governo dos Estados Unidos classificou como terroristas as facções PCC e CV.

Porém, segundo o secretário, o aumento dessas operações não são uma resposta ao país da América do Norte, e sim uma consequência do programa do governo federal. 

Os recursos de Mato Grosso do Sul são economizados e destinados para outras ações, principalmente em Campo Grande.

Clima

Super-El Niño causa altas temperaturas, ameaça soja e pode até matar bovinos

Fenômeno deve provocar ondas de calor em MS e no Centro-Oeste, afetar o plantio da soja e elevar o risco de perdas na pecuária

17/08/2026 05h00

Pesquisador Eduardo Assad durante evento do Instituto Clima e Sociedade

Pesquisador Eduardo Assad durante evento do Instituto Clima e Sociedade Divulgação

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O calorão deste fim de semana, quando a temperatura se aproximou dos 40ºC em Mato Grosso do Sul, é um prenúncio do que está por vir nos próximos meses. A influência do El Niño, fenômeno climático causado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, com consequências em toda a América do Sul, já começou, mas o auge dos efeitos causados por ele deve ocorrer nos meses de outubro e novembro.
Para Mato Grosso do Sul, conforme análise do pesquisador da Embrapa e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Eduardo Assad, o Super-El Niño resultará, sobretudo, em temperaturas mais altas que o normal. Apenas no sul do Estado, a partir do mês de dezembro, podem ocorrer chuvas acima do normal, uma vez que a região é abrangida pelas consequências do fenômeno, que podem atingir o Sul do Brasil e parte do Paraguai e da Argentina.

“O que se tem hoje? A temperatura já está 1,71ºC acima do normal”, explica o professor, ao mostrar um gráfico que indica que a anomalia de temperatura do El Niño deste ano, em curva ascendente, já é superior à do El Niño de 1997, o mais agudo das últimas décadas. Naquele período, no mesmo intervalo de comparação, era registrado aumento de 1,5ºC na temperatura e, no auge do fenômeno, de mais de 3,2ºC.

A análise de Assad foi feita a partir de um modelo com dados de 74 fenômenos El Niño que ocorreram desde o século passado, pelo qual é possível estabelecer padrões de atuação. Isso dá mais segurança também para prever seus efeitos neste ciclo atual, que caminha para ser o mais intenso entre todos os fenômenos passados.

Para a região Centro-Oeste, Assad lembrou, durante seminário promovido pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), em São Paulo (SP), que a perspectiva é de “ondas de calor acentuadas”.
O especialista alertou para as consequências dessas ondas de calor. “Estas ondas de calor podem provocar óbitos nos bovinos, podem secar a soja e, se durarem muito, estas ondas podem até secar o milho”, explica.

Segundo ele, por enquanto, o Super-El Niño deve prejudicar o plantio da próxima safra de soja, previsto para ter início a partir da segunda quinzena de setembro. “O fenômeno vai ter seu pico em outubro e novembro, que é o período em que a gente planta soja no Brasil”, indica.
Apesar da incidência do El Niño, por causa das dimensões continentais do Brasil, Assad afirma que o País continuará tendo uma supersafra, mas que as perdas podem ser igualmente grandes.

“Os eventos que nós tivemos até hoje mostram que, em situação crítica, nós podemos chegar a 10%. Mas 10% está bom? Está bom nada! Estamos falando de 32 milhões de toneladas, é muita coisa, muita coisa”, compara.

Calorão

Monitoramento do meteorologista de Mato Grosso do Sul, Natálio Abraão Filho indica que em Corumbá, ontem, a temperatura passou dos 38ºC, mas a sensação térmica foi de 42ºC. 
Em Campo Grande, ontem o dia foi de muito calor, com temperatura de 34,8ºC e sensação térmica de 38ºC. 

Para a capital do Estado, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê mais calorão no início de semana: máxima de 38ºC e mínima de 23ºC. 
Não há perspectiva de chuva para esta semana.

Pesquisador Eduardo Assad durante evento do Instituto Clima e SociedadeCampo Grande teve altas temperaturas neste domingo/Gerson Oliveira

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