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Celulose da 5ª megafábrica de MS pode ser escoada por hidrovia

Inicialmente a Bracell estuda levar madeira por hidrovia até a fábrica de Lençóis Paulista. Se der certo, pretende escoar a celulose até a mesma região e depois seguir por ferrovia

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Em contagem regressiva para obtenção da licença de instalação de sua fábrica em Bataguassu, na região leste de Mato Grosso do Sul,  a Bracell, do grupo indonésio Royal Golden Eagle (RGE), estuda a possibilidade de despachar por hidrovia sua produção anual de até 2,9 milhões de toneladas de celulose previstas para serem produzidas na nova fábrica, a quinta do setor em Mato Grosso do Sul.

De acordo com declarações do secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Jaime Verruck, feitas ao jornal Valor Econômico,  inicialmente a Bracell pretende utilizar a hidrovia para levar eucalipto de Mato Grosso do Sul  para sua fábrica em Lençóis Paulista (SP). 

“Se funcionar bem para o eucalipto, eles estudam usar com a celulose também”, afirmou o secretário, que no começo de abril deve deixar o cargo para disputar uma das oito vagas de Mato Grosso do Sul na Câmara dos Deputados.

Embora ainda não tenha feito oficialmente o pedido de instalação de sua fábrica, a Bracel já cultiva áreas de eucalipto há cerca de seis anos em Mato Grosso do Sul, quando anunciou o plantio de 50 mil hectares. 

Além disso, adquiriu uma série de plantações de terceiros e atualmente leva esta madeira utilizando caminhões. De Bataguassu até fábrica paulista são em torno de 450 quilômetros de estrada. E são estes caminhões que a empresa pretende substituir por barcaças. 

Estas embarcações sairiam das imediações de Bataguassu, subiriam pelo Rio Paraná até a hidrelétrica de Jupiá, onde existe eclusa para transpor a barragem.  

Eta eclusa permite a passagem de grandes embarcações e comboios. Inaugurada em 1998, a estrutura foi construída para transpor o desnível de cerca de 26 metros. A câmara da eclusa tem cerca de 210 metros de comprimento, 17 metros de largura e cinco de profundidade. 

Depois disso, as embarcações seguiriam até a foz do Rio Tietê e continuariam em território paulista até um terminal intermodal (ferrovia, hidrovia e rodovia) no município de Pederneiras, a 35 quilômetros da fábrica de celulose da Bracell em Lencóis Paulista. No caso da madeira, ela seria industrializada nesta fábrica.

Porém, se o transporte hidroviária se mostrar viável, a celulose seria levada até esta região e depois disso seria despachada por ferrovia até o porto de Santos, percorrendo mais 550 quilômetros por trilhos. A Bracell de São Paulo já despacha sua celulose pelo terminal que serviria também para a celulose de Bataguassu.

A viabilidade depende basicamente da análise dos impactos e custos dos múltiplos transbordos de carga. Porém, a hidrovia é mais competitiva que o transporte rodoviário e reduz em 80% as emissões de CO. 

Além disso, existe o risco de  transporte ser afetado por períodos de estiagem, como o registrado no início de 2026, quando houve um recuo momentâneo na movimentação devido à estiagem.

Se esta alternativa for inviável, o mais provável é que a produção tenha de ser despachada por cerca de 300 carretas diariamente em uma distância da ordem de 270 quilômetros até Ferronorte, em Aparecida do Taboado, de onde seguiria até o porto de Santos pela ferrovia.

Neste percurso, além de terem de passar pela área urbana de Bataguassu, que deve receber um contorno rodoviário, estas carretas terão de passar por cidades como Brasilândia, Três Lagoas e Selvíria. Outra alternativa seria levar até o terminal da própria Bracell em Lençóis Paulista, um percurso de 460 km.

Estas 300 carretas diárias, conforme os estudos de impacto ambiental da Bracell, serão necessárias somente para escoar a produção.

Outras 500 passarão a circular na região para abastecer a fábrica com madeira e demais insumos. A estimativa é de que sejam consumidos anualmente 12 milhões de metros cúbicos de madeira, o equivalente à produção de cerca de 50 mil hectares de eucaliptos.  

LICENÇA

Inicialmente havia a previsão de que a licença para instalação da fábrica, orçada em R$ 16 bilhões, fosse concedida até o fim março. Porém, até agora a empresa não fez o pedido formal, o que está previsto para acontecer até o fim da próxima semana. Embora não haja confirmação oficial, impasses sobre o local exato de instalação da fábrica atrasou os planos iniciais da empresa. 

Depois que o pedido for feito, o Governo do Estado deve levar em torno de 60 dias para fazer as análises finais e liberar as obras. Então, se não ocorrerem novos atrasos, estas obras devem ter início ainda no segundo semestre de 2026 e a previsão oficial é de que se estendam por 38 meses. Ou seja, se tiverem início em meados de 2026, devem se estender até o final de 2029. 

O PROJETO

De acordo com a previsão inicial, a fábrica, a primeira de Mato Grosso do Sul a produzir celulose para fabricação de tecidos , ficará às margens da BR-267, a nove quilômetros da área urbana de Bataguassu, entre a cidade e o lago da hidrelétrica de Porto Primavera,  a quase quatro quilômetros do lago, que agora também pode ser utilizado para escoar a produção. 

E é deste lago, resultado do represamento do Rio Paraná, que a indústria vai coletar os 11 milhões de litros de água por hora que serão necessários para viabilizar o funcionamento da indústria. Cerca e 9 milhões de litros serão devolvidos ao lago depois da utilização. Segundo a Bracell, todos os efluentes serão tratados e trarão impacto mínimo na qualidade da água. 

No pico dos trabalhos devem ser gerados 12 mil empregos e em torno de dois mil depois que o empreendimento entrar em operação.

Em anos sem interrupção para manutenção dos equipamentos serão produzidos, conforme o estudo de impacto ambiental, 2,9 milhões de toneladas de celulose. Dependendo da demanda, a unidade terá condições de produzir celulose solúvel, como já ocorre com a fábrica do grupo asiático em Lencóis Paulista (SP). 

Esse tipo de celulose é usado na produção fibras têxteis, produtos de higiene (fraldas, lenços umedecidos), alimentos (sorvetes, molhos), fármacos (cápsulas) e produtos químicos (tintas, esmaltes).

Além da produção de celulose, o estudo informa que será gerada energia suficiente para abastecer a indústria e um excedente que será injetado na rede de energia da região. 

E esta infraestrutura para receber energia e no futuro despachar o excedente enfrenta um sério gargalo. Ainda não existe uma linha de transmissão de energia para abastecer a fábrica e depois escoar o excedente de energia. 

A companhia aguarda o leilão de uma subestação em Ivinhema, a 155 km da unidade, que deve ocorrer ainda este ano, para obter a autorização para implementação desse linhão. Em Ribas do Rio Pardo e em Inocência, as próprias empresas providenciaram estes linhões extras de energia.

Mas, mesmo que este linhão saia do papel, também haverá necessidade de investimentos para conseguir levar esta energia a partir da subestação de Ivinhema, o que não depende da Bracell.

Para o início de operação, a Bracell precisará de 66 megawatts. E, depois de entrar em operação, deve gerar 400, sendo que a metade será vendida para transmissão e consumo no restante do país. Até agora, porém, estas linhas de transmissão ainda não estão garantidas.

QUINTA FÁBRICA

A indústria de Bataguassu será a quinta do setor em Mato Grosso do Sul. A primeira, da Suzano, entrou em operação em 2009, em Três Lagoas.  Depois, em 2012, foi ativa a unidade do grupo J&F, a Eldorado, também em Três Lagoas. 

Em julho de 2024 começou a funcionar a fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo, que atualmente é a maior fábrica de celulose em linha única do mundo, com capacidade para 2,55 milhões de toneladas por ano.

Este título, porém, passará a ser da Arauco, que no segundo semestre do próximo ano promete ativar uma fábrica em Inocência, onde será produzidas 3,5 milhões de toneladas por ano. As obras estão a todo vapor e atualmente abrigam em torno de dez mil trabalhadores. 


 

FAZENDA 5 ESTRELAS

Milho substitui girassol em fazenda que virou 'ponto turístico' em MS

Fazenda Cinco Estrelas, famosa pelo campo de girassóis que bombou nas redes sociais, plantou milho no lugar de girassol para 'despistar' a erva daninha

21/06/2026 19h00

Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026

Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026 Gerson Oliveira

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Milho tomou o lugar do girassol, neste ano, na Fazenda Cinco Estrelas, localizada no Indubrasil, próximo a BR-060/BR-262, perto de Campo Grande/Terenos.

Famosa pelo campo de girassóis que bombou nas redes sociais, a fazenda suspendeu a plantação de girassóis em 2026, para plantar milho.

De acordo com o gerente da fazenda, Carlos de Lima Rosa, a substituição se deu por conta do aparecimento de erva daninhas, planta invasora que nasce em locais indesejados.

“Esse ano aqui tem girassol e não milho por conta da erva daninha. Nós não estávamos conseguindo controlar o caruru, então, com os herbicidas que nós passamos no milho, nós não podemos passar no girassol, então por isso o milho. Girassol esse ano só na Fazenda Guariroba, que é outra fazenda do seu Stefanello”, disse o capataz ao Correio do Estado.

O local se tornou um ‘ponto turístico temporário’ nos meses de agosto e setembro, por vários anos, onde centenas de pessoas visitavam a plantação diariamente para fazer ensaios fotográficos de casamento, gestação, noivado, 15 anos ou simplesmente atualizar o perfil das redes sociais.

Confira a paisagem da fazenda (antes e depois) em 2025 e 2026:

2025

Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026Plantação de girassol na Fazenda Cinco Estrelas, em 2025. Foto: Marcelo Victor/arquivo

2026

Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026. Foto: Gerson Oliveira

O campo de girassóis estará de volta, na Fazenda Cinco Estrelas, em 2027.

MILHO

O milho (Zea mays) é um cereal (grão) que produz espigas cheias de grãos amarelos. É uma das principais culturas agrícolas de Mato Grosso do Sul.

Os principais municípios produtores são Maracaju, Dourados, Ponta Porã, Sidrolândia e Itaporã, que concentram grande parte da produção de grãos do Estado.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento apontam que 12,49 milhões de toneladas de milho foram produzidas, na safra 2024/25, no Estado. Em grãos, a produção chegou a 27,79 milhões de toneladas.

O preço da saca de milho (60 kg) gira em torno de R$ 48 a R$ 52 em Mato Grosso do Sul. A área total do Estado é de 6,6 milhões de hectares.

GIRASSOL

O girassol é uma planta da família Asteraceae e do gênero Heliantheae. É nativo da América do Norte. É uma planta anual, que nasce, cresce, floresce uma vez por ano e morre logo em seguida.

De acordo com o biólogo Pedro Isaac, a planta tem cerca de dois metros de altura e o recorde, já registrado no mundo, é de nove metros. Mas, em épocas de seca, pode não alcançar nem um metro.

É rico em reserva energética e estrutural, como açúcares, proteínas e ácidos graxos, sendo estes a matéria prima do óleo.

É cultivado com matéria orgânica. "Não é das plantas mais exigentes quanto à adubação, podendo usar estrume, fertilizantes químicos e chorume de composteira, mas é bom sempre lembrar de diluir estes dois últimos e nunca usar fertilizantes demais, pois podem causar queimaduras químicas ou até intoxicar a planta", detalhou Pedro Isaac.

De acordo com o biólogo, o óleo é retirado da semente do girassol para consumo humano. “No entanto, como o maior produto consumido é o óleo, naturalmente pode causar alguns problemas, contribuindo para a obesidade, doenças cardiovasculares, entre outras”.

As sementes também são utilizadas como alimento para animais, especialmente aves de estimação como periquitos e canários.

O preço da saca de girassol (60 kg) gira em torno de R$ 65 a R$ 80 em Mato Grosso do Sul.

AÇÃO

Empreiteiro compra prostíbulo em leilão e aciona Justiça para tomar posse de imóvel

Proprietário de construtora com contratos estaduais arrematou bem por R$ 750 mil após inadimplência de cooperativa; ocupante alega contrato verbal e resiste à desocupação

21/06/2026 18h00

Casa da Barbie, em Inocência, comprada pelo empreiteiro Bruno Trindade, da Avance Construtora Ltda.

Casa da Barbie, em Inocência, comprada pelo empreiteiro Bruno Trindade, da Avance Construtora Ltda. Foto: Arquivo

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Bruno Cesar de Souza Trindade, sócio-administrador da Avance Construtora Ltda., ajuizou ação de imissão na posse contra o ocupante de um imóvel em Inocência (MS) onde funciona um estabelecimento denominado "Casa da Barbie". O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) determinou a desocupação do local em 30 dias, decisão confirmada por unanimidade pela 3ª Câmara Cível em 31 de março de 2026.

O imóvel pertencia à Cooperativa Agroindustrial e Pecuária de Inocência (Coapi). Em 2019, a cooperativa deu o bem em alienação fiduciária ao Sicredi Celeiro Centro Oeste como garantia de financiamento de R$ 200 mil. Com a inadimplência, o banco consolidou a propriedade em seu nome e conduziu leilão extrajudicial.

Em 28 de outubro de 2025, Trindade arrematou o imóvel em 2ª praça por R$ 750.488,56, pagos à vista, conforme carta de arrematação. O empreiteiro tem diversos contratos com o governo do Estado na região, inclusive sendo proprietário de uma usina nas proximidades do terreno onde está a "Casa da Barbie". Entre 2025 e 2026, a Avance teve R$ 141.662.386,41, entre pagamentos e empenhos da Agesul.

Casa das meninas

O imóvel é ocupado por Maicon Martins Brandão, comerciante residente em Inocência, que instalou no local o estabelecimento "Casa da Barbie", descrito pela defesa de Trindade nos autos como "prostíbulo sem qualquer regularização junto ao poder público". Fotos juntadas ao processo mostram construção pintada de rosa com a identificação do nome.

Brandão alega ter locado o bem verbalmente da antiga proprietária, a Coapi. Segundo o processo, o próprio Maicon assinou, em 2 de dezembro de 2025, a notificação extrajudicial enviada pelo advogado de Trindade. Não houve desocupação voluntária.

Com a recusa extrajudicial, Bruno Trindade ajuizou ação de imissão na posse na Vara Única da Comarca de Inocência. O juiz Edimilson Barbosa Ávila indeferiu o pedido de liminar, entendendo que a desocupação imediata poderia causar "prejuízos irreparáveis à atividade econômica exercida pelo demandado", considerando o risco de dano ao réu como contrapeso ao direito do autor.

Inocência passa por um boom imobiliário e comercial por conta da instalação da Arauco no município, com muito fluxo de pessoas, principalmente homens solteiros.

Recurso

Em 27 de janeiro de 2026, o desembargador Odemilson Roberto Castro Fassa deferiu tutela antecipada recursal ao empreiteiro e fixou prazo de 30 dias para desocupação, sob pena de despejo.

Brandão apresentou contrarrazões em março de 2026, informando ter realizado R$ 200 mil em benfeitorias no imóvel,construção de cômodos, reforma de dormitórios e banheiros e instalação de piscina, em propriedade que, segundo a defesa, era "um prédio abandonado de uma cooperativa de produtores de leite". Requereu prazo de 60 dias para concluir obras em outro local para onde transferiria o negócio.

O tribunal negou a ampliação do prazo. No acórdão de 31 de março de 2026, a 3ª Câmara Cível, por unanimidade, deu provimento ao recurso de Trindade.

O relator, Des. Odemilson Roberto Castro Fassa, decidiu que "a alegação de benfeitorias não tem o condão de afastar o direito possessório do proprietário".

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