Segundo investigação da Polícia Federal, um pai e duas filhas que moravam em Minas Gerais são apontados como líderes de quadrilha que traficava cocaína
Com uso de helicóptero e pelo menos 230 policiais de efetivo atuando diretamente em uma operação para cobrir os estados de Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Minas Gerais, a Polícia Federal atuou contra um pai e duas filhas apontados como líderes de um esquema de tráfico de cocaína a partir de Corumbá.
A droga tinha como destino Uberlândia (MG) para depois ser distribuída para cidades de São Paulo, interior de Minas Gerais e Belo Horizonte. Além de cocaína, o grupo criminoso também atuou no tráfico de skunk e de armas.
A operação Mens Occulta ainda agiu diretamente para combater a lavagem de dinheiro. As investigações da PF em Uberlândia tiveram início em 2024 e houve a identificação de que a família mineira movimentou, ao menos, R$ 70 milhões ao longo de cinco anos sem comprovação de origem do dinheiro.
Só em apreensões que a PF conseguiu alcançar, foram também 2,9 toneladas somente em cocaína, ao longo de 11 flagrantes.
Essas apreensões e o cruzamento de dados realizado com os presos levou aos indícios sobre o comando da organização criminosa.
“Foram autorizados pela Subseção Judiciária de Uberlândia (TRF6) o cumprimento de 49 mandados de busca e apreensão e 25 mandados de prisão preventiva nas seguintes cidades: Uberlândia, Uberaba, Ituiutaba, Araguari, Centralina, Araporã e Belo Horizonte (MG); Cariacica (ES); Campo Grande e Corumbá (MS).
O grupo criminoso é suspeito de movimentar R$ 70 milhões em valores sem lastro, no período de cinco anos, conforme relatórios de inteligência financeira”, detalhou a PF em nota.
Para conseguir criar a movimentação financeira da família, o pai e as filhas, que não tiveram os nomes divulgados, tinham na região conhecida como Triângulo Mineiro (Uberlândia, Uberaba e Araguari), ranchos, apartamentos, cavalos de raça, embarcações e veículos. Apesar dos altos valores, a família não ostentava os bens de forma pública.
Durante a operação, por exemplo, os policiais encontraram um veículo motorhome avaliado em R$ 1,2 milhão.
Também houve ações ocorrendo em regiões onde estão instalados ranchos em beira de lago, em Uberlândia, que são avaliados em, pelo menos, R$ 6 milhões.
A PF não confirmou se a família foi presa em um desses ranchos visitados, mas fez apreensões nesses locais de alto padrão.
No total, 12 pessoas foram presas com os cumprimentos de mandados, que no total eram 25 mandados. A PF não detalhou quem acabou escapando da prisão, mas confirmou que além do cumprimento dos mandados, armamento variado foi encontrado em diferentes cidades, principalmente nos municípios mineiros.
Responsável pelo inquérito, o delegado Felipe Martins Perez Garcia apontou que as investigações prosseguem por conta dos materiais apreendidos que servem para identificar outros elementos da atuação da organização criminosa.
ESQUEMA
As investigações iniciadas em 2024 mostraram que a família mineira comandava o tráfico transnacional e assumia o transporte de cocaína a partir de Corumbá para chegar em Uberlândia, distante cerca de 1,1 mil km da fronteira.
Na cidade mineira estavam galpões que serviram para armazenar a droga. Depois disso, o entorpecente era dividido para ser enviado para as cidades de São Paulo, Belo Horizonte e municípios do interior de Minas Gerais.
Para conseguir movimentar os valores milionários envolvidos no tráfico transnacional, empresas de fachada eram abertas em Minas Gerais.
Pessoas usadas como “laranjas” apareciam como proprietárias desses locais, que se utilizavam de galpões.
Uberlândia é uma região conhecida por ser hub logístico para o transporte de mercadorias ligando as Regiões Norte e Sudeste, principalmente São Paulo.
No Espírito Santo, a célula que estava atuando da organização criminosa tinha a responsabilidade da gestão financeira dos crimes envolvidos como tráfico internacional de drogas, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A PF não confirmou, mas em Corumbá já vinha sendo investigado o transporte ilegal de cocaína a partir de caminhões que transportam minério de ferro desde a região de fronteira para Minas Gerais.
Em 2025, apreensões feitas pela Polícia Rodoviária Federal em Mato Grosso do Sul (PRF-MS), principalmente na BR-262, identificou o aliciamento de caminhoneiros para realizar esse tipo de transporte.
O frete criminoso poderia gerar até R$ 10 mil por viagem.
Em abril de 2025, uma das maiores apreensões desse tipo interceptou 452 quilos de cocaína, droga que chega a ser avaliada em R$ 22 milhões e que viajava escondida em caminhão com minério de ferro.
* SAIBA
Conforme a Polícia Federal, ao longo das investigações foram feitos 11 flagrantes lavrados contra a organização criminosa, onde foram apreendidas cerca de 2,9 toneladas de cocaína, provenientes da região de Corumbá.
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