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Centro é a região mais perigosa de Campo Grande, aponta levantamento

Em novembro, foram 80 boletins de ocorrência de furto na localidade, enquanto os outros bairros têm menos de 20 casos

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De acordo com levantamento realizado pelo Correio do Estado, com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o Centro é o bairro mais perigoso da Capital. Enquanto em outros locais o índice de boletins de ocorrência de furtos fica abaixo de 20 registros, na região central ele chega a 80 casos. 

O Centro também tem mais ocorrências de roubos e homicídios do que os outros bairros de Campo Grande. Enquanto o Centro registrou 16 boletins de roubo, o segundo bairro com mais notificações é o Amambaí, com 6 boletins. 

Em relação aos furtos, o segundo bairro com maiores notificações do crime também é o Amambaí, com 18 boletins de ocorrência, seguido por Tiradentes, com 13, e Taveirópolis, com 9 registros de furto. 

No quadrilátero central do comércio, lojistas divergem a respeito da segurança. Daiane Sampaio trabalha em uma lanchonete que fecha mais tarde que o horário comercial normal, por causa do serviço de delivery, e já teve uma colega assaltada ao sair do trabalho. 

“Mesmo tendo câmera e tudo mais, é arriscado. Às vezes passa uma viatura, mas não tem segurança aqui na região. Vai acabar que, com o tempo, não vamos ficar até mais tarde, e isso prejudica, porque um dos melhores movimentos nosso é à noite”, relatou Daiane. 

Já Marcos Salomão é ambulante e trabalha diretamente com dinheiro. “Falta muita segurança. Às vezes, você vê [policial], mas, na hora em que você precisa, não tem”, diz o trabalhador, que prefere encerrar as atividades às 16h durante a semana, para se prevenir. 

Entretanto, funcionários de lojas que saem no horário comercial convencional afirmam ter segurança no local. Roberta Vendramini é cabelereira e reclama apenas da divisão de pontos de panfletagem. 

“Teve panfleteiro que correu atrás de parceiros meus com faca, ameaçando. Eu acho que deveria ter mais policiamento aqui na esquina, mas de noite aqui é tranquilo, é mais briga de panfleteiro com panfleteiro”, afirmou. 

A vendedora Keyla Gonçalves afirma que vê seguranças no horário de saída, mas não tem coragem de ir ao trabalho de moto, pois tem receio de ser roubada. 

“Eu venho de ônibus porque eu não quero deixar ela [moto] em frente à loja, pois eu tenho medo de alguém roubar. Até com cadeado: você coloca e quando sai não tem mais. Eu tenho amigos que já perderam”, informa a vendedora. 

O especialista em segurança Edgar Marcon aponta como problemas para a segurança na área central,a falta de políticas públicas em áreas como saúde e educação e penas ínfimas para esses tipos de crimes.

“Pessoas desocupadas que perambulam diuturnamente em busca de alimentação e drogas e, sem fonte de renda, encontram no furto a saída para uma subsistência mínima”, comenta o especialista. 

Para Marcon, aumentar o número de rondas não seria suficiente para intimidar as ações. “Não tem como fazer ronda a noite toda, precisaria um número absurdo de policiais ou câmeras para cobrir a área”, finaliza. O Centro, por outro lado, é o bairro mais monitorado da Capital. 

Para o comandante do 1º Batalhão, tenente-coronel Avelar, que atende a região central, a maior parte das ocorrências são registradas na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro (Depac-Centro), e isso acaba contabilizando as ocorrências no bairro. 

Avelar informa que os crimes de furto, que são os mais comuns no bairro, são solucionados quase imediatamente. 

“Na verdade, o trabalho tem surtido resultados positivos quando os crimes ocorrem na área central. Nossas viaturas estão diuturnamente realizando rondas e abordagens”, explica o comandante. 

No levantamento feito pelo Correio do Estado, há registros de boletins sem a localização informada – sendo 5 furtos e 5 roubos sem o bairro registrado – e em terminais ou ônibus –1 roubo e 6 furtos. 

FIM DE ANO 

Com a chegada das festividades de Natal e Ano-Novo, a Prefeitura de Campo Grande intensificou a segurança na região comercial do centro. A Operação Boas Festas começou na segunda-feira (5) e vai até o dia 9 de janeiro. Lojistas já notam a diferença no dia a dia. 

“Sempre vi segurança, mas não tanto quanto tem agora. Aumentou este mês”, comenta Keyla Gonçalves. 

Ao todo, cinco mil policiais reforçarão a segurança das cidades do interior e da Capital, sendo 200 agentes para Campo Grande, atuando em todas as regiões da cidade.


 

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Oportunidade

IFMS: alunos de dois cursos podem se inscrever no programa Pé-de-Meia

Iniciativa contempla acadêmicos de Computação (Jardim) e Química (Coxim) que ingressaram via Sisu

24/10/2026 14h45

Divulgação/IFMS

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Alunos matriculados nos cursos presenciais de Licenciatura em Computação, ofertado no Campus Jardim, e Licenciatura em Química, no Campus Coxim, podem se inscrever no programa Pé-de-Meia Licenciaturas, ação do Ministério da Educação (MEC) que integra o programa Mais Professores. 

Para ingressantes de 2026, as inscrições ficam abertas até o dia 19 de dezembro, enquanto houver disponibilidade de vagas, e devem ser realizadas diretamente pela Plataforma Freire.

A análise e aprovação das pré-inscrições são conduzidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) até o dia 20 de cada mês.

Benefício financeiro - O programa concede apoio financeiro no valor total de R$ 1.050 mensais durante toda a graduação:

  • R$ 700 mensais: disponíveis para saque direto do estudante;
  • R$ 350 mensais: depositados em conta-poupança. O valor acumulado poderá ser resgatado se o formando ingressar como docente em rede pública de ensino em até cinco anos após a formatura.

O pagamento das bolsas é efetuado até o quinto dia útil do mês subsequente ao cadastramento do bolsista no sistema da Capes.

Quem pode participar - Podem solicitar o benefício os acadêmicos que atendam cumulativamente às seguintes condições:

Estar regularmente matriculado em curso presencial de licenciatura do IFMS (Computação em Jardim ou Química em Coxim);
Ter ingressado no curso em 2026 por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu);
Ter alcançado nota igual ou superior a 650 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem);
Cumprir os critérios do Edital nº 2/2025 da Capes e as diretrizes do programa de ingresso.
O atendimento oficial do MEC e da Capes para esclarecimentos sobre o programa é feito pelo e-mail [email protected].

Com informações do Ministério da Educação 

DENÚNCIA

MP investiga suposta farra das diárias na Câmara de Dourados

Vereadores participam de uma única sessão semanal e custam R$ 29,1 mil por mês aos cofres públicos municipais somente com salários e indenizações

24/10/2026 12h40

Desde agosto de 2023 a Câmara de Dourados funciona em uma sala alugada no Shopping Avenida Center

Desde agosto de 2023 a Câmara de Dourados funciona em uma sala alugada no Shopping Avenida Center

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Após receber denúncias do farmacêutico bioquímico Racib Panage Harb, que já foi candidato a vereador três vezes e candidato a prefeito de Dourados nas duas últimas eleições, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul instaurou procedimento administrativo para apurar possíveis fraudes no pagamento de diárias e indenizações pagas a parte dos 21 vereadores do município, o segundo mais populoso de Mato Grosso do Sul.

Conforme publicação do diário oficial de segunda-feira (26), o promotor Luiz Eduardo Pinheiro quer "apurar a legalidade, a transparência, a rastreabilidade e a regularidade material dos gastos públicos havidos com a cota para o exercício da atividade parlamentar (CEAP), diárias de viagem e suprimentos de fundos referentes ao exercício de 2025, eventual ocorrência de dano ao erário, decorrente de fatos relacionados, e medidas de compliance interno”. As denúncias foram apresentadas por Racib ao MPMS no dia 2 de março. 

Dados já anexados à investigação revelam que o vereador Sérgio Nogueira, por exemplo, recebeu R$ 58.991,00 no ano passado somente em diárias. Em viagens dentro do Estado, o valor definido pela Câmara é de R$ 950,00. Se a viagem for para outro estado, sobe para R$ 1,3 mil. Então supondo que o valor tenha sido repassado para viagens internas, ele ficou 62 dias fora de Dourados no ano passado.

Enquanto isso, o vereador Janio Colman Miguel recebeu apenas R$ 337,00.  Por outro lado, ele aparece em quarto lugar entre aqueles que mais receberam verbas indenizatórias, que também estão na mira da investigação da promotoria. A Câmara pagou R$ 104.908,33 para Janio Miguel em um ano.

O primeiro colocado neste quesito foi o vereador  Rubens Gomes Prates, que faturou R$ 115.330,75 ao longo de 2025. Em último lugar ficou o vereador petista Elias Ishy de Mattos, R$ 47.722,80.

Eleita deputada federal no dia 4 de outubro com a promessa de “acabar com essa zona na política”, a vereadora Isa Marcondes recebeu R$ 88.631,91 em verbas indenizatórias e R$ 46.849,00 a título de diárias, ficando entre os dez que mais custaram aos cofres públicos no ano passado. 

Além das diárias e das verbas indenizatórias, os vereadores ainda recebem o salário fixo de R$ 17.837,32, o que garante renda bruta superior a R$ 226 mil por ano.

Somando salários, diárias, verbas indenizatórias e de suprimentos, os 21 vereadores consumiram quase R$ 7,33 milhões no ano passado, o que equivale a uma média de R$ 350 mil por parlamentar, o equivalenta a quase 18 salários mínimos por mês, ou R$ 29,1 mil. 

Embora seja um valor invejável para a grande maioria dos trabalhadores, os vereadores não chegam a ser marajás. Porém, se for levado em consideração que participam de uma única sessão semanal, já podem ser classificados como tal. 

MAIS PRAZO

A promotoria solicitou que a presidência da câmara repassasse, além dos valores, “comprovantes individualizados de despesas que originaram os pedidos de ressarcimento, incluindo notas fiscais, recibos, extratos bancários e demais documentos que demonstrem a efetiva realização dos gastos”. Mas, a Casa pediu mais prazo sob a alegação de que estes documentos estavam sendo digitalizados ainda.


Um dos principais alvos das denúncias de Racib, que na eleição passada recebeu 2.455 votos na disputa pela prefeitura, é presidente da Câmara, Liandra Ana Brambilla. Conforme os documentos anexados à investigação do MP, no ano passado ela recebeu quase R$ 112 mil em diárias e reembolsos.

No mês passado, Racib apresentou denúncias pedindo seu afastamento do cargo sob o argumento de que sua prestação de contas relativa a abril de 2025 ela emitiu nota, às 13h26 do dia 3 de abril, em uma churrascaria de Dourados, no valor de R$ 60,13. A despesa, segundo Racib, seria normal, se ela não tivesse solicitado, no mesmo período, diária de R$ 674, em Campo Grande, para o período de 2 a 3 de abril, com finalidade de agenda no gabinete do deputado Neno Razuk.

“Fica evidente a utilização das diárias e da verba de indenização no mesmo período, o que caracteriza irregularidades”, alertou.

]Depois, citou ainda a prestação de contas emitida no dia 5 de junho, às 13:27h, de outro estabelecimento de Dourados, no valor de R$ 109,76, para almoço. Mas, no mesmo período teria recebeu da Câmara o valor de R$ 1.011,00 para agenda na Assomassul, em Campo Grande, nos dias 5 e 6 de junho. 

“Aqui ficou claro que houve o mesmo fato gerador (Irregular). Ou seja, o agente público viajou a trabalho e recebeu diárias do órgão público para cobrir seus gastos com pousada e alimentação, ela não poderia utilizar a verba indenizatória para ressarcir as mesmíssimas notas fiscais do restaurante que se refere a alimentação, ficando claro que foi indenizada duas vezes pelo mesmo gasto, gerando dano ao erário. Aqui não podemos ser levianos de dizer que existe um enriquecimento ilícito mas no mínimo um dano ao erário. Se é de um real, 100 ou mil ou milhões, o dano existe. Fica evidente a prática irregular que a verba indenizatória permite em casos como esses”, denunciou.

Na época, Liandra da Saúde, como é conhecida, afirmou que as denúncias tinham viés político, já que foram feitas às vésperas da eleição da mesa diretora da Casa, que ocorreu no dia 2 de outubro e a reconduziu para o biênio 2027-2028. 

Ao apresentar suas denúncias ao MP, o farmacêutico se baseou em uma decisão liminar proferida no dia 5 de fevereiro pelo ministro Flávio Dino, do STF, que determinou, entre outras providências, “a reavaliação das verbas indenizatórias pagas a agentes públicos, a edição e publicação de ato motivado com discriminação rubrica a rubrica e respectivo fundamento legal, bem como a suspensão de verbas não expressamente previstas em lei”.

A presidente da Câmara, porém, garantiu ao MP que todos os pagamentos feitos a vereadores de Dourados obedecem as normas legais e por isso os pagamentos seguem sendo feitos no mesmo ritmo adotado no ano passado. 

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